|
A - I n f o s
|
|
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists
**
News in all languages
Last 30 posts (Homepage)
Last two
weeks' posts
Our
archives of old posts
The last 100 posts, according
to language
Greek_
中文 Chinese_
Castellano_
Catalan_
Deutsch_
Nederlands_
English_
Francais_
Italiano_
Polski_
Português_
Russkyi_
Suomi_
Svenska_
Türkurkish_
The.Supplement
The First Few Lines of The Last 10 posts in:
Castellano_
Deutsch_
Nederlands_
English_
Français_
Italiano_
Polski_
Português_
Russkyi_
Suomi_
Svenska_
Türkçe_
First few lines of all posts of last 24 hours
Links to indexes of first few lines of all posts
of past 30 days |
of 2002 |
of 2003 |
of 2004 |
of 2005 |
of 2006 |
of 2007 |
of 2008 |
of 2009 |
of 2010 |
of 2011 |
of 2012 |
of 2013 |
of 2014 |
of 2015 |
of 2016 |
of 2017 |
of 2018 |
of 2019 |
of 2020 |
of 2021 |
of 2022 |
of 2023 |
of 2024 |
of 2025
Syndication Of A-Infos - including
RDF - How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups
(pt) Brazil, UNIPA: Comunicado N° 81 O Avanço da Contrainsurgência, a Agonia do Estado Democrático de Direito e a Brecha para Revolta Popular! (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sun, 16 Nov 2025 07:31:01 +0200
Às trabalhadoras e aos trabalhadores do Brasil ---- À Juventude pobre da
periferia ---- Aos povos indígenas e camponeses ---- Ao povo negro das
favelas e periferias ---- Às mulheres combatentes e aos grupos LBGTT
---- Aos operários, desempregados, trabalhadores informais, estudantes e
professores ---- O bakuninismo interpreta a política burguesa através da
guerra de classes, analisando a conjuntura econômica, política, o
sistema interestatal, bem como os aspectos estruturais das eleições
burguesas, seu papel na reprodução dos sistemas de exploração, opressão
e atuação de cada um dos atores envolvidos (partidos, grupos de
interesses, entidades de classe e frações da burguesia), seus programas
em aparência e essência.
A abordagem bakuninistas exige: 1) uma análise materialista, isto é,
entender a guerra de classes analisando as ações concretas dos sujeitos
políticos, organizações e frações de classe nos processos de exploração
e opressão capitalistas; e 2) uma análise dialética, a qual recorremos à
antinomia autoridade-liberdade, isto é, as contradições entre as forças
da ordem burguesa, ou do sistema da autoridade, entre as forças
populares e revolucionárias, ou do sistema da liberdade
No atual momento da guerra de classes no Brasil, não temos uma
democracia a defender, mas uma tirania e ajuste fiscal a combater. Os
recentes conflitos no interior do Estado e do Parlamento burguês
expressam um conflitos no interior dessas estruturas sem que nenhum
grupo do bloco do poder consiga hegemonizar a política e impor sua
política no poder, gerando uma crise do poder. Nesse sentido, as forças
populares e revolucionárias devem atuar de forma a combater a tirania ou
qualquer medida que venha a proteger o poder e os grupos que estão no poder.
A Crise do Bloco no Poder: caminhos e descaminhos da Tirania
A posição dos grupos políticos dominantes nas organizações da classe
trabalhadora brasileira tende a fortalecer o sistema de autoridade, e,
portanto, o Estado, uma vez que procura salvar República de 1988. Isso
limita e prejudica as ações dos revolucionários que querem a destruição
do Estado e do capitalismo e a construção do socialismo, uma vez que ao
fortalecer e legitimar os poderes estatais, fortalece a reação e
enfraquece a revolução. No entanto, as ações dos grupos e frações de
classe que atuam nessa direção se chocam diretamente com os grupos
fisiológicos e de extrema direita clerical-militar-burguês organizados
no congresso nacional e fortalecidas pela conjuntura internacional,
tanto pela organização da extrema direita como pela crise econômica,
política, ecológica, cultural e social sistêmica e na socialdemocracia
global, que é a força hegemônica, com diferentes nuances nacionais e
regionais, nas organizações da classe trabalhadora e no seu modo de agir
e pensar. Diante disso, temos um Bloco no Poder que não consegue se
articular e dirigir outras forças para se transformar no Bloco do Poder,
uma vez que a contrainsurgência desde 2013 atacou não só as vertentes
autônomas e revolucionários, mas também as organizações de conciliação
de classe da base do lulopetismo.
Essa situação, demonstra uma tentativa de parcela do STF, do PT e alguns
aliados e de setores da burguesia de salvar a República de 1988, no
entanto o bloco clerical-militar-burguês e fisiológico do congresso não
vai dar um passo atrás, para garantir sua autoproteção e manter os
privilégios políticos, econômicos e judiciais dentro de uma articulação
internacional pelos setores de extrema direita desse bloco. A condenação
do Capitão reformado do exército, Jair Messias Bolsonaro (PL) e dos
Generais ligou o sinal de alerta do bloco crerical-militar e
fisiológico, chamado na grande imprensa de centrão, que os levou a
agirem para salvar sua posição, materializada na tentativa de passar a
PEC da Blindagem, apelidada popularmente de PEC da Bandidagem. Por
outro lado, o reformismo degenerado (Frente Brasil Popular e Povo Sem
Medo, CUT, UNE, MST, MTST, PT, PCdoB), o reformismo renovado (PSOL, PCB,
PCBR, UP-PCR) e os setores do liberalismo multicultural se seguram na
ação da maioria do STF e procuram manter as ruas imobilizadas ou
controladas pela sua política de salvação do Estado burguês.
No entanto, a ação do bloco reacionário ultra autoritário no sentido de
criar uma autoproteção aos parlamentares, via PEC da Bandidagem, e de
conseguir uma anistia para o capitão e os generais diante da condenação
do Supremo Federal, fez com que as forças liberais sociais e
socialdemocratas fizessem um chamado às ruas, obviamente dentro do seu
repertório de ação e mobilização: de caráter ultra festivo e pacífico. O
sucesso das mobilizações, ainda que limitadas pela sua pacificidade, foi
que a PEC da Blindagem fosse enterrada no senado federal ainda na
comissão de constituição e justiça por 26 votos unanimes. Dessa maneira,
a vitória da pressão das ruas sobre os senadores abre uma brecha para
forças políticas e populares revolucionárias e para ação direta da
classe trabalhadora.
A ironia desse processo é que os generais e o capitão do exército foram
condenados por uma lei sancionada por Bolsonaro em 2021 a partir de uma
proposta do Deputado Hélio Bicudo/PT ainda em 1991. Como já havíamos
afirmado o governo Bolsonaro-Mourão se confirmou como um governo de
reação clerical-militar-burguesa, um retorno da ditadura, mas da ala dos
porões que não conseguiu se impor no final da ditadura no interior das
forças armadas e já não contava com apoio total do alto comando das
forças armadas que dirigia o processo de redemocratização.
As classes dominantes romperam o pacto de conciliação de classes que
sustentou os governos petistas (2003-2016). Isso representou o avanço
do proto-fascismo fortalecendo o sistema de autoridade, o militarismo, o
teologismo e o ultraliberalismo na estrutura de poder do Governo
Federal. Trata-se de mais uma reação de contrainsurgência, uma reação ao
movimento popular insurgente de 2013 e ao ciclo ascendente de greves e
ocupações que se seguiu (2013-2017). E mesmo sua derrota para o governo
federal não desmobilizou sua base no congresso nacional, até porque
durante os anos Bolsonaro conseguiram assaltar o orçamento federal com o
aumento das emendas parlamentares, ponto determinante para analisar a
ação dos parlamentares e do congresso nacional.
Neste momento, temos de um lado todo o reformismo e forças políticas
social-liberais tentando fortalecer o Estado Democrático de Direito,
aumentando sua autoridade, sendo grande parcela do STF e o PT e suas
forças aliadas os principais responsáveis por essa política, que se
expressa na Frente Ampla e no imobilismo e/ou controle da massa popular.
Por outro lado, temos a extrema direita e a direita fisiológica
procurando dobrar a aposta pela anistia e defesa do parlamento e
aumentar seus poderes no senado como forma de ter mais poder de
controlar o judiciário, principalmente o STF. A votação na primeira na
primeira turma do STF mostrou uma divergência interna que ainda mantém a
presença do setor da extrema direita no supremo e com possibilidades
reais de maioria num curto cenário de tempo, ao mesmo tempo que todo o
julgamento e tese da procuradoria geral da república deixem as forças
armadas preservadas.
Por outro lado, não existe uma contradição no que diz respeito a
perspectiva econômica entre o Supremo e as forças fisiológicas e
clericas-militares, pelo contrário, a pauta ultraliberal une esses
setores. No entanto o fortalecimento da burguesia do agronegócio e do
setor financeiro desmantelou outros setores da própria burguesia que
perderam força no congresso nacional diante do fortalecimento do agro
com as políticas do estado brasileiro desde o segundo governo FHC.
A Política Colonial do Bloco Clerical-Militar-Burguês e do Fisiologismo
do Congresso Nacional
Esse bloco político do congresso nacional, chamado de centrão, cujo
Bolsonaro e sua família são uma expressão, representa o esgoto da
infrapolítica dos dominantes, das estratégias de ascensão ao poder
político e econômico pelas milícias. Tem um caráter intrinsecamente
colonial e mafioso da propriedade privada em si, ou seja, uma defesa
própria para garantir o processo de espoliação, exploração e dominação
que significa também o entreguismo total e sua associação com o capital
internacional de modo a se beneficiar.
A configuração de classe e política do bloco bolsonarista apresenta um
aspecto ideológico essencial na legitimação do seu projeto: abdica do
"universalismo" do neoimperialismo em decadência, assume o viés
abertamente unilateral, entreguista e pragmático de seus objetivos de
classe. Isso é o que leva o bolsonarismo a se desprender de certos mitos
e ilusões da burguesia liberal tradicional, tal como a democracia em
abstrato, ou da violência em geral, da corrupção em geral, da humanidade
em geral, e inclusive do universalismo científico.
Abdicar deste "universalismo" neoimperialista é o que explica a aparente
contradição no discurso bolsonarista que denuncia um "globalismo de
esquerda", encaixando aí entidades como a ONU e empresas transnacionais.
Estas entidades liberais/capitalistas em dado momento de fato absorveram
subvertendo reivindicações sociais dos pobres, mulheres, negros,
ambientais, democráticas, etc., para melhor governar: tratando a miséria
absoluta com políticas focalizadas de renda e não de classe, as demandas
de raça e gênero sendo integradas na lógica do consumo e da ocupação de
espaços de poder empresarial e de governo, a pauta ambiental sendo
encampada pela crítica seletiva da emissão do carbono e estimulando
fontes alternativas de energia sem questionar o modelo de produção e
acumulação, a ausência de políticas sociais sendo "resolvidas" pelo
financiamento privado e direto de grupos populares através de fundações
e ONGs em um cínico "antiestatismo empresarial" supostamente
desinteressado, etc.; a questão é que o discurso bolsonarista é
ultraliberal e conservador e não admite tais absorções, taxando de
"esquerdistas"/"comunistas" estas formas de domínio através da cooptação
e subversão de demandas sociais aplicadas há décadas por tradicionais
organismos internacionais e empresas capitalistas.
Assim, o sentido do desenvolvimento do programa reacionário, expresso
pelo Bolsonarismo, significa o reconhecimento jurídico-institucional das
relações de poder e propriedade instituídas através do roubo e da
violência colonial por esses setores, desnundando o poder de Estado e
operando com uma lógica permanente da acumulação de capital,
centralização estatal e centralismo epistemológico/racismo que
significa: ataque direto aos trabalhadores do campo e da cidade,
espoliação permanente, exploração, destruição ambiental, dominação
masculina e dominação cristã.
Diante da crise econômica, política, ecológica, cultural e social é
necessário ordenar o mundo de acordo o sistema de autoridade: o
militarismo, o patriarcalismo, o teologismo e o ultraliberalismo.
O Lulopetismo Paralisado
A estratégia do Lulopetismo e das suas organizações é salvar o Estado
Democrático de Direito, a República de 1988, por meio de uma Frente
Ampla de Classe, cujo único ponto é a defesa abstrata da democracia,
contra a extrema direita e sua expressão mais imediata que é o
Bolsonarismo, sem, contudo, contestar a hegemonia neoliberal no aspecto
econômico e das políticas públicas.
Temos nesse sentido as principais organizações do lulopetismo como CUT e
MST mais ou menos paralisados diante do acordo da Frente Ampla, ao mesmo
tempo que avança a centralização do poder estatal e reduz as ações dos
trabalhadores e trabalhadores as demandas estatais e produção de
políticas públicas, ajudando assim na domesticação das massas populares
e de sua adesão à ordem burguesa
Contraditoriamente o avanço do neoliberalismo e da conciliação de classe
nos primeiros governos petistas desenvolvendo o capitalismo dependente
brasileiro com aumento da pauta exportadora primária e aumento do poder
da fração do agronegócio com a inserção subordinada do Brasil na nova
divisão internacional do trabalho diante das modificações tecnológicas e
de organização das cadeias produtivas de valor, provocou uma mudança
substancial na composição da classe trabalhadora brasileira, inclusive
impactando os principais sindicatos e a CUT, principal central sindical.
Perdendo força coletiva de suas principais como Bancários e
Metalúrgicos. Por outro lado, os anos de governo petista fortaleceram no
movimento sindical e trabalhadores o saber fazer de conciliação e
negociação, deixando inclusive os sindicalistas sem saber como agir
senão por conciliar e não pelo conflito.
Isso tem levado a uma paralisia dos movimentos sociais, da juventude e
dos sindicatos que se movimentam em situações eleitorais sob comando do
Partido dos Trabalhadores, principalmente diante do avanço do
conservadorismo e reacionarismo na base da sociedade e de confronto
eleitoral com a extrema direita. Esse avanço global e o ataque sofrido
pelo PT e Lula antes das eleições de 2018 tinha claro conteúdo de
perseguição política coordenada pela extrema direita global e por forças
estatais imperialistas, como os EUA.
No comunicado de n° 57 de março de 2018 avaliávamos quatro cenários
possíveis no desenrolar da disputa do Estado brasileiro dentro de um
cenário da eleição do primeiro governo Trump e auge da operação lava
jato. Os cenários desenhados naquele momento eram:
1) Lula reverte a decisão e se candidata;
2) Lula fora das eleições, mas o PT lançando candidato alternativo;
3) Lula fora das eleições com o PT colocado na ilegalidade como
uma organização criminosa;
4) Lula fora das eleições, com todos os Partido de Esquerda com
suas candidaturas inviabilizadas por uma estratégia de judicialização e
criminalização.
O cenário dois que que definíamos como o mais provável naquele momento
se consolidou, que levou a candura de Fernando Haddad (PT), ex-prefeito
de São Paulo na época das jornadas de junho e quadro partidário
social-liberal do partido. Perdida as eleições, tivemos a continuação da
reação clerical-militar-burguesa que tomou o executivo federal e passou
a fortalecer o sistema de autoridade, bem como o militarismo, teologismo
e o ultraliberalismo com privatizações da BR Distribuidora e Eletrobras,
por exemplo.
Dessa maneira avançou a contrainsurgência e o atraque aos direitos dos
trabalhadores, uma vez que em relações as matérias econômicas o STF está
de acordo com os grupos protofascistas e a classe dominante brasileira,
já pavimentada pelo Governo Temer (MDB) que criou a ponte necessária
para essa ascensão.
No entanto, o aparecimento da "Vaza Jato", a Pandemia e a
Eleição de Biden possibilitaram que setores do Judiciário, em particular
o STF reagisse e em nome da sua salvação e por motivos mais nobres, o
Estado Democrático de Direito, ao mesmo tempo que a defesa de Lula pode
comprovar a perseguição e armação políticas que os procuradores e juízes
da operação fizeram em conluio com o departamento de Estado dos EUA.
A tentativa de golpe no capitólio em 2021 e seus
desmembramentos, possibilitou uma reação do governo Biden,
possibilitando assim que não se consumasse o golpe de Estado de 8 de
janeiro de 2023, já que sem apoio externo a cúpula das Forças Armadas
brasileiras deu um passo atrás, deixando tudo na conta dos generais, do
capitão e da base social mobilizada.
Ampliando a Domesticação das Lutas Populares
A relativa novidade na estratégia de domesticação das massas populares e
de sua adesão à ordem burguesa encontra-se na formação ministerial, como
a incorporação do falso discurso da "representatividade" e do
"identitarismo" com personagens políticos que atendesse as demandas de
movimentos negros, indígenas e LGBT.
Do ponto de vista das classes dominantes, a derrota eleitoral de
Bolsonaro e o retorno de Lula à presidência da república não representou
ameaça a exploração e dominação capitalista no Brasil. Interesses
imediatos de certas frações dominantes podem ser afetados, mas de
nenhuma maneira em termos que apontem a possibilidade da liquidação do
seu poder ou investimento.
A condenação de Bolsonaro e dos Generais que articularam uma tentativa
de golpe salva as Forças Armadas e seu alto escalão sobre a salva guarda
do Ministro da Defesa, Múcio. Por hora, o STF e as forças mais
legalistas e republicanas comandadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT)
procuram salvar a legitimidade e legalidade da Constituição de 1988,
neutralizando no alto comando das forças armadas, do STF e do atual
executivo de avançar as políticas judiciárias de extrema direita.
Por outro lado, o Bolsonarismo desnudou ainda mais o congresso nacional
brasileiro que foi abastecido de vultuosas emendas parlamentares sob a
liderança de Artur Lira (PP de Alagoas) que comandou o butim ao
orçamento, provocando uma relativa autonomia dos parlamentares dos
recursos dos executivos. Essa nova configuração altera o jogo do poder
em Brasília e a negociação de votos de acordo os ministérios na esplanada.
De qualquer maneira não é nenhuma mudança estrutural na política das
Forças Armadas que mude sua posição de doutrina de manutenção da ordem
burguesa com a perseguição e o combate das forças populares reconhecidas
como inimigas de classe. Além disso, as forças militares estaduais
operam com a mesma lógica, agora misturada ao crime organizado ou aos
desdobramentos do seu controle.
Nesse sentido, se confirmou o cenário que prevíamos em nossos
comunicados anteriores de que a base do lulopetismo iria manter a opção
de política covarde do discurso da defesa do "Estado democrático de
direito", conclamando ações das forças de repressão para legitimar as
decisões do Ministro do Supremo Tribunal, Alexandre de Morais.
Nessa situação de formação de um governo de conciliação aumenta a
tendência de integração sistêmica. Temos um cenário de fortalecimento do
reformismo e de desintegração dos setores combativos ou revolucionários
com dificuldade de atuarem em uma conjuntura menos explosiva e
revolucionária, como 2013. Essa conciliação deve ampliar ainda mais a
integração sistêmica lulopetista, inclusive aumentando o controle sobre
sua juventude, dada a leitura reacionária e elitista que essas forças
têm sobre o Levante Popular de junho de 2013.
O saber-fazer petista-cutista de conciliação do campo dos movimentos
sindical, popular e estudantil, a política do reformismo degenerado
(Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, CUT, UNE, UBES, MST, MTST, PT,
PCdoB) aumenta ainda mais a integração ao Estado e a interpenetração
entre classes, o que fica bem explicito nas posições do PCdoB e de seus
principais dirigentes e intelectuais.
O dilema do governo petista e a reestruturação no bloco no poder estão
relacionados a crise no poder no Brasil, portanto, não apenas às
disputas no âmbito da política parlamentar e da ideologia, mas também às
disputas econômicas e sociais das classes e da apropriação de capital no
interior da nova onda colonialista nacional e internacional. É aí que
entra a importância de compreender o "assalto (aberto) ao poder" pelas
milícias e elites teológicas. Obviamente esses setores todos já estavam
integrados de diferentes formas e graus no Estado e, inclusive, nos
governos petistas. No entanto, a estrutura discursiva
(participacionista, multiculturalista, ambientalista) que se
materializava em formas concretas de exercício e negociação do poder,
tal como os fóruns tripartites, se mostrou limitante aos interesses de
classe desses setores.
O que o governo Lula faz é tentar uma nova conciliação, só que neste
momento suas bases sociais estão fragilizadas e sem enraizamentos nos
novos grupos de trabalhadores oriundo do mercado de trabalho
extremamente precário que marca o capitalismo dependente flexível
brasileiro. O governo Dilma já havia caído por que as classes
dominantes, principalmente suas duas principais frações hoje, a agrária
e financeira, que se fortaleceram no governo Lula (2003-2010), já não
precisavam de um grande acordão, ficando a pecha para a presidenta Dilma
que ela não saberia negociar a conciliação como Lula.
O movimento domesticado e a diretriz para manutenção da Frente Ampla com
base numa agenda econômica neoliberal com ações sociais por baixo,
mantém a crise de poder, já que no momento a burguesia e seus setores
aliados não tem possibilidades, ainda, de escantear o PT e seus aliados.
Por sua vez, o reformismo "renovado" em ascensão, recentemente
articulado a partir da UP/PCR, PCB e correntes do PSOL, também sofreram
com o processo internos, como no caso do PCB e a cisão que deu origem ao
PCBR sob liderança de Jones Manoel, e as disputas internas no PSOL que
levaram a maior integração do partido sob a Liderança de Guilherme
Boulos ao bloco lulo-petista. Enquanto isso o neostalinismo da UP-PCR
consegue avançar no movimento estudantil tornando-se umas principais
forças políticas, dado seu caráter mais livre do compromisso do
reformismo degenerado do PT e PCdoB.
O retorço da autoridade do STF e da tentativa de salvaguardar a
república também significa a legitimidade das medidas
anti-trabalhadoras, neoliberais, que o supremo tem julgado. Além disso,
a Frente Ampla tem continuado a política de avanço de privatizações,
desmonte dos serviços públicos e destruição dos direitos sociais e
trabalhistas. Na prática, o fortalecimento do Estado e da República de
1988 passa por aumentar a tutela e controle sobre os movimentos
populares como forma de salvaguardar a "democracia".
Não por acaso, Lula retornou às esferas de conciliação de
classe: as chamadas conferências nacionais, fóruns tripartites que
reúnem governo, empresários e as burocracias sindicais, estudantis e
populares. A principal delas: o Conselho de Desenvolvimento Econômico
Social Sustentável (CDESS) foi reeditado.
No entanto, diferentemente dos primeiros governos Lula,
vivemos um momento pós-pandêmico de radicação da luta de classes, onde
as forças reacionárias de extrema direita têm avançado diante da
paralisia das políticas neoliberais implementada por governos
socialdemocratas ou liberais.
Enquanto as posições se radicalizam na sociedade, a estratégia
socialdemocrata tem sido integrar ainda mais, do ponto de vista do
saber-fazer político e cognitivo, a classe trabalhadora no sistema
democrático burguês, sobretudo as eleições e as pressões parlamentares.
O campo socialdemocrata abdicou da estratégia de força e de poder
popular por suas ilusões reformistas e pequeno-burguesas.
No início de 2021 afirmávamos que a defesa de um golpe militar no Brasil
como estratégia da burguesia nacional e internacional perdia força.
Assim, as frações burguesas apontavam para duas tendências mais
prováveis: 1) a construção de alternativa eleitoral mais pragmática e
neoliberal sem o Bolsonaro e 2) um novo pacto de conciliação de classes
com as burocracias sindicais-partidárias de esquerda, agora mais
enfraquecida e com base social menores. Essa segunda tendência ganhou
por séries combinações determinantes, entre elas a mudança do governo
dos EUA, a abertura da CPI da Pandemia e uma burguesia de origem
nacional e internacional do chamado "capitalismo verde" que se alinhou
com posição de Geraldo Alckmin como vice-presidente.
Na fase ultramonopolista do capital, o modelo "desenvolvimentista" dos
governos petistas nas primeiras décadas do século XXI garantiu e
reforçou a inserção subordinada da economia brasileira no regime de
acumulação concentrada de capitais, com o chamado tripé-macroeconômico
(câmbio flutuante, meta de inflação e meta fiscal), e a dependência
exportadora das atividades agroextrativistas, aumentando assim tanto o
poder da "bancocracia", do rentismo e do próprio agronegócio, ao mesmo
tempo que favorecia parcela da classe trabalhadora assalariada formal
"CLTtista", cujos sindicatos oficiais eram vinculados à CUT, e aos
servidores públicos. Essa foi a base da conciliação de classes do
período 2003-2015.
As disputas crescentes por recursos minerais, como os minerais de terras
raras essenciais para indústria de semicondutores, e infraenergéticos
impactam na expropriação dos bens comuns para converter a natureza em
mercadoria. Recursos como água e a manutenção das florestas estão se
transformando em mercadorias a serem negociadas, que é um dos principais
pontos das conferências globais do clima. Além disso, a demanda por água
e energia aumentam devido ao desenvolvimento das IA e seus datacenters
que são grandes ladrões recursos naturais essenciais à vida como a
águas. Nesse contexto, o Brasil passa a figura como uma neocolonia de
datacenters.
Além disso, Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo já
negociam uma espécie "OPEP das florestas", uma vez que esses têm as
maiores florestas tropicais planetas, com objetivo de transformar as
florestas tropicais em mercadorias a serem comercializadas no mercado de
carbono. Dessa maneira, a política lulo-petista não é fazer um
enfretamento popular de massas, mas garantir a estabilidade da república
e promover a ascensão de determinantes frações da classe dominante com
alguma distribuição de recursos muito pontuais para o conjunto da massa
popular.
O Saber-Fazer do PT e da CUT e seus aliados e organizações foi produzido
e reforçado nas últimas décadas para garantir e promover a
interpenetração e conciliação dos interesses das classes e não seu
conflito e cisão. Enquanto a contrainsurgência avança no interior do
Estado Burguês sendo equipado com toda tecnologia digital e política
possível, as forças populares não são capazes de, no mínimo, evitar esse
processo de vigilância e militarização da sociedade, ao contrário.
Setores do movimento de massa desconsideram o fator vigilância e
militarização da sociedade como elemento a ser combatido ou já
assimilaram a vigilância como parte da politica do Estado e de forma
irresponsável acreditam, de forma idealista, que não serão atingidos por
esta mesma vigilância/controle.
Romper com o Lulismo, liberar as forças coletivas do proletariado
A perspectiva bakuninista da União Popular Anarquista nos convida a ver
a contrainsurgência não como uma anomalia, mas como a resposta padrão do
Estado a qualquer ameaça real à sua ordem. O período que vai de junho de
2013 ao golpe de 2016 foi um ciclo completo dessa estratégia: da
explosão popular à repressão violenta, passando pela cooptação midiática
e culminando na reordenação institucional. O resultado foi o
fortalecimento de um Estado mais autoritário, mais alinhado ao capital e
mais eficiente em neutralizar a insurgência popular, tudo sob a égide do
"Estado Democrático de Direito". Reconhecer essa dinâmica é essencial
para que as lutas populares do futuro não caiam nas mesmas armadilhas
institucionais e possam, de fato, construir poder popular fora e contra
o Estado.
Para a construção deste poder popular antiestatal são necessários
múltiplos fatores, mas entre eles estão a necessidade de romper com a
ideia do Estado como órgão regulador da vida social, bem como a ruptura
com o Sindicalismo de Estado que se expressa no na investida do Estado
sobre os órgãos de representação populares como sindicatos, entidades
estudantis e comunitárias. É preciso construir lutas unificadas contra a
escala 6×1, em defesa de uma escala 4×3 que possa garantir emprego para
o povo e acentuar a ofensiva estratégica em que nossa classe se colocou.
Apontar a Greve Geral como horizonte é fundamental para a construção de
condições insurrecionais que possam por abaixo o capitalismo e o
estatismo no Brasil.
Não nutrimos ilusões de que estas condições cairão do céu, mas serão
formadas pela própria dinâmica da luta de classes. Para isso, é preciso
acentuar a denúncia do Congresso inimigo do povo. Tal denúncia por si só
não apontará um horizonte organizativo. Tal horizonte precisa ser
apresentado pelos revolucionários, e para nós, bakuninistas é o
Congresso do Povo, um organismo de duplo poder que deve polarizar com o
Estado burguês a regulação da vida social.
Enquanto partidos e organizações da esquerda reformista no máximo
conclamam uma assembleia constituinte para "democratizar o Estado" ou da
esquerda burguesa que aceitam medidas contra o povo vindas dos governos
petistas como "mal menor", a Unipa compreende que as crises são cíclicas
e não devem ter nenhum sacrifício popular para salvar o sistema. Da
mesma forma, compreende que o Estado é um instrumento de opressão e
nenhum objetivo de tomada deste poder burguês deve contar com apoio
popular. Assim, iniciar a construção de um Congresso do Povo é tarefe
urgente da conjuntura e da história. Sua construção pode se precipitar
ou pode durar mais tempo, mas é o único caminho para pavimentar o Poder
Popular no Brasil e defender a liberdade e bem-estar do povo contra o
capitalismo, o Estado e suas crises.
FIM DA ESCALA 6 X 1 COM JORNADA DE 30 HORAS SEMANAIS SEM REDUÇÃO DE
SALÁRIOS!
REVOGAÇÃO DAS REFORMAS TRABALHISTAS E PREVIDENCIÁRIAS!
NÃO À REFORMA ADMINISTRATIVA!
REVOGAÇÃO DO NOVO TETO DE GASTOS!
TERRA E LIBERDADE (REFORMA AGRÁRIA)!
FIM DAS ISENÇÕES FISCAIS PARA O AGRONEGÓCIO E GRANDES CORPORAÇÕES!
TRIBUTAÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS E GRANDES FORTUNAS!
uniaoanarquista.wordpress.com = unipa@protonmail.com
https://uniaoanarquista.wordpress.com/2025/10/04/o-avanco-da-contrainsurgencia-a-agonia-do-estado-democratico-dedireito-e-a-brecha-para-revolta-popular/
======================================
_________________________________________
A - I n f o s Uma Agencia De Noticias
De, Por e Para Anarquistas
Send news reports to A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
Subscribe/Unsubscribe https://ainfos.ca/mailman/listinfo/a-infos-pt
Archive http://ainfos.ca/pt
- Prev by Date:
(pt) Italy, Umanita Nova #27-25 - Para Elio (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
- Next by Date:
(pt) Italy, Sicilia Libertaria #463 - VERGA SUBVERSIVA. Rosso Malpelo (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
A-Infos Information Center