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(pt) Italy, Umanita Nova #24-25 - Bônus e gorjetas. A política social do governo Meloni (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Sat, 18 Oct 2025 10:32:25 +0300


Nos últimos meses, o governo Meloni intensificou uma prática que já se tornou sua marca registrada: distribuir bônus em massa e apresentá-los como políticas sociais. Toda semana é anunciado um novo benefício: bônus psicólogo, vouchers para creches, auxílio aluguel, vale-esporte, benefícios para estudantes. A narrativa oficial é sempre a mesma: "estamos intervindo para ajudar as famílias em dificuldade". Mas, olhando de perto, percebe-se um gigantesco jogo de ilusão.

O bônus psicólogo talvez seja o caso mais conhecido. Apresentado como um avanço após anos de emergência sanitária e sofrimento crescente, acabou sendo uma farsa: diante de quase 400 mil pedidos, os recursos disponíveis cobriram pouco menos de 10 mil pessoas. Os demais precisam continuar pagando do próprio bolso ou desistir do atendimento. O mesmo vale para o auxílio aluguel: no máximo 1.500 euros por ano, quando um apartamento de três quartos em uma cidade média pode custar 1.000 por mês. Creche? Sim, existe um voucher de 3.000 euros por ano, mas apenas para quem se enquadra nos limites do ISEE e desde que consiga vaga em estruturas públicas cada vez mais raras.

Essas medidas têm características recorrentes:

são temporárias, duram um ano ou pouco mais;

são seletivas, acessíveis apenas a quem supera obstáculos burocráticos e disputas de "click-day";

nunca enfrentam as verdadeiras causas da crise social (salários baixos, precariedade generalizada, privatização da saúde e da educação);

criam competição entre pobres, transformando necessidades em loterias onde quem chega primeiro leva tudo.

O problema não é apenas a escassez de recursos: é a lógica em si. O Estado não investe em políticas estruturais, mas distribui pequenas esmolas. Não constrói direitos universais, mas concede cheques pontuais. Assim, as necessidades coletivas são fragmentadas e individualizadas. Cada um corre atrás do próprio voucher, do próprio pedido, do próprio código ISEE. A ideia de reivindicar juntos um salário digno, uma saúde gratuita e acessível, uma escola pública de qualidade é substituída pela ilusão de receber uma pequena ajuda estatal.

Enquanto isso, os números contam outra história. Nos últimos quinze anos, a saúde pública sofreu cortes de 37 bilhões de euros, com hospitais fechados, prontos-socorros em colapso e listas de espera intermináveis. Os gastos com educação continuam entre os mais baixos da Europa. Em contrapartida, os gastos militares italianos ultrapassaram 30 bilhões anuais, crescendo constantemente para atender às exigências da OTAN. Para a ponte sobre o estreito encontram-se bilhões, para a saúde básica pedem-se "sacrifícios".

Por trás da fachada dos bônus esconde-se uma estratégia política clara: não redistribuir riqueza, não tocar nos lucros das grandes empresas, não fortalecer os serviços públicos. Ao contrário: manter salários e direitos estagnados enquanto se compra apoio distribuindo migalhas. Uma espécie de clientelismo 2.0: já não é mais o político que te arruma o benefício, mas um portal digital que decide quem recebe a gorjeta.

Esse mecanismo não é apenas ineficaz: é perigoso. Porque impede a construção de consciência coletiva. Porque faz as pessoas enxergarem o Estado como um distribuidor ocasional de favores, em vez de como o responsável pelo desastre social. Porque fragmenta as lutas, transformando-as em disputas individuais por pequenos auxílios.

Como anarquistas, denunciamos essa lógica. Não temos nada a esperar de governos que desmontam direitos e devolvem esmolas. A resposta está em outro lugar: na solidariedade direta, no apoio mútuo, na organização de baixo para cima. Onde o Estado reduz as necessidades a números de protocolo e listas de espera, podemos construir redes reais de apoio recíproco, espaços de autogestão e formas de luta que devolvam dignidade e poder às pessoas.

Não precisamos de bônus: precisamos de justiça social. Não queremos gorjetas: queremos liberdade, salário, moradia, saúde, educação. Tudo o que os governos nos negam só podemos conquistar lutando juntos.

Totò Caggese

https://umanitanova.org/bonus-e-mancette-la-politica-sociale-del-governo-meloni/
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