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(pt) Sicilia Libertaria 2-24: Ideias para um editorial - NOSSAS RESOLUÇÕES PARA 2024 (ca, de, en, it, tr) [traduccion automatica]
Date
Sun, 25 Feb 2024 07:33:53 +0200
2024 está cheio de incógnitas. No horizonte, novas guerras e novas
tentativas de nelas envolver o nosso país, a barbárie que avança por
toda a parte e faz vítimas, a utopia capitalista que supera as suas
crises graças às descobertas da tecnologia digital, a humanidade que,
ameaçada pelo clima louco, pela pandemias e máquinas inteligentes,
caminha cada vez mais rapidamente para a extinção. ---- Neste cenário
deprimente, que função ainda pode ter este pequeno e talvez um pouco
antiquado jornal que você tem em mãos? Como pode ajudar a inverter uma
tendência para a falta de liberdade que parece consolidar-se a cada dia
que passa? Que alternativa ainda pode representar à desinformação do
regime e à homologação cultural?
No limiar dos seus 48 anos - uma idade venerável para um jornal e não
apenas anarquista - "Sicilia Libertaria" sente a necessidade de se
questionar e questionar os colaboradores, leitores e apoiantes sobre o
seu presente e sobretudo sobre o seu futuro próximo. Uma reflexão neste
sentido revela-se tanto mais necessária quanto mais falta no movimento
anarquista e nos seus órgãos de imprensa.
O "Sicilia Libertaria" sempre evitou transformar-se num mero jornal de
opinião ou, pior ainda, num produto político-cultural para ser consumido
uma vez por mês. Tem favorecido que seja um órgão de agitação, luta e
proposta anarquista. No entanto, é difícil manter esta característica
hoje se as posições de quem vos escreve, especialmente quando se trata
de assuntos novos ou polémicos (como acontece frequentemente nos
"especiais"), e mesmo quando surgem propostas de intervenção
estratégica, não são são de todo recebidos, muito menos debatidos dentro
do nosso próprio movimento, e quase nunca assumem um carácter
operacional. Um jornal anarquista, se assim for, deveria encorajar a
mais ampla circulação de ideias, constituir um campo de treinamento para
discussão e até confrontos (mantendo o respeito mútuo) entre camaradas,
discutir inovações em nosso campo e na sociedade, descobrir ou
redescobrir formas de luta e conhecimento alternativo, apoiando todas as
aspirações de liberdade e mudança a partir de baixo. Certamente para não
acabar atrofiando com o tempo em fórmulas obsoletas ou repetitivas
delegadas a alguns escritores idosos.
Para isso, não basta o empenho constante de quem publica periodicamente
o jornal: é fundamental a contribuição do maior número de camaradas e
leitores. Em vez de utilizar uma ferramenta que está à mão,
atualizando-a e aperfeiçoando-a tecnologicamente e em termos de
conteúdo, muitos deles preferem brincar com os meios de comunicação
concebidos pelos tecnocratas digitais para aniquilar a sua capacidade de
reflexão e discernimento crítico. Alguns refugiam-se no indiferentismo,
no desengajamento, na apatia: para eles o jornal representa simplesmente
um álibi para se sentirem ou continuarem a sentir-se vivos. Outros
ainda, felizmente poucos, desprezam o trabalho dos seus camaradas
"jornalistas" devido a uma alegada superioridade intelectual que, no
entanto, quase nunca colocam ao serviço das necessidades do movimento ou
se traduzem em ações políticas e participativas amplas, comunitárias e
participativas. projetos de intervenção social.
O movimento anarquista, como um todo, acolhe numerosos militantes de
valor e com competências adquiridas nos mais variados campos sociais.
Será possível que ninguém, ou poucos deles (além dos likes que nos
enviam de vez em quando), consigam expressar-se sobre os pedidos - por
vezes verdadeiras provocações - que chegam do nosso jornal? Que
mantenham as suas competências, por exemplo, apenas para fazer carreira
em universidades, instituições ou empresas?
Infelizmente, há muitos que se autodenominam anarquistas e se esquecem
de como o vínculo íntimo entre pensamento e ação, entre ideia e projeto,
entre fim e meio (no nosso caso, o jornal) constitui uma prerrogativa
fundamental do anarquismo. Não é possível conceber um jornalismo
anarquista desligado da realidade, da sociedade, dos territórios e das
lutas que aí se desenvolvem.
No passado, e em parte ainda hoje, a "Sicília Libertária" foi confundida
com um jornal "localista" simplesmente porque nas suas análises prefere
partir ou ancorar-se na concretude de um território escolhido, a
Sicília. Mas basta percorrer as páginas para perceber que é um erro: da
Sicília libertária ao internacionalismo anarquista o passo é muitas
vezes imediato, como adverte o lema da revista ("pela libertação social
e pelo internacionalismo"). Aqueles que protestam contra "Si.Lib." um
personagem "localista" às vezes acaba sendo culpado por tirar recursos e
leitores do semanário nacional e alimentar uma rivalidade ridícula entre
os dois jornais. A polémica é antiga (remonta ao nascimento da "Umanità
Nova" em 1920) mas há muito que a investigação histórica a desmentiu,
demonstrando que, pelo contrário, a multiplicação dos jornais, ao
estimular a actividade dos grupos locais, beneficia antes a difusão do
semanário nacional. O problema é bastante diferente. É a existência de
compartimentos estanques entre os diferentes jornais anarquistas, onde a
troca mútua de temas, colaboradores e atividades - que deveria ser a
regra - tornou-se residual. Em vez de alimentar um circuito virtuoso e
solidário, podemos até testemunhar encerramentos estúpidos e nem mesmo
disputas incompreensíveis sobre vírgulas.
Num mundo que é cada vez mais ferozmente anti-anarquista, os nossos
jornais, verdadeiros pulmões de liberdade, não deveriam mais ignorar-se
uns aos outros ou pisar-se nos calos uns dos outros. Se já não são
capazes, como no passado, de "fermentar os espíritos" ou de criar uma
opinião pública simpática em torno dos anarquistas, podem, no entanto,
voltar a cumprir uma função indispensável, a de um lugar privilegiado
onde se desenvolvem críticas e análises contracorrentes, elaboração de
projetos e troca de relações de apoio num movimento que, para resistir e
se renovar, deve antes de tudo rejeitar a deriva autoritária e o
conformismo desenfreado.
Esta é, talvez, uma primeira resposta parcial às questões iniciais. Aos
quais esperamos que muitos outros sejam acrescentados neste ano.
Musarra de Natal
https://www.sicilialibertaria.it/
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