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(pt) Mercado Financeiro às Trabalhadoras e aos Trabalhadores do Setor Público (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Tue, 2 Dec 2025 07:58:33 +0200
Em outubro, foi entregue à Câmara dos Deputados um relatório contendo
uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), um Projeto de Lei
Complementar (PLP) e um Projeto de Lei (PL), reunindo cerca de 70 itens
que compõem a chamada reforma administrativa. ---- Há muito tempo que o
sistema financeiro (bancos, especuladores, fundos de investimento, entre
outros) pressiona o Governo e o Congresso por uma reforma
administrativa. Na disputa por mais recursos, constrói-se um discurso de
"moralização" e "modernização" do serviço público. Essa narrativa
sustenta que o governo "gasta demais" com a área social e precisa
"otimizar" seus gastos e "modernizar" a gestão. Palavras que escondem o
verdadeiro objetivo: não se trata de reduzir custos, mas de
direcioná-los para quem sempre lucra com o capitalismo, a classe
dominante, especialmente o setor financeiro.
Não se reduzem os juros exorbitantes que encarecem a vida e prejudicam a
economia real do país. Mantêm-se grandes grupos econômicos isentos de
impostos, ao mesmo tempo em que se pressiona pela venda de empresas
públicas. Esses gastos governamentais são pagos com o que é arrecadado,
ou seja, com o que é produzido, direta ou indiretamente, pela classe
trabalhadora.
Exigem cortes no Bolsa Família, em programas sociais, no SUS e na
educação. No caso em questão, também dos próprios servidores públicos. A
suposta economia obtida com esses cortes não é uma verdadeira economia,
mas um redirecionamento de recursos para o pagamento da dívida interna,
beneficiando, sobretudo, o mercado financeiro.
É importante destacar que a principal força por trás dessa reforma no
Congresso é a "Faria Lima" e seus aliados. Além disso, outro grande
objetivo se soma a esse projeto: o controle político sobre os servidores
públicos, não pela sociedade, mas pelos governos de turno. Prefeitos,
deputados e governadores têm enorme interesse em acabar com a
estabilidade do funcionalismo, para poder nomear e demitir quem quiser
no serviço público.
Principais pontos da Reforma Administrativa:
Programa de Gestão de Desempenho
Trata-se de um processo que implica o achatamento salarial, o fim da
progressão na carreira e a eliminação de direitos, como anuênios e
outros benefícios. Os salários iniciais seriam reduzidos, e os recursos
destinados a quem faz a educação, a saúde e outros serviços públicos
funcionarem seriam cortados. Esses valores não retornariam às áreas
sociais, mas seriam canalizados para o setor financeiro.
Além disso, a proposta aplica ao serviço público um princípio típico do
neoliberalismo: substituir a jornada de trabalho por metas, reforçando a
meritocracia e a competição. Isso abre caminho para jornadas mais
longas, sem pagamento de horas extras ou compensações.
A progressão passaria a depender de avaliações subjetivas feitas por
gestores, abrindo brechas para perseguições e manipulações. Também se
enfraquecem os concursos públicos, institucionalizando contratações
precarizadas.
A estabilidade no serviço público não é um privilégio individual, mas
uma garantia de que o servidor responde à sociedade - e não ao governo
de plantão. Essa mudança beneficia os governos de turno, que poderão
perseguir sindicatos e afastar servidores que não se alinhem às suas
políticas.
Aplicação do Contrato Temporário
Uma das principais medidas é a regulamentação e ampliação dos contratos
temporários, via CLT. O relator propõe um concurso nacional unificado
para as três esferas, facilitando a contratação de temporários. Além
disso, o prazo desses contratos pode chegar a 10 anos, sem estabilidade
nem plano de carreira.
Aprofundamento da Privatização e da Terceirização
Sob o argumento da "eficiência" do serviço público, chefias e gestores
poderão ampliar a terceirização e as Parcerias Público-Privadas (PPP),
mecanismos que, na prática, transferem o dinheiro público para o setor
privado.
A reforma administrativa é ruim para os servidores e péssima para a
população. Seu verdadeiro objetivo é reduzir os gastos com serviços
públicos para garantir recursos ao sistema fraudulento da dívida pública
e manter benefícios fiscais aos grandes empresários, que deixam de pagar
aos cofres públicos mais de R$ 800 bilhões por ano.
Mesmo que a iniciativa formal dessa reforma parta do Congresso, o fato
de o governo federal ter defendido o arcabouço fiscal e mantido isenções
para diversos grupos econômicos mostra como a disputa política tende
sempre a favorecer a classe dominante. Direitos se conquistam e se
mantêm com luta, não com favores de políticos.
Mais um capítulo da guerra de classes no Brasil: de um lado, o Governo
Lula, o sistema financeiro e o Congresso Nacional; de outro, os
servidores públicos e a maioria da sociedade que depende do serviço público.
Como anarquistas especifistas, organizados na CAB, participamos dessa
luta de classes para superar o capitalismo e defender um serviço público
voltado às necessidades da população, e não do capital. Assim, buscamos
ampliar, taticamente, a esfera pública, um espaço onde o povo organizado
possa criar e controlar políticas públicas que melhorem suas condições
de vida e avancem no poder popular.
https://cabanarquista.com.br/reforma-administrativa-um-ataque-do-governo-lula-do-congresso-nacional-e-do-mercado-financeiro-as-trabalhadoras-e-aos-trabalhadores-do-setor-publico/
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