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(pt) Italy, IFA, UCADI #200 - Falando em subúrbios (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Sat, 4 Oct 2025 08:43:26 +0300


Assiste-se hoje a um fenómeno global de "concentração urbana de dificuldades e pobreza", ou seja, o progressivo afluxo para contextos urbanos de largos segmentos da população sujeitos a fenómenos de marginalização e exclusão social. Infelizmente, estes fenómenos estão a crescer, especialmente em áreas altamente urbanizadas, onde têm sido poucas as tentativas de implementar práticas inclusivas e de aceder a recursos primários, como habitações seguras e limpas, mas também espaços verdes, cruciais para a interacção social.
Uma análise séria só poderia começar com a consciência de que a marginalização se centra nestes locais e que estão criadas as condições para o crime e a desilusão, onde a dor, o abandono e a raiva se tornam duas faces da mesma moeda. Se analisarmos os dados do ISTAT e os vários e difundidos estudos de sociologia urbana e de análise de cidades, não podemos deixar de reconhecer que milhares de jovens vivem em contextos totalmente desprovidos de beleza e dos estímulos necessários para garantir oportunidades concretas de realização enquanto membros de uma sociedade dita civil. O ISTAT estima que mais de 2 milhões de famílias vivem na pobreza, com mais de 30% a lutar para sobreviver. Vivem principalmente no interior das áreas urbanas. Portanto, é claro que as periferias carenciadas das cidades não albergam apenas jovens marginalizados, mas também jovens pobres.
O desmantelamento de instalações produtivas e a deslocalização de actividades industriais e fabris contribuíram para a criação de terrenos industriais abandonados cada vez mais degradados, abandonados à especulação imobiliária e a investimentos imobiliários especulativos. Estes terrenos, sobretudo nas cidades vocacionadas para o turismo, são utilizados para albergar pousadas e arrendamentos de curta duração, contribuindo para a terciarização de muitas áreas urbanas.
Estas reflexões gerais fornecem o contexto para considerações adicionais sobre o ambiente e os espaços que caracterizam as periferias, onde a ideia de áreas impessoais, incapazes de servir como fonte de identidade, sempre prevaleceu, fomentando assim a afirmação de imagens negativas. Nos subúrbios, assim como nas aldeias históricas, não existem cinemas, teatros, bibliotecas ou locais de encontro. Este estado de coisas precisa, portanto, de ser alterado e revertido.
É essencial abordar a configuração espacial atual e reconstruir ligações e vínculos com o resto da cidade, não através de intervenções esporádicas e improvisadas, mas através de projetos orgânicos. Devemos escolher entre prosseguir através de "manchas", como sugere Renzo Piano, continuando a delegar assistência e atenção às questões socioeconómicas em voluntários ou em recursos públicos residuais, ou intervir com métodos mais radicais. Uma política de requalificação e integração destes lugares torna-se necessária através da criação de contextos diversos, seguindo o método do planeamento urbano participativo, da escuta e da discussão, utilizando recursos culturais e relações inovadoras que se tornem a referência metodológica para cada intervenção na área,
começando pela fase de planeamento e aplicando-a às diversas fases de projecto, construção e gestão das obras, uma vez disponibilizadas aos cidadãos.
Devem ser implementadas novas ferramentas para permitir a integração dos subúrbios com o resto da cidade e/ou área metropolitana, não só em termos de economia e transportes, mas também em termos de pensamento e intercâmbio cultural, criando ferramentas estáveis e oportunidades sistémicas. Em suma, a questão da forma mais adequada de combater a marginalização e a exclusão social exige respostas inovadoras aos métodos tradicionais de intervenção do sector público. Estas ferramentas devem visar a religação do contexto periférico em larga escala, através de processos de regeneração urbana baseados na integração social e funcional, nos quais a sustentabilidade desempenha um papel crucial, tanto para minimizar o impacto ambiental como para maximizar o bem-estar dos cidadãos.
É evidente que tal abordagem exige novos modelos de gestão administrativa e, por conseguinte, de governação. Cada cidade possui características territoriais e ambientais distintas, com potencial de crescimento e melhoria da qualidade de vida, que são sufocadas por um sistema administrativo arcaico e ineficiente. As cidades necessitam de criar sistemas urbanos baseados em novos paradigmas de sustentabilidade e conectividade digital, fomentando também formas de autogovernação e democracia participativa que promovam modelos de integração social fomentados por uma nova oferta de qualidade de vida e de serviços.

Tonino Coscarella

https://www.ucadi.org/2025/09/04/a-proposito-di-periferie/
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