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(pt) Portugal, Lisboa, Em Lisboa, à semelhança do ano passado, prepara-se o 1º de maio anti-autoritário. (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sun, 31 May 2026 07:17:22 +0300
Manifesto: O 1º de Maio é um dia de luto e de luta da classe
trabalhadora um pouco por todo o mundo. ---- Em 1886, os chamados
"Mártires de Chicago", anarquistas, trabalhadores, insurgentes, foram
condenados à morte por ousarem imaginar o impossível: que a vida não
deveria ser inteiramente capturada pelo trabalho. Lutavam por oito horas
de trabalho, oito horas de descanso e oito horas de ócio. Foram, por
isso, silenciados pelo Estado, esse mesmo que protege a propriedade e
pune quem a desafia. A história, porém, não se escreve com o veredicto
dos tribunais, mas com a persistência dos corpos que resistem: a jornada
de oito horas não foi concedida, foi arrancada aos patrões com
organização, luto e luta coletiva. O que se celebra não é uma conquista
pacificada, mas uma ferida aberta que ainda pulsa: memória viva de que
nenhum direito nasce sem conflito e de que a luta contra a exploração e
o Estado permanece internacional, contínua e inacabada.
Os Mártires de Chicago morreram pela luta dos trabalhadores e é porque
anarquistas perderam as suas vozes, que hoje levantamos as nossas. Há
mais de 130 anos, exigia-se o mínimo: cerca de 40 horas semanais, quando
o comum eram jornadas de 80 horas que devoravam a vida. Hoje, o que se
apresenta como progresso revela-se regressão: o novo pacote laboral
tenta devolver-nos ao passado, com o banco de horas individual a
estender o dia de trabalho em mais duas horas e a roubar-nos tempo,
empurrando-nos para semanas de 50 horas. Continuamos esmagados por
rotinas exaustivas, por um tempo que não nos pertence.
Por isso, voltamos às ruas no 1º de Maio. Não apenas para lembrar, mas
para insistir: o nosso tempo não é mercadoria! Invocamos a memória dos
Mártires porque a luta não terminou e porque conhecer a nossa história
enquanto classes oprimidas é também uma forma de recusar o esquecimento
e de afirmar, uma vez mais, o direito à vida para além do trabalho.
Nas últimas décadas, o 1º de Maio tem sido esvaziado e reconfigurado
como uma celebração dócil do trabalho ou como um dia de descanso
"concedido" pelo Estado: um feriado passivo que apaga a memória das
lutas que o tornaram possível. Aquilo que nasceu como conflito foi
transformado em ritual; aquilo que era insurreição tornou-se calendário.
Neste processo, os sindicatos institucionais (CGTP-IN e UGT)
afastaram-se da classe trabalhadora, confinando a luta à via legal e à
negociação de migalhas. A chamada "concertação social" não passa de uma
forma renovada da velha máxima autoritária da colaboração entre classes,
um mecanismo que administra o conflito em vez de o enfrentar. A ação
sindical, centrada em objetivos imediatos, abdicou de uma transformação
radical das condições de vida, deixando para trás a possibilidade de
libertação económica, social, política e sexual. A isto soma-se a
burocratização do sindicalismo e a sua instrumentalização como
dispositivo de controlo, frequentemente voltado contra movimentos
autónomos de trabalhadores. O que se apresenta como representação
transforma-se, muitas vezes, em contenção, num gesto que mais vigia do
que liberta, mais disciplina do que organiza.
Mas a luta não se delega: constrói-se. Constrói-se nas ruas, nas
ocupações, nas greves, na ação direta que recusa esperar autorização
para existir. Não se pede, toma-se. É, por isso, urgente retomar as
formas de luta que conquistaram direitos no passado: a ação direta, o
boicote, a greve, a sabotagem. Não como memória, mas como prática viva,
como recusa ativa de um sistema que insiste em roubar-nos o tempo, o
corpo e a vida.
Enquanto tentam apagar o caráter combativo desta data, nós, anarquistas,
reacendemos a sua chama revolucionária. Chamamos todas as pessoas
insurgentes, trabalhadoras e lutadoras, coletivos, sindicatos autónomos,
movimentos sociais, a ocupar as ruas, a romper o silêncio e a denunciar
a exploração capitalista, estatal e todas as formas de dominação.
Convocamos quem não aceita delegar a própria vida, quem se compromete
com a ação direta, a autonomia e a construção de um mundo sem hierarquias.
Reivindicamos um 1º de Maio auto-organizado, à margem do reformismo e do
controlo autoritário. Queremos a autonomia do nosso tempo, dos nossos
corpos e das nossas vidas, porque aquilo que nos foi roubado não será
devolvido, terá de ser recuperado.
Não esquecemos quem foi deixado fora daquilo a que chamaram "classe
trabalhadora". Quem nunca coube nessa definição estreita, moldada para
reconhecer uns e apagar outros. Não esquecemos as vidas empurradas para
a margem, silenciadas como sujeitos políticos, tornadas invisíveis por
uma ideia de classe que nunca foi neutra uma ideia construída para
excluir.
A “classe trabalhadora” não surgiu como simples descrição do real: foi
forjada historicamente, inscrita nas hierarquias coloniais e patriarcais
que sustentam o capitalismo. Desde o início, traçou fronteiras entre o
que conta e o que é descartável, entre o trabalho que produz valor e o
que é negado, entre quem é reconhecido como força de transformação e
quem é condenado à invisibilidade. Essas distinções nasceram da
violência racial, sexual e económica que organiza o mundo.
Durante séculos, impuseram como norma a figura do trabalhador
assalariado — masculino, branco, nacional — elevando-o a sujeito
político legítimo. Tudo o resto foi empurrado para fora: desvalorizado,
criminalizado ou romantizado como exceção. Outras formas de trabalho, de
resistência e de sobrevivência foram sistematicamente negadas, apesar de
sustentarem a vida.
Repensar a luta de classes exige mais do que apelos abstratos à unidade.
Exige romper com esta herança, desmantelar as fronteiras impostas e
recusar uma ideia de classe fechada sobre si mesma. A classe não é um
dado: é um campo de disputa. É nesse terreno que nos colocamos, ao lado
de todas as existências que o capitalismo tentou disciplinar, explorar e
destruir. Porque a luta não é apenas por inclusão numa categoria que
sempre excluiu, mas pela sua transformação radical.
Propomos um 1º de Maio anarquista, transfeminista, antirracista e
anti-imperialista. Um 1º de Maio que inclua quem é empurrado para as
margens: a comunidade queer, as trabalhadoras migrantes, racializadas e
precarizadas, as trabalhadoras sexuais, as pessoas presas forçadas a
trabalhar em condições de escravatura. Porque a sociedade do trabalho é
patriarcal, capacitista e extrativista, valoriza a produtividade acima
da vida e transforma corpos em recurso.
Rejeitamos uma educação que nos treina para obedecer e produzir, que nos
molda para aceitar a exploração como destino. Queremos um 1º de Maio que
recuse fronteiras e afirme o internacionalismo e a autodeterminação dos
povos. Um 1º de Maio que reconheça o colapso climático não como
acidente, mas como consequência direta de uma sociedade industrial,
colonial e capitalista.
Almejamos uma vida de ócio e de prazer, uma vida onde o tempo livre não
seja uma migalha concedida pelo capital para alimentar o consumo, nem um
descanso funcional que nos prepara para voltar a ser exploradas.
Queremos tempo que nos pertença, tempo vivido e não administrado.
Queremos a abolição do trabalho assalariado e o fim de todas as formas
de dominação — porque enquanto o trabalho governar a vida, não haverá
liberdade. Transformemos esta data num espaço de agitação, solidariedade
e organização popular. Ocupa o espaço. Recupera o teu tempo.
Porque tal como os “Mártires de Chicago”, carregamos nos nossos corações
desejos de libertação social, ocupamos as ruas no dia 1 de Maio, a
partir das 15h, no Largo de Camões. Este será um espaço de agitação,
solidariedade e organização contra o Capital e o Estado e por um 1º de
Maio combativo e autónomo. A marcha terminará em festa no Largo do
Intendente, um apelo à ociosidade e à reapropriação do espaço público.
Hoje como ontem, não nos resignamos!
Manifesto: https://tinyurl.com/1maio2026
https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2026/04/21/lisboa-manifesto-antiautoritario-para-um-1o-de-maio-de-luta-e-libertacao-2026/
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