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From Moésio Rebouças AGENCIA DE NOTICIAS ANA <mrs.ana@uol.com.br>
Date Tue, 24 Apr 2001 12:20:56 -0400 (EDT)


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
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São Paulo, 22 de abril de 2001 no maldito calendário cristão.  

É com tristeza que lhe escrevo depois de tanto tempo.
Faço isso num momento em que amig@s estão feridos e há muita 
insegurança por parte de todos.
Me refiro à truculenta investida da tropa de choque contra os 
manifestantes na av. Paulista em São Paulo.
Ouvi alguns relatos de universitários e vou agora transmiti-los da 
maneira que posso.
O amigo K esteve nas garras dos fardados, ele estava na lihna de frente 
com escudo de plástico protegendo os demais que corriam e se 
atropelavam. Resistiu tempo demais antes de correr com os demais e 
acabou preso quando dois dos fardados pararam de bater e lhe seguraram 
pelos braços.
Levaram-no pro camburão e quando estavam engaiolando ele, outros amigos 
e amigas investiram contra a tropa possibilitando que ele escapasse. 
Sem saber como, uma hora ele estava no camburão e um segundo depois 
estava correndo pela rua sendo chingado por seguranças do unibanco. Um 
destes guardinhas do unibanco tentou lhe prender a força de pontapés e 
ele disse que depois de tudo foi este cretino quem mais lhe feriu: 
esfoliações na canela e no joelho esquerdo.
O amigo W não teve a mesma sorte, apanhou muito dos palhaços e se 
defendeu acertando a cabeça de um comandante com uma pedra ( os 
comandantes não usam capacete), depois do que ele ficou cercado e 
sozinho. Apanhou mais do que antes e isso resultou ematomas graves e 
muitos pontos ( não posso precisar por que ele saiu da cidade e não 
consegui-mos vê-lo). O amigo W foi levado prá cadeia e junto com outros 
três apanhou muito num pequeno corredor, neste tempo temos relaato de 2 
outros manifestantes que sairam de lá direto pro hospital pois os 
cortes na cabeça nào paravam de sangrar. Uma terrível experiência que 
resultou num processo medonho e imbecil de "formação de quadrilha". O 
que é fantasioso porque ele age sempre sozinho, é sujeito de poucos 
amigos e se há alguma quadrilha é uma quadrilha de 2, ele e a namorada.
A amiga Y foi surpreendida pelos meganhas e não pôde correr devido a 
uma dificuldade de locomoção, ela sofreu um acidente de carro ha um ano 
e sua perna ainda não está totalmente reabilitada. A amiga Y não 
coseguiu correr tão bem e muitos monstros acertaram ela com os 
cacetetes. O pior foi o corte no supercílio, 4 pontos, que deve deixar 
uma marca profunda da violência policial pro resto de sua vida. Os 
únicos a lhe ajudarem enfrentando os policiais foram alguns Punks que 
depois não foram encontrados e que não sabemos sequer os nomes (A eles 
e a todos os punks que atuaram com muita sabedoria no evento contra a 
ALCA fica minha profunda solidariedade e o desejo de aprender com estes 
a arte da resistência pacífica porém enérgica). 
Os punks levaram Y para o vão livre do MASP e ela parecia segura lá, 
então, estes grandes companheiros Punks voltaram ao combate sem saber 
que alí no vão livre a amiga ia sofrer uma vez mais a violência 
policial apanhando muito embora estivesse ferida e não tivesse como se 
defender. Episódio revoltante!
Temos ainda informação de que o quebra-quebra em um Mc Donald foi 
iniciado por policiais tentando prender punks e que esta atitude foi 
estranha, como se eles tivessem ordem pra quebrar o lugar culpando 
assim os manifestantes...
Muit@s amig@s foram pisotead@s na fuga. E não há quem não tenha algum 
machucado pra mostrar. Há quem enfraqueça agora dizendo que não vai 
mais a manifestações na paulista, tem medo, e isso é um problema porque 
enfraquece nossos movimentos.
Precisamos rever muitas coisas, inclusive as práticas de ação direta 
vindas dos EUA e d Europa que não funcionam onde o policial é 
inescrupuloso e tem ordem de ferir qualquer pessoa que vier pela 
frente. Aqui não dá pra brincar de polícia e Ladrão, alguém pode 
desaparecer para sempre nas garras dos defensores do estado.
Há o relato de pessoas que estavam passando e apanharam também, o que 
mostra que os insanos não tinham nenhuma lógica a não ser descer o 
cacete pra todo o lado e fazer um show de terror para intimidar aqueles 
que vão contra o Estado, a Propriedade, a dominação de uns por outros. 
A luta ainda está só começando e este é um começo tímido.
Todo o apoio aos punks que figuram em todos os relatos como aqueles que 
souberam agir diante da brutalidade. Houve quem dissesse que eles 
enfrentavam os policiais tão vivamente e sem medo que faziam os 
Meganhas relutar em avançar. 'Há uma arte punk que intimida os Monstros 
e isso deve ser ensinado aos demais manifestantes. Obrigado mais uma 
vez aos punks!
Saudações Libertárias
 
Pedro





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