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(pt) Italy, Sicilia Libertaria #462 - Caro vacanze all'italiana (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Sat, 18 Oct 2025 10:31:07 +0300


Neste verão conturbado, apesar das guerras, o tema preferido parece ser a crise palpável que o setor turístico italiano está vivendo. ---- Voltando um passo, chegamos a maio, no Dia do Trabalho, quando em Nápoles se relatou que a praia delle Monache foi literalmente invadida por um número impressionante de pessoas, amontoadas ali para passar um dia diferente no pequeno espaço "livre" concedido a quem não pode pagar outra coisa. Que este seria mais um verão marcado pela escalada incontrolável das invasões de espaços livres, pelos aumentos de preços, dificuldades, polêmicas e injustiças não era difícil de prever, até porque não se trata de previsões, mas de confirmações: os dados anuais não trazem desmentidos nem esperança, apenas reforçam o agravamento.

Já na reta final da temporada de verão de 2025, há quem ainda se mostre surpreendido e deseje contar o que acontece nas praias: fazer o ranking das cidades com os balneários mais caros da Itália, republicar celebridades que se indignam e denunciam a desolação das praias pagas e quanto tiveram de desembolsar por uma espreguiçadeira, um guarda-sol e um prato de massa.

Segundo os números, as cidades mais caras são Rimini, Pádua e Nápoles; mas, com exceção da Sicília, onde os custos aumentaram "apenas" cerca de 6%, em grande parte da Itália os preços de tudo - começando pelos serviços básicos de lazer - dispararam vertiginosamente. Além disso, embora se fale muito das praias, a montanha não está de forma alguma excluída deste fenômeno: sofre as mesmas invasões das áreas costeiras e, sobretudo, a ideia doentia de reinventar experiências até desnaturalizá-las - transformando, por exemplo, o camping em glamping (campismo glamouroso com comodidades), oferecendo pernoites em casas nas árvores a preços astronômicos, degustações mínimas apresentadas como "falso quilômetro zero". Tanto que o refrão geral d@s italian@s tornou-se: "Férias em casa!", porque já não há para onde ir sem correr o risco de ser enganado e gastar uma quantia absurda de dinheiro por meio dia (a outra metade passada em engarrafamentos nas rodovias).

O que assusta mais do que qualquer outra coisa não é tanto testemunhar mais uma aplicação da lógica capitalista básica - se um serviço ou produto pode ser vendido por dez vezes o seu valor porque há quem pague, não há razão para barateá-lo; especular não deve ter limites - mas sim a análise superficial de quem denuncia tudo isso.

Diante do pedido para rever os custos de um dia num balneário - o que faz sentido e precisa ser feito -, de tornar menos luxuosas as experiências hoje vendidas quase exclusivamente a estrangeiros porque se tornaram inacessíveis aos bolsos italianos, diante de análises que tentam ser mais complexas ao ligar tudo isso aos salários miseráveis de uma Itália cada vez mais pobre, é possível convidar a ir além e aproveitar essa crise tão comentada para entender o que deve ser mudado de forma transversal. Assim se daria sentido à palavra "crise", cuja etimologia contém a ideia de tomar posição, de ter um ponto de vista preciso e de escolher. Enquanto a lógica de quem se opõe à especulação for "façam, mas com certos limites", o problema não só não será resolvido, como o debate se transformará facilmente em farsa. Podemos realmente esperar que a especulação seja contida? A resposta vem da Unioncamere, que informa que em 30 de junho de 2025 havia 108 novos balneários na Itália, chegando a um total de 7.352 contra 7.244 do ano anterior. Mais uma vez perde-se a oportunidade de transformar um problema em uma luta social: as praias devem ser livres, as montanhas devem ser livres, o direito de viver experiências deve ser protegido e, para garantir tudo isso, a especulação deve ser combatida de forma absoluta, não apenas suavizada.

Em vez disso, o centro de todo esse alvoroço é alimentado por ridicularizações ao som de italianos versus estrangeiros, famílias com o próprio guarda-sol e lanche caseiro contadas com uma mistura de piedade e desprezo, como se fosse sinal de decadência e não de experiência razoável no local. Mais uma vez é cômodo apontar o problema, agitá-lo como bandeira, sem nada fazer para resolvê-lo. Nenhuma análise tentou evidenciar o colapso de certo modelo de férias, convidando a boicotar circuitos de serviços que - entre hospedagens, restaurantes, atrações culturais, experiências de todo tipo, passagens de transporte - provocam o aumento contínuo e incontrolável dos custos gerais, não como defeito a ser corrigido, mas como sinal intrínseco da agonia de um sistema que sobrevive justamente porque sim, há quem pague sem entender que é irracional, e também quem não pode pagar, mas o faria se pudesse - e assim não se questiona esse conceito de férias para substituí-lo por um mais virtuoso.

E se parece miserável ir à praia gratuita com guarda-sol e lancheira, entende-se por que ainda são malvistos caminhos alternativos como a troca de casas (cujo circuito, vale notar, já começa a adotar mecanismos parecidos com os mais populares - avaliações, notas, visibilidade -, mas que ainda permite viajar de outra forma), caminhadas estruturadas com etapas em refúgios, certo tipo de camping e o aproveitamento de lugares e contextos de forma livre da atitude turística. São escolhas feitas por uma porcentagem tão pequena de pessoas que não conseguem contrabalançar as práticas consumistas habituais de viagem.

Ao lado de um setor que se retroalimenta colapsando continuamente, há uma população refratária a repensar práticas e necessidades ligadas ao lazer. De mãos dadas com empresas que adquirem quilômetros de praias para devolvê-las privatizadas e inacessíveis, está toda essa gente que odeia a natureza mas vai a um destino de montanha porque ficou viral para selfies; cada pessoa que alimenta em si mesma a necessidade de ser turista, entendida no sentido mais consumista e alienado do termo. E assim sabemos que também na próxima vez - seja Natal, Páscoa ou todo o verão - vamos circular como turistas, dizendo que tudo é caro e horrível, lendo nos jornais que infelizmente o turismo está em crise, mas que felizmente a Itália continua a ser um destino cobiçado.

Désirée Carruba Toscano.

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