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(pt) Brazil, OSL, Libera #183 - KROPOTKIN E AS ESTRATÉGIAS ANARQUISTAS EDUCACIONISMO, INSURRECIONALISMO E SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO - Felipe Corrêa II. (2/2) (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Wed, 11 Feb 2026 08:33:59 +0200
Em 1914, escreveria a Luigi Bertoni:
Minha opinião é exatamente aquela exprimida por Malatesta em Volontà em
7 de fevereiro de 1914, e com a qual você concorda. O sindicato é
absolutamente necessário. Ele é a única forma de associação operária que
permite a luta direta contra o capital ser levada a cabo sem submergir
no parlamentarismo.18 (apud Nettlau, 1996, p. 280) . ---- Ou seja, para
Kropotkin, nessa distinta perspectiva, são os sindicatos os únicos
agrupamentos de trabalhadores capazes de reunir as massas para combater
o capitalismo e o Estado sem ceder ao reformismo socialdemocrata. Os
anarquistas (preferencialmente articulados em agrupamentos específicos)
participam da construção dos sindicatos e promovem, por sua crescente
influência, uma linha sindical que inclui: ação direta das massas,
independência de classe, protagonismo democrático (federalista,
autogestionário) das bases e perspectiva revolucionária. A prática
anarquista e a ação sindical são, elas mesmas, formas de propaganda que,
juntamente à propaganda falada e escrita, contribuem para a difusão
desse ideário anarquista e sindicalista, e para o incremento desse
movimento transformador.
Tal noção, tipicamente vinculada ao anarquismo de massas sindicalista,
se reforça ainda pelas posições possibilistas (favoráveis às lutas de
curto prazo pelas reformas) que Kropotkin manifestou em certas ocasiões.
Em 1906, no artigo "Syndicalisme et Parlamentarisme"[Sindicalismo e
Parlamentarismo]reconheceu a importância das lutas por melhores
condições de trabalho como: "melhor pagamento, redução nas horas de
trabalho, fábricas mais salubres, máquinas menos perigosas etc."
(Kropotkin, 2014m, p. 384)
Como se pode notar, a depender do enfoque (temporal, dos escritos
discutidos etc.) é possível aproximar Kropotkin mais das perspectivas
insurrecionalistas ou das perspectivas de massas. E Cahm nota isso muito
bem na conclusão de seu livro:
Se Kropotkin enfatizou o papel das minorias heroicas na preparação da
revolução e[...]vislumbrou claramente o envolvimento dos anarquistas em
atos de terrorismo, ele preocupou-se igualmente com a ideia da
Internacional Grevista para desenvolver a luta direta das massas contra
o capital.[...]Na verdade, ele nunca se preocupou estreita ou
acriticamente com as táticas terroristas ou sindicalistas, mas apreciou
o valor de ambas. (Cahm, 1989, pp. 276, 280)
É verdade que tal conclusão refere-se apenas ao período que vai de 1872
a 1886; para conclusões mais precisas acerca do período posterior, seria
necessário empreender uma continuidade deste estudo iniciado por ela,
tomando como base os escritos de 1887 a 1921.
De qualquer forma, o cerne do argumento parece-me bem colocado. Nos
praticamente 50 anos de anarquismo de Kropotkin há diferentes posições
sendo por ele defendidas. Se há mais homogeneidade nas posições
filosóficas e teóricas, há posições mais plurais no debate organizativo
e nas relações com as históricas correntes do anarquismo
insurrecionalista e do anarquismo de massas. As hipóteses explicativas
para tanto foram apontadas anteriormente: talvez pela posição de
Kropotkin como jornalista do "movimento", talvez pela crença numa
heterogeneidade de estratégias e táticas; talvez por ambas.
E se é verdade que não se pode desvinculá-lo completamente da
"propaganda pelo fato", também não é possível fazê-lo com o sindicalismo
revolucionário, como no caso de René Berthier (2018, p. 12), que afirma
ver apenas "distorções que são feitas ao pensamento de Kropotkin com o
único propósito de provar que ele foi um pensador sindicalista
revolucionário".
Realmente Kropotkin não pode ser considerado apenas um pensador
sindicalista revolucionário, mas, como pretendo mostrar a seguir, parece
inegável que ele tenha sustentado, em diferentes momentos de sua vida,
particularmente entre os anos 1881 e 1912, posições bastante vinculadas
ao sindicalismo revolucionário.
KROPOTKIN E O SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO (1881-1912)
Entre 1881 e 1912, em diversos momentos, Kropotkin discutiu e defendeu o
sindicalismo revolucionário. Cumpre, entretanto, antes de expor e
analisar suas posições a este respeito, apresentar brevemente alguns
elementos conceituais.
Syndicalism: Sindicalismo Revolucionário e Anarcossindicalismo
Quando se estuda globalmente a história do movimento sindical, é
possível notar que, a partir dos anos 1870, no seio da AIT, emerge uma
forma inovadora e revolucionária de sindicalismo.
De acordo com Van der Walt (2019a, pp. 253-254), em termos teóricos, ela
se expressa na obra de Bakunin, em seu período anarquista e
internacionalista, ainda no fim dos anos 1860; em termos práticos,
inicia-se com a Federación Regional Española[Federação Regional
Espanhola](FRE), organização sindical fundada em 1870 na Espanha e
vinculada à "Primeira Internacional", que alguns anos depois de sua
fundação chegou a 60 mil membros. Tal tradição sindical desenvolveu-se
ao longo dos anos 1870 e 1880, em escritos de distintos autores e em
sindicatos de diferentes países, inclusive da América Latina.19
Ou seja, quando a CGT foi fundada, em 1895, havia já uma tradição, em
termos de pensamento e ação, dessa forma de sindicalismo que ela
praticará até a Primeira Guerra. A CGT foi importante não apenas por sua
práxis na França, e por tornar-se referência sindical para o mundo
europeu e hispano-lusófono, mas também por difundir amplamente o termo
"syndicalisme révolutionnaire"[sindicalismo revolucionário], para
expressar suas concepções e práticas sindicais. A adjetivação
"révolutionnaire", no francês, era necessária, na medida em que o termo
"syndicalisme", como no português, referia-se ao sindicalismo de maneira
geral, abarcando o sindicalismo revolucionário e o anarcossindicalismo,
mas também as formas de sindicalismo patronais, amarelas, reformistas,
corporativistas etc.
Entretanto, quando se observa o mundo anglófono, a questão é distinta.
Em inglês, o termo "syndicalism", utilizado a partir do início do século
XX, derivou do "syndicalisme révolutionnaire" francês; trata-se,
portanto, de um sinônimo de "revolutionary unionism" (inglês) e
distingue-se dos termos mais amplos "unionism" (inglês), "syndicalisme"
(francês) e "sindicalismo" (português).
Portanto, a experiência teórico-prática do sindicalismo revolucionário
precedeu, em algumas décadas, não apenas a CGT francesa, mas a própria
invenção dos termos "syndicalisme révolutionnaire" (francês) e
"syndicalism" (inglês).
Essa tradição de pensamento e ação que se iniciou entre o fim dos anos
1860, que se consolidou nos anos 1870 e 1880, e que passou a se
expressar pelos mencionados termos entre os anos 1890 e 1900, possui
continuidade depois disso. Grandes exemplos dessa tradição syndicalist
incluem, além da CGT, a mencionada Internacional Sindicalista, fundada
na passagem de 1922 para 1923, em Berlim, na Alemanha, e inúmeras outras
experiências em todo o mundo, ao longo do século XX, e mesmo deste
início de século XXI.20
Cumpre ainda notar que o termo "anarcossindicalismo" é posterior ao
"syndicalism", tendo-se difundido desde os anos 1920 e ganhado destaque
com a Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNT), protagonista da
Revolução Espanhola (1936-1939). Ainda assim, dependendo de como o
anarcossindicalismo for conceituado, também é possível encontrar
experiências históricas anteriores às próprias invenção e difusão do
termo. Desde o surgimento do termo "anarcossindicalismo", têm havido
inúmeros esforços de se conceituar o sindicalismo revolucionário e o
anarcossindicalismo - em alguns casos, se enfatiza a diferença entre
essas duas formas de sindicalismo; em outros, se afirma que são
praticamente sinônimos -, e, no mundo anglófono, uma tendência de
abarcar ambos com o conceito de "syndicalism".21
Foi por não haver um sinônimo em português para "syndicalism" - visto
que, no Brasil, não utilizamos com rigor a diferença entre
"sindicalismo" e "unionismo", e nos referimos a todas as formas de
sindicalismo sob este termo - que propusemos, em inúmeras ocasiões,
expressões como "forma revolucionária de sindicalismo" ou "sindicalismo
de intenção revolucionária" para nos referir a este "syndicalism", que
abarca tanto o sindicalismo revolucionário quanto o anarcossindicalismo.
(Ver, por exemplo: Santos e Silva, 2018; Corrêa, 2018; Van der Walt, 2019b)
Esse syndicalism, forma revolucionária de sindicalismo, pode ser
definido da seguinte maneira:
O sindicalismo[syndicalism]concentra-se na reivindicação de que os
sindicatos - construídos por meio de lutas diárias, práticas
radicalmente democráticas e educação popular - constituem uma força
insubstituível para defender e estender conquistas e direitos da classe
trabalhadora e são alavancas cruciais para a revolução social. Ação
direta, solidariedade, autoatividade e desenvolvimento de conhecimento
técnico e político são meios para permitir a acumulação de forças
individuais e organizativas para uma greve geral revolucionária[...], na
qual trabalhadores ocupam seus locais de trabalho, tomam o controle dos
meios de produção e constroem uma ordem socialista livre, baseada na
autogestão, no planejamento participativo vinculado a assembleias e
conselhos, e na produção voltada para a necessidade e não para o lucro
ou o poder de uma minoria dominante. (Van der Walt, 2019a, p. 249)
O syndicalism - e, portanto, o sindicalismo revolucionário e o
anarcossindicalismo - constitui uma forma de sindicalismo que surgiu na
AIT e que depois disso espalhou-se pelo mundo.
Trata-se de uma estratégia sindical para a luta de classes, que envolve
a articulação de trabalhadores por local de trabalho, mas não apenas, e
que opera com independência de partidos, classes dominantes, Estado etc.
Sob tal estratégia, os sindicatos operam por meio da ação direta, com os
trabalhadores atuando em seu próprio favor, e do exercício prático da
autogestão e do federalismo, construindo lutas com protagonismo das
bases, em processos amplamente democráticos ("de baixo para cima").
Esses sindicatos têm como foco as lutas reivindicativas de base
econômica (e, em certos casos, políticas, não eleitorais, no sentido de
reivindicações frente ao Estado) e como objetivo uma revolução social,
na qual o protagonismo das massas é imprescindível, que possa substituir
a sociedade capitalista por uma sociedade livre e igualitária. A cultura
revolucionária de classe - que estimula a solidariedade, a luta
coletiva, os fins transformadores, o internacionalismo, o
antimilitarismo etc. -, assim como a pedagogia dessas lutas, que ensina
e educa os trabalhadores na prática, e se complementa com os esforços
educativos de maneira geral, contribuem com a radicalização necessária
dos trabalhadores para a revolução e a nova sociedade.
* * *
Quando sustento, neste texto, que Kropotkin discutiu e defendeu o
"sindicalismo revolucionário", considero que se trata deste syndicalism,
que emerge na Internacional, que se difunde pelo mundo com outras
experiências, incluindo a CGT francesa, e que nem sempre é chamado por
esses nomes.
Os textos citados a seguir foram escritos originalmente em francês e em
inglês, e neles Kropotkin utiliza distintos termos para se referir ao
sindicalismo. Usufrui daqueles mais neutros como "syndicalisme"
(francês) e "trade-unionism" (inglês). (Kropotkin, 1907, p. 2; 2014l, p.
373) E também dos termos adjetivados, como no caso de "revolutionary
unionism" (inglês), ou quando reconhece que o "syndicat" pode tornar-se
"révolutionnaire" (francês). (Kropotkin, 2014r, p. 407; 1907, p. 2)
Enfim, ele recorre também ao "syndicalism", quando escreve em inglês.
(Ver, por exemplo, as inúmeras menções em: Kropotkin, 2014r22)
Referindo-se a essa forma de sindicalismo, em 1912, no artigo
"Syndicalism and Anarchism"[Sindicalismo e Anarquismo], Kropotkin a
define como "luta direta do trabalho contra o capital no campo
econômico". (Kropotkin, 2014r, p. 403) Ainda em 1907, numa carta ao
jornal sindicalista The Voice of Labour, ele a definiu como "a livre
organização do trabalho, independente de todos os partidos
parlamentares, visando à solução direta - pelos próprios trabalhadores e
por meio de seus sindicatos - do imenso problema social". (Kropotkin,
2014n, p. 387)
Para Kropotkin, esse sindicalismo possui "dois princípios mais
importantes". O primeiro deles, "ação direta", que se vincula exatamente
às mencionadas luta direta e solução direta, e que implica a
auto-organização dos trabalhadores, por si e para si, no intuito de
promover a luta de classes no campo econômico. O segundo, as "novas
formas de vida social baseadas na federação de sindicatos", que têm a
ver com uma perspectiva prefigurativa da luta sindical, que, ao mesmo
tempo, constrói e protagoniza a luta cotidiana, por meio de organismos
de base e altamente democráticos, e faz destes organismos os embriões da
sociedade futura pós-revolucionária. (Kropotkin, 2014r, p. 405) Mais
adiante será possível compreender em maiores detalhes esses e outros
aspectos do sindicalismo revolucionário defendido por Kropotkin.
Importante notar que, para ele, esse syndicalism teve origem na AIT, a
qual ele caracteriza como "um grande movimento sindicalista[syndicaliste]".
(Kropotkin, 1907, p. 2) E mais, considera que ambos os citados
princípios do sindicalismo revolucionário (ação direta e prefiguração)
"foram, desde o início, os princípios orientadores da Associação
Internacional dos Trabalhadores". (Kropotkin, 2014r, p. 405) Associação
esta que foi formada por mutualistas franceses (discípulos de
Pierre-Joseph Proudhon) e trade-unionistas ingleses (seguidores de
Robert Owen) e, pouco tempo depois de seu período fundacional
(1864-1866), adotou estratégias sindicalistas revolucionárias,
hegemônicas pelo menos até 1871. (Kropotkin, 1987, p. 27; 2014v, p. 207;
1964, p. 103)
Kropotkin reconheceu o movimento anteriormente descrito, segundo o qual
uma nova forma de sindicalismo emergiu na AIT, expressando-se em ideias,
práticas, pensamentos e ações. Ele também admitiu que os anarquistas
tiveram papel muito importante nesse processo. (Kropotkin, 1987, pp.
27-29; 1964, p. 136) Explicou que as iniciativas syndicalists que
tiveram continuidade a partir de então em distintas localidades -
incluindo aquela da CGT francesa, a partir de 1895, e cuja influência
para ele foi relevante - tiveram como berço e referência histórica a
"Primeira Internacional", e que, não raro, desenvolveram novos termos
para se referir às concepções e práxis internacionalistas. (Kropotkin,
2014r, pp. 405, 411; 2014u, pp. 466-467; Nettlau, 1996, p. 279)
Aspectos Fundamentais do Sindicalismo Revolucionário Kropotkiniano
Em grandes linhas, a estratégia sindicalista revolucionária
(syndicalist) defendida por Kropotkin reivindica a construção de
sindicatos massivos e fortes, abarcando todos os setores da classe
trabalhadora, para a luta econômica imediata contra a exploração
capitalista. Nessa luta - que, segundo Kropotkin, precisa ser realizada
desde uma concepção de federalismo, ação direta e prefiguração -, é
possível não apenas radicalizar os sujeitos envolvidos, mas avançar na
luta para uma perspectiva revolucionária, de transformação política
radical da sociedade. Os sindicatos são capazes de encabeçar essa
transformação e de assumir as funções na nova sociedade socialista, sem
Estado e classes sociais. Tais posições serão discutidas mais
detalhadamente a seguir.
Ao analisar a luta de classes na sociedade, Kropotkin constata, sem
dificuldades, que, apesar de serem maioria, os trabalhadores (operários
e camponeses) vêm sofrendo a imposição da vontade de uma minoria
capitalista poderosa. De modo que, para potencializar a força desses
oprimidos, é fundamental promover sua organização.
Conforme sustenta: "Temos de organizar as forças dos
trabalhadores[...]para transformá-las numa formidável máquina de luta
contra o capital" (Kropotkin, 2014a, p. 294); numa "organização que
coloque todas as forças para esmagar o feudalismo capitalista"
(Kropotkin, 2014b, p. 300). E a organização capaz de dar conta desse
objetivo é o sindicato, e não o partido. "Nada pode inclinar a balança a
seu favor[dos trabalhadores]senão sindicatos enormes, que abarquem
milhões de proletários contra os exploradores". (Kropotkin, 2014e, p.
318; Ver também: Kropotkin, 2014a, p. 294)
Ou seja, é a organização sindical que possui as melhores condições de
potencializar a incidência dos trabalhadores na luta de classes contra a
exploração. É ela que permite transformar a capacidade de realização dos
trabalhadores numa força social e concreta capaz não apenas de incidir
no jogo de forças da realidade social, mas de buscar e garantir a
vitória dos trabalhadores.
Kropotkin (2014u, p. 469) compreende que tal esforço organizativo pode
se dar tanto por meio da conformação de novos sindicatos, quanto pela
participação em organizações sindicais já existentes. E que é preciso
dar conta da organização não apenas de um ou outro setor da classe
trabalhadora, mas de seu conjunto, abarcando, o máximo possível, o
conjunto de explorados, dominados e oprimidos. Assim, tanto os operários
quanto os camponeses - e mesmo os setores socialmente marginalizados -
devem encontrar possibilidades de se organizar em "sindicatos operários
e camponeses".
De modo que não há em Kropotkin certas posições que foram difundidas por
correntes do marxismo histórico. Destacadamente, aquelas que consideram
que apenas o proletariado urbano-industrial é o sujeito destinado a
fazer a revolução, graças à posição que ocupa na sociedade, ou aquelas
que consideram que o campesinato e o "lúmpem" são classes essencialmente
conservadoras ou reacionárias. Para ele, a capacidade revolucionária de
uma classe tem a ver não apenas com a posição social de seus membros,
mas também com sua trajetória; assim, a organização e a luta de classes
convertem-se em fatores determinantes.
Não se trata, contudo, de virar de cabeça para baixo a centralidade do
proletariado urbano-industrial e defender, como contraponto, a
centralidade do campesinato ou dos marginalizados. Kropotkin (2014d, p.
315) reconhece que, para o sucesso de greves e outros movimentos
reivindicativos, assim como para as transformações de maior envergadura,
os setores mais importantes da economia de uma sociedade precisam estar
envolvidos.
Portanto, é essencial que façam parte desses sindicatos operários e
camponeses todos os trabalhadores - da cidade e do campo, assalariados
ou não - que reconheçam sua condição subalternizada e que concordem em
enfrentar as classes dominantes por meio do conflito econômico-social.
Algo que envolve uma ênfase na economia e assume dois desdobramentos.
Primeiro, a necessidade de uma luta que se dê prioritariamente no campo
econômico: "Visto que a grande luta para a qual nos preparamos é uma
luta essencialmente econômica, é no campo econômico que nossa agitação
deve se dar". (Kropotkin, 2014c, p. 306) Se em última instância a luta
de classes precisa apontar para uma revolução social que ponha fim ao
capitalismo, a disputa (via reforma ou revolução) do aparelho de Estado,
restrita ao campo político, é insuficiente.
Segundo, Kropotkin (2014k, p. 360) considera que, ao passo que o
critério econômico une os trabalhadores, em torno de condições e
interesses comuns de classe, para a luta unificada contra a exploração,
os critérios políticos e/ou ideológicos, que incluem a partidarização da
militância sindical, os distancia, os separa uns dos outros. Essa "luta
entre o trabalho e o capital[...]exige que os trabalhadores apresentem
ao capitalista uma massa compacta - unida, e não subdividida por suas
opiniões políticas".
Tal é o motivo da necessidade desse sindicalismo encampar uma sincera
independência de classe frente aos partidos políticos.
As demandas da batalha cotidiana entre o trabalhador e o patrão, os
milhares de confrontos dessa luta oculta que os trabalhadores devem
travar em toda oficina, em toda fábrica, em toda mina, são tão visíveis,
que não pode haver a menor dúvida quanto à necessidade de sindicatos
operários completamente independentes de partidos políticos, socialistas
ou não. (Kropotkin, 2014m, p. 386)
Independência que, como apontado, tem de ser afirmada, inclusive, frente
aos partidos políticos de esquerda. As experiências históricas da
socialdemocracia e do comunismo evidenciam marcadamente a natureza da
relação desses partidos com os sindicatos e o movimento operário e
camponês em geral. Subordinação de suas estruturas e suas lutas aos
interesses político-partidários de conquista e/ou manutenção do poder de
Estado; hierarquia e substituísmo dos partidos frente aos movimentos. E
as consequências históricas dessa relação foram projetos que avançaram
muito pouco nas reformas e, em distintas ocasiões, conformaram-se, de
fato, em forças contrarrevolucionárias.
Sustentar essa posição não significa, para Kropotkin, a defesa do
economicismo ou o descarte da luta política. Essa luta no campo do
trabalho - por meio da qual operários e camponeses enfrentam diretamente
patrões e latifundiários contra a exploração - coloca-se como única
alternativa às lutas pela conquista reformista ou revolucionária do
Estado (socialdemocracia ou comunismo).
Esse é o único campo a partir do qual se pode iniciar e desenvolver um
processo revolucionário capaz de conduzir à anarquia socialista. As
lutas econômicas (que podem ser reivindicações ou greves nos locais de
trabalho, sabotagem ou "terrorismo econômico", todos os quais, em algum
momento, foram defendidos por Kropotkin) são formas de ação direta e
podem se tornar políticas. Isso ocorre na medida em que as lutas
extrapolam a categoria ou o local de trabalho em que tiveram início,
ampliam-se para outros ramos, envolvem locais de moradia, radicalizam-se
e avançam em sentido revolucionário, visando ao fim do capitalismo e à
destruição do Estado, ou seja, à socialização econômica (da propriedade)
e política (do poder) e ao fim das classes sociais.
Tais lutas tornam-se políticas porque promovem um enfrentamento
sistêmico à dominação em geral e às classes dominantes em particular, e
porque, ao colocarem realmente em xeque o capitalismo, colocam também o
Estado, visto que este faz parte do sistema capitalista, quando tomado
em sentido ampliado. (Kropotkin, 2014c, p. 306)
Esse movimento de radicalização e ganho de força não é apenas possível,
senão necessário no projeto político kropotkiniano. Lutas econômicas
imediatas precisam avançar para uma transformação política
revolucionária; os ganhos parciais têm de converter-se em uma vitória
duradoura, na qual os trabalhadores, por meio de suas organizações
sindicais e comunitárias, imponham sua vontade às classes dominantes.
Kropotkin oferece mais detalhes acerca desses dois momentos da luta de
classes.
Conforme mencionado, ele defende a promoção cotidiana das lutas visando
às conquistas econômicas imediatas. Argumenta que os sindicatos têm de
"construir uma força capaz de impor melhores condições de trabalho aos
patrões". E, com isso, garantir conquistas como "melhor pagamento,
redução nas horas de trabalho, fábricas mais salubres, máquinas menos
perigosas etc." (Kropotkin, 2014m, pp. 384-385) Para a realização de
tais reivindicações considera ser substancial um trabalho cotidiano e
permanente, que se faça presente em "repetidos atos de guerra,
empreendidos diariamente e em cada oportunidade que se possa preparar
para a batalha decisiva e a vitória". (Kropotkin, 2014c, p. 306)
Reivindica ele: "Temos de agrupar trabalhadores de todos os setores sob
esse único propósito: 'Guerra à exploração capitalista!' E temos que
buscar essa guerra implacavelmente, dia a dia, pela greve, pela
agitação, por todos os meios revolucionários". É essa prática que
permitirá aos trabalhadores que desenvolvam e aprofundem seu próprio
programa. (Kropotkin, 2014a, p. 294)
Ferramenta importante para o exercício cotidiano da luta de classes é a
greve. Escreve Kropotkin (2014c, pp. 308-310) que a greve é uma "arma
que os trabalhadores empunham em diferentes contextos, onde quer que
estejam", e que "pode ser utilizada a qualquer momento, de acordo com as
circunstâncias." Essa forma de resistência coletiva pressiona os patrões
a aceitarem as reivindicações dos trabalhadores, e, ao mesmo tempo,
cumpre um papel pedagógico, na medida em que estimula nos sindicatos a
solidariedade e a organização. "Longe de desenvolver os instintos
egoístas, a greve serve para desenvolver o senso de solidariedade que
emerge do próprio coração da organização". Ademais, "a resistência e a
greve são meios excelentes por meio dos quais os trabalhadores podem se
organizar" e fortalecer sua capacidade auto-organizativa, pois não se
pode esquecer que "a massa dos trabalhadores deve organizar-se por si
mesma".
Kropotkin reivindica ainda, também como mencionado, que haja uma
radicalização e um ganho de força permanentes, permitindo ao movimento
que supere as reivindicações econômicas imediatas e busque uma
transformação política revolucionária.
O objetivo da revolução é a expropriação daqueles que detêm a riqueza da
sociedade, e é contra esses proprietários que devemos nos organizar.
Devemos reunir todos nossos esforços visando à criação de uma
organização vasta de trabalhadores para buscar esse objetivo. A
organização da resistência e da guerra ao capital deve ser o principal
objetivo da organização dos trabalhadores, e seus métodos devem ser
informados não pelas lutas sem sentido da política burguesa, mas pela
luta, por todos os meios possíveis, contra aqueles que atualmente detêm
a riqueza da sociedade - e a greve é um excelente meio de organização e
uma das ferramentas mais poderosas na luta. (Kropotkin, 2014c, p. 311)
Se o movimento fizer dos pequenos ganhos sua finalidade, abrindo mão
desta perspectiva revolucionária, terá sucumbido ao reformismo e não
atingirá os referidos objetivos finalistas. O desafio é, portanto,
construir "um movimento sindical não apenas interessado em aumentos de
salário e redução de horas de trabalho, mas inspirado pela grande ideia
de se livrar dos parasitas e tomar posse de suas obras". (Kropotkin,
2014j, p. 356) Ou seja, promover esse finalismo revolucionário e
socialista. "É importante que todos à frente do movimento tenham clareza
sobre qual é o objetivo final da organização". Os sindicatos precisam
construir "uma poderosa força que, no dia da revolução, irá impor sua
vontade sobre exploradores de todo tipo". (Kropotkin, 2014c, pp. 303, 306)
Para esse avanço, é muito importante garantir um crescimento geográfico,
articulado de baixo para cima, por meio do federalismo:
Seções profissionais, federações abarcando todos os trabalhadores da
mesma profissão, federação de todas as profissões de uma mesma
localidade, de uma região, e grupos de combate independentes das
profissões, mas, antes de tudo, socialistas - é assim que eles[os
sindicalistas espanhóis fiéis às tradições anarquistas da
Internacional]constituem as estruturas do exército revolucionário.
(Kropotkin, 2014b, p. 299)
E reforçar esse combate por meio de ferramentas como a greve geral, os
combates de rua e a força das armas. Kropotkin (2014p, p. 395) enfatiza
que "a greve foi uma lição maravilhosa em muitos aspectos.
Demonstrou-nos a possibilidade prática de uma greve geral." A greve
geral envolve uma paralização generalizada dos trabalhadores em uma
localidade, e mobiliza uma força relevante dos trabalhadores no
enfrentamento aos patrões. Se é verdade que ela não é e nem substitui a
revolução social, não se pode negar que constitua um passo importante
para sua aproximação; a greve geral tem potencial para radicalizar o
movimento sindical, estimular outras iniciativas combativas e criar
condições para insurreições e lutas mais avançadas.
A força das reivindicações econômicas, das greves parciais e da greve
geral para o projeto revolucionário aumenta, na medida em que podem se
somar aos combates de rua, às barricadas e às ações armadas. Kropotkin
acredita na necessidade de um trabalho de base prolongado e na
conciliação entre lutas de massa e formas mais avançadas de combate; e,
com isso, nega o espontaneísmo e o insurrecionalismo.
Argumenta que as "barricadas têm de ser preparadas por meio da atividade
prolongada no seio das massas, algumas vezes durante anos". De modo que
os conflitos e as trincheiras de luta mais acirrada não são
protagonizados por indivíduos heroicos, pequenos grupos de vanguarda ou
militantes descolados das bases; eles devem expressar um trabalho prévio
prolongado e com envolvimento significativo das massas. É preciso ter em
mente que "sem um povo rebelde não há barricadas", e que os
revolucionários precisam "tornar-se o povo no seio do povo". Vale o
mesmo quando se trata de aliar os sindicatos às distintas formas de
conflito armado: lutas armadas e lutas de massas são indissociáveis.
"Sem as massas não há barricadas! Sem as massas não há luta armada!"
(Kropotkin, 2014f, p. 324)
Essa radicalização e esse avanço precisam ser permanentemente
estimulados pelos revolucionários socialistas (incluindo os anarquistas)
nos sindicatos. Mas não é só isso. A maneira como isso é feito no
cotidiano organizativo, os meios que são fortalecidos e estimulados
estão completamente vinculados aos fins que serão ou não atingidos; são
esses meios que indicarão se o objetivo final anteriormente enunciado
será ou não concretizado. "Os meios de ação propostos" devem estar "em
concordância com os objetivos propostos". (Kropotkin, 2014c, p. 304)
Como indicado, Kropotkin (2014r, p. 405) compreende que são dois os
princípios mais importantes na construção desses meios: a ação direta e
a perspectiva prefigurativa. Ambos são centrais na construção de uma
linha sindical adequada.
Para ele, é imprescindível a "ação direta das organizações operárias",
das massas, ou seja, "a ideia precisa de uma ação direta por meio de
seus próprios sindicatos". (Kropotkin, 2014n, pp. 387-388) Isso exige um
sindicalismo que tenha por base a "auto-organização dos trabalhadores",
que não conceda a outros (classes dominantes, vanguardas supostamente
iluminadas, partidos políticos ortodoxos, políticos eleitos etc.) seu
protagonismo organizativo e de ação; um sindicalismo que proporcione
condições de organização e que estimule a luta dos trabalhadores, por si
e para si. (Kropotkin, 2014u, p. 467) Algo que vale tanto para o caso da
busca dos ganhos econômicos imediatos quanto do caso da busca da
transformação política revolucionária.
Ao mesmo tempo, é imprescindível a prefiguração, que implica "promover
entre as massas as ideias que consideramos ser as bases do
desenvolvimento vindouro". (Kropotkin, 2014h, p. 344) Isso significa que
aqueles elementos vinculados ao protagonismo democrático, federalista e
autogestionário - associação voluntária, decisões de base, articulação
de baixo para cima, combate permanente ao centralismo e à burocratização
-, todos os quais são imprescindíveis numa sociedade federalista e
autogestionária (socialista, sem Estado e sem classes), devem também
nortear a prática sindical de organização e lutas.
Esse exercício prático do federalismo e da autogestão na organização e
nas lutas sindicais constrói o futuro no presente, produz os sujeitos da
mudança; trata-se, enfim, de um meio substancial para que os fins
pretendidos possam ser atingidos. Note-se que, para Kropotkin, isso não
implica construir uma realidade utópica para isolar da sociedade essa
iniciativa e as pessoas que dela fazem parte. Implica, distintamente,
produzir uma cultura de classe capaz de apontar estrategicamente para o
objetivo pretendido: a transformação desta sociedade na direção da
socialização da propriedade e do poder.
Também conforme mencionado, Kropotkin (2014u, pp. 467, 469) destaca que
os sindicatos têm uma função importante nesse movimento de revolução e
socialização. Afinal, eles são não apenas "meios poderosos de preparar a
revolução social", mas também "células para a ordem social futura". "Os
sindicatos operários são não apenas "um poder revolucionário" na
sociedade presente, mas "uma força para a organização futura" da sociedade.
Eles possuem um papel importante na expropriação das classes dominantes:
as "organizações sindicais poderiam tomar posse das docas, das
ferrovias, das minas, das fábricas, das terras, dos comércios e geri-los
não mais para o interesse de alguns capitalistas, mas para a sociedade
como um todo." (Kropotkin, 2014r, p. 407) Para tanto, é indispensável,
desde o presente, "criar entre as classes trabalhadoras estruturas
sindicais que possam um dia substituir os patrões e tomar em suas
próprias mãos a produção e a gestão de toda indústria". (Kropotkin,
2014m, p. 385) Por esse motivo, são os sindicatos os organismos mais
adequados para assumir a autogestão da produção num momento
pós-revolucionário, mas não apenas da produção. De acordo com a posição
de certos anarquistas e trabalhadores europeus:
No primeiro esforço para o estabelecimento da ordem futura - seja nas
aldeias, entre o campesinato, numa cidade ou província que proclame a
comuna - a organização da vida e da produção, sob princípios comunistas,
será responsabilidade dos sindicatos operários, e que somente eles podem
levar a cabo a enorme tarefa da reconstrução da indústria para os
interesses de toda a sociedade. (Kropotkin, 2014u, p. 467)
Os sindicatos não servem, portanto, apenas para a resistência e a luta
na sociedade presente. Eles também possuem serventia na transformação
desta sociedade e na construção da nova sociedade. De maneira que eles
não desaparecem com a revolução social e tornam-se centrais no período
reconstrutivo.
Os anarquistas, as massas e os sindicatos
O anarquismo só terá um papel relevante na sociedade se conseguir
penetrar amplamente no universo dos trabalhadores e converter-se num
enorme movimento de massas. Para Kropotkin (2014h, p. 345), "é apenas
nas grandes massas trabalhadoras[...]que nossas ideias atingirão seu
pleno desenvolvimento". E para garantir essa influência sobre as massas,
Kropotkin (2014f, p. 325) sustenta serem insuficientes os esforços
insurrecionalistas protagonizados com certa frequência pelos
anarquistas. Considera ele que o povo já "não está exigindo uma ação
isolada, mas homens de ação em suas fileiras", homens estes que têm como
tarefa não substituir os trabalhadores e nem protagonizar atos heroicos
ou aventureiros descolados das bases, mas ajudar as massas "a avançar e
a dar os poucos passos que as separam da revolução". Posição esta que
motivou Kropotkin a fazer cinco grandes recomendações à militância
anarquista.
Primeiro, os anarquistas não podem se isolar das massas trabalhadoras; é
essencial que estejam permanentemente com o povo, que vivam e ajam com
ele. "As massas devem saber quem somos, e os anarquistas devem ter
coragem para engajar-se" em suas lutas. Sem essa relação íntima com o
universo popular, o anarquismo simplesmente perde seus propósitos, sua
razão de ser. (Kropotkin, 2014f, p. 323)
Segundo, esse engajamento nas lutas dos trabalhadores exige que os
anarquistas participem do movimento operário e sindical, pois é nesses
espaços que acontecem os esforços organizativos e combativos das massas.
A partir desse engajamento, torna-se relevante "fazer com que as ideias
anarquistas penetrem no grande movimento operário" e "introduzir nos
sindicatos operários as ideias anarquistas". (Kropotkin, 2014h, p. 344;
2014i, p. 347)
Terceiro, é indispensável encontrar um termo adequado para a relação
entre anarquismo e movimento operário-sindical. Antes de tudo, deve-se
"estar no movimento, mas, ainda assim, sempre permanecer sendo nós
mesmos". Ou seja, o movimento operário e o sindicalismo, mesmo em suas
formas revolucionárias e libertárias, não podem e nem devem substituir o
anarquismo; eles têm de contar com a participação e a influência dos
anarquistas.
Quarto, não basta estar entre os trabalhadores, no movimento operário,
nos sindicatos; é imprescindível estar ali com um propósito, um
objetivo, uma linha a seguir. E essa linha é a estratégia do
sindicalismo revolucionário, conforme delineada anteriormente. Os
anarquistas devem "trazer[essas]nossas ideias ao movimento, difundi-las,
por todos os meios, entre as massas"; eles têm de contribuir para
"despertar nos operários e nos camponeses uma compreensão de seu próprio
poder", e para fazer com que se engajem nas lutas econômicas e
políticas. (Kropotkin, 2014h, p. 344; 2014u, p. 468, grifos meus)
Quinto, é crucial saber como promover essa linha estratégica entre os
trabalhadores. Deve-se ter em mente que essa mobilização das massas é
algo que "requer muito trabalho de base, a ser feito com antecedência",
algo que exige esforço, tempo e regularidade. (Kropotkin, 2014f, p. 323)
E que precisa ser feito por aqueles meios, e somente por eles, que
estejam em estrita concordância com nossos princípios - sem qualquer
concessão às atuais tendências autoritárias ou estreitas do
movimento[...], sem fazer nenhuma daquelas concessões que muitas vezes
parecem convenientes, mas que, no longo prazo, sempre se mostram como
abandono dos verdadeiros princípios em função de uma mera sombra de
sucesso momentâneo. (Kropotkin, 2014h, p. 344)
Se a estratégia e, principalmente, as táticas podem ter certa
flexibilidade, os princípios não. Eles não podem ser abandonados em
favor de um pragmatismo que retire do movimento sua capacidade
transformadora.
Finalmente, é imprescindível que a relação dos anarquistas com as
massas, seus movimentos, seus sindicatos, seja antiautoritária,
libertária. Por um lado, os anarquistas precisam garantir a "ascendência
que nossas ideias terão no[s]movimento[s]"; eles têm de afirmar sua
influência na organização, no crescimento e na radicalização desses
movimentos, para que caminhem nessa linha desejada. Por outro lado, os
anarquistas precisam fazer isso dentro de certos pressupostos éticos e
políticos; eles não devem se "juntar a essa luta por supremacia. Não
podemos, não devemos alimentar ideias tais como aquela de tomar posse
do[s]movimento[s]". Isso porque esses movimentos das massas não podem
ser dominados, aparelhados, subordinados, alienados. Devem ter
assegurada sua condição de verdadeiros protagonistas das conquistas
populares, sejam elas reformas ou mesmo revoluções. (Kropotkin, 2014h,
p. 344)
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Andrey C. Pensamento e Práticas Insurgentes: anarquismo e autonomias nos
levantes e resistências do capitalismo no século XXI. Niterói:
Alternativa, 2016b.
_____. "Syndicalism". In LEVY, Carl; ADAMS, Matthew (orgs.). The
Palgrave Handbook of Anarchism. Londres: Palgrave, 2019a.
_____. "Anarquismo Global e Sindicalismo de Intenção Revolucionária:
teoria, história e resistência". In: Instituto de Teoria e História
Anarquista,
2019b.[https://ithanarquista.wordpress.com/2019/06/26/lucien-van-der-walt-anarquismo-global-e-sindicalismo-de-intencao-revolucionaria-teoria-historia-e-resistencia/]
WOODCOCK, George. História das Idéias e Movimentos Anarquistas, 2 vols.
Porto Alegre: L&PM, 2002.
* Este texto foi escrito sob inspiração de minha intervenção no Colóquio
Internacional "Piotr Kropotkin: Ativismo e Pesquisa", realizado em São
Paulo, em julho de 2021.
1 Insisto em colocar "tese" entre aspas pois, conforme argumentarei, se
trata de uma hipótese que, por meio de análise rigorosa, não se confirma
verdadeira.
2 Quando se fala em comunismo anarquista, anarcocomunismo ou anarquismo
comunista não se deve pensar - como algumas vezes se tem feito,
inclusive por certos partidários desta posição - que isso se refere a
algum tipo de união ou meio-termo entre o anarquismo (de Bakunin,
Kropotkin, da Revolução Espanhola etc.) e o comunismo (de Marx, Lenin,
Trotsky, da Revolução Russa etc.) históricos.
3 Com uma cisão da Federação Românica da AIT na Suíça, a Federação
Jurassiana passou, a partir de 1871, a agregar a militância federalista
daquela localidade. Sob enorme influência anarquista, a Federação
Jurassiana esteve à frente da conformação da chamada Internacional
Antiautoritária, continuadora legítima da AIT até 1877, e nos anos
seguintes teve papel central nas discussões do anarquismo suíço e
europeu. (Enckell, 1991)
4 Coloco o termo corrente entre aspas, pois não concordo que esta seja
uma corrente anarquista. A forma de distribuição dos frutos do trabalho
na sociedade futura (coletivista ou comunista) envolveu, realmente, um
debate relevante entre os anarquistas, mas não para fundamentar o
estabelecimento das correntes anarquistas. Sobre essa discussão, ver:
Corrêa, 2015, pp. 208-210, 234-251.
5 Ver, por exemplo, minha crítica a Nettlau e a outros autores dos
estudos de referência do anarquismo em: Corrêa, 2015, pp. 55-100.
6 Baseio-me aqui nas posições de Errico Malatesta acerca da distinção
entre as categorias ciência e doutrina/ideologia, que foram por mim
discutidas em: Corrêa, 2013a.
7 Para que essa discussão seja realizada com seriedade, alguns passos
são ainda necessários. Antes de tudo, solucionar como se posicionar em
relação à utilização histórica desses termos ("bakuninismo",
"bakuninistas" etc.) Eles têm sido utilizados de três maneiras
distintas: 1.) Para se referir ao conjunto de federalistas-coletivistas
da AIT, que abarcavam anarquistas e não anarquistas, como na trajetória
da Internacional Antiautoritária; 2.) Para se referir ao conjunto de
anarquistas da AIT, que poderiam ou não fazer parte da Aliança pública
e/ou secreta; 3.) Para se referir ao conjunto dos aliancistas. Supondo
que a terceira maneira fosse considerada a mais adequada (e isso também
pode ser discutido), seria necessário, então, identificar quem eram os
aliancistas, ou ao menos os aliancistas mais importantes, quais foram
suas posições teóricas e práticas. E, com isso, verificar em que medida
havia ou não homogeneidade com as ideias e ações de Bakunin e de outros
anarquistas no contexto da AIT. Do meu ponto de vista, isso ainda não
foi devidamente realizado. De modo que creio não ser possível, até o
presente, falar em "bakuninismo" ou "bakuninistas" na AIT. Tenho
empreendido alguns esforços para contribuir com a investigação dessas
questões. Apesar das pouquíssimas referências bibliográficas sobre a
história da Aliança, tanto em sua forma secreta quanto pública, tentei
resgatar, ao menos em linhas gerais, o que se sabe desta história, e
também os aspectos da concepção organizativa de Bakunin que envolvem a
Aliança. (Corrêa, 2019, pp. 315-397; 495-549) Também cheguei a um
conjunto de nomes dos aliancistas que, dentre outros, incluem: James
Guillaume, Adhémar Schwitzguébel, Giuseppe Fanelli, Charles Perron,
Benoît Malon, Nikolai Jukovski, Valerien Mroczkowski, Louis Palix, Tomás
Gonzáles Morago, Rafael Farga-Pellicer, Gaspard Sentiñon e Charles
Alerini (Élisée Reclus também chegou s ser membro da Aliança). (Corrêa,
2019, pp. 334-346)
8 Tradução ajustada a partir do livro original de Skirda, escrito em
francês.
9 Importante destacar que essa tese da hegemonia insurrecionalista entre
1880 e 1895 só é verdadeira quando se trata do anarquismo europeu. Se se
expande o escopo geográfico da análise, é possível notar uma correlação
de forças bem distinta, quando se leva em conta países como México,
Uruguai, Argentina, Estados Unidos e Egito. Para saber mais, ver:
Corrêa, 2013b, pp. 30-35 e as referências que constam em nota nesse texto.
10 Esses possibilistas da "Segunda Internacional" faziam parte do campo
socialdemocrata, no qual rivalizavam com os marxistas. Tal possibilismo
era, à época, liderado por ex-anarquistas, como Paul Brousse e Benoît
Malon. Entretanto, não se pode confundir esse possibilismo com as
mencionadas posições dos anarquistas (socialistas, revolucionários), que
chamei anteriormente de possibilistas; estes, distintamente, não eram
socialdemocratas, mas socialistas revolucionários e antiautoritários,
que entendiam ser as reformas um possível caminho para a revolução.
Kropotkin foi favorável à participação dos anarquistas na "Segunda
Internacional", visando a disputar os rumos do movimento operário e
socialista. Sua maior crítica era em relação à hegemonia socialdemocrata
e dos partidos políticos; para ele, esta associação deveria contar
apenas com a presença de trabalhadores, ou, como sustentou em 1901,
tornar-se uma Internacional de sindicatos. Em 1896, destacou: "queremos
delegados[na "Internacional Socialista"], não como socialdemocratas ou
anarquistas, mas como homens que ganharam confiança em uma associação de
trabalhadores, qualquer que seja sua opinião pessoal". (apud McKay,
2014, p. 86)
11 Possivelmente, a maior contradição de Kropotkin nesse período
(1872-1921) foi o apoio que manifestou aos Aliados na Primeira Guerra
Mundial, rompendo com princípios históricos do anarquismo. Ao manifestar
tal posição, alinhou-se a uma pequena minoria de anarquistas com visão
semelhante; a imensa maioria manifestou-se contrária à guerra, numa
perspectiva antiestatista, revolucionária e internacionalista. Esse
posicionamento fez com que Kropotkin fosse expulso do Grupo Freedom, o
qual havia ajudado a criar em 1886, e que perdesse parte importante de
sua influência entre os anarquistas. (McKay, 2014, pp. 91-93) Para uma
discussão mais aprofundada do tema, ver: Berthier, 2014.
12 Este último livro foi publicado no Brasil em 1964, pela editora Mundo
Livre, do Rio de Janeiro. Visando a driblar a censura e a repressão, que
se aprofundariam ao longo da ditadura militar brasileira (1964-1985), o
título foi modificado para Humanismo Libertário e a Ciência Moderna.
13 Para uma discussão acerca da presença de certo espontaneísmo na obra
de Kropotkin entre 1872 e 1886, ver: Cahm, 1989, em particular as
páginas 135, 151, 213, 242. Importante notar que, se por um lado essa
defesa da ação natural e espontânea pode implicar contraposição,
ausência ou falta de ênfase organizativa (espontaneísmo), por outro, ela
também pode significar a defesa de uma forma de ação não artificial e
antiautoritária.
14 Até recentemente, esse texto não tinha tradução para outros idiomas
além do original russo em que foi escrito e publicado: ?????? ?
????????? "???????????? ??????????". ??????? ?.?. ????????? ??????? ?
??????? ? ?????????????????. - (??????): ???. ?????? ??????????, 1892. -
?. 1 -10. Articulada por Lucien van der Walt, a tradução de Will Firth
ao inglês foi pela primeira vez publicada em McKay, 2014. É esse o texto
de Kropotkin que está citado na "Plataforma Organizacional da União
Geral dos Anarquistas", publicada na revista Dielo Truda em 1926.
([Dielo Truda], 2017, p. 19) Realmente contrastante com inúmeras
publicações do próprio Kropotkin, esse seu texto, além de defender a
formação de um "partido anarquista" na Rússia, considera: "A experiência
da vida na Europa Ocidental nos ensina que grupos e associações de
pessoas com convicções heterogêneas e frequentemente contraditórias não
são de grande benefício para a causa comum. Diferenças de opinião ou
mesmo simpatias divergentes permanecem e apenas atrapalham umas às
outras, muitas vezes paralisando a energia dos indivíduos. Por outro
lado, quando partidos com visões bem definidas são criados, compostos
por pessoas que realmente podem ser consideradas afins - elas podem mais
tarde unir-se muito mais facilmente, quando for necessário agir em
conjunto contra o inimigo comum". Ainda que no contexto do prefácio em
questão Kropotkin pareça estar reivindicando que os anarquistas se
articulassem como um campo próprio e distinto de outros revolucionários
russos, suas reflexões também podem ser entendidas - como, ao que
parece, realmente foram, por parte dos russos de Dielo Truda - como a
necessidade de, dentro do próprio campo anarquista, operar com essas
considerações. Algo que se vê com clareza na "Plataforma
Organizacional". ([Dielo Truda], 2017)
15 De acordo com Cahm (1989, pp. 145-146, 317-318), no contexto do
Congresso de Londres de 1881, Kropotkin desenvolveu tais ideias. Marcos
para tanto são uma carta de 27 de fevereiro de 1881 enviada a um
companheiro belga (State Archive of Vienna, Information Bureau
143[1881]51/ad1525) e uma circular enviada em junho para Malatesta,
Cafiero e Schwitzguébel (Circular Letter to Malatesta, Cafiero and
Schwitzguébel, no date, Kropotkin-Malatesta Correspondence). Kropotkin
"sugeriu que dois níveis de organização eram necessários, um que seria
aberto e baseado na AIT, e outro que seria secreto.[...]A base para a
organização secreta, argumentou ele, já existia na antiga
Intimité[Aliança?]da Internacional", que continuara a exercer influência
na Internacional Antiautoritária. A proposta era "aumentar esse grupo
por meio do recrutamento em meio a todos os conspiradores ativos e
hábeis, conforme eles aparecessem". Para Kropotkin, a organização
secreta deveria ter base nacional e se articular internacionalmente.
Considerava que alguns quadros[cadre]dela já existiam: Malatesta,
Cafiero, Schwitzguébel, Pindy, Viñas e Morago. "A organização
internacional que ele vislumbrava era secreta, muito pequena e informal,
e não pretendia tomar nem substituir o desenvolvimento da ação de massas
por meio da organização aberta da AIT. A vasta maioria dos trabalhadores
que apoiavam ou simpatizavam com o movimento revolucionário, argumentava
Kropotkin, não poderiam se envolver numa organização secreta, mas
estavam prontos para a ação militante grevista e não poderiam ser
deixados a mercê dos parlamentaristas. Uma Internacional Grevista
poderia reunir as forças da classe trabalhadora em ações de massa para
transformar essas greves em levantes."
16 Trata-se de um trecho do artigo "L'Action", publicado em 25 de
dezembro de 1880, no jornal Le Révolté. Ali se lê: "Nossa ação tem de
ser a revolta permanente, pela palavra falada e escrita, pelo punhal,
pelo fuzil, pela dinamite.[...]Tudo aquilo que não estiver na legalidade
é bom para nós". Conforme apontam Cahm (1989, pp. 139-140) e Berthier
(2007, p. 19), esse artigo foi, na realidade, escrito por Carlo Cafiero
e atribuído erroneamente a Kropotkin, por Jean Maitron, em seu conhecido
Histoire du Mouvement Anarchiste en France (1880-1914). Interessante que
quando essa citação foi retomada e atribuída a Kropotkin retirou-se dela
a defesa do voto de protesto como forma de ação que se encontrava
originalmente no texto.
17 Alguns meses antes do Congresso de Londres de 1881, Kropotkin
escreveu o já citado artigo "Inimigos do Povo", no qual sustenta, entre
outras coisas, a necessidade de operários e camponeses encabecem um
processo de luta contra o capital e o Estado. (Kropotkin, 2014a) Alguns
meses depois do Congresso, escreveu "Le Mouvement Ouvrier en Espagne"[O
Movimento Operário na Espanha], em que defende o sindicalismo da
Federación de Trabajadores de la Región Española (FTRE), explicitando
suas concepções gerais, sua estratégia revolucionária e reconhecendo a
eficácia das greves. (Kropotkin, 2014b) Depois disso, ainda no fim de
1881, escreveu, no também já citado "A Organização Operária", sobre a
necessidade de se construir organizações de massas dos trabalhadores,
explicitando seus fins, seus meios e como elas poderiam ser
constituídas; enfatizou, novamente, a importância das greves.
(Kropotkin, 2014c) Isso mostra que, mesmo no contexto do Congresso,
quando o anarquismo europeu estava imerso nas perspectivas
insurrecionalistas, Kropotkin mantinha, concomitantemente, posições
distintas.
18 Interessante que aqui, novamente, Kropotkin não apenas reivindica o
sindicalismo revolucionário, mas enfatiza que para que ele funcione como
essa ferramenta de luta contra o capital e o Estado, é necessária uma
organização anarquista. Ou seja, mais uma vez lança mão da defesa do
dualismo organizacional. A continuação da citação de Kropotkin é a
seguinte: "Mas, evidentemente, ele[o sindicato]não atinge esse objetivo
automaticamente, visto que na Alemanha, na França e na Inglaterra temos
o exemplo de sindicatos vinculados à luta parlamentar, ao passo que na
Alemanha os sindicatos católicos são muito poderosos, e assim por
diante. É necessário aquele outro elemento do qual Malatesta fala e o
qual Bakunin sempre defendeu." (apud Nettlau, 1996, pp. 280-281) Nettlau
explica esta última frase de Kropotkin: "No artigo ao qual Kropotkin se
refere, publicado em Volontà, Malatesta declarou: 'Bakunin esperava
muito da Internacional, mas fundou, contudo, a Aliança, que foi a alma
da Internacional em todos os países latinos'. O 'outro elemento' do qual
fala Kropotkin é a Aliança, à qual ele próprio havia pertencido a partir
de 1877, e que apoia em suas cartas de 1881 e 1902. A Aliança, segundo
Kropotkin, era indispensável para manter as massas de trabalhadores
unidas e apontando dessa maneira em direção ao 'ateísmo, socialismo,
anarquismo, revolução', nas palavras de Malatesta, já que, de outro
modo, outras forças iriam influenciar os sindicatos no sentido da
socialdemocracia, do catolicismo etc." (Nettlau, 1996, p. 281) Tanto
nestas citações no corpo do texto quando nesta nota coloquei a
referência à edição inglesa do livro de Nettlau, porque a edição em
português (Nettlau, 2008 / no prelo), traduzida da edição francesa, é um
pouco diferente e suprime certos trechos.
19 Os principais exemplos foram: no México, o Congreso General de
Obreros Mexicanos[Congresso Geral de Trabalhadores Mexicanos](CGOM),
fundado em 1876; nos Estados Unidos, a Central Labor Union[Sindicato
Central](CLU), fundada em 1884; em Cuba, o Círculo de Trabajadores de La
Habana[Círculo de Trabalhadores de Havana](CTH), fundado em 1885. (Hart,
2007; Gutiérrez Danton, 2010, p. 27; Fernández, 2000, p. 126)
20 "A influência e o papel histórico do sindicalismo foram substanciais,
em especial entre os anos 1890 e 1920. Nesse período, anarquistas e
sindicalistas fundaram, conduziram ou influenciaram sindicatos em países
tão distintos como: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália,
Bolívia, Brasil, Bulgária, Canadá, Chile, China, Colômbia, Costa Rica,
Cuba, Egito, El Salvador, Equador, Espanha, Estados Unidos, França,
Grã-Bretanha, Guatemala, Holanda, Irlanda, Itália, Japão, México, Nova
Zelândia, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, Suécia, Uruguai e
Venezuela." (Van der Walt, 2019, p. 254) Depois disso, houve inúmeros
outros casos, sendo o mais expressivo deles o da Confederação Nacional
do Trabalho (CNT), em particular durante a Revolução Espanhola de
1936-1939. Diversas experiências foram levadas a cabo não apenas ao
longo de todo o século XX, mas mesmo neste início de século XXI. (Van
der Walt, 2016a, 2016b, 2019) Para conhecer os principais casos de 1990
a 2019, ver: Corrêa, 2020, no prelo.
21 Para conhecer o debate conceitual e as distinções entre sindicalismo
revolucionário e anarcossindicalismo, ver: Corrêa, 2011; Berthier, 2017;
Damier, 2009, pp. 23-41.
22 A publicação original deste texto, realizada nas edições de julho e
agosto de 1912 no periódico Freedom, pode ser encontrada nestes links:
https://freedomnews.org.uk/wp-content/uploads/2018/02
/Freedom-1912-07.pdf e
https://freedomnews.org.uk/wp-content/uploads/2018/02/Freedom-1912-08.pdf.
https://socialismolibertario.net/
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