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(pt) Spaine, Regeneration: Entre a prática educativa e a ação política: Educação Social em dupla militância Por XESTA ORGANIZACIÓN ANARQUISTA GALEGA (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Mon, 2 Mar 2026 08:59:01 +0200
Escrever a partir da Educação Social é escrever a partir de um lugar
situado. Não falamos de uma suposta neutralidade técnica ou de uma
distância asséptica da realidade. A Pedagogia-Educação Social (PES,
daqui em diante) nasce, trabalha e respira em contextos concretos,
atravessados por desigualdades, relações de poder, conflitos, dores
coletivas e também por forças de transformação. Portanto, quem educa
socialmente não ocupa um lugar neutro: exerce uma posição ética e
política, assim como quem atua como militante. Mesmo quando não se
declara como tal, já intervém numa realidade social e contribui, de
alguma forma, para a sua reprodução ou transformação.
Escrevo também a partir de outro lugar: o do académico e do
investigador. A Pedagogia e a PES não são apenas exercidas, são também
pensadas, analisadas, debatidas e construídas teoricamente. Minha
prática profissional, muitas vezes não remunerada, mas sempre
profundamente política, me coloca em um espaço híbrido: entre
intervenção e pesquisa, entre território e teoria, entre compromisso
vital e exercício intelectual. Hoje escrevo a partir daqui, de onde se
formula a análise que se segue: não apenas para descrever o que já
existe, mas para abrir questões, iluminar potencialidades e pensar
juntos sobre como a Pedagogia-Educação Social pode dialogar com a dupla
militância para fortalecer processos emancipatórios, comunitários e
transformadores.
Sumário: 1) Uma definição fundamentada de Pedagogia-Educação Social 2)
Caminhos encontrados com a dupla militância 3) Nem tudo que transforma é
ouro 4) Potencialidades deste trabalho transdisciplinar 5) Como uma projeção
1) Uma definição fundamentada de Pedagogia-Educação Social
Por vezes, mesmo dentro da própria profissão, não conseguimos definir
claramente o que é a Pedagogia Social. Não porque seja um conceito
vazio, mas precisamente porque é repleto de práticas diversas, contextos
múltiplos, abordagens teóricas e experiências de vida. A Pedagogia
Social não se encaixa numa definição simples porque não é apenas uma
disciplina académica ou apenas uma prática profissional; é, acima de
tudo, uma forma de olhar e acompanhar o mundo social.
Uma professora me disse certa vez que a pedagogia social é um fascínio
pelo crescimento do outro. Podemos ouvir que é a educação que acontece
fora da escola, nas esquinas, nos centros sociais, nas associações, nos
bairros, nos espaços informais, em corpos que não se encaixam e em vidas
que nunca foram consideradas centrais. É a educação das margens, da
não-normatividade, da diferença e da alteridade.
Mas não se trata apenas de uma prática de luz: é uma prática ética e
política. A PES acompanha processos de emancipação, não para dirigir ou
supervisionar, mas para facilitar que pessoas e comunidades exerçam seus
direitos, construam autonomia, se organizem e transformem as condições
de vida que vivenciam. Ela atua a partir do cotidiano, não em
laboratórios pedagógicos fechados ou em espaços educacionais
estritamente institucionais.
Sua epistemologia parte do vínculo. Para a Educação para a População em
Saúde (EPS), educar significa fundamentalmente construir relações
transformadoras. Não há educação sem encontro, sem confiança, sem
reconhecimento mútuo, sem a criação compartilhada de significado. E, ao
mesmo tempo, a EPS não se limita a acompanhar: ela também questiona.
Pode ter uma função crítica que questiona normalizações, denuncia
desigualdades, aponta lógicas opressivas e abre espaços para imaginar
outras formas de viver. Nesse contexto, a EPS entende a comunidade não
apenas como um espaço emocional de pertencimento, mas também como um
espaço de direitos, de responsabilidade compartilhada, de politização do
cotidiano. Aqui, a ligação com a organização política é direta: se a
comunidade é um espaço de direitos, é um espaço de poder, de
reivindicação e de ação coletiva.
Camiños encontrados coa militancia dual
Portanto, não deve surpreender que em nossas organizações políticas,
especialmente naquelas comprometidas com modelos duais de militância e
transformação, existam educadores sociais, monitores de tempo livre,
integradores sociais, animadores socioculturais, mediadores
comunitários, professores e outros profissionais de serviços
sociocomunitários politicamente engajados (que incluirei neste artigo
sob o guarda-chuva da Pedagogia Social-Educação). Eles não apenas
fornecem ferramentas técnicas (mediação, dinamização, planejamento
estratégico, metodologias participativas, etc.), mas também ética e uma
proposta concreta. Eles fornecem um conhecimento que não pode ser
improvisado: saber organizar sem comandar, cuidar sem paternalizar,
educar sem domesticar, acompanhar sem substituir. A PSE, entendida dessa
forma, torna-se uma chave que abre a possibilidade de pensar a
militância não apenas como uma ação combativa, mas também como um
processo socioeducativo coletivo, sustentado e consciente.
Quando colocamos a PES em diálogo com a militância - e, em particular,
com a militância dual - descobrimos que não se tratam de dois mundos
completamente distintos, mas de práticas profundamente relacionadas, que
compartilham linguagens, horizontes e modos de agir. Ambas buscam, de
alguma forma, hegemonizar ideias, não impô-las, mas, num sentido
gramsciano, construir significados compartilhados, estruturas de
interpretação e formas de compreender o mundo que nos permitam
transformá-lo. E para isso, não basta "informar": é preciso educar para
essas ideias, ou seja, criar processos que possibilitem às pessoas
compreendê-las, internalizá-las criticamente e colocá-las em prática.
Eis que surge uma coincidência central: tanto a militância
transformadora quanto a PES atuam por meio de processos dialógicos e
maiêuticos, nos quais o conhecimento não é transmitido como uma verdade
absoluta, mas construído coletivamente a partir da experiência, da
reflexão compartilhada e do debate. Trata-se de uma herança claramente
freireana: a conscientização não consiste em "abrir os olhos" de quem
não vê, mas em criar condições para que os próprios sujeitos expliquem,
analisem e politizem sua realidade. Compartilham, portanto, uma ética do
diálogo, da fala compartilhada e da aprendizagem mútua.
Outra semelhança fundamental reside na horizontalidade. O educador
social não se coloca acima da comunidade, assim como o ativista não deve
se colocar acima do coletivo. Ambas as práticas se desenvolvem ao lado
de outras pessoas: acompanham, propõem, facilitam processos, mas não
substituem nem dirigem unilateralmente. A Educação Social Profissional
(ESP) trabalha intensamente com o cuidado comunitário, a resolução de
conflitos, a sustentabilidade dos laços, a coesão social e o apoio
mútuo. O ativismo, quando se pensa em termos coletivos e não heroicos,
também fala de convivência, companheirismo, apoio mútuo e gestão
emocional. Ambos compartilham o mesmo compromisso: não se trata apenas
de cuidar de indivíduos, mas de cuidar da convivência coletiva,
possibilitando organizações que perdurem, que não se desfaçam, que
aprendam a lidar com suas próprias feridas. Assim, há também uma
profunda coincidência no respeito aos acordos coletivos e às trajetórias
pessoais: o reconhecimento de que os processos são lentos, que as
pessoas vêm de lugares diferentes, que as mudanças exigem tempo e cuidado.
Tanto as iniciativas de empoderamento comunitário quanto as organizações
duais compartilham o compromisso com a participação, a responsabilidade
compartilhada e a ação coletiva. Compartilham uma ideia fundamental: o
empoderamento não pode ser reduzido ao nível individual. Muitos projetos
sociais fracassam porque permanecem em uma mudança pessoal, íntima,
quase terapêutica. A militância dual, como a iniciativa de empoderamento
mais crítica, rompe com essa limitação: conecta os processos educativos
com a mudança estrutural, com a ação organizada, com a transformação
material da realidade.
Ambas lutam contra o isolamento social e estão comprometidas com a
construção de comunidade como alternativa à fragmentação neoliberal.
Elas se dedicam a projetos de longo prazo que pensam no futuro e
trabalham para sustentar processos, não apenas para responder a
emergências. Insistem na formação, na reflexão compartilhada, no debate,
na aprendizagem mútua e na transformação social: é exatamente isso que a
Educação para a Paz Comunitária entende como educar para e pela
participação.
Ambas também compartilham uma metodologia: avaliação contínua, a
capacidade de revisar, de se autocriticar, de aprender com os erros e de
melhorar coletivamente. O que na Educação Profissional e Social (EPS)
chamamos de avaliação participativa e aprendizagem contínua, em nossos
espaços geralmente aparece como crítica e autocrítica: são nomes
diferentes para a mesma necessidade, que tem muito a aprender com ambas
as realidades.
Por fim, e um dos pontos principais, eles também compartilham uma
epistemologia e uma temporalidade. Compreendem que o conhecimento nasce
da prática, da experiência vivida, do diálogo coletivo. E compartilham
uma lógica temporal lenta, paciente e estratégica: trabalham a longo
prazo, sabendo que transformações profundas não se medem em semanas ou
em campanhas pontuais, mas em processos que amadurecem, mudam e se
consolidam ao longo do tempo.
Nem tudo que se transforma em ouro é ouro.
Se as semelhanças revelam uma afinidade óbvia, as diferenças ajudam a
esclarecer as tensões e os riscos que permeiam tanto o PES quanto o
movimento militante. Não se trata de opor-se a eles, mas de compreender
onde podem falhar, onde podem ser cooptados e onde precisam ser revistos.
Um primeiro ponto crucial é a incompreensão social e política dos
Serviços Públicos de Emergência (SPE) e, em geral, do chamado "terceiro
setor". Como Julio Rubio e outros autores críticos apontaram, grande
parte da ação social contemporânea foi cooptada pelo capitalismo e pelos
Estados neoliberais como um mecanismo para gerir a pobreza, conter
conflitos e atenuar a agitação social. Os Serviços Emergenciais, quando
presos a essa estrutura, correm o risco (uma realidade atual) de se
tornarem um instrumento de bem-estar social, verticalidade e controle
social, mais preocupados em fazer as coisas "funcionarem" do que em
questionar quem decide como elas devem funcionar.
Relacionada a isso está a institucionalização do PES (Prestador de
Serviços Econômicos). Quando se torna um instrumento burocrático, um
serviço mais inserido na logística administrativa, parte do Estado de
bem-estar social, pode deslizar para práticas despolitizantes,
individualistas e tecnocráticas. Em vez de acompanhar processos de
emancipação coletiva, pode se limitar a "intervir em casos", adaptando
as pessoas à realidade em vez de questionar a realidade que produz a
exclusão. E esse é um risco real, do nosso dia a dia, não teórico.
Outro ponto delicado é o processo de profissionalização e privatização
do conhecimento socioeducativo. Ferramentas como a facilitação de
grupos, a mediação comunitária, as estratégias sociocomunitárias ou o
planejamento para o desenvolvimento comunitário tornaram-se, pouco a
pouco, habilidades profissionalizadas, por vezes elitistas, por vezes
vinculadas ao mercado de formação. O que deveria ser patrimônio coletivo
e imaterial transforma-se em serviços, consultorias ou bens pedagógicos.
É também necessário mencionar uma deficiência recorrente: a ausência de
uma perspectiva de classe. A PES (Pesquisa Política e Estudos Sociais)
fala muito sobre comunidade, contexto e inclusão, mas frequentemente
evita mencionar classe, conflito, interesse material e luta política. De
uma perspectiva mais crítica, poderíamos dizer o seguinte: com uma
perspectiva de classe, a PES deixa de ser simplesmente uma disciplina de
intervenção e se torna uma ferramenta profundamente política, próxima
(se não herdeira) das metodologias libertárias. Enquanto a PES fala da
comunidade como eixo de sua práxis, a militância nos lembra que essa
comunidade é atravessada pela classe, pela desigualdade estrutural e
pela dominação.
Mas a militância também tem seus riscos. Ela pode cair em um moralismo
paralisante, em um dogmatismo que absolutiza a teoria e esquece as
pessoas concretas. Pode privilegiar a pureza ideológica em detrimento da
vida real, ou reproduzir dinâmicas de aspereza, competitividade,
exaustão e culpa. Pode, por vezes, esquecer a dimensão emocional,
afetiva e relacional dos processos políticos, e é aí que a PES não só se
mostra útil, mas necessária: para lembrar que sem cuidado com o comum
não há processo coletivo sustentável, que sem laços não há organização
viva e que sem atenção aos corpos e às emoções não há transformação
duradoura.
Potencialidades deste traballo transdisciplinar
Essas diferenças não são um muro; são um espaço de tensão fértil. São o
espaço em que a PES e a militância podem se observar criticamente e se
ajudar mutuamente a não cair em seus próprios abismos. E se partirmos do
pressuposto de que existe uma intersecção fértil entre a PES e a
militância dual, a pergunta lógica é: o que podemos fazer com ela? Que
possibilidades ela abre? Que caminhos podemos explorar para fortalecer
os processos coletivos, torná-los mais conscientes, mais solidários,
mais transformadores?
Um primeiro eixo é a transmissão do conhecimento socioeducativo dentro
das organizações políticas, não a partir de uma posição de superioridade
técnica, mas como uma base comum para pensar e agir melhor. Não se trata
de saber mais, mas de colocar a serviço comum as ferramentas já
existentes, as experiências acumuladas e as metodologias comprovadas que
podem enriquecer significativamente as práticas militantes.
Além disso, é fundamental valorizar outras formas de conhecimento e
outras metodologias para disseminar ideias políticas. Nem tudo pode ser
uma palestra, um comício ou uma aula magistral. A PES trabalha há
décadas com dinâmicas participativas, jogos, metodologias
socioemocionais e experienciais que permitem uma aprendizagem mais
profunda, duradoura e significativa. A capacidade de se comunicar de
forma compreensível, de adaptar a mensagem ao público e de criar espaços
acessíveis e acolhedores é uma ferramenta política de primeira linha.
Outro grande potencial reside na utilização das ciências da educação
como lentes para melhor compreender a realidade. Psicologia, sociologia,
economia, antropologia, filosofia, história social ou métodos de
pesquisa participativa não são conhecimentos neutros: são ferramentas
poderosas para analisar dinâmicas coletivas, compreender conflitos,
identificar opressões e conceber estratégias transformadoras. A Educação
para a Paz e a Ciência (EPS), ao trabalhar nessas intersecções, pode
proporcionar uma perspectiva holística que complementa as análises
políticas mais tradicionais.
Uma das propostas mais poderosas poderia ser formulada da seguinte
maneira: politizar a educação e educabilizar a política. Ou seja,
aqueles que trabalham na educação partem do pressuposto de que seu
trabalho é necessariamente político e aqueles que fazem política partem
do pressuposto de que toda ação política é também educativa. Se a
educação for politizada e a política se tornar pedagógica, ambas se
fortalecem.
Também podemos aprender com seus alertas. Há problemas que devemos
evitar conscientemente: cair no assistencialismo que substitui a
organização; na burocratização que sufoca a vida interna; na atrição
militante que rompe os processos; no moralismo e no purismo político que
destroem antes de construir. Aqui, a PES, com suas ferramentas de
avaliação, autocuidado coletivo e análise crítica, é mais uma vez uma
aliada.
As metodologias de pesquisa-ação participativa oferecem outro campo
fértil de encontro: pesquisar enquanto se transforma, aprender enquanto
se age, produzir conhecimento coletivo a partir da prática e para a
prática. E não devemos esquecer a dimensão cultural e simbólica. A PES
sabe trabalhar com imaginários coletivos, símbolos, narrativas e
emoções. E isso é profundamente político: nenhum movimento social avança
apenas com a razão; ele também precisa de emoção compartilhada, um senso
de pertencimento, uma história comum.
Essas potencialidades não definem uma aliança mecânica, mas sim um
convite: pensar a militância como um processo educativo coletivo e
pensar a educação como uma prática política emancipadora. Nesse
encontro, talvez, surja uma das chaves do nosso tempo.
Como uma projeção
Numa organização comprometida com a transformação social, não podemos
permitir que o conhecimento permaneça trancado dentro de nós. Cada
educador social, cada ativista, cada companheiro, carrega consigo uma
riqueza de conhecimento profissional, técnico e teórico que deve ser
disponibilizado ao coletivo. Não se trata de demonstrações individuais
ou de acumulação de autoridade: trata-se de dar-lhes forma coletiva,
construindo com eles estratégias, práticas e processos que fortaleçam a
ação conjunta.
O PES traz para a militância algo que nem sempre é reconhecido: sua
capacidade de cuidar dos processos humanos, oferecer apoio emocional,
acompanhamento consciente e reflexivo, preservar a continuidade do
coletivo e proteger os laços que impedem que uma organização se rompa
sob pressão ou conflito. A militância, por sua vez, devolve ao PES uma
perspectiva clara de classe, de luta estrutural, um lembrete constante
de que o cuidado ou a mediação não bastam, mas que é necessário intervir
nas causas profundas das desigualdades e da opressão.
Trabalhar a partir dessa consciência é compreender que nosso trabalho
não é heroico ou individual, mas coletivo e invisível em seus efeitos
mais profundos: criamos capacidades, autonomia e organização que
sobreviverão à nossa ausência, fortalecendo a comunidade, a luta e a
educação mútua. É uma prática ética e política da mais alta
responsabilidade, porque olha para além de nós mesmos, para além do
imediato, em direção a um horizonte de emancipação no qual, esperamos,
nossa presença não será mais necessária.
E nesse diálogo nasce uma profunda reflexão: o melhor educador social é
aquele que não falha. O melhor anarquista, militante social e
organizado, é aquele cujo trabalho coletivo gera estruturas, hábitos e
capacidades de tal forma que, se desaparecermos, os movimentos sociais
continuariam sem as nossas intervenções. Ambos trabalhamos,
paradoxalmente, para não existir, porque a nossa existência é produto de
um sistema injusto e desumano; a nossa existência e ação são
necessárias, mas idealmente não o seriam, porque a realidade que
justifica a nossa resistência já não existe.
Inés Kropo, ativista da Xesta
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