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(pt) France, Monde Libertaire - IDEIAS E LUTAS: Polícia e Democracia (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Tue, 14 Oct 2025 09:16:35 +0300


"Polícia em todo o lado, justiça em lado nenhum!" ---- A revista Cahiers d'histoire, com o subtítulo "Revue d'histoire critique", oferece sempre reflexões sobre temas iconoclastas. Poderíamos até considerar este título um oxímoro. Entre as publicações mais recentes da revista, destacamos o número 162, dedicado à polícia e à democracia do século XIX ao século XXI. Na capa, encontramos uma ilustração de Josso, um "pacificador" a estrangulá-lo um jovem aparentemente indefeso; uma foto de uma manifestação parisiense com o slogan "Acabem com a violência policial", que, como todos sabem, não existe... e uma última em Baton Rouge, EUA: uma jovem frágil a enfrentar três polícias que mais parecem Robocop do que seres humanos. O tom está dado. ---- Como refere Anne Jollet, editora-chefe dos Cahiers d'histoire, "a realidade expressa em cada mobilização destes jovens que desafiam as normas sociais é esta mistura de medo e ódio à polícia". Claramente, estas chamadas forças policiais estão a falhar no seu papel de segurança; a sua presença gera pouca ansiedade. A violência exercida por estes agentes do Estado revela-se em cada movimento de protesto social com a bênção do Executivo. Dos Coletes Amarelos à manifestação contra a legislação laboral, à morte de Remi Fraisse e à violência nos bairros, Anne Jollet observa, há mais de uma década, a desconexão entre a polícia, no sentido geral do termo, e a população. Esta situação repete-se nos Estados Unidos, e podemos presumir que não se limitará ao facto de o Presidente Trump revelar a sua violência todos os dias.

Um especialista francês...

Recuemos no tempo com a equipa dos Cahiers d'histoire, liderada neste caso por Grégoire Le Quang e Jeanne-Laure Le Quang, coordenadores do dossier. No século XVIII, o Estado utilizava o exército, e os franceses demonstravam imaginação nesta área. A polícia parisiense era infame. Déborah Cohen analisa o período de 1789 a 1791, quando a repressão era organizada com base em leis, expressão da soberania popular. O objetivo dos revolucionários de 1789 era, notavelmente, proteger a propriedade. Para além das leis ordinárias, os historiadores destacam a proliferação de leis de emergência, tanto nos Estados Unidos como nas colónias. O exército pode ser encontrado novamente em momentos negros da nossa história, como a Comuna de Paris e inúmeras greves de trabalhadores.

Um olhar sobre os slogans? Por exemplo: "Polícia em todo o lado, justiça em lado nenhum!" entoados nos anos 2000. Quantos manifestantes sabiam que o nome do autor era Victor Hugo, protestando contra o regresso de Napoleão III? "A reutilização de slogans não é inocente; encurta a história ao favorecer analogias entre períodos sociais", afirma Anne Jollet. Destaco o fascinante intercâmbio entre historiadores como Arnaud-Dominique Houte e Danielle Tartakowsky e sociólogos como Sebastian Roché sobre "práticas violentas por parte das forças da ordem que minam o respeito pela lei, a igualdade dos cidadãos e a sua liberdade de expressarem livremente a sua oposição à ordem dominante". Para um estudo mais detalhado, indico o livro de Sebastian Roché e François Rabaté, La police contre la rue (A Polícia Contra a Rua), Ed. Grasset, 2023; não envelheceu um dia.

Analisar e Medir

Poderá esta ser uma falha das nossas democracias liberais em defender a igualdade entre os indivíduos e o direito de expressar o descontentamento social? No momento em que escrevo estas linhas, o início do ano letivo de 2025 contém as sementes de protestos fortes e legítimos devido aos drásticos cortes orçamentais do Estado. Veremos mais vagas de repressão e detenções? O artigo de Élie Teicher sobre a repressão violenta dos conflitos laborais demonstra que o Estado prefere reprimir a dialogar. Esta revista permite-nos dar um passo atrás e analisar para melhor medir as práticas estatais. Por fim, é de destacar um artigo dedicado a Benoît Broutchoux (1879-1944), ativista anarcossindicalista que foi também vítima de repressão.

* Cahiers d'histoire, revue d'histoire critique, n.º 162
Polícia e Democracia, Séculos XIX-XXI

https://monde-libertaire.net/?articlen=8578
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