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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #13-26 - Primeiro de Maio Internacional (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Sat, 23 May 2026 08:25:28 +0300


Mais de cem anos se passaram desde que Errico Malatesta lamentou nestas páginas que as manifestações do Primeiro de Maio já não despertavam o entusiasmo de tantos anos atrás. ---- O Primeiro de Maio continua sendo um grande dia internacional. Mesmo seus bailes, suas festas, seus concertos têm um caráter intrinsecamente revolucionário, porque são fruto da deserção do serviço militar em prol da competitividade e da produtividade capitalistas. ---- A deserção deve ser a palavra de ordem deste Primeiro de Maio. Deserção da produção e do transporte de armas, deserção de todos os governos e suas guerras. Portanto, solidariedade com os desertores e a luta contra o militarismo: esses são os temas para uma interpretação contemporânea do caráter internacionalista do Primeiro de Maio.

No artigo publicado na Umanità Nova em 1920, Malatesta resumiu as críticas que um segmento mais "intransigente" do movimento anarquista, já feitas no início do século passado, a respeito da "degeneração" do Primeiro de Maio. Pietro Gori também protestou contra essas críticas em sua época.

As razões para essas críticas eram múltiplas: o lamento pela perda do caráter revolucionário era agravado, para alguns, pela recusa em se preparar para um evento internacionalmente acordado. Os movimentos são espontâneos, dizia-se, e não podem ser convocados por ordem, segundo prazos predeterminados; outros ainda expressavam desprezo pela participação em massa, que diluía o caráter revolucionário das minorias e dos indivíduos. Sobrepondo-se a tudo isso, porém, pairava um dos principais obstáculos à ação do movimento anarquista: a crença de que nem mesmo o Primeiro de Maio era revolucionário o suficiente para os anarquistas.

Errico Malatesta retoma essas críticas e as inverte: não é o caráter das massas que enfraquece o caráter revolucionário do Primeiro de Maio, mas sim o envolvimento insuficiente do movimento anarquista. Cabe aos anarquistas, argumenta Malatesta, caracterizar o Primeiro de Maio como revolucionário e enriquecê-lo com conteúdo, sem se deixar influenciar pelo processo de enfraquecimento. O que diria o bom e velho Errico, agora que o Primeiro de Maio é feriado nacional? Até mesmo a Igreja, preocupada com o apoio das classes exploradas à ocasião, decidiu intervir dedicando o primeiro dia de maio a São José Operário.

Contudo, ainda hoje, o Dia do Trabalho, com sua profusão de piqueniques, canções, danças, festas e concertos, lança uma sombra ameaçadora sobre as classes privilegiadas e os governos, que fazem tudo o que podem para anulá-lo e esvaziá-lo de significado.

E o Dia do Trabalho permanece um importante evento internacional. A ideia de uma afirmação de vontade das classes exploradas e das forças revolucionárias de todos os países em um dia específico, não aleatório; o gesto pelo qual, no mesmo dia, trabalhadores de todo o mundo abandonaram seus empregos e deixaram seus locais de trabalho. Tudo isso ainda representa uma ameaça para aqueles que querem nos acorrentar à miragem da competitividade e produtividade capitalistas. A celebração das conquistas do movimento operário, por meio de festas e manifestações, é um testemunho da crescente consciência das divisões de classe da sociedade e da solidariedade do proletariado para além das fronteiras traçadas no papel.

Além disso, a natureza revolucionária da celebração não deve ser subestimada.

Os governos vislumbram um futuro de escassez e catástrofe, no qual a guerra se torna, mais uma vez, o instrumento para a resolução de disputas internacionais. Um futuro sombrio de subjugação à carruagem do capital, sob o disfarce de coparticipação e solidariedade nacional. A produção moderna é impensável sem a disciplina daqueles que fornecem a força de trabalho. Todas as energias devem ser direcionadas para o aumento da produtividade, disciplinando e reprimindo instintos vitais e regulando o consumo de alimentos, bebidas e qualquer substância que possa prejudicar a capacidade de trabalho da força de trabalho. Ao mesmo tempo, o corpo e a mente daqueles que fornecem a força de trabalho tornam-se o campo em que as técnicas de disciplina são testadas, juntamente com a administração de substâncias capazes de aumentar o desempenho no trabalho e tornar os indivíduos mais disciplinados em relação à hierarquia corporativa.

Assim, mesmo uma festa, que interrompe a todo custo esse mecanismo de submissão à produção, assume um caráter subversivo, e o mesmo piquenique, que liberta as pessoas do concreto dos bairros residenciais por um dia, acaba sendo mais eficaz do que um comício para exemplificar o caráter da sociedade que queremos construir.

Cabe ao movimento anarquista incutir nesses momentos de libertação do jugo da exploração capitalista os elementos de intransigência revolucionária que caracterizaram o Primeiro de Maio desde o seu início.

Recordar as origens do Primeiro de Maio significa recordar os Mártires de Chicago. August Spies, Albert Parsons, Adolph Fischer e George Engel foram enforcados por organizarem uma greve em 1º de maio de 1886, exigindo a implementação da lei das oito horas. Louis Lingg cometeu suicídio na prisão um dia antes de ser enforcado.

Recordar o Primeiro de Maio significa recordar a solidariedade universal e cosmopolita, que transcende todas as pátrias, de cada pessoa oprimida pelo trabalho e movida pelo desejo de emancipação.

O Primeiro de Maio oferece-nos o exemplo de grandes dias de luta, construídos sobre a unidade de forças que se autodenominam movimento operário. O movimento anarquista sozinho não teria sido capaz de dar vida a essa experiência. Devemos, portanto, ser capazes de construir relações com outros componentes, sem jamais nos tornarmos nós mesmos. A própria história do Primeiro de Maio demonstra que, graças ao empenho de parte do movimento anarquista, essa data foi definida com sucesso. Outro segmento do movimento, em nome de um purismo equivocado, preferiu não participar da tomada de decisões. Se todo o movimento anarquista tivesse seguido esse caminho, os líderes social-democratas teriam o terreno pavimentado para transformar o Primeiro de Maio em uma mera oportunidade de propaganda para seus objetivos eleitorais, a ser realizada no primeiro domingo de maio. Como eles queriam, e como não aconteceu.

"Deserto, falanges de escravos", exorta o hino do Primeiro de Maio de Pietro Gori. O abandono do trabalho é um elemento central do Primeiro de Maio. Hoje, o abandono assume um significado mais amplo, dada a transformação progressiva da economia em uma economia de guerra. E, além do abandono mais amplo do trabalho, devemos também exigir o abandono da produção e do tráfico de armas, que alimentam guerras em todo o mundo. Não se trata apenas de uma escolha individual para aliviar nossa consciência. A deserção é o primeiro passo na construção de um movimento de massas para influenciar a produção e a distribuição, de modo que a produção da morte possa ser transformada na produção de bens e serviços destinados a aliviar o sofrimento da maioria da humanidade.

Acima de tudo, deserção de todas as guerras. Àqueles que dizem que há um agressor e um agredido, repetimos que todos os governos, todos os capitalistas, são os agressores. Devemos desertar de todas as guerras, devemos apoiar os desertores, abrindo nossas fronteiras e organizando todas as formas possíveis de apoio.

É isso que o Primeiro de Maio de 2026 nos chama a fazer.

Basta de militarismo! A marcha rumo à guerra só pode ser detida pela ação popular.

Viva o Primeiro de Maio! Viva a unidade internacional da classe trabalhadora! Viva a anarquia!

Tiziano Antonelli

https://umanitanova.org/primo-maggio-internazionale/
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