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(pt) Brazil, OSL: Consciência Negra é luta viva contra o racismo, o capital e o Estado. Palmares Vive! O Povo Negro Resiste! (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sun, 21 Dec 2025 07:11:02 +0200
O 20 de Novembro é um dia de afirmação da resistência negra e da memória
combativa que acompanha o povo brasileiro desde os tempos da invasão
europeia. Não se trata de uma data comemorativa esvaziada, como buscam
disseminar os veículos da grande mídia, mas de um marco político que
reafirma que o racismo continua estruturando a ordem
capitalista-estatista e a dominação de classes no Brasil. Essa realidade
permanece se expressando de maneira violenta e explícita no país.
Violência racial e crise social
As chacinas recentes nas periferias da Baixada Santista, do Rio de
Janeiro, de Salvador e em outras cidades do país mostraram novamente
como o Estado utiliza a violência policial para controlar e aterrorizar
territórios com maioria negra. Em complemento a isso, o encarceramento
em massa segue em expansão, com presídios superlotados e prisões
provisórias que atingem esmagadoramente a população negra - 75% dos
presos sem julgamento são negros. Ao mesmo tempo, a crise de moradia se
agravou, com despejos violentos em grandes cidades como São Paulo,
Recife e Belo Horizonte, removendo sobretudo famílias negras de suas
casas e reforçando a lógica de expulsão urbana que favorece os grandes
proprietários e os interesses do mercado imobiliário.
Tudo isso associado ao aumento do custo de vida, a inflação de alimentos
e a precarização do trabalho, que atingem com força desproporcional a
população negra, que compõe a base mais explorada da classe
trabalhadora. Nessa conjuntura, as mulheres negras seguem como o grupo
mais precarizado e mal remunerado, acumulando jornadas extensas e
instáveis no serviço doméstico, por exemplo, e nas ocupações de baixa
proteção social e trabalhista. De acordo com o Dieese, cerca de metade
das mulheres negras ganham até um salário mínimo, e o rendimento médio é
53% menor que o de homens brancos. Números que escancaram o apartheid
racial e de gênero no país.
Cenário internacional: povos racializados como alvo
Esse cenário interno se conecta com a conjuntura internacional, marcada
pelo avanço da crise climática, que afeta especialmente territórios
racializados do Sul Global; pela militarização das fronteiras na Europa
e nos Estados Unidos, onde migrantes africanos, caribenhos e
latino-americanos se tornam alvos de violência e encarceramento; e por
guerras que recaem com mais intensidade sobre populações historicamente
colonizadas. O Brasil integra esse processo, onde os povos negros e
indígenas são os mais vulnerabilizados tanto em relação à destruição
ambiental quanto à exploração econômica e à própria dinâmica de
extermínio legalizado.
O racismo como pilar do capitalismo brasileiro
Os acontecimentos recentes mencionados tornam ainda mais claro que o
racismo não é um desvio moral ou um resíduo histórico, mas uma forma
estruturante de dominação profundamente imbricada na própria
constituição do capitalismo-estatismo. Assim como o
colonialismo/imperialismo e o patriarcado, o racismo é parte fundamental
na formação das classes sociais e da manutenção da exploração: ele
orienta a violência estatal, define quem ocupa os trabalhos mais
precarizados, legitima a superexploração, naturaliza desigualdades e
sustenta a divisão social do trabalho que reserva aos homens brancos os
postos de maior poder. A pobreza da população negra não é um acidente -
é um pilar funcional para a reprodução do capitalismo dependente e
subordinado brasileiro. Por isso, a luta antirracista só pode ser eficaz
quando compreendida como parte inseparável da luta de classes e do
enfrentamento ao capitalismo e ao Estado que o organiza. Combater o
racismo é enfrentar a ordem que dele depende. A memória de Zumbi,
Dandara, Tereza de Benguela e dos quilombos expressa precisamente essa
perspectiva: Palmares não buscou integração com o poder colonial, mas
edificou um projeto insurgente de autonomia coletiva, solidariedade e
auto-organização popular capaz de romper com todas as formas de
dominação articuladas.
Palmares aponta o caminho: rebeldia, autonomia e autogestão
No Brasil de 2025, esse espírito se manifesta nas mobilizações contra as
chacinas, nas ocupações por moradia que se espalham pelas capitais como
vimos na Favela do Moinho, em São Paulo, nas greves e resistência de
trabalhadores/as terceirizados/as e precarizados/as, na luta da
juventude negra contra a brutalidade estatal, nas resistências das
periferias ao avanço do capital imobiliário e na defesa dos territórios
quilombolas e indígenas diante da destruição ambiental. Essas lutas
compõem um mesmo fio histórico: a recusa ativa a aceitar a desigualdade
social e econômica como destino.
Neste 20 de Novembro reafirmamos a enorme importância da luta negra na
reorganização das classes oprimidas, a necessidade de fortalecer todos
os movimentos que enfrentam a violência policial e o genocídio em curso,
e a urgência da auto-organização popular nos territórios urbanos e do
campo, locais de trabalho, escolas e universidades. Rejeitamos a
tentativa de transformar a data em espetáculo cultural ou peça de
marketing institucional, esvaziando a luta antirracista de seu conteúdo
político e revolucionário. Defendemos a construção de um projeto radical
de transformação social que entenda que a luta étnico-racial é
inseparável da luta de classes e que apenas com esse entendimento
poderemos caminhar para um horizonte comum de emancipação e ruptura com
o capitalismo.
O 20 de Novembro não pertence ao Estado, às empresas ou a discursos
conciliatórios. É um dia que pertence ao povo negro e às lutas populares
que seguem enfrentando a estrutura de opressão denunciada por Zumbi,
Dandara e o Quilombo de Palmares. Que este 20 de Novembro de 2025
contribua para que nos mantenhamos organizados, solidários e
determinados a enfrentar o racismo e o capitalismo-estatismo que os
sustenta. Zumbi vive, o povo negro luta, e a construção do poder popular
autogestionário continua sendo a única resposta capaz de honrar essa
memória e avançar para um futuro de liberdade e igualdade social.
PALMARES VIVE!
VIVA O POVO NEGRO EM LUTA!
CONTRA O RACISMO. CONTRA O CAPITAL. PELO PODER POPULAR AUTOGESTIONÁRIO E
A REVOLUÇÃO SOCIAL!
Organização Socialista Libertária
20 de Novembro de 2025
https://socialismolibertario.net/2025/11/20/consciencia-negra-e-luta-viva/
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