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(pt) Brazil, OSL: Em defesa da organização popular: A perseguição a Mark Bray e o ataque ao antifascismo (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Tue, 4 Nov 2025 08:00:34 +0200
A organização coletiva contra a extrema-direita não é uma opção, mas uma
necessidade histórica. A decisão do professor Mark Bray de deixar seu
próprio país devido a ameaças é um alerta gravíssimo. Seu caso
transcende a defesa da liberdade acadêmica: é resultado prático de uma
política de Estado que produz esse tipo ataque frontal ao nosso direito
fundamental de nos organizarmos politicamente contra a ascensão da
repressão e do autoritarismo. ---- A petição da Turning Point USA
(organização política conservadora fundada por Charlie Kirk, com forte
atuação em campi universitários nos EUA) que exige a demissão de Mark
Bray da universidade Rutgers é um ato de pura censura política,
destinado a apagar das salas de aula e das pesquisas acadêmicas qualquer
análise que não seja a versão distorcida da extrema-direita e das
classes dominantes.
A acusação contra Mark Bray é uma farsa perigosa. Eles não estão mirando
um "líder" do Antifa, porque sabem tão bem quanto nós que o antifa é um
movimento amplo, uma prática de resistência, não uma organização
estruturada. O que eles estão realmente mirando é o conhecimento e o
direito de organização política dos trabalhadores. Mark Bray é perigoso
para eles porque ele documenta, explica e legitima a longa história da
resistência antifascista.
Este ataque só foi possível graças ao ambiente de caça às bruxas
sancionado pela ordem executiva de Donald Trump, que criminaliza um
espectro ideológico. Esta não é uma política de segurança; é uma
declaração de guerra política, com um duplo objetivo.
Primeiro, ao rotular o antifascismo como "terrorismo", o Estado e a
extrema-direita buscam justificar a repressão contra qualquer forma de
ação direta, protesto militante ou organização das classes oprimidas que
se levante contra eles. É uma tentativa de transformar a legítima defesa
política e física contra a repressão das classes dominantes e seus
defensores armados em um ato criminoso. Eles querem que aceitemos
pacificamente sua retórica de ódio e sua violência, sob a ameaça de
sermos tratados como terroristas.
Segundo, destruir a solidariedade e isolar os indivíduos. A narrativa de
que a "retórica de esquerda" levou ao assassinato de Charlie Kirk é uma
cilada. É uma tentativa de responsabilizar coletivamente um movimento
pela ação de um indivíduo, um princípio que eles nunca aplicam a si
mesmos. Enquanto isso, quando um neonazista assassina Heather Heyer, em
Charlottesville, Virginia, no ano de 2017, a culpa é individualizada.
Essa lógica seletiva visa nos dividir, nos fazer ter medo uns dos outros
e nos silenciar pelo pânico.
A alegação do grupo organizador da petição de que Mark Bray é uma
"ameaça a estudantes conservadores" é a mais cínica de todas. A
verdadeira "ameaça" que ele representa é intelectual: ele arma seus
alunos com a compreensão de que o fascismo e as classes dominantes podem
ser combatidos e que pessoas comuns sempre se organizaram para fazê-lo.
Quando o grupo de Megyn Doyle (tesoureira da filial da Rutgers, da
Turning Point USA) cita a "liberdade de expressão" para depois exigir
demissão, eles revelam seu verdadeiro projeto: uma liberdade de
expressão apenas para eles. Sua "consequência" para o pensamento
dissidente é o desemprego, o exílio e a intimidação.
O exílio forçado de Mark Bray não é uma exclusividade norte-americana:
trata-se de uma tática internacional, como por exemplo, alguns episódios
semelhantes em nossa realidade brasileira. Não é difícil enxergar os
mesmos mecanismos de perseguição em ações como o movimento "Escola Sem
Partido", que sob o falso manto da "neutralidade", buscou criminalizar
professores que ousavam promover um pensamento crítico em sala de aula,
ou aos sistemáticos ataques de grupos de extrema-direita aos cursos de
humanas nas universidades públicas. Da mesma forma que Mark Bray é
acusado de "doutrinação" por estudar o antifascismo, nossos educadores
são ameaçados e processados por ensinar sobre a ditadura militar,
questões de gênero, teoria da evolução ou o nefasto legado da
escravidão. A narrativa é a mesma: transformar o conhecimento em uma
ameaça, a análise histórica em apologia, e a organização política
legítima em caso de polícia. O que acontece nos EUA é uma versão da
mesma guerra ideológica que busca, aqui e no mundo, silenciar qualquer
voz que se levante contra a hegemonia do reacionarismo.
A perseguição a Mark Bray é um capítulo na ofensiva mais ampla contra a
esquerda e as classes oprimidas. É um aviso de que o Estado e as forças
reacionárias estão dispostos a usar a ferramenta de repressão para
eliminar a oposição. Defender Mark Bray é defender o direito de estudar
e ensinar sobre movimentos de libertação. É defender o direito de doar
para fundos de solidariedade que pagam advogados para ativistas. É,
acima de tudo, defender o nosso direito de nos organizarmos
coletivamente para enfrentar e derrotar o avanço da dominação
capitalista, onde e quando ela surgir. O exílio de Bray é o prelúdio do
que eles desejam para todo o nosso movimento. Não podemos permitir!
Toda solidariedade a Mark Bray e aos movimentos sociais das classes
oprimidas dos EUA contra a escalada da extrema-direita.
Organização Socialista Libertária
Outubro de 2025
Category: notas
https://socialismolibertario.net/2025/10/11/a-perseguicao-a-mark-bray-antifascismo/
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