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(pt) Italy, Sicilia Libertaria #468 - As Guerras da Energia (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Fri, 31 Jul 2026 07:34:38 +0300


Jamais daremos crédito a um déspota insano como Donald Trump. Mas, ao menos, em sua transparente sede de poder, ele nos poupou das hipocrisias de seus antecessores à frente dos governos americanos. Assim, o ianque de plástico não hesita em admitir o que já se sabe: além dos tão alardeados princípios, toda guerra é ditada pela ânsia de se apoderar dos chamados recursos naturais. Em suma, todo Estado mobiliza seu aparato militar para conquistar, saquear e anexar. E, nesse sentido, os recursos mais cobiçados hoje ainda são a energia. Depois de terem marcado as guerras do século XX, o petróleo e o gás agora são protagonistas de novos conflitos.

2026, como você deve se lembrar, começou com a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Apenas alguns meses depois, com a instalação do governo fantoche de Delcy Rodríguez, o país sul-americano já se tornou a reserva de petróleo dos EUA. O incrível gol contra dos Estados Unidos no Irã é privá-lo de um dos centros energéticos mais cruciais do mundo (voltaremos a isso). É por isso que a Venezuela fornece até 80.000 barris de petróleo para os EUA todos os dias. Isso acontece em parte graças à desprezível divisão dos lucros que o próprio Trump negociou com empresas petrolíferas globais - a Eni estava entre elas - em 10 de janeiro passado, quando o presidente americano adotou o tom e a postura mafiosa de Dom Vito Corleone para declarar que "agora podemos voltar aos negócios". Esses acordos permitem que Trump se desfaça do petróleo venezuelano como bem entender, por exemplo, para acertar contas antigas e novas. Nos últimos 25 anos, a Venezuela foi a principal fornecedora de combustível e petróleo bruto para Cuba. Desde janeiro, no entanto, o fornecimento cessou, exceto por uma reversão parcial em fevereiro, que, contudo, não resolveu (como poderia?) a tragédia de um país sob embargo há mais de 60 anos. Vale ressaltar que o petróleo venezuelano é "pesado", ou seja, possui alto teor de enxofre. O regime venezuelano nunca conseguiu alcançar a independência em seu processamento e, por isso, nos últimos anos, tem dependido cada vez mais da China. Esse é um revés que o poder dos EUA não pôde aceitar.

Por outro lado, a Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo: aproximadamente 303 bilhões de barris, o equivalente a quase 17-20% das reservas globais. Isso é três vezes maior que as reservas dos Estados Unidos. De qualquer forma, já era evidente há algum tempo que o jogo geopolítico do futuro seria travado no setor energético. Tanto que, nos últimos anos, os Estados Unidos, especialmente sob os governos dos dois presidentes democratas, Obama e Biden, promoveram uma verdadeira mudança de paradigma: de importador de energia - principalmente petróleo e gás, mas também nuclear e renováveis - para exportador. Isso ocorreu principalmente por meio do uso massivo do fraturamento hidráulico, uma técnica industrial devastadora para o meio ambiente. Já conhecida no início do século XX, a técnica de fraturamento hidráulico (ou fracking) é usada para extrair gás e petróleo de rochas de xisto, o tipo de rocha subterrânea mais fácil de fragmentar. Não é coincidência que o fracking seja praticado praticamente de forma exclusiva nos Estados Unidos: seus efeitos nocivos são tão evidentes que nenhum outro país ousou utilizá-lo. No entanto, essa técnica permitiu que os governos estadunidenses, pelo menos nos últimos 15 anos, continuassem a dominar o mundo e a fazer com que sua população vivesse além de suas possibilidades - segundo dados da Global Footprint Network, se o mundo inteiro consumisse tanto quanto os Estados Unidos, seriam necessários cinco planetas. Agora, porém, o fracking já caminha para seu fim inexorável. Quase não há mais nada para extrair, nem nada para devastar. O governo Trump está ciente disso e, tendo esgotado seus próprios recursos energéticos, está travando uma guerra contra o mundo inteiro.

Assim, o sucesso na Venezuela encorajou Trump, que está confiante de que pode replicar a operação de Maduro no Irã. Aqui também, o ponto de partida foi a energia. O Irã detém não apenas 11% das reservas mundiais de petróleo (terceiro lugar, atrás apenas da Venezuela e da Arábia Saudita), mas também 16% das reservas mundiais de gás (segundo lugar, atrás apenas da Rússia): em suma, é o país com o maior potencial energético global. Desempenha também um papel importante na OPEP e nos BRICS. Isso sem considerar sua localização estratégica, como demonstra o emblemático Estreito de Ormuz, uma faixa de mar com apenas 30 quilômetros de largura, mas crucial para o transporte: o estreito divide a Península Arábica da costa iraniana e é a única passagem que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. A cada ano, aproximadamente um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo passa por ele.

Em seu delírio de onipotência, o presidente ianque chegou ao ponto de se referir ao Estreito de Ormuz como o "Estreito de Trump", assim como ele e toda a administração já haviam feito com o Golfo do México. Se você assistir ao vídeo da suposta gafe, fica claro que não se trata de um lapso de língua, mas de uma mensagem política precisa. Controlar o Estreito de Ormuz significaria para os Estados Unidos garantir o fornecimento de energia por décadas, dadas as suas boas relações com alguns estados do Golfo (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, principalmente).

É um plano de dominação tão óbvio que nem mesmo os mais fervorosos apoiadores dos EUA podem negá-lo. Mas é uma ambição de poder que se baseia exclusivamente no atual sistema energético: baseado em combustíveis fósseis, centralizado e autoritário. É o sistema que sustentou o capitalismo nos últimos dois séculos. Carvão, petróleo e gás têm uma vantagem inegável: sua combustão permite a liberação de uma quantidade notável de energia. Mas suas desvantagens tornaram-se cada vez mais evidentes, a começar pelo fato de serem recursos finitos e, de fato, estarem começando a se esgotar. A tentativa desesperada e ridícula dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia deve ser interpretada sob essa perspectiva: como a constatação de que, tendo esgotado seus próprios recursos, tudo o que resta é retornar às boas e velhas guerras de conquista. Se esse papel é atualmente assumido principalmente pelos Estados Unidos, é de se esperar que outros países, mais cedo ou mais tarde, sigam seus passos. De fato, como demonstra o caso da Itália com o infame Plano Mattei, tentativas mais ou menos tímidas dos Estados Unidos já estão em curso em outros lugares. O genocídio na Palestina e os contínuos ataques de Israel a países vizinhos, por exemplo, também podem ser interpretados sob essa ótica. Diante da complexidade de um mundo em desaparecimento e, portanto, disposto a cometer qualquer horror para sobreviver, é necessário assumir uma maior consciência. As guerras de hoje e de amanhã colocam, e colocarão cada vez mais, a questão energética no centro de tudo. Da guerra na Ucrânia à guerra no Irã, as consequências nos preços atingiram a Europa com mais força, embora o velho continente esteja (em teoria) apenas parcialmente envolvido. Em nome dessas guerras, nossas vidas foram viradas de cabeça para baixo. A interseccionalidade não se limita às lutas, mas também ao poder, e é por isso que não podemos mais nos contentar com análises superficiais e slogans infantis. Esqueçam o slogan "energias renováveis são sinônimo de paz", repetido por ONGs e ativistas oportunistas. Não se trata mais de substituir uma fonte de energia por outra, mas de libertar a energia dos sistemas de lucro e controle que a transformam em instrumento de opressão. Mais do que energia renovável, precisamos de energia renovada: descentralizada, de base, disseminada, livre de restrições estatais e procedimentos burocráticos. Contra as guerras energéticas, pela energia livre.

Andrea Turco

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