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(pt) Brazil, OSL: Prisão para Bolsonaro por todos os seus crimes, sem nenhuma confiança nas instituições burguesas! (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Wed, 1 Oct 2025 08:30:51 +0300
Publicamos conteúdo de resolução interna da OSL a respeito do julgamento
do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, que se
dará nos próximos dias. Mais do que fazer coro com os pedidos de
condenação, buscamos fazer uma análise sobre o verdadeiro papel da
justiça, a disputa entre frações das classes dominantes e a necessidade
da luta das classes oprimidas, sem qualquer ilusão nas instituições do
Estado e do capital. ---- 1. A polarização superficial no cenário
político brasileiro e a reorganização estrutural do capitalismo brasileiro
O cenário político segue marcado por uma polarização superficial entre
lulismo e bolsonarismo. Essa dicotomia, reproduzida em especial pela
mídia burguesa, obscurece os elementos estruturais da dominação de
classes do capitalismo no Brasil. Exemplo disso é a cobertura sobre
recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar Bolsonaro e
seus aliados réus por tentativa de golpe, que mesmo amplamente
discutida, não revela que o episódio faz parte de um movimento de
reacomodação das frações das classes dominantes. Essa medida, longe de
representar um ato de justiça, serve antes como ferramenta para
restaurar os limites da democracia liberal, abalados pelos setores
militares e da extrema-direita em geral que romperam com o pacto burguês
tradicional. Ou seja, uma tentativa logo de partida ilusória para a
classe trabalhadora, pois reduz a verdadeira polarização (classes
dominantes x classes oprimidas) reforçando o âmbito institucional
burguês, enquanto segue priorizando o projeto neoliberal.
A denúncia da operação "Punhal Verde-Amarelo" - com planos de
assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes - confirma o caráter
golpista do bolsonarismo. Porém, é essencial questionar a atuação tardia
e seletiva da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal
(PF), bem como entender por que os órgãos não agiram da mesma forma em
outros momentos. Durante o governo Bolsonaro, crimes como a condução
assassina da pandemia foram tratados com uma expressiva conivência
institucional. A mudança de postura só reforça que se trata de uma
disputa intraburguesa, e não de justiça efetiva ou uma possibilidade de
ruptura com o modelo autoritário vigente. Prova disso é a total
indisposição do atual governo para afastar militares bolsonaristas em
posições estratégicas, como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI)
e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Um dos indiciados pelo
golpe, o tenente-coronel André Luis Cruz Correia, fazia a segurança
pessoal de Lula. Se os princípios éticos mais básicos fossem levados em
conta, com alguma prioridade, Bolsonaro e seus cúmplices teriam sido no
mínimo condenados após a CPI da Covid.
2. O STF e a função política das instituições burguesas
O Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto aparelho jurídico da ordem
burguesa, atua conforme os interesses das classes dominantes, e não por
compromisso com valores democráticos em abstrato. A história da chamada
"redemocratização" brasileira é marcada pela impunidade de torturadores
e pela continuidade dos aparatos repressivos da ditadura militar. A
punição a Bolsonaro e militares é, portanto, uma exceção que confirma a
regra: só ocorre porque seu projeto autocrático ultrapassou os limites
toleráveis à estabilidade do regime burguês, sobretudo através do ataque
sistemático ao STF, um dos pilares de sustentação da sociedade de
classes. Não é irrelevante os militares sentarem no banco dos réus por
uma tentativa de golpe pela primeira vez na história brasileira, no
entanto não é possível constatar isso sem as devidas críticas.
Retomamos o exemplo da CPI da Covid, que é bastante ilustrativo: o
escândalo foi abafado, e nenhuma responsabilização concreta se deu. O
verdadeiro objetivo do judiciário é preservar as estruturas do
capitalismo-estatismo e operar para manter intactos os pilares da
dominação de classe. A movimentação atual caminha para uma possível
recomposição entre setores do judiciário, do governo e das Forças
Armadas, para selar um novo pacto de conciliação sem rupturas reais com
a injustiça sistêmica e o autoritarismo enraizado nas instituições.
3. O ajuste fiscal e a continuidade da exploração
Enquanto a extrema-direita é julgada no STF, o governo Lula-Alckmin
aprofunda medidas de austeridade fiscal, corta investimentos sociais e
preserva os interesses do agronegócio, dos bancos e das grandes
corporações. A violência de Estado segue operando nos territórios
periféricos com a mesma brutalidade da era Bolsonaro, seja em governos
da direita ou da centro-esquerda. A narrativa oficial de "defesa da
democracia" ignora que esta democracia é, em essência, uma ditadura do
capital.
O pacto com o Centrão e com setores do empresariado mostra que a derrota
eleitoral do bolsonarismo não implicou em derrota de sua base econômica
nem de sua agenda neoliberal. O silêncio das forças políticas
institucionais diante desses acordos revela o esvaziamento das mediações
progressistas dentro do regime.
4. 'Antifascistas' liberais e a continuidade do autoritarismo
A prisão de Bolsonaro pode representar uma derrota momentânea da
extrema-direita, mas não elimina suas bases materiais: o agronegócio, o
empresariado reacionário, as polícias militarizadas e parte
significativa das Forças Armadas permanecem intactos. O "antifascismo"
propagado por setores da mídia e da elite jurídica é limitado ao
espetáculo judicial e à defesa da ordem institucional.
Ao mesmo tempo, segue ativa a repressão greves, ocupações e protestos
populares. O caráter de frente ampla promovido pelo governo Lula-Alckmin
impede qualquer enfrentamento estrutural do autoritarismo - que
continuará operando enquanto as condições de sua reprodução (miséria,
racismo, patriarcado, militarização) não forem enfrentadas. O mesmo
governo que se elegeu sob a pauta do "antifascismo" se enfrenta contra
movimentos sociais e sindicais (a exemplo das greves no IBGE, no INSS e
nas universidades e institutos federais). Desde a vitória eleitoral em
2002, o projeto petista colocou-se como um freio à autonomia das lutas
populares e, especialmente, ao método histórico dos trabalhadores: a
ação direta. Portanto, qualquer análise pela esquerda deve ter claro que
a justiça não é neutra e possui interesses políticos e econômicos de
classe em suas decisões. A prisão ou não de Bolsonaro não se trata
apenas de uma questão técnica, mas as questões técnicas são usadas para
validar a decisão que de antemão foi deliberada por importantes setores
das classes dominantes.
Um argumento recorrente em setores progressistas é que as punições aos
golpistas de extrema-direita abririam precedentes perigosos para a
criminalização futura da esquerda. Embora essa preocupação revele por si
só a natureza repressiva do Estado e do capitalismo, ela inverte a
lógica da luta política: não é a punição à extrema-direita que abre
caminho à repressão dos movimentos populares, mas sim o próprio
funcionamento seletivo e de classe da justiça no capitalismo que reprime
a luta social. O aparato judicial e policial não precisa de "precedente"
para atacar grevistas, ocupações, sindicatos combativos ou movimentos de
moradia - esses já são alvos históricos da repressão mesmo sob governos
progressistas. A justiça não opera com imparcialidade jurídica, mas é
uma expressão das correlações de força entre as classes. Portanto, não é
a coerência formal dos julgamentos que garante ou ameaça os direitos
democráticos, mas o nível de organização e de resistência da classe
trabalhadora. O povo será criminalizado sempre que desafiar os
interesses das classes dominantes - com ou sem "precedentes". A tarefa
central não é temer a repressão e assim absolver os inimigos de classe,
para não gerar precedentes jurídicos, mas se organizar para enfrentá-la
com solidariedade e unidade de ação.
5. Justiça burguesa, imperialismo e a correlação de forças
Ainda como complemento da conjuntura, outro exemplo é o uso do tarifaço
de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros, ainda que
parcialmente ajustado, e as represálias a ministros do STF que estão à
frente do julgamento de Bolsonaro, através da Lei Magnitsky. Ambas as
medidas são outra demonstração clara de que a chamada "justiça" ou
"legalidade" nunca opera de forma neutra, mas como instrumento de poder.
Assim como o STF utiliza argumentos técnico-jurídicos para validar
decisões que correspondem a uma reacomodação dos interesses internos das
classes dominantes, Trump mobiliza medidas comerciais e jurídicas para
dar forma legal a um ataque político e econômico que expressa os
interesses estratégicos do imperialismo dos EUA. A técnica, assim, é
apenas o disfarce que reveste a luta política real.
Não se trata, portanto, de justiça ou de equilíbrio institucional, mas
de correlação de forças. O julgamento de Bolsonaro pelo STF e a ofensiva
imperialista de Trump fazem parte de uma mesma lógica em que as classes
dominantes, internas e externas, utilizam o aparato jurídico-político
para garantir (ou ampliar) sua dominação. A ilusão de imparcialidade
serve apenas para mascarar os interesses de classe por trás de cada
decisão judicial ou tarifária. Entender isso é fundamental para que a
classe trabalhadora não deposite confiança em instituições que, seja em
Brasília ou em Washington, atuam como braços do capital contra os povos.
6. Construir independência política e classista através do poder popular
autogestionário
A independência das classes oprimidas na luta é a única via para
enfrentar de forma consequente as injustiças sistêmicas e o
neoliberalismo. Confiar na justiça burguesa ou nas instituições do
Estado é um caminho para a desmobilização e a derrota. A luta contra a
extrema-direita não pode se limitar à exigência de prisão de seus
líderes - é preciso atacar a totalidade do sistema que o produziu.
É fundamental fortalecer lutas concretas e independentes: contra o
arrocho salarial, a destruição dos serviços públicos, a violência de
Estado e a precarização do trabalho, etc. A esquerda verdadeiramente
classista precisa construir alternativas de organização com base na ação
direta, na democracia de base e na autonomia frente aos governos e às
instituições das classes dominantes. Apenas com nossos princípios
históricos de organização poderemos articular uma luta verdadeiramente
antifascista e lutar por justiça social.
7. Tarefas imediatas e estratégicas da classe trabalhadora
Para intervir na conjuntura sem cair nas armadilhas do institucionalismo
ou do moralismo burguês, propõe-se:
Defender a punição de Bolsonaro, dos militares e dos empresários
envolvidos não só na tentativa de golpe, mas com destaque à
responsabilização pelos crimes da pandemia. Sempre enfatizando que esse
processo é uma disputa interna das classes dominantes sem nenhum poder
de decisão por parte das classes oprimidas sobre os rumos desse episódio.
Denunciar o caráter seletivo e antipopular da justiça burguesa,
desmascarando sua função de preservar os interesses das elites.
Rejeitar a confiança nas instituições do regime como via de emancipação
popular. Não há justiça possível sob a tutela do capital.
Articular as lutas econômicas e sociais com uma crítica frontal ao
sistema político e econômico, denunciando os limites do governo
Lula-Alckmin.
Enfatizar que só teremos justiça após construir espaços de organização
independente, com base territorial, sindical, estudantil e popular, que
resistam à cooptação e atuem na perspectiva do poder popular
autogestionário.
A prisão de Bolsonaro altera momentaneamente a correlação de forças,
melhorando as condições para o avanço na organização da classe
trabalhadora, mas não quebra a hegemonia autoritária e não rompe com
nenhum problema estrutural da nossa sociedade. A democracia vigente
permanece controlada por um bloco de classes que administra a
exploração, reprime a revolta e coopta a resistência. A verdadeira
justiça - aquela que pode transformar a vida - virá da ação independente
e organizada da classe trabalhadora, em ruptura com todas as variantes
da dominação capitalista.
https://socialismolibertario.net/2025/09/01/prisao-para-bolsonaro/
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