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(pt) Brazil, CAB: ANÁLISE DE CONJUNTURA - CAB - SETEMBRO/2026 (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Mon, 19 Oct 2026 08:04:33 +0300
Somos partidárias de um programa de lutas que não troque sua
independência de classe por cargos, favores ou razões governistas. Como
pequena, mas resoluta força de enfrentamento ao lado das oprimidas e
exploradas, continuaremos como sempre nas lutas que vêm de baixo, fora
do governo e das colaborações com os patrões. E como pauta para essa
conjuntura que entramos, queremos construir soluções práticas com quem
luta, sem perder nossa intenção libertária e socialista, com o
sentimento de que nada podemos esperar que não seja do próprio povo.
CRISE DA DEMOCRACIA BURGUESA
A cena política no Brasil tem uma ferida aberta. Nós, enquanto
anarquistas, temos que botar o dedo nessa ferida e instigar outro
imaginário político, sustentando pautas contra o sistema instituído. A
democracia burguesa, como melhor forma de mediação do conflito de
classes, tem apresentado sérios indícios de seu esgotamento no atual
estágio do capitalismo em crise. Os sintomas estão para todas
observarem: os acenos aos golpes brandos ou autoritários que buscam um
reordenamento institucional para que se possa por abaixo qualquer
resquício de direito conquistado, comprometendo o Estado a uma política
de austeridade que aperte o cinto das classes populares e o deixe
folgado para as elites rentistas parasitárias deste país. O ajuste
fiscal, que volta e meia muda de nome (teto de gastos, arcabouço fiscal,
novo arcabouço), mantém o cerne da limitação de gastos sociais e
deflagra um "salve-se quem puder" numa economia periférica
agrário-exportadora, em que a maior parcela da classe está no setor de
serviços e na informalidade/MEI.
O esgotamento da Nova Republica, seu fim, transparece na incapacidade do
sistema partidário-oligárquico de não dar mais conta das coalizões e
conciliação de classes, de um reformismo já inexistente que conduzia a
máquina do Estado ao arrocho mediado sobre a população, pois se sabia,
em tempos recentes, a força que os movimentos sociais tinham e deixaram
de ter sob a política de conciliação, nefasta para a educação política
desses movimentos. A lição que fica desse curto período de
redemocratização em que ampla maioria da esquerda optou pelas eleições é
que as soluções de nossos problemas não virão pelas urnas.
Os casos de Daniel Vorcaro, a ligação umbilical de deputados da ALERJ ao
crime organizado, a lavagem de dinheiro para o tráfico da Faria Lima, a
existência e devassa das Emendas Parlamentares entre outros episódios
recentes, colocam a nu aquilo que já sabemos: a democracia liberal
representativa é totalmente subserviente aos interesses dos mais ricos e
não há nada que possa fazer ao ocupar os espaços institucionais, senão
comer farelo junto a estes porcos.
Portanto, para se manter de pé, a república em ruínas se aprofunda em
seu caráter policialesco, de corpos e mentes, através não apenas das
forças policiais e jurídicas, que vêm aumentando sua opressão no campo e
na cidade, haja vista o aumento de assassinatos de lideranças e
reintegrações, mas também as igrejas neopentecostais e milicias a
serviço da ordem, dificultando a agência das classes populares. O fator
policial desse Estado tem relação direta com o masculinismo que tem
tomado a mente da juventude por meio das redes sociais, buscando
justificar o mal-estar que subjetivamente este sistema nos causa,
promovendo todo tipo de teorias misóginas que acarretam nas altas taxas
de feminicídio e violência contra as mulheres cis e a população trans e
travesti. Isso não é mero acaso, é elemento constitutivo do avanço do
Estado policial necessário para a continuidade da agenda neoliberal que
aponta saídas individualistas (empreendedorismo, bet, influencer) que
corroem o tecido social baseado na solidariedade de classe, eliminando a
esperança de um outro futuro. Essa violência entre as de baixo,
promovida por um cenário vendido de que não há futuro para todas,
objetiva a desarticulação, pelo medo, da auto-organização popular que
tanto construímos nos tempos recentes;
IMPERIALISMOS E INTERVENÇÃO
A conjuntura brasileira se torna perigosa ao entender o contexto
internacional em que está inserida. Em profunda decadência e perda de
hegemonia política e econômica, os Estados Unidos abandonam a hipocrisia
de seus discursos sobre multilateralismo, diplomacia e respeito ao
direito internacional, se retirando de acordos internacionais e
ignorando as decisões tomadas na ONU, esta última em frangalhos,
mostrando suas garras aos seus concorrentes. Essas garras estão fincadas
na América Latina com a nova estratégia de segurança nacional que
reedita a Doutrina Monroe, política imperialista sobre o nosso
continente que visa o saque de nossas riquezas naturais. São múltiplas
as estratégias de intervenção que temos observado até o momento. A
primeira é a intervenção nos processos eleitorais com apoio financeiro e
informacional da extrema-direita nos países, vide recentemente o Peru,
mas também com as ameaças de tarifaço, que buscam agitar as burguesias
destes países a se posicionarem alinhadas ao imperialismo. Contudo, não
há mais amarras para a intervenção direta imperialista dos EUA. De
maneira inédita forças estrangeiras sequestraram o presidente Nicolas
Maduro, com interesse na rapinagem do petróleo venezuelano para a
sustentação de suas guerras. Outra narrativa que busca justificar a
intervenção em solo brasileiro vem se criando em torno da transformação
das organizações do narcotráfico em organizações terroristas, abrindo
precedentes legais para sua intervenção em solo nacional, ao que sabemos
seus reais motivos: subjugação dos insubordinados, principalmente o povo
organizado nos movimentos sociais e o butim de matéria-prima essenciais
para as novas tecnologias.
Portanto, a questão central é ambiental, que passa pela defesa da
natureza e da população que vive nas regiões de sacrifício. As áreas de
fronteira do capital, como no caso das Amazônias, Pantanal, MATOPIBA
(Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), assim como os novos códigos
minerário, florestal e ambiental, se inscrevem na destruição para o
financiamento das guerras e garantia de lucro. Tudo isto intensifica as
mudanças climáticas, que recaem especialmente sobre as oprimidas e
exploradas desta terra de várias formas, como desertificação do
Nordeste, queimadas no Pantanal, chuvas torrenciais, deslizamentos e
ventanias no Sul e Sudeste.
Em resumo, a intervenção dos EUA visa garantir não só a continuidade do
neoliberalismo como razão econômica e política, aprofundando a
superexploração, mas abrir a porteira com o entreguismo tupiniquim e dar
de bandeja os recursos estratégicos para o centro do capital na corrida
armamentista global.
CENÁRIO ELEITORAL
O cenário eleitoral que se apresenta é, muito provavelmente, a vitória
da quarta e última edição de Lula, sem deixar qualquer tipo de legado
estrutural, apenas migalhas que podem e serão retiradas sem rodeios
quando puderem. Seu legado real foi a docilização dos movimentos sociais
e sindicatos que se voltaram para o interesse do partido na perpetuação
da gerência do Estado com todas as suas benesses, usando a luta popular
como moeda de troca nas mesas de negociação com as elites. Onde se viam
marchas, ocupações, queda de cercas, enfretamentos e esperança, hoje
restaram mobilizações nas redes, receosos com qualquer fantasma que se
pareça com 2013, como vemos, por exemplo, na condução da luta contra a
escala 6×1 pelo VAT, ao qual disputamos seus rumos.
Durante o processo eleitoral, seguem também os inabaláveis 30% da
oposição ao Lula que se apresentam como bolsonaristas, conservadores,
reacionários, fascistas e liberais em conjunto sob a bandeira da negação
do governo petista. Esses que simulam uma revolta contra o sistema,
buscam, na verdade, seu aprofundamento para terem a possibilidade de
acumular mais riquezas, ou saírem da situação de penúria em que se
encontram, já que nada parece mudar e tudo fica mais difícil, acelerando
o processo de desagregação social em curso.
As demais estratégias em torno das eleições que buscam mobilizar para o
voto na urna, centram suas perspectivas em um futuro que nunca chega,
iludem as trabalhadoras fazendo crer que alguém de sua classe, ao
sentar-se na cadeira da presidência ou parlamento, irá mudar a situação,
quando reiteradamente a história que observamos é outra.
Nós, anarquistas, socialistas libertárias, puxamos a corda desde abaixo
para a esquerda, fora do jogo eleitoreiro, criando organismos e
movimentos que tenham capacidade de arrancar direitos, com perspectivas
de disputar o poder contra os poderosos a partir da luta. É desse
exercício contínuo e duradouro, que é a luta de classes, que buscamos
estimular um povo forte que não deposita nem um pingo de esperança na
democracia burguesa.
Por isso, dizemos em alto bom som: SÓ A LUTA MUDA A VIDA, só movimentos
sociais autônomos e combativos é que podem sair dessa sinuca que nos
colocaram. As vitórias e respostas nesse sentido vêm sendo dadas pelos
povos originários que desmascaram os projetos de destruição da natureza
disfarçados de desenvolvimento. Essas lutas demonstram como a ação
direta e a independência conseguem superar as tentativas de captura das
vitórias políticas, sem se deixar seduzir pelas representatividades que
tentam manobrar os movimentos.
Nossa estratégia é a mais realista possível diante desse contexto sem
saída institucional e num ambiente cultural individualista e conservador
que vivemos. Nossa aposta é retomar as ruas, os sindicatos, os
movimentos, criar organização onde não há, para fazer o enfrentamento
inevitável para retomarmos as mobilizações a partir dos nossos
interesses locais e nacionais. Não nos cabe mais ilusão,
Só a Luta Muda a Vida!!
Coordenação Anarquista Brasileira
Setembro, 2026
https://cabanarquista.com.br/analise-de-conjuntura-cab-setembro-2026/
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