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(pt) France, OCL CA #353 - Editorial - "Diante dos infortúnios que afligem o mundo, remoer não serve para nada. Devemos estar atentos às possibilidades."[Noam Chomsky] (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Tue, 28 Oct 2025 07:40:38 +0200


Um dos massacres mais terríveis da nossa civilização é o perpetrado pelo Estado de Israel em Gaza e na Cisjordânia. O sionismo é uma ideologia política nascida no final do século XIX, cujo objetivo é a criação de um Estado judeu independente na Palestina. O projeto sionista envolve esvaziar o território de seus habitantes para assentar sua própria população, daí o genocídio atual. A colonização sionista foi seguida pelo apartheid e agora pelo genocídio. Mas esse genocídio só é possível se for perpetrado por um Estado capitalista, um farol da "democracia" e do mercado no Oriente Médio, um exportador de armas letais para todo o mundo. O Estado de Israel só pode existir através e para a guerra em todo o mundo. Que a extrema direita esteja no poder em Israel por meio de eleições "democráticas", portanto, não é coincidência, e não temos ilusões sobre as manifestações, sejam elas em Tel Aviv ou Jerusalém, exigindo a libertação dos reféns (onde não se vê nenhuma bandeira palestina), enquanto a vasta maioria dos judeus israelenses são sionistas. Lembremos aqui que Israel sempre ignorou o direito internacional, a ONU, as Cortes Internacionais de Justiça e assim por diante, graças aos Estados Unidos, dos quais é praticamente o 51º Estado.

Como escrevemos em nosso último editorial, "todos os líderes de Estado estão se segurando pela barba e são tão parecidos quanto duas ervilhas na mesma vagem (desfalque, peculato, interesses de petróleo e mineração para defender, com massacres, guerras, torturas, etc.)".

E daí? Não há mais esperança?
Sim! Já existem dezenas, até centenas de milhares de pessoas se mobilizando em todas as capitais contra o genocídio em Gaza, por boicotes econômicos, esportivos, culturais e outros a Israel, e contra a retomada da produção de armas em todos os países do mundo. Há quase um ano, também há um movimento social em larga escala na Sérvia[1]que só pode nos dar uma esperança renovada, pois vemos uma convergência real de lutas, uma recusa em personalizar sua luta e uma busca concreta por democracia direta.

E em outros lugares? Talvez o retorno de algo possível ocorra na França?
Aqui, a última vitória na frente social remonta a 2006 contra o plano do governo (liderado por de Villepin, não nos esqueçamos) para o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), um contrato de trabalho para jovens com menos de 26 anos que questionava os contratos permanentes e por prazo determinado. "Essa vitória residiu na capacidade dos jovens de se engajarem na política, recuperando suas vidas, retomando o controle de seus assuntos e assumindo o controle direto durante a luta. Certamente, com hesitação, mas também com confiança e consciência."[2]

Então, por 20 anos, todos os movimentos sociais, alguns dos quais tiveram mobilizações equivalentes em número às de 2006, fracassaram. Todos tiveram o mesmo formato clássico: intersindical, manifestação, greve, obrigado, boa noite e até a próxima...

Felizmente, tivemos o movimento dos Coletes Amarelos, que "se radicalizou em sua forma (bloqueios dispersos, ações diretas em grandes cidades como as marchas sobre Paris), gerando confrontos violentos e em sua expressão política. Foi a primeira vez que o Estado demonstrou certo medo em várias décadas."[3]

Assim, quando o governo Bayrou propôs seu orçamento para 2026, uma profunda raiva emergiu. Este orçamento roubou o bolso de quem não tem muito, retirou dois feriados, atacou o reembolso da previdência social, as licenças médicas, etc., etc.
Um chamado surgiu com o nome "Bloqueiem tudo no dia 10 de setembro", direto das redes sociais, ou seja, de quem sabe de onde. Não importa! Nos discursos dos líderes, havia uma verdadeira continuidade com os protestos dos "coletes amarelos": uma rejeição às elites, uma profunda desconfiança nas instituições, uma rejeição a qualquer representante, seja político ou sindical. Trata-se de indignação, exasperação e bloqueio, mas não necessariamente de preparação para a "grande noite".

O governo estava com medo! Mobilizou 80.000 policiais para, segundo anunciou, 100.000 manifestantes. No final, havia de fato 80.000 policiais, mas pelo menos 2 a 3 vezes mais manifestantes. É claro que, como era previsível, falhamos em bloquear o país. Estávamos partindo de muito longe, vinte anos de derrotas sociais, para chegar a um momento social revolucionário após um chamado nas redes sociais, mesmo que "já estejamos fartos de estar fartos"! Milhares de pessoas, incluindo muitos manifestantes de primeira viagem e jovens, vivenciaram sua primeira assembleia geral, sua primeira manifestação, sua primeira ação direta... Uma lufada de ar fresco para o movimento social!

Mas os políticos e suas eleições nos aguardam no momento decisivo. Corremos o risco de experimentar o "antifascismo eleitoral" como sinônimo de antidireita, onde se tornou intercambiável falar de "ascensão do fascismo", "direita" ou "liberalismo". O risco será o apelo à unidade para, em última análise, defender o capitalismo e sua democracia, típico do antifascismo histórico. Mas ainda não chegamos lá! Vivamos intensamente o momento presente!

http://oclibertaire.lautre.net/spip.php?article4519
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