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(pt) Italy, Sicilia Libertaria #462 - Revisão Anônima. Avaliar e Punir (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Tue, 28 Oct 2025 07:40:48 +0200


Toda inovação científica, ensinava Thomas Kuhn, costuma ser obstaculizada pela comunidade acadêmica existente - não tanto com base em evidências científicas, mas sim em preconceitos corporativos, nomenclaturas (nomes e autoridades) e saberes consolidados. Há inúmeros exemplos de descobertas importantes, mesmo recentes (da identidade dos bronzes de Riace aos "assuntos diversos" do jovem Verga), rebaixadas a hipóteses fantasiosas simplesmente por serem incompatíveis com o sistema de pensamento dominante. ---- O establishment universitário, em particular, sempre se destacou na tentativa de conservar posições de poder e perpetuar a si mesmo através de acordos com governos em exercício e da imposição de um saber partilhado entre seus membros. Desde 2006, a Itália - mais do que qualquer outro país ocidental - adotou um sistema de avaliação fortemente hierárquico e burocratizado para garantir tanto status quanto doutrinação acadêmica.

Pode parecer um tema para especialistas, mas hoje este é o pilar sobre o qual repousam a organização, a acreditação e a difusão do conhecimento no mundo ocidental. Apesar de todas as suas falhas já conhecidas, a avaliação tornou-se o principal instrumento de controle das universidades e do saber que nelas se produz. Visa invadir todas as formas de cultura contemporânea, dos produtos digitais às redes sociais. Não vai demorar para que esse processo - hoje confiado a comissões, avaliadores anônimos (no pior sentido) e modelos padronizados - seja entregue a algoritmos projetados para impor conformidade e direcionar a produção intelectual, não só acadêmica, para o lucro.

Atualmente, o sistema italiano de avaliação desce em cascata a partir de duas comissões nacionais nomeadas pelo governo (ANVUR e CVNVR). Elas avaliam a "qualidade" (isto é, a compatibilidade com as diretrizes governamentais) das universidades, departamentos, produção científica e projetos de pesquisa. Os professores, por sua vez, repassam essa pressão a assistentes, alunos precarizados, revistas e estudiosos externos que tenham a infelicidade de colaborar - por exemplo, participando de seminários, cursos e congressos. O financiamento do MIUR, a elegibilidade para concursos e até as contratações dependem dessas pontuações, configurando um verdadeiro sistema de chantagem profissional.

É um sistema fechado e estagnado, mas em rápida evolução: de um lado a política (que, seguindo o trumpismo, pede maior dependência das universidades em relação ao governo); de outro, a economia (que exige maior alinhamento com o mercado competitivo). Sua principal ferramenta é a "revisão anônima" - mais uma aberração anglo-saxã inventada para manter estudantes e professores subjugados.

Essa "revisão anônima" é conduzida por avaliadores externos, formados dentro do próprio sistema, supostamente especialistas (mas raramente são). O anonimato frequentemente alimenta arrogância, censura e mediocridade intelectual. Ainda assim, eles cumprem perfeitamente sua função principal: reforçar a conformidade ao saber convencional - o conhecido, o já publicado, o mainstream - o entendimento científico médio e dominante que serve de régua para julgar qualquer contribuição. Trata-se de uma prática autoritária, inquisitorial e arbitrária que bloqueia a troca igualitária, desencoraja a circulação e a originalidade das ideias, exclui saberes alternativos e básicos, promove censura preventiva e, sobretudo nas revistas, sufoca o debate crítico que antes animava a vida intelectual e política. Já se observou que nenhum dos estudos fundamentais da antropologia - nem, acrescento, da história do movimento operário e socialista - passaria hoje pelos filtros da "revisão anônima".

A arbitrariedade desse método é amplamente reconhecida e debatida no exterior. Muitas universidades, especialmente nas humanidades, adotaram a "revisão aberta entre pares". Em sua forma mais radical, comentários dos revisores, toda a documentação e correspondência são publicados online, e os leitores são convidados a participar. Isso garante transparência máxima (autor e revisor identificados) e permite um trabalho colaborativo e multivocal que pode, em teoria, aumentar a confiabilidade e a qualidade crítica, envolvendo a comunidade acadêmica.

Na Itália também surgiram críticas desde o lançamento do livro Valutare e punire (2012) de Valeria Pinto, que revelou a ligação estreita entre avaliação e mercantilização da formação universitária. Suas teses foram retomadas no volume coletivo Perché la valutazione ha fallito. Per una nuova Università pubblica (Perugia 2023). Entre os principais críticos, contudo, raramente aparecem professores que se autodeclaram anarquistas (embora existam muitos) ou estudantes rebeldes. Muitos adaptaram-se à mediocridade dominante, aceitando sem problemas os novos métodos de avaliação e ensino, elogiando estudos seletivos e setoriais que dificilmente oferecem visões críticas amplas. Hoje participam inclusive de pesquisas sobre violência urbana, bem vistas por comissões nacionais que confundem, intencionalmente ou não, revolta com revolução, bandido com socialista, mazziniano com anarquista. Isso - e não é pouco - impede nosso movimento de extrair lições autênticas, enquanto alguns sobem na carreira acadêmica.

No fim dos anos 1970, companheiros debateram se valia a pena frequentar a universidade, correndo o risco de virar "servos tolos" - "quadros", no jargão técnico - da sociedade capitalista. Alguns decidiram arriscar, acreditando poder "minar a instituição por dentro". Décadas depois, esse objetivo parece ter fracassado. Muitos desses "saboteadores internos" são hoje defensores convictos da "revisão anônima", chegando a práticas inaceitáveis - incluindo bloquear textos historicamente valiosos - contra os poucos que ousam contestar ou ridicularizar sua absurdidade.

Será que até a história do anarquismo deve permanecer refém de professores "anarquistas" preocupados mais com suas carreiras e redes acadêmicas do que em servir ao movimento? Alguns, já estabilizados, poderiam criar revistas de acesso aberto - incubadoras de ideias alternativas - e se opor ao mainstream. Outros, jovens e rebeldes, poderiam publicar nelas em protesto e questionar a suposta necessidade e eficácia científica da avaliação autoritária. Isso pode custar uma carreira ou uma cátedra - difíceis de alcançar de qualquer forma - mas talvez seja o caminho mais justo. Nesse caso, estaremos ao lado deles.

Natale Musarra

https://www.sicilialibertaria.it/
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