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(pt) Italy, UCADI, #206 - Fúria Épica: Totalitarismo Algorítmico e o Eclipse da Razão (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Fri, 10 Apr 2026 08:51:29 +0300


O nome "Fúria Épica", escolhido por Trump para a operação conjunta com Israel contra o Irã, lançada em 28 de fevereiro, é a estrutura estética perfeita para uma estratégia manipuladora que visa hipotecar o futuro por meio de consenso instantâneo. Nesse cenário, o uso de "vergonha alheia" aquela sensação de desconforto sentida diante de um ato fora de contexto não é uma afetação hollywoodiana nem arrogância excessiva. Trata-se de uma tecnologia de comunicação deliberada ou, mais precisamente, uma tecnologia deliberada de "captura". Seus objetivos são, na verdade, cirúrgicos: engajar a Geração Z e os Millennials imitando seus códigos (do TikTok aos memes); desviar a atenção do conteúdo inconveniente para o indivíduo que o expressa uma tática vital quando faltam argumentos válidos e saturar o espaço social com uma avalanche de comentários que preencham o vazio de conteúdo. É a ferramenta definitiva para minar a autoridade, uma qualidade outrora desejada, mas agora sacrificada no altar de uma polarização narcisista que transforma o líder em um chefe tribal incontestável. A dança desajeitada ao som de YMCA, o vídeo gerado por IA que transforma Gaza em uma visão utópica à la Disney, ou a declaração embaraçosa em que Trump confunde Viktor Orbán com o líder da Turquia em vez do da Hungria não são acidentes. São armadilhas. Essa estratégia não poupa a Europa e a Itália. O ministro Antonio Tajani, após a Operação Epic Fury, pediu aos italianos retidos em Dubai que não olhassem para fora nem saíssem às ruas na presença de drones, uma instrução que parece, no mínimo, surreal. Mesmo antes disso, Carlo Calenda tentou penetrar nesses novos espaços digitais para construir laços de confiança adotando uma estratégia de autenticidade por contraste: "Primeiro: não sei dançar, pareço um urso bêbado. Segundo: não posso dar dicas de maquiagem porque tenho barriga e sou feia. Mas posso conversar com você sobre política. Sobre política, sobre livros, sobre cultura." Em contraste, Giusi Bartolozzi, chefe de gabinete do Ministro da Justiça, recorreu à violência verbal quando, em um recente debate televisionado sobre o referendo sobre a justiça, descreveu os magistrados como verdadeiros "pelotões de fuzilamento", provocando um amargo conflito institucional. Até mesmo o paradoxo da identidade se torna um tema de circulação viral no espaço digital. É o caso do slogan "Eu sou Giorgia, sou mulher, sou mãe, sou italiana, sou cristã", proferido por Giorgia Meloni durante um comício em 2019 e posteriormente transformado no remix viral "Eu sou Giorgia", que se tornou um verdadeiro meme político. Até mesmo o apelo a Deus, à pátria e à família, proferido por líderes políticos com o tom de uma epopeia cavalheiresca, é uma narrativa elaborada para capturar o consenso de um eleitorado que busca certas referências.
É um populismo que oferece soluções simplificadas e a restauração de uma suposta soberania popular como antídoto para a incerteza social; no entanto, por trás dessa fachada reside o triunfo do egoísmo e do oportunismo político: uma retórica desprovida de significado ético. O processo de obtenção de consenso não estaria completo sem o apoio crucial de processos automatizados que utilizam IA para identificar, extrair e quantificar as opiniões e emoções contidas em um texto. A IA mapeia microrreações emocionais em tempo real raiva, medo, compartilhamento, alegria extraindo e medindo o sentimento coletivo para adequar a comunicação ao propósito pretendido. Não é coincidência que a IA tenha sido amplamente utilizada e em tempo real durante a Operação Epic Fury: não apenas para planejar a logística e a seleção de alvos, mas também para traçar o perfil do público e testar o nível de engajamento emocional da população. "Epic Fury" representa, portanto, o primeiro experimento em massa no qual a IA gerencia a guerra e a informação de forma integrada. A propaganda não é mais uma arte de persuasão, mas uma ciência exata de criação de perfis, onde o futuro é hipotecado em nome de um presente saturado por algoritmos e fúria. A mídia tradicional, em uma tentativa obsessiva de se manter alinhada ou mesmo liderar na produção de conteúdo, persegue tendências geradas ou amplificadas pela inteligência artificial, tornando-se, sem saber, amplificadora da própria desinformação que deveria combater. Nessa corrida para atingir a velocidade máxima, perdeu de vista sua verdadeira vantagem competitiva: credibilidade, autoridade, verificação de fatos e proximidade com as comunidades locais. Ao mesmo tempo, a relação direta entre líderes e cidadãos acelerou o declínio dos órgãos intermediários. Partidos políticos, sindicatos e associações hoje parecem cada vez mais inadequados para combater a política "pop" e populista.
Esta crise não é meramente estética: tem um enorme custo social, corroendo as proteções de que gozam os trabalhadores e os grupos vulneráveis. No entanto, revitalizar estas organizações é uma condição necessária para restaurar a vitalidade democrática. Estes organismos devem voltar a ser pontes sólidas entre as instituições e os cidadãos, capazes de realizar análises claras, projetar visões estratégicas e oferecer soluções concretas às necessidades da comunidade, abandonando as reações emocionais estéreis. É urgente exigir uma ação política rigorosa e coerente que restaure a função educativa e a construção do bem comum. A fragilidade atual produz desilusão e abstenção, pondo em risco a própria estabilidade da democracia. Emergir da "Fúria Épica" significa romper o curto-circuito criado entre o algoritmo e as nossas emoções mais arcaicas; significa deixar de habitar a caverna dos reflexos condicionados e voltar a investir na competência e na responsabilidade coletiva.

Sabrina Barresi

https://www.ucadi.org/2026/03/28/epic-fury-il-totalitarismo-algoritmico-e-leclissi-della-ragione
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