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(pt) Brazil, ANA[Capixaba - FACA]: "Não se trata apenas de destruir, mas também de construir um mundo novo" By A.N.A. (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sat, 18 May 2024 08:56:27 +0300
A Federação Anarquista Capixaba (FACA) concedeu entrevista para a
Agência de Notícias Anarquistas (ANA) em 29 de abril de 2024. Confira a
entrevista a seguir. ---- Agência de Notícias Anarquistas > Bem, vamos
começar nossa conversa com a pergunta de sempre. Como surgiu a Federação
Anarquista Capixaba (FACA)? Em quê contexto? É uma federação de grupos
ou indivíduos? ---- FACA < A Federação Anarquista Capixaba (FACA) nasce
em 2022. Somos um coletivo novo ainda. E esse nascimento se deu no
contexto de reorganização do anarquismo no território dominado pelo
estado do Espírito Santo. No início do século XX o anarquismo marcou
presença nesta região, inicialmente a partir dos trabalhadores
ferroviários da cidade de Cachoeiro de Itapemirim, e depois se expandiu
para as demais cidades.
Porém com a repressão brutal, essa história foi apagada. Quase não
existem registros históricos e somente após a ditadura militar de 1964 é
que indivíduos começam novamente a se organizar. A cultura punk ajudou
na divulgação do ideal, e aos poucos outros indivíduos se aproximaram,
culminando na fundação da FACA, que é uma federação de indivíduos.
ANA > Vocês têm alguma federação como referência?
FACA < Na verdade não. Com toda certeza existiram e existem outras
federações iguais ou semelhantes à nossa. Porém, a configuração de nosso
coletivo se deu em razão da conjuntura local, como resposta diante de
tal conjuntura
ANA > E estão implicados em quais lutas?
FACA < Hoje estamos em todo o Espírito Santo, com camaradas atuando
junto ao movimento negro, movimento sindical e de bairro.
Esperamos que na medida em que formos crescendo, em todos os sentidos,
possamos aprofundar e aprimorar nossa atuação. O Espírito Santo é um
estado fortemente desigual, preconceituoso e violento, de maneira que
temos inúmeras frentes de combate para atuar!
Cabe destacar que também estamos filiados à Iniciativa Federalista
Anarquista do Brasil (IFA Brasil) e esta, por sua vez, à Internacional
de Federações Anarquistas (IFA), o que nos mantém em contato e
articulação com diversos grupos pelo Brasil e Mundo.
ANA > Não faz muito tempo os grupos anarquistas eram dominados por
homens, eles eram maioria. Na composição da FACA há um equilíbrio entre
homens e mulheres?
FACA < Sem sombra de dúvidas isso é uma questão importante! Porém,
infelizmente, hoje esse desequilíbrio existe em nossa federação na
medida em que a maioria das pessoas são homens. Porém, estamos
trabalhando ativamente para resolver essa questão!
ANA > Há projetos da FACA para ter um espaço próprio, algo como um
Ateneu? Daria um impulso no trabalho de vocês, não?
FACA < Sim! Isso está em nosso radar. Sabemos que para tirar isso do
papel precisamos de uma organização condizente e pessoas suficientes
dispostas a trabalhar nesse sentido. Acreditamos que no médio prazo esse
objetivo poderá ser alcançado.
ANA > Quais os grandes desafios da FACA? Existe uma meta de crescimento?
FACA < O Espírito Santo é um território, que apesar de se encontrar no
sudeste do país, tido como a região mais desenvolvida, é na verdade um
estado coronelista controlado por famílias tidas como "tradicionais" e
poderosas. As instituições repressivas (igreja, Estado, polícia...) não
pensam duas vezes em reprimir de todas as formas qualquer espécie de
dissidência. Então, como primeiro grande desafio, a FACA trabalha para
resgatar uma cultura de resistência, anticapitalista e antiestatista,
que é condizente com o nosso ideal anarquista.
Trabalhamos para difundir o anarquismo não apenas no aspecto teórico,
mas também desejamos iniciativas práticas, concretas e populares. Ou
seja, nosso intuito é criar formas de resistência no hoje, no agora,
para que as exploradas e explorados possam somar e ver que uma vida fora
dos partidos políticos, do Estado e do capital é possível.
Assim, esperamos crescer de maneira consistente na medida em que nossos
projetos também cresçam.
ANA > Quais os grandes problemas ambientais hoje no Espírito Santo?
Desmatamento, monocultura, pecuária, mineração...
FACA < O território do Espírito Santo é um grande fornecedor de
commodities. No norte do estado, a exploração da monocultura do
eucalipto degrada os ecossistemas, em especial o solo, o ar e a vida das
pessoas. As comunidades tradicionais quilombolas, por exemplo, sofrem
imensamente com o cercamento de suas terras pelos "desertos verdes" de
eucaliptos, destruição das fontes de água e aniquilamento alimentar.
O café desempenha um papel importante, junto com a pecuária, para também
degradar o que resta de matas. Sem falar nos problemas causados pelos
agrotóxicos.
O rio doce, que passa por Minas Gerais e termina no Espírito Santo, está
morto desde a tragédia de Mariana. Todos os afetados, até a presente
data, nada receberam e se viram como podem para sobreviver, já que a
pesca (e muitos dependiam dela) deixou de ser uma opção.
A mineração também compõe grande parte do PIB do estado, disseminada por
todo o território, mas com intensidade mais notada no Sul, especialmente
em Cachoeiro de Itapemirim, que é tida como a capital mundial do mármore
e granito, o que já evidencia como a atividade mineradora é forte na região.
E é no meio de tudo isso que a FACA se levanta, com uma proposta
radicalmente contrária ao rumo da economia e política capitalista que
contamina, destrói e mata!
ANA > Como vocês avaliam o Governo Lula 3? Está pior que a encomenda?
(risos)
FACA < A esquerda institucional é apenas uma face do capital, com eco
parlamentar. Eles estão à esquerda do capital, mas não contra o
capitalismo. É sempre bom deixar isto claro.
Lula é apenas mais um (e não será o último) que canalizou as
expectativas das trabalhadoras, fazendo carreira política e contribuindo
para o fortalecimento do estado burguês e da economia capitalista.
Esperar qualquer "virada de chave" socialista, ou revolucionária, do PT
ou de Lula é um devaneio. Não existe qualquer adesão de tal tese à
realidade material - e por isso, os webanarquistas que votaram (seja lá
em quem for), cometeram um erro terrível.
E afirmamos isso, porque votar é legitimar o Estado. Ao invés de votar,
o que essas pessoas fazem no cotidiano para criar alternativas ao
Estado? Alternativas contra o Estado e o Capital? É uma questão para
refletir...
ANA > Falando em "anarcovotantes"... Além de votar no Lula para "barrar
o fascismo", alguns também defendiam a "democracia", o "estado de
direito", que a "democracia estava sob risco" com Bolsonaro. É muito
anacronismo defender essa tal "democracia", esse show de horrores, não?
FACA < De fato. Nos parece que ou carece formação acerca do que é o
anarquismo, ou falta boa-fé. O suposto "estado de direito" e suas
parafernálias é o direito da burguesia, da classe dominante que lá longe
nas revoluções burguesas conseguiram se impor, continuando a nos
explorar até hoje. Parece redundante, mas o direito burguês não é o
direito dos explorados, é, na verdade, o direito SOBRE os explorados.
A verdadeira mudança social, econômica e política ocorrerá quando as
instituições capitalistas, estatais, autoritárias deixarem de existir. E
não é votando e validando tais instituições que nós conseguiremos isso.
ANA > No geral, as ideias anarquistas continuam carregadas de sentido,
radicalidade, lucidez... Mas porque cargas d'água no mundo real ela não
cresce firmemente, se fortalece? (risos)
FACA < Pergunta interessante. Acreditamos que as causas são várias, como
a própria concepção do que é anarquismo é variada.
Nossa federação acredita na criação de iniciativas, de espaços e de
vivências contra o Capital e o Estado são fundamentais para a
transformação social. Não se trata apenas de destruir, mas também de
construir um mundo novo. Não se trata apenas de criticar (que é muito
fácil), se trata de colocar a mão na massa e fazer!
ANA > Seguindo a linha da outra pergunta.... Custo de vida alto,
projetos ecocidas, corrupção, desigualdades gritantes, violência
policial de Norte a Sul. Aliás, a polícia brasileira é uma das que mais
matam no mundo! Enfim, por que o brasileiro comum não se revolta? Não
vemos protestos massivos e duradouros nas ruas? Que mistério é esse? (risos)
FACA < A falta de perspectiva, de ideias de mudanças sociais palpáveis,
bem como a repressão brutal que qualquer levante enfrenta no Brasil
conversa diretamente com essa pergunta.
Para além disso, não podemos subestimar a alienação, a domesticação da
revolta e o desserviço COTIDIANO que a esquerda institucional e os
marxistas fazem.
Por tudo isso e muito mais, no geral, para dizer o mínimo, as
brasileiras e brasileiros são céticos quando apresentamos uma ideia de
outra organização social. Somente com muita paciência, persistência e
resiliência é que poderemos alterar essa conjuntura que nos é amplamente
desfavorável...
ANA > É isso. Valeu, longa vida à FACA! Algum recado final?
FACA < Agradecemos o espaço e agradecemos a paciência conosco! Saudamos
todas e todos camaradas por aí e visitem o nosso blog. Sempre publicamos
algo por lá! Saudações libertárias! Vida longa à ANA também!
Contato: fedca@riseup.net
Blog: https://federacaocapixaba.noblogs.org/
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/05/03/nao-se-trata-apenas-de-destruir-mas-tambem-de-construir-um-mundo-novo/
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