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(pt) Brazil, OSL: Marielle Franco: assassinada pelo jogo de poder do Estado e do capitalismo (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sat, 13 Apr 2024 09:56:49 +0300
Há cerca de 6 anos a vereadora Marielle Franco, liderança negra e
popular radicada no Complexo de favelas da Maré, era brutalmente
assassinada no Rio de Janeiro. Esta semana, três suspeitos foram
apresentados pela polícia como os mandantes e organizadores do
assassinato. Além de Chiquinho e seu irmão, Domingos Brazão (ambos do
União Brasil), o ex-chefe da polícia civil, que coordenava o caso,
Rivaldo Barbosa, também foi preso. ---- É preciso relembrar o contexto
político do assassinato de Marielle. Marielle foi assassinada em 2018,
depois de um golpe jurídico-parlamentar que derrubou o governo Dilma e
colocou seu vice, Michel Temer, no poder. Temer aproximou-se do já ativo
partido fardado como forma de amparar seu frágil governo golpista e
neoliberal. Foi Temer que nomeou integrantes das Forças Armadas ao
ministério da Defesa, da Segurança Pública e decretou uma operação de
Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em fevereiro de 2018, que determinava
uma missão militar em todo território nacional.
Essa missão foi coordenada pelo general Sergio Etchegoyen, ministro do
Gabinete de Segurança Institucional (GSI) - (recém "recriado" por Temer)
-, uma excrescência que é herança da ditadura e tem como objetivo vigiar
movimentos populares e qualificar o aparato de repressão estatal. Esse
governo golpista, reacionário e neoliberal colocou o estado do Rio de
Janeiro sob intervenção federal, a primeira desde o fim da ditadura
militar no Brasil. A intervenção militar no Rio de Janeiro ficou a cargo
do general Braga Netto, futuro ministro do governo Bolsonaro.
Marielle, que era uma das figuras públicas mais crítica à intervenção
federal foi assassinada no dia 14 de março de 2018, com apenas 15 dias
de intervenção federal. Intervenção que foi organizada pelo setor
militar mais reacionário, que articularia a candidatura de Bolsonaro,
eleito presidente em outubro de 2018. Foi este setor que nomeou Rivaldo
Barbosa como chefe de Polícia Civil.
A resolução do crime é política, não apenas "criminal"
Desde 2015, há uma ofensiva da classe dominante - iniciada ainda sob o
Governo Dilma/Temer - na tentativa de consolidar um bloco político
reacionário, que avançasse nas contrarreformas neoliberais e impedisse
quaisquer políticas minimamente progressistas ou reformistas. Este
avanço impôs ao Rio de Janeiro, em 2017, um ajuste neoliberal chamado
"Regime de Recuperação Fiscal", que impôs duros cortes nos serviços
sociais, enquanto ao mesmo tempo, incentivava o aumento do aparato de
repressão estatal.
Esse bloco reacionário e neoliberal conta não apenas com organizações
políticas de extrema direita, mas com o partido fardado, o agronegócio,
as lideranças neopentecostais e o setor mais reacionário da burguesia
industrial. As amplas relações e afinidades já comprovadas entre a
família Bolsonaro (representantes eleitorais desse bloco) e a milícia,
demonstram que são parte do mesmo grupo político e integram o mesmo
círculo de relações.
O aparato miliciano, fortemente incrustrado dentro da institucionalidade
estatal é parte dessa ofensiva neoliberal e reacionária mais ampla que
autoriza o assassinato de lideranças de esquerda. Assim como, organiza
expedientes de assassinatos políticos e pistolagem, como o da liderança
política Nega Pataxó, assassinada em 21 de janeiro deste ano no contexto
da 'Invasão Zero' - uma ação organizada por grandes fazendeiros baianos.
E do militante do MST, José Roberto da Rocha, que foi encontrado no
último dia 24 de março, dentro de seu carro carbonizado, no assentamento
Orlando Bernadino, no município de Alhandra (estado da Paraíba).
O governo Bolsonaro armou esses setores, com a multiplicação de clubes
de tiro, armamento desviado para paramilitares e formação de pequenas
"milícias" do agronegócio. As milícias também passaram a avançar dentro
dos territórios urbanos e ganhar mais força institucionalmente.
No assassinato de Marielle, temos, no mínimo, quatro instituições
envolvidas direta ou indiretamente em seu assassinato: a polícia civil
(Nivaldo Barbosa), a polícia militar (Ronnie Lessa), a Assembleia
Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (irmãos Brazão) e as Forças
Armadas (Braga Netto), que coordenavam a intervenção no Rio de Janeiro e
amparavam militarmente o ajuste neoliberal.
Tal rede demonstra que as milícias, não são um Estado paralelo, mas são
parte do próprio Estado e de suas instituições. Pois, atuam
politicamente através das relações e simbiose com o partido fardado (que
inclui as forças armadas e as forças policiais) e todas as forças
anteriormente citadas para fazer avançar seus interesses políticos e
econômicos no país (principalmente a grilagem de terras e domínio
territorial).
Essas relações também criam currais eleitorais controlados por
milicianos que são "aproveitados" por variadas forças políticas. A
eleição de Domingos Brazão como conselheiro do Tribunal de Contas foi
aprovada com 66 votos, sendo 61 favoráveis, incluindo votos do PT,
PMDB, PR (atual PL) e PP. Chiquinho Brazão era secretário de Eduardo
Paes, ocupando a Secretaria de Ação Comunitária. A família Brazão seguiu
tendo influência em governos estaduais do Rio de Janeiro, incluindo o
governo Cláudio Castro, fiel aliado de Bolsonaro.
O brutal assassinato de Marielle é parte dessa ofensiva da classe
dominante, iniciada com mais evidência em 2015 e esta ofensiva não
poderá ser detida pela institucionalidade (corrompida até a medula ou
cúmplice dessas ações) ou pelas eleições. Ou a esquerda desperta da
ilusão republicana, que acredita que essas forças desaparecerão nas
próximas eleições, ou pagaremos um preço muito alto, em termos mais
representantes e lideranças populares sendo assassinadas por esse bloco
político reacionário.
Somente numa construção de longo prazo, de movimentos sociais de massa,
articulados territorialmente, no campo e na cidade, a partir de um
processo de organização que use variadas formas e níveis de luta, é que
podemos derrotar esse bloco político reacionário e seus tentáculos
assassinos.
Ainda há muitas perguntas sem respostas no caso Marielle, é dever dos
movimentos sociais e da luta popular seguir pressionando para que essa
relações políticas dentro do bloco reacionário, fiquem mais evidentes.
Marielle vive!
Organização Socialista Libertária (OSL), 27 de março de 2024
https://socialismolibertario.net/2024/03/27/marielle-franco-assassinada-pelo-jogo-de-poder-do-estado-e-do-capitalismo
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