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(pt)A20 em São Paulo - um pequeno olhar

From Moésio Rebouças AGENCIA DE NOTICIAS ANA <mrs.ana@uol.com.br>
Date Tue, 24 Apr 2001 12:24:25 -0400 (EDT)


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
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Que tal, compas!?

Acabei de chegar da manifestação contra a ALCA, realizada nesta tarde de 
sexta-feira, em São Paulo.

Se tivesse que resumir em poucas palavras este protesto, definiria assim: 
muita violência policial, bombas de gás lacrimogêneo,
corre-corre, pedradas, ferido@s e prisões.

O ato teve início por volta das 12 horas, em frente ao prédio da Gazeta, na 
Avenida Paulista, com muita batucada, distribuição de
folhetos, gritos de guerra, apitaços, performances, engolidores de fogo, 
faixas, “carnaval”...

Até este momento a manifestação transcorria num clima muito positivo e alegre. 
Apesar da forte presença policial, que estava espalhada
em grupinhos por toda a Avenida Paulista.

Segundo um anarco-punk, por volta das 11 horas, quatro punks foram presos pela 
policia militar, enquanto dezenas de punks eram
submetidos a uma “geral”.

Na concentração, acredito que o número de manifestantes era superior a 1000 
pessoas, notadamente de jovens, muitas mulheres. A
presença anarquista mais uma vez foi marcante, com suas bandeiras negras e 
vermelho/negra, e cânticos. Destaque para a presença
dos grupos punks, anarco-punks, da Resistência Popular, do Coletivo 
Alternativa Verde e da Ação Local por Justiça Global, que ao meu
ver, eram os grupos mais organizados no ato.

Por volta das 13 horas, @s manifestantes se dirigiram em passeata pelo 
calçadão ao prédio do City Bank. Lá foram pronunciadas
algumas palavras de ordem.

Logo depois, o protesto seguiu para o prédio da  Federação das Industrias do 
Estado de São Paulo - FIESP, com alguns manifestantes
invadindo e parando o trânsito de uma mão da Avenida Paulista. A partir daí a 
polícia interveio com violência, tentando retirar @s
manifestantes da rua. Muitos manifestantes gritavam: “a rua é do povo, vamos 
ocupar”. Neste momento, um grupo de ativista do CAVE
abriu uma faixa de 10 metros contra a instalação da termelétrica em Cubatão. 
Rapidamente, e de surpresa, um policial desferiu um golpe
de cacetete certeiro na cabeça de um membro do CAVE, que ficou tonto por uns 
segundos. Ele teve a cabeça aberta e o nariz lesionado.
Até o óculos que usava foi quebrado.

Sem se intimidar, alguns manifestantes partiram para cima dos policiais, se 
estabelecendo o primeiro conflito, com muita troca de socos,
empurrões e bate-boca.

Na confusão, @s manifestantes invadiram o prédio da FIESP e derramaram tinta 
vermelha na entrada do edifício. Além de picharem a
fachada do prédio.

Neste instante, o número de policiais girava em torno de 100 ou 150. Mas como 
o número de manifestantes era bem superior,
rapidamente a polícia pediu reforço, para a Tropa de Choque, que estava armada 
até os dentes, com helicóptero e um carro lança água.

Com o conflito estabelecido, @s manifestantes caminharam até o prédio do Banco 
Central. Por um momento, cerca de 30 minutos, o
conflito se acalmou, com um coronel da PM tentando negociar com @s 
manifestantes a liberalização da Avenida Paulista, que já tinha
uma de suas mãos paralizadas há mais de duas horas. Até aí já haviam sido 
presas dezenas de pessoas e baixas dos dois lados.
Várias pessoas saíram com cortes na cabeça por golpes da polícia. Mas muitos 
policiais também. No conflito, uma menina foi atingida
no olho por uma bala de borracha.

Com a chegada da Tropa de Choque, o conflito voltou de forma ainda mais 
violenta. A Avenida Paulista parecia, na verdade foi
transformada num verdadeiro campo de guerra. Sirenes, viaturas, gás 
lacrimogêneo, correria, enfrentamentos, pedradas e pessoas feridas
era a marca do ato.

Enquanto centenas de manifestantes “brigavam” com os policiais, mais algumas 
centenas iam destruindo com pedradas as fachadas
envidraçadas de vários bancos ali instalados. Foram danificados os Banco 
Bradesco, Itaú, Nossa Caixa, Banco Central, um Mc Donald’s,
um Bob’s e algumas lojas da moda. Até alguns automóveis importados que 
passavam do outro lado da pista, foram atacados pelos
manifestantes.

Um fato curioso que presenciei na manifestação, foi quando um partidário do PC 
do B ergueu uma bandeira do Brasil e gritou umas
palavras de ordem contra o FHC e o FMI. Imediatamente um anarquista tomou a 
bandeira do sujeito e logo depois queimou-a, juntamente
com uma bandeira dos EUA e um “garrafão” da Coca-Cola, numa fogueira armada no 
meio da avenida.

Por volta das 16 horas, @s manifestantes começaram a se dispersar , já que o 
local estava tomado de policiais. Naquele momento
existia, por volta de 60 pessoas presas, a maioria punks, que eram alvo fáceis 
de identificar, por sua vestimentas.

Confesso que nunca tinha visto em São Paulo tamanha repressão e resistência 
das pessoas. Sinceramente acho que vou ter que levar
alguns dias para me recuperar de tamanha adrenalina e tesão. 

Dizem que temos que viver a vida intensamente. Pois é, hoje, vivi 
intensamente, resistindo e atacando aqueles que nos humilham
diariamente. Afinal, como diz uma zapatista, “percebi que minha vida só seria 
diferente da vida da minha mãe se eu lutasse; eu já não
tinha mais nada a perder”. Acho que é isso, eu não tinha nada a perder.

O Anarquismo vive! A luta continua!!!

Moésio Rebouças

Agência de Notícias Anarquistas-ANA




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