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(pt) Brazil, OSL: Plebiscito popular: por que não vamos participar? (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Tue, 2 Sep 2025 07:27:46 +0300


A OSL manifesta que não orientará sua militância para a construção do Plebiscito Popular 2025, iniciativa promovida por setores da esquerda governista que busca apresentar mobilização popular em torno de propostas como a taxação de grandes fortunas e a redução da jornada de trabalho. ---- Embora os temas discutidos sejam importantes, nos parece claro que a iniciativa está subordinada a uma lógica de legitimação das políticas do governo federal e de preparação para o ciclo eleitoral de 2026, e não uma mobilização visando um enfrentamento às classes dominantes brasileiras. A estrutura do plebiscito, marcada por forte presença de partidos da esquerda que compõem ou sustentam o atual governo (como PT, PCdoB e setores majoritários do PSOL), bem como das grandes centrais sindicais, demonstram um pano de fundo que é: recompor a base social do governo e criar um ambiente de "mobilização controlada" que funcione como capital político para o próximo pleito.

Um instrumento eleitoral x luta de classes?

O plebiscito é apresentado como "popular", mas seu caráter é fundamentalmente instrumental. Toda sua construção - da coleta de votos simbólicos à entrega de resultados ao Congresso Nacional e ao STF - está voltada para a reafirmação da estratégia do lulismo de conciliação de classes, enquanto as condições objetivas de vida do povo seguem se deteriorando. Trata-se de uma operação de marketing político que visa gerar legitimidade ao governo em um momento de crise de popularidade (mesmo com o fôlego renovado após as taxações de Donald Trump e as presepadas do clã Bolsonaro) e disputa interna por sucessão presidencial.

Mobilização sem confronto e reforço das ilusões institucionais

Além de ser inócuo do ponto de vista prático, o plebiscito em questão reforça ilusões sobre a possibilidade de transformação social sem a luta direta e independente. Ao fazer isso, desarma a classe trabalhadora e empurra pautas urgentes e legítimas - como a luta pelo fim da escala 6x1 - para o terreno da institucionalidade, longe dos locais de conflito real com os patrões. Com isso, desmobiliza os trabalhadores e desobriga os sindicatos, muitos deles dirigidos pelos mesmos setores que organizam o plebiscito, de organizarem lutas concretas e confrontos diretos com o capital. A transferência da luta para o "voto simbólico" serve como válvula de escape para canalizar a pressão da base sem colocar em risco a estabilidade do pacto social em curso.

Contradição entre campanha simbólica e realidade concreta

Enquanto o governo faz campanha política ostensivamente simbólica com o plebiscito, sua atuação concreta no parlamento e na gestão pública segue na contramão dos interesses da classe trabalhadora. Dados recentes do IBGE revelam o aumento da precarização e da informalidade: mais de 118 milhões de brasileiros vivem sem renda estável e digna, enfrentando jornadas exaustivas, baixos salários e salários mínimos bastante aquém do necessário para a sobrevivência, inferiores até a países vizinhos. A inflação persistente sobre alimentos básicos corrói o poder de compra, enquanto 80,5% das famílias que ganham até três salários mínimos estão endividadas.

No campo, a violência e a destruição ambiental aumentam, sem perspectivas reais para a reforma agrária ou políticas sociais de moradia. Leis e PECs que criminalizam a luta popular fortalecem a repressão estatal. Apesar de tudo isso, o governo Lula mantém sua fidelidade aos interesses dos bancos, do agronegócio e da elite dominante, ignorando as demandas mais básicas das classes oprimidas.

Nossa tarefa: construir poder popular autogestionário fora do Estado

A Organização Socialista Libertária (OSL) reafirma que não há saída institucional para os dilemas enfrentados pela classe trabalhadora e pelos povos oprimidos. A via eleitoral, ainda que com verniz "popular", serve apenas para canalizar a insatisfação para dentro dos marcos do sistema. Nossa luta é por uma outra política: construída de baixo para cima, por meio da ação direta, da auto-organização e da ruptura com o Estado e a ordem capitalista.

Não participaremos do Plebiscito Popular 2025 por considerá-lo parte de uma ação para reconstruir o pacto social de classes governista e preparar a campanha eleitoral de 2026; a nossa não participação não quer dizer que - no seio da luta popular, na luta de classes -, deixamos de realizar o debate e mobilização em torno dessas importantes pautas para o conjunto das trabalhadoras e trabalhadores. A pergunta que se coloca é: Por que mobilizar recursos para um plebiscito e não para construção de uma greve geral?

Em vez de plebiscito simbólico, luta concreta, independência de classes e ação direta contra os patrões!

Organização Socialista Libertária
24 de julho de 2025

https://socialismolibertario.net/2025/07/25/plebiscito-popular-por-que-nao-vamos-participar/
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