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(pt) Brazil, CAB: 17 DE ABRIL: 30 ANOS DE LUTO, TODA UMA VIDA DE LUTA: O MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Tue, 2 Jun 2026 07:19:10 +0300
Há trinta anos marchou o povo organizado da fazenda Macaxeira, em
Curionópolis, até a capital do estado do Pará, Belém, para pressionar o
governo, que já tinha se comprometido a negociar com o INCRA,
reivindicando a desapropriação da terra improdutiva. Cercado por uma
centena de policiais militares e pistoleiros à mando do governo e
latifúndio se fez a violência dos covardes sob o povo que demandava
justiça social. No dia 17 de abril tombaram 21 companheiros e tantos
outros feridos, episódio que ficou conhecido como massacre de Eldorado
dos Carajás, que hoje rememoramos para nunca ser esquecida essa dolorosa
história de luta.
A violência do Estado com as suas velhas oligarquias e os agentes do
capital segue sem freio na Amazônia Legal, principalmente no estado do
Pará que concentra o maior número de conflitos por terra no Brasil, de
2014-2023 foram registradas 1.999 ocorrências, seguido logo atrás pelo
Maranhão. Em relação aos assassinatos no campo, registrou-se o dobro de
mortes (26) entre sem-terra, assentados, indígenas, posseiros e
quilombolas no ano de 2025. Enquanto isso, a demarcação de terra por
parte do governo Lula III segue quase parando, com uma má vontade em
homologar as terras já autorizadas pelo INCRA. O governo parece aguardar
as grandes farsas, como foi a COP-30, para tirar fotos, querendo
pintar-se de verde um capitalismo que reatualiza a exploração e
destruição de nossa terra e vida, tentando esconder na
representatividade e conciliação um projeto desenvolvimentista junto as
oligarquias locais que busca atender as demandas das elites globais que
só fazem guerra. Ao seu lado, o Congresso segue ameaçando a volta do
marco temporal e a lei 6.050 que libera o garimpo e outras atividades em
terras indígenas.
Aos povos, os poderosos não enganam e as recentes lutas no Pará
demonstram isso. Mais do que palavras os povos indígenas do Baixo
Tapajós e agora as mulheres do médio Xingu com ação direta, ou seja, a
ação feita e dirigida pelos próprios afetados, sem delegações alheias,
decidiram ocupar a Cargill e agora a Belo Sun na defesa de seu
território. Apesar das manobras políticas do governo de conciliação e o
jogo sujo das empresas, assediando indígenas não alinhados, este método
de luta tem nos mostrado que pode ser vitorioso, superando muitas
armadilhas institucionais.
Há mais de trinta anos este povo que nesta terra pisa, vive, cultua e
trabalha, demanda justiça por Eldorado, Colniza, Pau d'Aco, rio Abacaxis
e tantos outros episódios de violência covarde, mas também por Paulino
Guajajara, Nega Pataxó, Quintino Lira, Mãe Bernadete e tantas outras
lideranças que se tornaram mártires-encantados que hoje guiam a luta no
campo. Não será a Vale, Cargill, Belo Sun, Ternium, Terrabras que irá
melhorar a vida do povo, muito menos serão as famílias Sarney, Barbalho,
Campos, Lira, Calheiros etc. que defenderão a vida do povo, não
esperamos nada deles, muito menos justiça. Essa justiça não nos será
dada, nem cairá do céu, mas arrancada e feita por nós mesmos, e assim
tem sido feita no dia a dia, no arame cortado, no cuidado da terra pelas
mãos de nossa gente: a autodeterminação dos povos, na defesa de terra e
território, está sim a verdadeira luta por soberania. Portanto, o
conflito, a guerra não estão lá no Oriente Médio, há trinta anos ela foi
declarada pelo lado de lá e seguimos resistindo, defendendo as nossas
vidas e autonomia. Hoje o Assentamento 17 de abril completa três décadas
trabalhando a terra e exigindo Reforma Agrária Popular!
Lutar, criar, Reforma Agrária Popular!
Coordenação Anarquista Brasileira
https://cabanarquista.com.br/17-de-abril-30-anos-de-luto-toda-uma-vida-de-luta-o-massacre-de-eldorado-dos-carajas/
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