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(pt) Brazil, Amazonia CCLA: Entrevista com a ERA, organização anarquista iraniana e afegã (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Wed, 8 May 2024 07:58:32 +0300
Hoje, damos continuação à nossa série de entrevistas de caráter
internacional com organizações, coletivos ou indivíduos isolados que
desempenham um papel no desenvolvimento político, social das nossas
ideias. ---- A companheirada do Irã e do Afeganistão, com a organização
anarquista ERA, atua num contexto nacional complexo e hostil. Por esse
motivo, quisemos dar voz a essas companheiras e esses companheiros e que
essa voz seja ouvida em ampla escala, pois se a gente considera
habitualmente ser difícil a prática do anarquismo no período atual,
existem contextos em que a atuação se torna claramente um ato de muita
coragem.
Portanto, agradecemos muito a essas pessoas por ter respondido às nossas
perguntas com tamanha boa vontade e disponibilidade, sabendo que toda
troca de mensagem pode ser perigosa e equivaler a penas pesadas de
prisão... ou pior.
CCLA: Quais são os principais campos de luta que vocês já desenvolveram
e os que planejam desenvolver em um futuro próximo?
Era: Nosso núcleo inicial foi formado fora do Irã em 15 de dezembro de
2009. E em 2018, formamos a União dos Anarquistas do Afeganistão e do
Irã. E depois disso, formamos a Federação Anarquista Era. Nós (Federação
e outros anarquistas), como todos os anarquistas do mundo, temos uma
presença prática ou intelectual em todos os movimentos (de mulheres,
trabalhistas, estudantis, ambientais, de proteção animal, etc.) no Irã e
no Afeganistão e, naturalmente, temos atuações diretas ou indiretas
próprias. Tínhamos esperança e ainda temos de poder formar uma federação
anarquista para os países árabes junto com os anarquistas árabes,
considerando que o Irã e o Afeganistão juntos são povoados por vários
milhões de árabes. Além disso, esperamos que um dia possamos formar uma
rede anarquista turca com os anarquistas dos países de origens turcas,
considerando a presença de uma população de várias dezenas de milhões de
habitantes dessas origens no Irã e no Afeganistão.
As lutas das mulheres em seu país são muito bem conhecidas e comentadas.
Sua organização tem companheiras mulheres? Em caso afirmativo, como elas
contribuem para a luta em andamento?
Em suma, uma parte significativa des nosses companheires no Irã e no
Afeganistão são mulheres e LGBTQI+. As lutas em andamento no Irã se dão
em duas áreas principais: uma é a luta civil e pública para dizer não ao
hijab obrigatório e à repressão por não observância do hijab obrigatório
por grande parte das mulheres da sociedade iraniana, à qual nossas
companheiras também estão associadas como uma pequena parte da sociedade
feminina iraniana. O segundo campo de luta é a luta secreta, que inclui
a maior parte da luta das companheiras da Federação. no Afeganistão,
desde 15 de agosto de 2021. Quando o governo entregou o poder aos
Talibãs, testemunhamos a presença de mulheres afegãs protestando. Dois
dias depois, em 17 de agosto, elas saíram às ruas contra a presença dos
Talibãs e, depois disso, as mulheres que protestavam formaram dezenas de
grupos de campanha contra os Talibãs. E continuamos a apoiar a luta das
mulheres que protestam contra os Talibãs, e o perigo de excluir as
mulheres da presença da sociedade afegã é muito sério, e as companheiras
da Federação apoiaram essas lutas de várias maneiras.
A religião (como instituição humana de opressão em nome de Deus) é um
tema central da reflexão anarquista e da crítica ao poder que ela
representa. O que vocês pensam sobre isso e como conseguem se posicionar
em relação a essa questão?
Os deuses não existem, nós existimos. A opressão religiosa não é
opressão e exploração dos deuses, mas das pessoas, de uma classe de
pessoas. Essa classe de opressores é a classe sacerdotal, uma classe
proprietária que possui a propriedade original e a mais exclusiva de
todas: o sagrado, o divino. O sagrado pode ser qualquer coisa: terra,
conhecimento, ofício, costume, ritual, pensamento, sentimento. Qualquer
coisa. No entanto, a classe do clero não trabalha, não produz nada; o
clero imagina, pondera, exige, ordena, castiga e pune. Somos nós que
trabalhamos, nos esforçamos, nos preocupamos, suamos e nos sacrificamos
para satisfazer os desejos deles e transformar a imaginação deles em
realidade. O clero cria moedas etéreas para que especulemos e apostemos
para ganhar uma vida boa e gratificante agora, felicidade eterna na vida
após a morte ou bom carma para a próxima reencarnação. O resultado de
nossa aposta não importa; o clero que se beneficia de nosso trabalho é
sempre o grande vencedor no final. Não demora muito para percebermos que
a religião não criou nada; tudo o que a religião tem foi tomado,
sabotado, apropriado, roubado e corrompido. A maioria de nossos antigos
e profundos costumes, rituais e histórias comunitárias e anarquistas são
agora distorcidos em uma bagunça complicada, artificial e contraditória
de meias-verdades apenas para reproduzir a religião.
No entanto, após séculos de consentimento de fabricação religiosa,
parece que nos esquecemos. Agora, muitos veem a religião como parte
integrante de nossas culturas, e não como o sabotador e o ladrão que ela
realmente é. Os sacerdotes do escalão inferior e os fiéis estão fazendo
o trabalho pesado para o escalão superior, alguns com inspiração para
governar uma vez no poder, outros para fazer o bem no mundo e outros
para trazer mudanças. Então, as religiões antigas e novas estão se
apresentando como a próxima grande coisa, a solução, a salvação. Depois,
há os espirituais, aqueles cujo relacionamento com a religião se
deteriorou, mas não se libertaram radicalmente dos conceitos de divino e
sagrado, protegendo e reproduzindo a religião mais uma vez. É como se
estivéssemos descrevendo o capitalismo ou o estado, mas a religião é
anterior a ambos. Talvez a religião seja a instituição que introduziu
outras formas de hierarquia na realidade. Muitas pessoas não querem
encarar esses fatos sobre a religião, insistindo que existem religiões
verdadeiras igualitárias. Mas o poder revela, e ele revelou que a
religião seria autoritária sempre que lhe fosse dada a oportunidade,
sempre que finalmente corroesse a resistência da comunidade à
autoridade, em todos os lugares, todas as vezes. Nós, da Federação
Anarquista Era, não podemos nos dar ao luxo de justificar a religião com
as mesmas desculpas que os liberais usam para justificar o Estado e o
capitalismo. Para nós, o líder supremo, o congresso, os juízes, os
advogados, a polícia, os militares, os proprietários de terras, a
burguesia, os pequenos burgueses, são um grande monte de dos
estupradores, de misóginos, de assassinos de crianças e muitos outros
desses são mulás, fazem parte da classe do clero. Essa é a realidade de
um estado teocrático. Diante de tudo isso, nossa posição é simples:
derrubar o estado teocrático, derrubar sua ideologia, derrubar sua
religião e salgar o solo ideológico de onde esses pesadelos cresceram
para que ninguém volte a viver essas eras de terror.
Com quais organizações você está conectado em nível regional? É difícil
criar relações de solidariedade tangíveis?
Nesses 15 anos, tivemos um tipo de cooperação transversal e caso a caso
com vários grupos anarquistas em diferentes partes do mundo, inclusive
no Irã e no Afeganistão. A possível formação das duas redes anarquistas
que mencionamos pode nos levar aos próximos movimentos sustentáveis. De
fato, essa é uma organização regional conjunta que possibilita uma
cooperação mais concreta.
Você tem alguma relação com a comunidade curda rebelde na Síria? O que
acha da luta deles, que geralmente se baseia na recusa de uma solução
estatista?
No passado, ajudamos na possibilidade de alguns anarquistas iranianos
participarem das lutas de Rojava. Estamos em contato com alguns
anarquistas sírios no exterior e também estamos em contato com ativistas
curdos relacionados a Rojava no exterior. Naturalmente, apoiamos a luta
dos curdos de Rojava com a mesma explicação que você deu e, para nós, é
um ponto de esperança a partir dos exemplos reais de sociedades não
governamentais. Como, por exemplo, a luta dos zapatistas no México ou a
comuna livre de Barbacha na região de Kabylia, na Argélia, que são áreas
de interesse. Especialmente para os anarquistas.
Em termos teóricos, que linha de organização você adotaria, mais
sintetizadora (Faure ou Volin) ou mais plataformista (Makhno e
Arshinov)? Essas diferenças em termos organizacionais fazem sentido para
vocês?
Não somos plataformistas e somos sintesistas, mas no campo da
organização, naturalmente temos nossa própria organização. A Federação
Anarquista Era, enquanto federação sintesista, não coopera apenas com
várias tendências que seguem a religião, o capitalismo, o nacionalismo e
o pacifismo e, portanto, é formada por várias auto-organizações na forma
de grupos, coletivos, redes, sindicatos e indivíduos com independência
de ação, pensamento e relações orgânicas e complexas. Dessa forma, desde
os individualistas (e anarco-individualistas, que muitas vezes se veem
como indivíduos em relação à federação) até os anarco-sindicalistas e
anarco-primitivistas, passando pelos anarco-transhumanistas e assim por
diante, eles consideram que suas atividades estão relacionadas e são
membros da Federação Anarquista Era.
Atualmente, em nível internacional, o que você acha do apoio que recebe
de outras organizações? Com qual delas você mais se relaciona?
O apoio que recebemos. Foi do movimento anarquista internacional, que
tem sido muito diferente, e sempre que precisamos de ajuda específica,
os anarquistas individuais e as organizações anarquistas não nos
pouparam nenhuma ajuda. Na verdade, os anarquistas em nível global
realmente agem como um único corpo, e o simples fato de ser anarquista é
suficiente para conectar os anarquistas uns aos outros, e o fato de
estarmos em diferentes geografias com diferentes idiomas não impede que
os anarquistas cooperem uns com os outros. Nossa comunicação em qualquer
ponto depende da atividade que realizamos juntos, mas devemos encontrar
uma maneira de estabelecer uma comunicação permanente com uma parte do
movimento anarquista em todos os cantos do mundo.
Para finalizar, você tem alguma solicitação a transferir para os
movimentos anarquistas brasileiros organizados? Como podemos ajudá-lo?
Naturalmente, essas entrevistas, sua tradução e publicação são
consideradas uma contribuição para o movimento anarquista no Irã e no
Afeganistão, assim como a entrevista que faremos em breve com vocês,
companheiros, sobre nosso movimento anarquista na região. O mundo será
transferido. Essa entrevista de vocês nos levou a pensar em uma
cooperação mais contínua com uma parte do movimento anarquista. Só temos
que ver como podemos criar as bases para isso. No final, gostaríamos de
agradecer a vocês por terem planejado essa entrevista com perguntas
muito boas.
https://cclamazonia.noblogs.org/post/2024/04/24/entrevista-com-a-federacao-anarquista-era-ira-e-afeganistao/
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