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(pt) Italy, FdCA, IL CANTIERE #37 - A Importância da Organização do ESPAÇO para o Ensino -- Paola Perullo (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Fri, 7 Nov 2025 08:27:52 +0200
Com a reabertura do novo ano letivo, em um contexto sociopolítico e
econômico internacional cada vez mais sombrio, corremos o risco de
perder de vista a saudável intenção de incutir em crianças e jovens a
importância do engajamento intelectual que pode facilitar a construção
do pensamento crítico e uma alternativa à forma de perceber o que está
acontecendo e à resignação. Os professores, em particular, devem
questionar a forma como o encontro com o conhecimento é proposto nas
escolas, dada a crescente alienação em relação ao estudo e o desejo por
cultura.
Há muitos anos, a educação infantil lidera o caminho ao trazer a
importância da organização dos espaços dentro das escolas para o debate
sobre aprendizagem e ensino, por meio de pesquisa teórica e
experimentação. Críticas vêm de muitos setores de que a prática de
ensinar diferentes disciplinas da mesma forma ainda é muito difundida:
você lê um capítulo ou ouve uma palestra, decora e depois faz uma prova
ou quiz para verificar o quanto cada aluno se lembra daquele conteúdo.
Imagine como seria diferente abordar a geografia como uma exploração do
espaço, uma observação do que está além da sala de aula e o desenho e a
criação de mapas. Ou organizar a história como uma coleção de documentos
trazidos à vida por meio de comparações e diálogos, ou mesmo abordar a
literatura como um entrelaçamento vital da palavra escrita e falada,
trazido à vida por meio de leituras em voz alta e muita dramatização.
Na pré-escola, qualquer espaço livre se transforma em um teatro,
inclusive o jardim, onde as crianças têm liberdade para inventar e
construir cenários com materiais simples, como lençóis coloridos,
almofadas grandes, caixas de papelão e papelão, folhas de papel de todos
os tamanhos, prendedores de roupa, pedras, bolas de vidro... etc. Porque
o cenário construído se torna a estrutura dentro da qual as crianças
iniciam o jogo do "faz de conta", que é o verdadeiro jogo teatral em que
todos falam e representam sua "parte" de um roteiro inventado.
Há muita democracia em pensar que as escolas podem ser equipadas com
espaços abertos, concebidos como espaços públicos verdadeiramente
vazios, projetados para encontros, trocas e conversas. Essa ideia
remonta ao projeto da Pólis, concebido 2.700 anos antes por marinheiros
gregos que desembarcaram na Sicília. Ao projetar a nova cidade (perto de
onde hoje se erguem os templos de Selinunte), eles optaram por não
construir nada no centro dessa "pólis", precisamente com o propósito de
deixar um espaço público vazio para ser preenchido com discussões ou
apresentações teatrais. Outra coisa que as crianças enfatizam quando têm
espaço é que "discutem menos", outro insight sobre como até mesmo os
relacionamentos pessoais podem melhorar por meio de grandes espaços
compartilhados, porque não experimentamos uma restrição à nossa
imaginação, mas sim a capacidade de deixá-la "viajar" junto com a dos
outros.
Em suma, pode-se dizer que espaços organizados de forma diferente
produzem reações, pensamentos e relacionamentos diferentes. Essas
mudanças podem ser observadas até mesmo em pequenas modificações, como
mover as carteiras e, em vez de deixá-las enfileiradas, colocá-las uma
ao lado da outra para formar um retângulo, ou remover as carteiras para
formar um círculo de cadeiras, ou mesmo remover as cadeiras para nos
acomodarmos no chão. Tullio De Mauro, falando de Mario Lodi, argumentou
que "a lição mais incisiva vem do relato de seu ensino: Mario entra em
uma sala de aula da primeira série no primeiro dia de aula e propõe usar
a mesa do professor como um excelente galinheiro para criar pintinhos.
O professor desce entre as carteiras, organiza-as em círculo, senta-se
em qualquer lugar e começa a falar. Isso vale vários volumes de
pedagogia teórica." Comenius,(1) considerado o precursor do Ativismo
Pedagógico, foi o primeiro a argumentar, em meados do século XVII, que
"o conhecimento deve necessariamente começar pelos sentidos, e somente
quando essa observação das coisas é feita as palavras podem intervir
para explicá-lo efetivamente".
Somente um pensamento que restaure a consciência de todo o corpo pode
neutralizar a tendência de acreditar que o mundo inteiro pode ser
contido por trás de uma tela para ser assistido sentado.
Ao contrário, diante da enorme quantidade de conteúdo disponível online,
precisamos ainda mais de todo o nosso corpo e dos nossos sentidos para
praticar diferentes linguagens expressivas e para encontrar a natureza e
a cidade, valorizando explorações e experiências não virtuais.
Nessa perspectiva, reflitamos sobre o que significou para todos nós a
experiência degradante da Covid, que nos relegou às telas para garantir
que não fôssemos infectados. Mas perguntemo-nos o quanto ainda somos
vítimas desse legado, que, em vez disso, levou nossos governos a
descobrir novas formas de controle e poder, impedindo-nos de restaurar a
ideia da escola como um "grande local de encontro", um ponto de encontro
onde os pensamentos e as imagens de um indivíduo se refletem em uma
imagem de comunidade compartilhada, por meio da capacidade de explorar e
nos impulsionar imaginativamente além de nossos horizontes habituais,
para mudar nosso destino buscando e afirmando a humanidade dentro de nós.
Na minha opinião, o trabalho na pré-escola deve ser vivenciado por todos
os professores por um período de tempo, talvez até mesmo por aqueles que
lecionam em universidades, porque nessa idade, em sua forma espontânea
de brincar, as crianças transformam espaços e inventam mundos que não
existem. São utópicos, mas imaginar novos mundos possíveis e prefigurar
com imaginação o que ainda não existe são maneiras verdadeiramente
humanas de se relacionar com a natureza e a sociedade.
Nascemos para contar histórias, para criar e nos nutrir com poesia,
música e teatro, e tudo isso nos ajuda a dar sentido ao mundo em que
vivemos.
Vamos começar a transformar os espaços das nossas escolas com convicção,
sabendo que o mundo inteiro precisa ser revolucionado, mas só podemos
começar pelos lugares que habitamos e por nós mesmos.
Notas:
1) John Amos Comenius
https://alternativalibertaria.fdca.it/
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