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(pt) Brazil, OSL, Libera #182 - LANCEMO-NOS NA LUTA E A VITÓRIA SERÁ NOSSA - MARIA ANTÔNIA SOARES (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Sat, 13 Sep 2025 08:51:10 +0300


Nascida no estado de São Paulo, em 1898, Maria Antônia Soares fez parte do Centro Feminino Jovens Idealistas, e atuou em diversas movimentações libertárias no início do século 20, assim como seus irmãos, Primitivo Raimundo Soares e Maria Angelina Soares. O artigo a seguir foi publicado na edição 16 do jornal A Luta, em 1916, quando Maria Antônia tinha 18 anos de idade. A transcrição é do livro "Unidas nos lancemos na luta: o legado anarquista de Maria A. Soares", publicado em 2021 pela Tenda de Livros - pesquisa de Aline Ludmila, Beatriz Silvério e Samanta Colhado Mendes.

Ainda a mulher...
Esposa e mãe, viu-se obrigada a abandonar o lar e buscar meios de contribuir também para o sustento da família por ser o ganho do marido demasiado mesquinho. Filha e irmã, viu a necessidade de acorrer ao sustento dos velhos pais, inutilizados para o trabalho por terem empregado nele mais forças das que dispunham, e aos seus irmãozinhos, demasiadamente pequenos ainda para se sustentarem a si próprios.
A necessidade obrigou-a ao excessivo trabalho das fábricas, de todos os lugares, enfim, onde pudesse ganhar o pão que em casa faltava.
Os capitalistas viram nisso uma excelente forma de aumentar os seus ganhos, e deram-lhe o que ela pedia; reservando para o homem os trabalhos que requerem uma força superior à que a mulher possui, e também os lugares onde ela pudesse influir moralmente nos destinos dos povos, alegando que é incompetente para isso.
Vemos, pois, que hoje a mulher é explorada vergonhosamente, e que o homem se vê obrigado a trabalhar por um salário mais mesquinho que nunca sob a pena de ficar sem trabalho, o que para ele significa a mais horrível miséria.
Ao considerar bem sobre a nossa situação, conclui-se que só temos dois caminhos a tomar: deixarmo-nos ficar inativos e ir rolando fatalmente até chegar ao mais vergonhoso estado baixeza e miséria, ou, sem temer as consequências que podem advir, lançarmo-nos numa luta decidida sem tréguas até conquistarmos os direitos que nos legou a Natura e que nos foram usurpados por uma classe parasitária que soube aproveitar-se da nossa fraqueza.
Tenho observado que quando alguém de nós mulheres dá uma opinião, ou presta o seu concurso em um ato qualquer de propaganda emancipadora, não falta algum imbecil (eu assim considero) que deixe assomar aos lábios um sorriso zombador, e chegam mesmo algumas vezes a patentear verbalmente, por meio de sandices, o desprezo que lhe inspira a ação daquela mulher.
Eu reconheço que os que isto fazem, ou são demasiado ignorantes ou hipócritas, e em qualquer dos dois casos só podem merecer a nossa compaixão.
Impõe-se, para remediar o mal estar, que todos os homens e mulheres, sentimos uma enérgica ação de nossa parte, que venha trazer, como consequência imediata, melhorias na nossa condição econômica.
O homem e a mulher sofrem as mesmas necessidades, ambos são explorados pela mesma classe, a capitalista, e posto que juntos sofrem o mesmo jugo; justo é que também juntos procurem destruí-lo.
Sente-se palpavelmente a necessidade de uma forte união entre os famintos de ambos os sexos, uma união total de forças e de sentimentos, que faça dos miseráveis escravos indefesos uma falange de valentes, disposta a lutar e vencer.
Somente a união e a instrução poderão elevar-nos moralmente ao nível de seres racionais.
Já é tempo que o homem e a mulher deixem de viver separados por um dique de prejuízos e egoísticos conceitos, com os quais não se consegue outra coisa senão fazer infeliz a humanidade.
A ação do operariado unido, livre de preconceitos de raça, de nacionalidade ou sexo, nos fará esquecer a vida de escravos que vivemos até hoje; da qual nos lembraremos somente para amaldiçoá-la.
A nós, mulheres, é a quem compete iniciar a campanha libertadora, porque, a nossa alma de mártires que desde os primeiros tempos sofre os aviltantes ultrajes da mais infame organização social; a nossa alma é a mais vivamente ferida, e que, mais sedenta de amor e de justiça, mais disposta deve estar a alcançar essas suas fontes sublimes das quais emana a verdadeira dita.
Nós alentaremos os nossos irmãos e estes por sua vez nos darão o valioso concurso das energias nas quais reside a força suprema.
Lancemo-nos, pois, na luta com o nosso coração cheio de fé e esperança; e a vitória será nossa.

https://socialismolibertario.net/
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