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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #31-25 - Trabalho Infinito. Horas Extras, Noites e Feriados (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Mon, 15 Dec 2025 07:35:25 +0200


Isenção de Impostos para Horas Extras e Trabalho em Feriados: A Nova Face da Servidão Voluntária ---- A lei orçamentária do governo Meloni celebra o trabalho infinito: aqueles que abdicam de tempo, descanso e vida social são recompensados com alguns euros extras. O pagamento extra torna-se um instrumento de chantagem moral e fiscal. ---- Em seu projeto de lei orçamentária, o governo Meloni anuncia triunfalmente a isenção de impostos para horas extras, trabalho noturno e trabalho em feriados. Uma medida que, à primeira vista, pode parecer beneficiar os trabalhadores: impostos mais baixos significam mais dinheiro em seus contracheques. Mas por trás dessa aparente generosidade reside uma mensagem precisa e perturbadora: trabalhe mais, abra mão do seu tempo e talvez você consiga sobreviver um pouco melhor.

A sensação de dominação é completa. Após anos de retórica sobre "mérito" e "produtividade", o Estado está mais uma vez promovendo o trabalho como uma virtude moral, um dever patriótico. Aqueles que concordam em trabalhar à noite, em feriados ou além das oito horas são elevados à condição de exemplos cívicos. É mais uma forma de disciplina, disfarçada de incentivo fiscal.
O Estado recompensa a submissão voluntária, e o capitalismo agradece: mais horas de trabalho a custos mais baixos, sem a necessidade de contratar.

Isso subverte o significado das conquistas sociais. Jornadas de trabalho mais curtas, descanso semanal, o direito a uma vida além da fábrica e do escritório foram resultados de décadas de luta. Agora, voltam a ser variáveis econômicas a serem monetizadas.
Não se trata mais de liberar tempo, mas de vender tempo, como se a vida fosse um reservatório a ser esvaziado para o lucro de outros. O domingo, antes um símbolo de liberdade coletiva, torna-se uma oportunidade individual de lucro.

O argumento é sempre o mesmo: "quem trabalha mais deve ser recompensado". Mas, na realidade, a recompensa é uma isenção fiscal que não altera a essência da precariedade, nem a desigualdade estrutural. Quem trabalha mais não se torna livre, apenas fica mais cansado.
Enquanto o governo corta gastos com saúde, educação e assistência social, apresenta-se como benfeitor daqueles dispostos a abrir mão do descanso, transformando o sofrimento em mérito.

Isso não é novidade. Da propaganda corporativa do fascismo ao "Plano de Trabalho" e às reformas neoliberais das últimas décadas, todas as crises do capitalismo italiano foram abordadas da mesma maneira: invocando o "dever de trabalhar mais".

Hoje, com uma linguagem atualizada, Meloni reitera essa mesma ideologia. A ideia de que a liberdade consiste em poder escolher trabalhar para sempre, que a felicidade é uma dedução no imposto de renda, que a dignidade depende do número de horas trabalhadas.

Mas a perspectiva anarquista inverte o paradigma.

Não pedimos para sermos pagos mais por trabalhar além dos nossos limites: pedimos para trabalhar menos para viver mais.

A liberdade não nasce do sacrifício, mas do tempo livre. O trabalho não é um destino, é um meio; e quando se torna um fim, torna-se dominação.

É por isso que toda isenção fiscal para o sacrifício é um imposto sobre a liberdade.

Num país onde as pessoas morrem de tanto trabalhar e sobrevivem com horas extras, a promessa de "alguns euros a mais se você abrir mão do seu domingo" é uma zombaria. É o pacto social do novo milênio: o Estado deixa você respirar, contanto que você continue produzindo.

A liberdade, porém, começa justamente quando deixamos de obedecer a essa antiga ordem que confunde labuta com virtude e submissão com mérito.

Antonio Caggese

https://umanitanova.org/il-lavoro-infinito-straordinari-notturni-e-festivi/
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