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(pt) Italy, FdCA, IL CANTIERE #39 - IRÃ (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Thu, 18 Dec 2025 08:45:35 +0200


"O véu é um pretexto, queremos pão e queremos a queda do regime." ---- Encontramos Assareh Assa, uma camarada iraniana exilada na França, para uma entrevista que reconta a revolta iraniana de 2022, que se seguiu ao assassinato de Mahsa Jina Amini. Nesta primeira parte, exploramos o sucesso do movimento sob a perspectiva da liberdade das mulheres, suas limitações em questões sociais, a repressão e o nacionalismo no Irã. Na segunda parte, Assareh discutirá a guerra Irã-Iraque, a situação da classe trabalhadora iraniana e a natureza "fascista" do regime.

A segunda parte será publicada em uma edição futura. (*)
Você pode nos ajudar a reler hoje, com o distanciamento do tempo, o significado da revolta "Mulher, Vida, Liberdade" que surgiu após o assassinato de Jina (Mahsa) Amini?
O movimento que irrompeu após o assassinato de Jina Amini em setembro de 2022 foi um ponto de virada histórico. Pela primeira vez, de forma tão ampla e espontânea, mulheres e homens em todo o país foram às ruas para desafiar abertamente a República Islâmica.
A frase que apareceu em seu túmulo - "Jina, você não morrerá, seu nome é nosso lema" - uniu milhões em um clamor por liberdade, mas também expôs as profundas contradições da sociedade iraniana. O nome de Jina, uma jovem curda morta pela polícia da moralidade, tornou-se um símbolo universal de rebelião contra a misoginia estrutural do regime, mas, ao mesmo tempo, destacou a divisão entre aqueles que buscam uma revolução social e aqueles que se contentam com reformas superficiais. Essa revolta não foi apenas uma revolta contra o véu obrigatório: foi um ato de insubordinação coletiva contra todo o sistema teocrático, sua opressão e suas injustiças.
Como o nome de Jina - e a escolha de chamá-la por esse nome ou por seu nome "oficial", Mahsa - se tornou um elemento político e simbólico de divisão?
A diferença entre "Jina" e "Mahsa" não é um detalhe linguístico: é uma fratura política.
"Jina" era seu nome verdadeiro, curdo, mas no Irã não era reconhecido pelo Estado, que impõe nomes persas em documentos oficiais. Chamá-la de "Mahsa" significa, portanto, aceitar o apagamento da identidade curda, enquanto chamá-la de "Jina" é um ato de resistência e reconhecimento da pluralidade étnica do país. Durante a revolta, as forças mais reacionárias e nacionalistas preferiam chamá-la de "Revolta Mahsa", enquanto os setores mais radicais, aqueles simpáticos às minorias, sempre a chamavam de "Revolta Jina". Essa simples escolha de palavras revelou duas visões de mundo: por um lado, aqueles que queriam reduzir o movimento a uma questão de moralidade ou costumes; Por outro lado, havia aqueles que a viam como uma luta contra o Estado patriarcal e nacionalista em sua totalidade. A República Islâmica explorou essa ambiguidade, alimentando o sentimento pan-iraniano para dividir os rebeldes e isolar os curdos, que estiveram no centro da repressão por décadas. É por isso que digo que o nome "Jina" resume tanto a força quanto a fragilidade desse movimento: o desejo universal por liberdade e, ao mesmo tempo, a dificuldade de unir os diferentes componentes da sociedade iraniana em torno de um projeto comum.
Quais foram as conquistas e limitações concretas dessa revolta em termos de liberdade das mulheres no Irã?
A revolta de Jina mudou profundamente a imagem e a presença das mulheres no espaço público iraniano.
Hoje, especialmente nas grandes cidades, muitas se vestem como querem, sem véus ou com um estilo de roupa mais solto que seria impensável até alguns anos atrás. Não porque o regime permita, mas porque as mulheres impuseram essa liberdade com sua determinação diária. Nesse sentido, existe realmente um "antes" e um "depois" de Jina.
Mas é uma liberdade relativa e desigual, marcada por profundas diferenças sociais. Mulheres das classes abastadas podem desafiar a lei com mais facilidade, enquanto mulheres da classe trabalhadora e mulheres dos subúrbios correm o risco de prisão, violência ou morte. Aqueles que detêm o poder sabem disso muito bem e estão tentando reagir com novas leis restritivas: aprovaram um pacote repressivo que inclui penas severas, mas ainda não conseguem aplicá-lo integralmente, justamente por causa da resistência das mulheres.
No entanto, por trás das imagens que circulam nas redes sociais - festas, danças, cabelos descobertos - esconde-se uma realidade mais amarga: uma mulher ainda vale metade de um homem perante a lei, o aborto é proibido, os contraceptivos são cada vez mais difíceis de obter e a violência doméstica fica impune.
A emancipação conquistada nas ruas ainda não se traduziu em direitos concretos, nem em uma melhora real nas condições materiais de vida. A liberdade individual representou um avanço significativo, mas não derrubou o sistema patriarcal e teocrático que domina o Irã.
Pode-se dizer que a condição das mulheres iranianas realmente mudou desde a revolta, ou apenas para um segmento da sociedade?
A mudança é real, mas não para todas da mesma forma. Nas grandes cidades, as mulheres jovens e as mulheres de classe média experimentam maior liberdade diária: vestem-se como querem, organizam festas, manifestam-se contra o regime. Mas tudo isso acontece em espaços sociais claramente definidos, muitas vezes protegidos por privilégios econômicos.
As mulheres das classes trabalhadoras, da classe operária e das classes mais baixas, no entanto, vivem uma realidade diferente. Elas devem continuar a usar o véu e enfrentam vigilância constante, violência e discriminação salarial. Para elas, a repressão continua sendo uma ameaça diária. É uma liberdade de dois níveis, e o regime aproveita-se disso para manter o controle: permite margens de tolerância onde não teme a revolta, mas reprime duramente onde o descontentamento pode se transformar em organização política.
Em última análise, o levante de Jina demonstrou que a liberdade individual - por mais importante que seja - é insuficiente se permanecer isolada da luta coletiva por pão, emprego e justiça social. Este é o cerne da questão que a sociedade iraniana ainda precisa desvendar.

Você frequentemente menciona a natureza "social" do levante: em que medida o levante de Jina conseguiu envolver a classe trabalhadora e as classes populares?
A participação popular foi ampla, mas desigual. O levante "Mulheres, Vida, Liberdade" envolveu muitos jovens, estudantes, mulheres urbanas e trabalhadores precários. No entanto, a classe trabalhadora organizada - aqueles que trabalham em fábricas, transportes e no setor petrolífero - não conseguiu se engajar plenamente no movimento. Os motivos são múltiplos: medo, fragmentação, mas, sobretudo, a falta de coordenação política capaz de unir as demandas de gênero às demandas econômicas.
Contudo, não podemos esquecer que a repressão afetou principalmente os trabalhadores. Muitos dos manifestantes mortos ou executados pertenciam à classe trabalhadora: eram operários, desempregados e filhos de famílias da classe trabalhadora. As autoridades sabiam disso e atacaram com ferocidade precisamente onde a revolta poderia ter se tornado uma ameaça sistêmica.
O exemplo mais dramático é a sentença de morte da ativista operária Charifeh Mohammadi, um evento quase sem precedentes no Irã. No passado, o regime havia executado comunistas, mujahidin e peshmerga curdos, mas raramente um simples trabalhador ativo em movimentos sindicais.
Com esse gesto, o Estado queria enviar uma mensagem: qualquer um que tente organizar a classe trabalhadora contra o regime será aniquilado.
Em suma, a revolta mostrou um enorme potencial de convergência social, mas ainda não encontrou uma forma organizacional capaz de unir as lutas de mulheres, trabalhadores e minorias em uma frente comum.
A repressão tem sido brutal. Qual o peso dessa violência hoje, e que formas de resistência sobrevivem dentro e fora das prisões iranianas?
A repressão tem sido implacável e continua a marcar o cotidiano do país.
Milhares de pessoas foram feridas, mortas ou presas durante as manifestações. Centenas foram condenadas à morte e pelo menos uma dúzia já foi executada. As prisões iranianas estão cheias de presos políticos, muitos dos quais sofrem tortura sistemática.
Mas a violência estatal não se limita a opositores diretos: nos últimos três anos, mais de três mil sentenças de morte foram executadas, muitas vezes contra presos comuns, para espalhar o medo por toda a sociedade.
Apesar de tudo, a resistência não foi esmagada. Um movimento silencioso, mas poderoso, se desenvolveu dentro das prisões: todas as terças-feiras, milhares de presos participam de greves de fome coletivas contra a pena de morte. É uma forma de luta que tem enorme valor moral, mas, infelizmente, ainda não encontrou ressonância suficiente fora delas.
A brutalidade do regime certamente enfraqueceu o movimento, mas não o eliminou. De fato, isso mostrou o quanto era temido. O verdadeiro problema não era apenas a violência em si, mas o contexto que a tornou eficaz: o isolamento dos rebeldes, a falta de apoio organizado, as divisões entre classes e grupos étnicos. A repressão por si só não explica o fracasso da revolta; o que a tornou tão devastadora foi o fato de que muitos, diante da violência estatal, não se reconheceram naquela luta.
Você identificou o nacionalismo iraniano como um fator decisivo no fracasso do movimento. Pode explicar por quê?
Sim, acredito que o nacionalismo iraniano seja uma das doenças crônicas da sociedade.
No início da revolta, uma solidariedade inesperada foi criada entre curdos, persas, balúchis, árabes e outras minorias. Mas essa unidade se desfez assim que o movimento começou a ameaçar seriamente o regime.
A questão da "integridade territorial" do Irã - um tabu para muitos - ressurgiu com força. Quando os curdos reivindicaram sua identidade ou quando outras regiões marginalizadas se rebelaram, muitos iranianos "nacionalistas" se distanciaram, temendo o risco de "separatismo".
O regime explorou esse reflexo nacionalista, apresentando-se como o garantidor da unidade nacional contra o "caos étnico". E em um país repleto de desigualdades e desconfiança mútua, esse discurso funcionou. Assim, em vez de unir as várias lutas contra o Estado teocrático, o nacionalismo ofereceu aos que estão no poder uma ferramenta para dividi-las.
Em última análise, o nacionalismo iraniano é uma ideologia que defende a própria ordem social da República Islâmica: patriarcal, autoritária e centralista. A linguagem muda - religiosa ou patriótica - mas a lógica permanece a mesma: negar a pluralidade e impor um modelo único de nação, cultura e poder. É por isso que, enquanto o nacionalismo permanecer enraizado na consciência coletiva, nenhuma revolução poderá ser verdadeiramente emancipadora no Irã.
Como a divisão entre as diferentes nacionalidades do Irã - curdos, balúchis, árabes, azeris - se manifestou durante ou após a revolta?
Inicialmente, a revolta de Jina provocou uma comovente união. De Saqqez, no Curdistão iraniano, as manifestações se espalharam por todo o país: Teerã, Tabriz, Ahvaz, Zahedan. Por um momento, as barreiras étnicas pareceram se dissolver em uma única voz.
Mas essa união durou pouco. À medida que a repressão se intensificava, antigos preconceitos ressurgiram: muitos iranianos de língua persa deixaram de considerar os curdos, árabes ou balúchis mortos como "seus". Quando vários prisioneiros curdos foram executados, as regiões centrais do país permaneceram em silêncio.
O regime alimentou essa divisão com uma mensagem simples e venenosa: "Quem protesta no Curdistão ou no Baluchistão quer destruir o Irã". E uma parcela da população acreditou nisso.
Esse isolamento das periferias foi fatal para o movimento. O medo de uma hipotética desintegração do país prevaleceu sobre a solidariedade de classe e de gênero.
Por trás dessa reação, reside uma verdade mais profunda: a República Islâmica não inventou o nacionalismo iraniano, mas o herdou e o usou como cimento de seu poder. É uma forma de patriotismo que vê cada diferença como uma ameaça. E enquanto as minorias continuarem a ser tratadas como "convidadas" e não como parte integrante da nação, nenhum movimento unirá verdadeiramente todo o povo iraniano.

Qual foi o papel do retorno da frente monarquista e da figura do filho do Xá na crise do movimento?
O retorno da frente monarquista foi um dos golpes mais astutos - e mais tóxicos - para a revolta.
No exato momento em que o movimento começava a construir um horizonte radical, o filho do Xá proclamou-se uma "alternativa" ao regime, lançando a campanha "Delego ao príncipe", como se o povo tivesse que confiar sua liberdade a um novo soberano.
Essa manobra, amplificada pela mídia e apoiada por círculos pró-ocidentais e pró-Israelenses, dividiu a frente de oposição: de um lado, aqueles que queriam uma revolução social; do outro, aqueles que sonhavam com o retorno à ordem monárquica.
O regime explorou cinicamente essa divisão. Permitiu que o campo monarquista ganhasse visibilidade, precisamente porque servia para desacreditar a oposição e desviar a atenção das questões sociais. Além disso, muitos ex-reformistas e funcionários do regime, pessoas que colaboraram com a República Islâmica durante anos, reuniram-se em torno do filho do Xá. Isso tornou a continuidade entre os dois sistemas ainda mais evidente: a monarquia e o poder clerical como duas versões do mesmo autoritarismo.
O próprio príncipe declarou que, se retornasse ao trono, manteria os aparatos repressivos existentes, incluindo a Guarda Revolucionária. Em outras palavras, ele promete uma monarquia "renovada" baseada nas mesmas estruturas de violência e controle.
É por isso que digo que a monarquia não é uma alternativa: é a imagem espelhada da República Islâmica, um passado reacionário que aqueles no poder ressuscitaram para nos impedir de imaginar um futuro livre.
Por que você diz que a monarquia e a República Islâmica são, em última análise, duas faces da mesma moeda?
Porque ambas representam a mesma lógica de poder: autoritarismo, patriarcado, centralismo e desprezo pelas classes trabalhadoras. O regime do Xá se apresentava como "modernizador" e "iluminado", mas seu desenvolvimento econômico era baseado na repressão, na desigualdade e na dependência do Ocidente. A República Islâmica, que se autodenominava "revolucionária" e "anti-imperialista", reproduziu o mesmo modelo, substituindo o culto ao monarca pelo do clero.
Hoje, os monarquistas procuram reescrever a história, retratando os anos do Xá como uma era de ouro interrompida pela loucura do povo. Mas essa narrativa nasceu precisamente graças à República Islâmica, que eliminou ou silenciou os atores revolucionários de 1979 e reescreveu a história a seu favor. Assim, a memória coletiva foi corrompida: as novas gerações, que conhecem apenas a miséria do presente, acabam se perguntando se "talvez as coisas fossem melhores naquela época". É essa falsificação mútua que torna a monarquia e a República Islâmica complementares.
Econômica e culturalmente, ambas defendem a ordem capitalista, patriarcal e nacionalista. A primeira o faz em nome da modernidade e do Ocidente, a segunda em nome da religião e da tradição. Mas o resultado é o mesmo: a exploração dos trabalhadores, a subordinação das mulheres e a negação das minorias. É por isso que digo que se retroalimentam: cada uma serve à outra para sobreviver como um falso oposto, um espelho distorcido que impede o povo iraniano de imaginar uma alternativa verdadeiramente emancipadora.

Você acha que existem hoje no Irã as condições para o surgimento de um novo movimento revolucionário? E quais são as suas perspectivas?
O Irã vive atualmente uma situação explosiva, mas também repleta de incertezas.
Por um lado, o regime está em profunda crise: a falência econômica, a corrupção generalizada, o isolamento internacional e a perda da legitimidade moral corroeram seus alicerces. Por outro, as classes trabalhadoras estão exaustas e a raiva cresce, mas sem uma organização capaz de lhe dar uma direção política.
As condições materiais para uma nova revolta existem - salários de miséria, desemprego, desigualdade abissal, jovens sem futuro - mas as estruturas coletivas que podem transformar o protesto em um projeto revolucionário ainda são escassas.

Redes sindicais e feministas estão sob vigilância, partidos políticos são proibidos e qualquer forma de coordenação é esmagada logo no início. No entanto, sob essa superfície de silêncio, correntes subterrâneas de solidariedade se agitam: trabalhadores se organizando informalmente, grupos de mulheres resistindo em escolas e hospitais, estudantes continuando a disseminar materiais clandestinos.
Muitos aguardam a próxima faísca: ela pode vir de um novo episódio de violência estatal, um colapso econômico ou um conflito regional. Monarquistas esperam que Israel a provoque com um ataque militar, mas seu apelo à mobilização caiu em ouvidos moucos: ninguém quer outra dependência, nem uma "libertação" trazida por bombas.

Finalmente: que lição política a revolta de Jina nos deixa, três anos depois?
A revolta de Jina nos ensinou duas verdades fundamentais. A primeira é que uma revolução não nasce de uma ideologia, mas de uma experiência vivida: o gesto de uma mulher tirando o véu na rua, de um jovem desafiando a polícia, de uma mãe clamando por sua filha assassinada. Esses gestos, multiplicados, abalaram todo o país e demonstraram que o poder não é invencível.
A segunda é que a liberdade individual não basta. Sem uma base social sólida, sem a participação organizada das classes trabalhadoras, mesmo a revolta mais corajosa corre o risco de ser sufocada ou reprimida.
O regime sobreviveu porque explorou as divisões étnicas, de classe e de gênero, e porque a oposição permaneceu cativa de ilusões reformistas ou nostalgia monarquista.
No entanto, nem tudo está perdido. A revolta de Jina deixou um legado irreversível: destruiu o tabu do medo, deu voz a uma geração que não aceita mais o silêncio.
Em fábricas, universidades e aldeias, seu nome continua a circular como uma palavra de liberdade.
E mesmo que o regime ainda pareça forte hoje, sua autoridade moral desmoronou definitivamente.
Quando a próxima onda chegar - e ela chegará -, será mais consciente, mais organizada, mais capaz de unir as lutas por pão e liberdade.
Esta é a verdadeira lição de Jina: que a coragem de uma única mulher pode criar uma brecha no muro da opressão, mas somente a solidariedade de um povo inteiro pode derrubá-lo.
Acredito que o futuro do movimento revolucionário iraniano depende da capacidade de unir essas forças fragmentadas - feministas, trabalhadores, minorias - em uma visão comum. Não será religiosa nem monárquica, mas social, igualitária e internacionalista.
*) O texto original foi publicado na edição 353 - outubro de 2025 do Courant Alternative. Traduzimos e editamos a entrevista do francês.

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