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(pt) Brazil, CAB: ANÁLISE DE CONJUNTURA - CAB - AGOSTO/2025 (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Fri, 24 Oct 2025 08:31:47 +0300
Dentro da atual conjuntura, as disputas pelo recurso adensam-se sob o
tabuleiro das relações internacionais e nos avanços da elite agrária do
Brasil. Enquanto anarquistas, precisamos de interpretar estes movimentos
para atuarmos de forma acertada dentro da luta popular. ---- Enquanto o
governo Trump aperta o governo com sanções, na ânsia imperialista de
espalhar mais o seu domínio, o governo brasileiro utiliza como moeda de
troca as terras raras. Numa tentativa de travar uma guerra tarifária,
Lula reserva um pedaço ainda maior de biodiversidade à lógica
capitalista. Internamente, o Congresso Nacional aprova o PL da
Devastação e o garimpo ilegal, escancarando um governo do PT incapaz de
responder à altura. A COP30, verniz do ambientalismo capitalista, abre
ainda mais feridas nas terras de Belém. A familia Bolsonaro, se já não
colocou o nosso povo na miséria o bastante durante os seus anos de
governo, assumem papel de agentes do imperialismo, na esperança de
evitar a prisão de Jair e sonhando que algo sobrará para eles na mesa
dos ricos. A prisão do genocida pode ser um alívio necessário dentro do
cenário conjuntural, e a comemoração da sua condenação pelo povo
oprimido é justa, no entanto, longe de ser uma vitória concreta, é mais
uma peça movimentada dentro do jogo das classes
A crise ambiental é uma crise do capitalismo. A base desta crise é a
exploração do povo por parte de alguns que detêm a grande parte das
riquezas: os senhores do agronegócio, os donos de indústrias e empresas
altamente poluentes e os CEO das Big Techs com consumos extremos de água
para os seus data centers. dominantes. A exploração do povo pelos de
cima surge a par da exploração dos recursos da Terra, da necessidade de
retirar minério das suas profundezas ou até mesmo da geração de
poluentes em grande escala. Não são os povos os responsáveis pelo
colapso climático, são os ricos! Não bastasse o acelerado avanço das
mudanças no clima, a elite colonialista ainda tem fome e pressiona o
pouco de estrutura que conseguimos criar para travar o avanço do
capitalismo sobre os nossos territórios com o PL da Devastação.
Por entre tensões e negociatas, pressões do agronegócio e do Tarifaço de
Trump, o PL da devastação (Projeto de Lei 2159/21) foi aprovado por Lula
com 63 vetos, tendo algumas alterações no seu texto base, mas continua a
abrir caminho à impunidade na devastação dos nossos biomas. Trata-se de
um nítido ataque à vida das nossas gentes neste contexto de colapso
climático, sobretudo aos povos da floresta. Além disso, precisamos
enxergar a agenda deste PL tambem como uma questão crítica à classe
trabalhadora, uma vez que, ao reduzir a obrigatoriedade do licenciamento
ambiental, também irá reduzir as ofertas de trabalho para os
profissionais da área ambiental. É, pois, necessário encarar o seu
desmantelamento também como uma questão sindical, dos trabalhadores
deste sector, aliando o discurso ambiental e territorial com o sindical,
para que assim se garantam as condições para o licenciamento ambiental,
fruto da luta do povo organizado, bem como para o funcionário público
que nele trabalha.
A nossa proposição politica enquanto classes oprimidas está ligada à
nossa ideia de ecologia social, para que desde já atuemos nos nossos
espaços de luta em conformidade com os nossos planos para a sociedade
futura, de integração entre o ser humano e a natureza. Só com
participação efetiva da comunidade científica e populações afetadas, bem
como decisões de base das comunidades camponesas, indígenas, ribeirinhas
e quilombolas, enfrentaremos a crise instaurada pelos de cima.
Defendemos a ideia de que a justiça climática e a sobrevivência das
nossas gentes só poderão ocorrer com a superação do capitalismo. Longe
de ser uma questão de etapas, a destruição deste sistema e a construção
de um novo mundo caminham juntas.
Na ofensiva comercial de Trump, com uma tarifa de 50% sobre as
exportações, não devemos embarcar num discurso de pendor nacionalista e
simplista como "O Brasil é dos Brasileiros". Enquanto socialistas, somos
internacionalistas e assim devemos pautar-nos pela solidariedade
internacional entre povos oprimidos. Lutamos pela autodeterminação dos
povos, na sua participação nas decisões e no rumo da vida económica e
política. A taxação de Trump permitiu um fôlego de popularidade para
Lula, uma retórica de "união nacional de diferentes classes sociais",
entre povo e setores do poder da burguesia - dos quais somos inimigos e
que certamente não possuem o mesmo interesse que o nosso. Mais que uma
parceria entre Trump e Bolsonaro, as tarifas têm como causa principal a
questão do BRICS e como ele apresenta uma ameaça aos EUA, sobretudo no
fortalecimento da China e nos indicativos crescentes de desdolarização.
Esta retórica de luta pela "soberania nacional" da elite brasileira cria
uma ilusão de que governo está em conflito com o capital internacional e
até com as Big Techs, enquanto na verdade está a fazer grandes
investimentos junto destes grupos. Exemplo disso é o incentivo à
implementação de data centers para além dos 188 já existentes em
território nacional. O governo do PT já tem uma proposta de política de
isenção fiscal, a ReData, para atrair estas empresas, que são conhecidas
pelo seu elevado consumo de energia e água. O objetivo do governo dos
EUA é económico e imperialista. Se for necessário, descartarão Bolsonaro
para agradar às Big Techs ou prejudicar os BRICS de alguma forma. Até ao
momento, nada indica que a aliança internacional da extrema-direta
mantenha Trump na trela ou garanta o seu apoio incondicional. Com as
tarifas, a burguesia brasileira aproveita para emplacar despedimentos e
receber ajudas do Estado, enquanto o preço dos alimentos sobe nos EUA.
No fim das contas, o nosso povo perde daqui e o povo estadunidense perde
de lá, comprovando que não tem ganhador desde abaixo nas disputas dos de
cima.
A nossa resposta à exploração do imperialismo deve ser uma aliança entre
o povo oprimido: aquele que não tem nação, nem fronteira, apenas a sua
solidariedade internacionalista. É fundamental que este marasmo das ruas
seja quebrado pela organização popular, denunciando os acordos das
elites globais. Ainda que haja um sabor de celebração em ver o
ex-Presidente acoado depois de anos de impunidade, a sua prisão é mais
uma ilusão da justiça burguesa. A espada da justiça burguesa não corta
na própria carne.
A repressão selecciona os golpistas para conter o indesejável ou
incontrolável no bolsonarismo, mas, pela sua própria lógica, faz também
avançar em conjunto um aparelho penal para disciplinar todas as formas
de protesto social. Com toda a certeza queremos Justiça, Memória e
Verdade e unimo-nos com todo o movimento popular para que Bolsonaro e os
outros golpistas não ganhem a impunidade, mas não nos deixemos enganar
pelas circunstâncias. O poder judicial é um elemento conservador do
poder político burguês que tem esta função de acomodar todo o conflito
social ás regras do jogo do sistema. Os militares que carregaram o
bolsonarismo ao colo continuam impunes, assim como a instituição militar
que nunca foi cobrada pelos seus crimes na Ditadura Empresarial-Militar.
Além disso, os aliados de Bolsonaro no Congresso continuam a trabalhar
nas suas agendas anti-povo, governando dentro das agendas conservadoras
que atacam as liberdades das minoriais socias.
Na luta contra o bolsonarismo podem coincidir pontualmente muitas e
diferentes posições, mas é necessário um alerta total para que isso não
se converta numa espécie de capitulação progressista ao neoliberalismo;
para que não se transforme em recuo programático e subordinação dos
sindicatos, dos movimentos sociais e das organizações socialistas às
agendas ditadas pelas elites dirigentes do Estado e pelos sectores bugueses.
O quadro fiscal foi a forma que o governo do PT encontrou para governar
em negociação com sectores da elite brasileira, cortar tudo e mais um
pouco do que era possível de gastos com o orçamento público e políticas
sociais. Assim, dá para gastar todo esse dinheiro com os bancos por meio
da divida pública, aceitando incomodar quando o arcabouço precisar ser
quebrado para garantir a boa saúde do empresariado agroexportador ou
industrial. O governo nem sequer pensa em mexer nisto, porque está
completamente enredado em acordos com os sectores da direita, centrão,
bancada da agricultura e sectores da especulação financeira. O quadro
fiscal tem pautado a maioria das decisões politicas e económicas, uma
continuidade do teto de gastos aprovado no governo Temer - então
duramente criticado pelos petistas, que na época eram oposição.
O Plebiscito, uma importante forma de consulta popular, pauta a
tributação dos ricos e o fim da escala 6×1, mas não chama o quadro
fiscal para o debate, de forma a blindar o governo de ter de debater um
instrumento anti-povo que sustenta os seus acordos com sectores da
elite. O Plebiscito pode ser uma ferramenta de diálogo dos movimentos de
base com sectores do povo, aproximando o debate sobre a tributação dos
ricos e sobre o fim deste regime exploratório de trabalho ao quotidiano
das organizações populares. No entanto, o quadro fiscal deve ser
aglutinado aos discursos em torno desta construção de base dos
plebiscitos, tensionando o governo do PT e setores da esquerda que temem
bater de frente com as elites deste país por causa do teatro eleitoral.
Não há nada que se faça hoje no jogo dentro da democracia burguesa que
garanta alguma vitória às classes oprimidas em 2026. A saída para uma
vida digna é a organização popular, com democracia direta, diálogo
fraterno e ações construídas coletivamente com os nossos pares nos
locais de trabalho ou de habitação, nos nossos territórios. É preciso
aumentar a pressão sobre este governo que muito pouco tem oferecido aos
de baixo, sem medo da extrema-direita.
A conjuntura torna urgente que os nossos sonhos voltem a ter valor e a
impulsionar as nossas ações, com a pressa de quem procura no horizonte a
sua própria sobreviência em tempos de crise climática. Construir agora o
que queremos para o futuro!
Coordenação Anarquista Brasileira
Agosto de 2025
https://cabanarquista.com.br/analise-de-conjuntura-cab-agosto-2025/
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