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(pt) Germany, Die Platform: Os que estão no poder estão a aprovar as reformas, enquanto a resistência cresce na base. (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sun, 7 Jun 2026 07:40:36 +0300
Posição do anarquismo organizado na Argentina, março de 2026 ---- A
reforma da legislação laboral defendida pelo governo Milei, como
sabemos, não representa uma modernização legal do direito do trabalho,
mas sim a peça central de um esquema abrangente para explorar e
precarizar o emprego, comparável apenas ao implementado pela última
ditadura militar. Beneficia diretamente os empregadores (como Caputo
afirmou ao apelar às associações patronais para que acolhessem a lei) ao
eliminar ou restringir instrumentos históricos de ação industrial. Longe
de criar empregos estáveis e regulares, fornece instrumentos legais para
despedir trabalhadores e desestabilizar ainda mais as suas relações
laborais.
O modelo económico imposto pelos que estão no poder não visa, de forma
alguma, a criação de novos empregos, mas sim beneficia diretamente as
grandes empresas exportadoras agrícolas e as empresas transnacionais de
matérias-primas, que empregam um número insignificante de trabalhadores
em comparação com as demissões em massa nas indústrias transformadoras
em declínio do país. Especificamente, estamos vendo como a drástica
queda no consumo e a abertura indiscriminada às importações desde que
Milei assumiu o cargo levaram ao fechamento de 21.339 empresas
particularmente nos setores têxtil, alimentício e automotivo. Como
observamos, diante do esvaziamento e fechamento de empresas, grandes
corporações estão redirecionando seus investimentos para os setores de
exportação agrícola e energia, bem como para especulação financeira, ou
estão deixando o país completamente, abandonando centenas de milhares de
trabalhadores, como aconteceu recentemente com os trabalhadores da Fate.
Nesse contexto, estamos testemunhando uma mudança crescente em direção a
uma maior repressão da estrutura econômica e produtiva do país.
Pode-se também dizer que essa linha de ação goza de amplo consenso entre
grandes segmentos da classe política, os governadores e, claro, o
Congresso Nacional, que se tornou um mero instrumento do presidente.
Além do circo legislativo de gritos e discursos heroicos, a oposição
está simplesmente legitimando a instituição e o instrumento que irão
piorar a vida de milhões de pessoas em todo o país, enquanto a classe
política vive de salários milionários.
Eles atacam de cima para baixo em múltiplas frentes simultaneamente.
Por outro lado, é impressionante como o governo Milei está empregando a
mesma tática de Macri há uma década: impulsionar simultaneamente suas
medidas antipopulares em várias frentes trabalhista, ambiental, penal e
social para impedir uma resposta decisiva das organizações populares,
explorando a falta de coordenação abrangente dentro da resistência
popular. A revogação da Lei Glacier ou a redução da idade de
responsabilidade penal para menores, em qualquer caso, teriam
justificado uma mobilização em larga escala da população.
Em conclusão, é preciso enfatizar a importância desta lei para o
governo, bem como a urgência com que ela deve ser aprovada. O projeto de
lei recebeu pouca atenção da mídia e foi até mesmo deturpado. Embora
todas as associações profissionais e todos os setores do mercado de
trabalho tenham sido rapidamente informados sobre as implicações da lei,
a ausência e a falta de atuação da maioria dos sindicatos nas últimas
décadas tornaram-se dolorosamente evidentes.
RUMO AO CAMINHO DO CAOS JURÍDICO NAS RELAÇÕES DE TRABALHO
Nos dias que antecederam o debate sobre o projeto de lei na Câmara dos
Deputados, observamos alguns jornalistas e painelistas reagindo com
indignação após a publicação de alguns artigos sobre a reforma, que
revelaram a natureza profundamente retrógrada da proposta.
Como já afirmamos em comentários anteriores, a lei leva ao caos
normativo nas relações entre empregados e empregadores, no qual o poder
dos empregadores se torna ainda mais evidente, as garantias são abolidas
e a instabilidade das relações de trabalho se torna a norma para todos
os empregados.
Aspectos-chave do caos jurídico que o governo e os empregadores
pretendem criar com essa lei incluem a constante renegociação de
convenções coletivas e a precedência dos acordos empresariais.
NÚMEROS ATERRORIZANTES SOBRE A CRISE SOCIAL E ECONÔMICA
Como sempre, as consequências dessas políticas recaem sobre os ombros da
classe oprimida. Segundo o Mirador de la Actualidad del Trabajo y la
Economía (MATE), os salários do setor privado estão estagnados há um ano
e, desde que o governo Milei assumiu o poder, caíram um total de 6% (em
agosto de 2025, estavam 21% abaixo do nível de 2015), enquanto os
salários do setor público caíram 20% no mesmo período. Isso significa
que cada trabalhador do setor privado sofreu uma perda de quase 2
milhões de pesos desde dezembro de 2023, enquanto cada funcionário do
setor público perdeu 10 milhões de pesos.
Por outro lado, embora oficialmente em torno de 6,9%, o desemprego
mascara uma enorme precariedade: 38,2% dos assalariados estão em
empregos informais, sem acesso a direitos básicos e com mais de um
emprego; o emprego múltiplo aumentou 12% apenas no primeiro semestre de
2026 (40% nos últimos oito anos). Isso reflete o aumento da pobreza, que
é ainda mais agravado pelo alto desemprego e pela exploração.
No geral, estima-se que, desde que Milei assumiu o cargo, a
transferência de renda da classe trabalhadora para o capital concentrado
tenha chegado a aproximadamente 48,8 trilhões de pesos.
A RESISTÊNCIA CRESCE DE BAIXO
Embora a greve geral de 19 de fevereiro tenha sido um sucesso em termos
de alta participação (entre 70% e 90%, segundo relatos), a paralisia
imposta pelas principais lideranças sindicais, complacentes, é mais do
que evidente. Elas estão tentando conter os conflitos para manter o
controle sobre os fundos sindicais.
Os resultados mostram que as ações industriais em larga escala das
últimas semanas - como a greve geral ou a mobilização em massa de 11 de
fevereiro - foram insuficientes para deter o avanço da lei trabalhista.
Isso evidencia a influência decisiva e contínua de lideranças
subservientes: em primeiro lugar, o núcleo dos setores de saúde,
comércio e alimentação e, em segundo lugar, o grupo da UOCRA, UPCN e
Obras Sanitarias, que atuam como verdadeiras barreiras contra o conflito.
Contudo, um polo militante se formou em torno da Frente Sindical de
Unidade (FreSU), composta, entre outros, pela UOM, Aceiteros, ATE,
Papeleros, as duas CTAs, Docentes e partes da CATT. Esse polo sindical
transcende as três centrais sindicais, mantendo, simultaneamente, uma
saudável independência de classe em relação a partidos e governos. No
entanto, esse espaço crescente ainda não amadureceu o suficiente para
superar o dinamismo do anterior, permanecendo limitado a greves
esporádicas e mobilizações tímidas.
Além dessa dificuldade, testemunhamos mais uma vez como um segmento da
esquerda político-partidária prioriza o papel de liderança de seus
aparatos políticos, operando sob a lógica de uma "vanguarda
esclarecida", marginalizando, assim, o papel dos sindicatos e das
comissões de fábrica. Isso se concretiza, por exemplo, ocupando as
primeiras filas em manifestações ou fragmentando ações conjuntas em
momentos cruciais. A lógica sugere que a resistência à legislação
trabalhista deve ser liderada pelos próprios sindicatos. Além disso,
para um trabalhador que ainda não se juntou à luta, uma mobilização
operária é certamente muito mais acessível do que uma ação liderada por
partidos políticos, cujos líderes são quase todos desempregados.
Por outro lado, como consequência dessa lacuna de longa data entre a
base e os representantes sindicais e considerando que muitos camaradas
decidiram se juntar à luta, algumas províncias têm vivenciado
mobilizações auto-organizadas que, embora massivas, são simultaneamente
descoordenadas, carentes de perspectiva e planejamento. Em alguns casos,
essas lutas foram marcadas por certa confusão decorrente de ideias
nacionalistas, com tentativas de vincular a luta salarial às demandas de
forças repressivas. Neste ponto, reafirmamos mais uma vez
independentemente de quem as lidere o sindicato como um instrumento
genuíno da classe trabalhadora. Um instrumento com o qual foram
conquistadas as mais importantes realizações do movimento operário.
Fortalecendo as reivindicações constitucionais por meio da ação direta
Diante dessa situação, a tarefa é clara e urgente: não podemos deixar
nossa defesa apenas na legalidade, como alguns líderes sindicais estão
tentando fazer. A reforma e certos artigos dela, que beiram o
escandaloso, estão em andamento. Contudo, esses recursos legais devem
ser sustentados pela ação direta. As lições da história mostram que a
justiça estatal, por si só, não decide a favor dos oprimidos, mas
somente por meio do conflito social.
SOLIDARIEDADE COM AS OCUPAÇÕES E OS DEMITIDOS
Nesse contexto sombrio, e assim como em 2001, diante do aumento das
demissões em massa e do fechamento de empresas, a ocupação de fábricas e
locais de trabalho se configura como uma forma legítima de resistência.
As ocupações iniciadas por metalúrgicos na Terra do Fogo ou por
trabalhadores da indústria de pneus na FATE, assim como a ocupação de
tribunais por funcionários do judiciário em Buenos Aires, expressam uma
tensão nos limites do legalismo e tentam - ao menos taticamente -
limitar o avanço dos empregadores. Elas politizam os conflitos e
demonstram que a ação direta e o poder organizado de base são a resposta
inevitável dos trabalhadores. É claro que essa ação não resolve a
questão fundamental, sobretudo porque administrar uma empresa em meio a
uma crise industrial é extremamente complexo nesse contexto (seja pela
cadeia de pagamentos, pela localização da produção ou pelo financiamento
da matéria-prima). Contudo, isso possibilita unir os trabalhadores
afetados em um ato coletivo de resistência.
UNIÃO DE FORÇAS PARA COORDENAÇÕES SINDICAIS AUTÔNOMAS
Nesse contexto, e para assegurar o crescimento contínuo da resistência,
é necessário contribuir com forças para coordenações sindicais como a
FreSU ou a Coordenação Sindical de Rosário, que se uniram na Assembleia
Geral da ATE em outubro de 2025 - ambos espaços caracterizados por uma
postura independente de classe em relação a partidos políticos e
candidatos de qualquer tipo. Em tempos de cultos à personalidade e egos
sindicais, uma tarefa primordial da militância anarquista é construir
pontes entre os sindicatos, unir setores díspares e expandir os órgãos
de coordenação - de cima para baixo, mas sobretudo de baixo para cima,
entre as bases.
Além dos protestos em âmbito nacional contra a reforma trabalhista e
suas consequências, a luta por salários, condições de trabalho e
segurança no emprego deve ser intensificada em todos os setores da
economia e em todas as províncias. Os governadores também têm
responsabilidade pela situação da população.
NÃO DEVEMOS NEGLIGENCIAR AS LUTAS ESPECÍFICAS DE CADA SETOR, FORTALEÇAR
O TRABALHO DE BASE
No entanto, não devemos negligenciar as lutas específicas de cada setor
neste momento, pois somente assim poderemos reunir forças e convencer
nossos camaradas da necessidade de crescer como uma força social
organizada neste contexto. A confiança em nossa própria força deve ser
restaurada por meio de conquistas imediatas e setoriais. É hora de
expandir ainda mais a base organizada, de alcançar um camarada após o
outro - nos tempos que virão, ninguém será descartável.
OAC - Organização Anarquista de Córdoba
OAT - Organização Anarquista de Tucumán
ORA - Organização de Resistência Anarquista (Buenos Aires)
OASC - Organização Anarquista de Santa Cruz
La Tordo Negro - organizando um processo de aquisição
Organização Impulso Anarquista (Neuquén-Río Negro)
FAR - Federação Anarquista de Rosário
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