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(pt) Brazil, OSL: Notas sobre a atuação da OSL na CSP-Conlutas após o VI Congresso Nacional (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Wed, 2 Sep 2026 07:47:43 +0300
Entre os dias 18 e 21 de abril, realizou-se, em São Paulo, o VI
Congresso Nacional da CSP-Conlutas, espaço importante de debate político
e organizativo para os setores sindicais e populares classistas e
independentes no Brasil. A Organização Socialista Libertária (OSL)
participou do Congresso apresentando posições que, embora não tenham
sido encaminhadas na forma de uma contribuição global ou proposta de
resolução, foram divulgadas parcialmente por meio de um manifesto
conjunto elaborado com o Grupo Libertação Popular (GLP) e apresentado em
uma roda de conversa realizada após as atividades congressuais. Além
disso, a organização atuou politicamente nas articulações em torno da
formação das chapas para a Secretaria Executiva Nacional.
A CSP-Conlutas e seu potencial
Para começar, é importante reforçar nossa compreensão de que a
CSP-Conlutas possui um importante potencial enquanto instrumento de
articulação dos setores combativos da classe trabalhadora brasileira e
de construção de laços de solidariedade internacional entre povos e
trabalhadores em luta.
Do nosso ponto de vista, entendemos a Central como uma ferramenta de
organização, coordenação e fortalecimento das lutas das classes
oprimidas, e não como um espaço subordinado à autoconstrução de
organizações políticas. Em nossa opinião, seu fortalecimento depende
fundamentalmente de sua capacidade de ampliar sua inserção real nas
lutas concretas, incorporar novos setores sociais e fortalecer processos
de organização desde a base.
Nesse sentido, consideramos que a CSP-Conlutas mantém características
que a diferenciam no cenário sindical brasileiro. Destacamos, em
primeiro lugar, sua independência de classe frente aos governos, aos
patrões e às instituições do Capitalismo-Estatismo. Em um contexto
marcado pela integração de grande parte do movimento sindical aos
mecanismos de gestão institucional, a manutenção dessa independência
constitui um avanço político das classes oprimidas que deve ser
defendido e aprofundado.
Também avaliamos positivamente os principais eixos programáticos
aprovados pelo Congresso, em especial a defesa da revogação das reformas
trabalhista e previdenciária, o combate às privatizações, a oposição ao
arcabouço fiscal e às políticas de austeridade, bem como a reafirmação
do socialismo como horizonte estratégico.
No plano internacional, destacamos a unidade construída em torno da
solidariedade ao povo palestino, da defesa da autodeterminação dos
povos, da oposição às guerras imperialistas e da crítica às diferentes
formas de dominação imperialista. Esses elementos constituem uma base
importante para o fortalecimento de uma perspectiva internacionalista no
interior da Central.
Divergências políticas e desafios estratégicos
Embora, em linhas gerais, compartilhemos boa parte do programa aprovado
pelo Congresso no que é mais relevante, identificamos diferenças
importantes no terreno da estratégia e da concepção organizativa.
A principal, vem da nossa análise que parte da compreensão de que o
principal problema enfrentado hoje pela classe trabalhadora não é,
fundamentalmente, uma "crise de direção", mas um problema de orientação
para a organização das bases. Enquanto grande parte das correntes
presentes na Central tende a interpretar os desafios atuais como
decorrentes da ausência de uma direção revolucionária capaz de conduzir
as lutas, entendemos que a tarefa central do período consiste em
reconstruir a capacidade de organização popular nos locais de trabalho,
estudo e moradia, com uma orientação que não trate esses espaços como
meros currais eleitorais, nos quais os indivíduos sejam pensados apenas
como números destinados a chancelar políticas previamente definidas
pelas direções.
Essa diferença produz consequências práticas importantes. Enquanto
predomina, em muitos setores, a prioridade da disputa programática e da
afirmação de projetos políticos no interior da vanguarda organizada, a
OSL atribui maior centralidade à construção da unidade de ação, ao
fortalecimento dos trabalhos concretos nas bases e à formação de uma
força social organizada capaz de enfrentar efetivamente as classes
dominantes.
Reafirmamos a importância da disputa política e o direito à manifestação
das divergências. No entanto, quando isso se torna o ponto central da
atuação das forças organizadas, entendemos que a consequência direta é o
enfraquecimento da capacidade de intervenção organizada na luta de
classes, seja na disputa de projetos com os setores orientados pela
conciliação de classes, seja no embate direto com os inimigos de classe.
Essa posição está relacionada à distinção que fazemos entre o nível
social /de massas e o nível político/partidário da luta de classes.
Inspirados na tradição anarquista inaugurada por Bakunin e desenvolvida
por diversas experiências históricas do anarquismo, entendemos que os
processos de organização popular devem partir das necessidades concretas
e imediatas da classe trabalhadora, criando condições para o
desenvolvimento progressivo da consciência política.
Entretanto, observamos que parte significativa das correntes presentes
na CSP-Conlutas tende a rejeitar essa distinção, identificando-a como
expressão de economicismo, corporativismo ou de rebaixamento político.
Na prática, isso frequentemente resulta na apresentação de palavras de
ordem e formulações altamente radicalizadas em contextos nos quais ainda
não existe força social organizada capaz de sustentá-las.
Trata-se de uma dinâmica que privilegia uma construção política de cima
para baixo, isto é, das direções para as bases. Nossa perspectiva é
inversa: construir a partir da experiência concreta das bases,
desenvolvendo processos organizativos capazes de ampliar gradualmente os
níveis de participação, consciência e combatividade.
O Congresso evidenciou um desequilíbrio recorrente entre radicalismo
discursivo e capacidade efetiva de mobilização. Em muitos casos, a
intensidade da retórica revolucionária não corresponde ao grau de
inserção real nas categorias e movimentos. Isso tende a deslocar o
centro da atividade política para disputas internas entre correntes
organizadas pelas insígnias mais adequadas, enfraquecendo a construção
unitária das lutas concretas.
Também identificamos uma tendência crescente de transformação da Central
em um espaço marcado pela disputa permanente entre blocos políticos de
correntes organizadas, em detrimento de seu papel como instrumento de
articulação dos sindicatos, movimentos populares e organizações de base.
Essa dinâmica pode dificultar a ampliação da CSP-Conlutas e limitar sua
capacidade de dialogar com setores mais amplos da classe trabalhadora.
A atuação da OSL no VI Congresso
Nossa atuação durante o Congresso esteve orientada por esses princípios.
Mantivemos uma posição política independente, sem integrar blocos
permanentes ou alianças estratégicas fixas com qualquer agrupamento
presente na Central. Nosso compromisso principal permanece sendo o
fortalecimento da própria CSP-Conlutas enquanto instrumento de luta da
classe trabalhadora.
Foi a partir dessa compreensão que defendemos, durante o processo de
eleição da Secretaria Executiva Nacional, uma composição que garantisse
representação para todas as forças políticas que constroem a Central.
Entendemos que uma direção mais plural pode contribuir para ampliar o
compromisso coletivo com a construção da CSP-Conlutas, distribuir
responsabilidades de forma mais equilibrada e estimular a participação
de setores que, de outra forma, permaneceriam restritos ao papel de
oposição externa aos processos.
Nesse contexto, a existência da cláusula de barreira impulsionou uma
aproximação tática com grupos minoritários durante a disputa pela
composição da Secretaria Executiva Nacional. Essa aproximação não
representou a formação de um bloco político permanente, mas expressou
uma posição coerente com nossa defesa da ampliação da participação
democrática e da distribuição das responsabilidades no interior da Central.
Perspectivas para o próximo período
O VI Congresso confirmou, simultaneamente, o potencial e os limites
atuais da CSP-Conlutas.
A OSL reafirma seu compromisso com a construção de uma central
classista, anticapitalista, internacionalista, democrática e
autogestionária, independente dos governos, dos patrões e das
burocracias sindicais.
Seguiremos defendendo a independência de classe, o combate simultâneo à
extrema direita e ao campo democrático-popular, o fortalecimento da
organização desde a base e a construção do socialismo libertário como
horizonte.
Na nova etapa que se abre após o Congresso, manteremos nossa
independência política em relação a todos os setores que compõem a
Central. Seguiremos dialogando e construindo iniciativas pontuais com
diferentes organizações sempre que isso, a partir do nosso ponto de
vista, contribuir para fortalecer a CSP-Conlutas e impulsionar as lutas
das classes oprimidas.
Defenderemos iniciativas que ampliem a participação democrática,
descentralizem responsabilidades, fortaleçam os espaços de base e
priorizem a ação concreta e o trabalho cotidiano de organização popular.
Entendemos que o futuro da CSP-Conlutas dependerá da capacidade coletiva
de se afastar permanentemente de práticas burocratizantes e
centralizadoras, ampliar sua presença nas lutas reais e construir força
social organizada entre os trabalhadores e os setores oprimidos. Esse é,
em nossa avaliação, o principal desafio colocado para o próximo período.
Organização Socialista Libertária
Julho de 2026
https://socialismolibertario.net/notas-sobre-a-atuacao-da-osl-na-csp-conlutas-apos-o-vi-congresso-nacional/
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