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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #12-26 - Entre chapas de metal e papelão. Torretta Antonacci: morrendo de lama e abandono (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Fri, 22 May 2026 08:07:01 +0300
Em Torretta Antonacci, na zona rural de San Severo, as pessoas continuam
a morrer. Não por destino, não por acaso, mas dentro de um sistema que
há anos gera exploração, precariedade e abandono. Alagie Singath
completou 29 anos no dia 2 de abril. Ele morava na favela de Torretta
Antonacci havia cinco anos. Cinco anos trabalhando nos campos de Foggia
e esperando por uma autorização de residência que nunca chegou. Cinco
anos entre chapas de metal e papelão, em condições que nenhuma sociedade
que se preze deveria tolerar. Ele foi encontrado enforcado em seu
barraco. Suicídio, dizem. Mas é difícil falar em escolha individual
quando uma vida fica suspensa por anos em meio à exploração do trabalho,
à negação de direitos e à total falta de perspectivas.
Sua morte ocorre em um contexto já marcado pela violência e pelo
abandono. Apenas duas semanas antes, no mesmo gueto, um homem havia sido
morto a marteladas durante uma briga. Em seguida, veio o mau tempo:
fortes chuvas transformaram a área num lamaçal, submergindo barracos e
tornando intransitável a única estrada de acesso. Centenas de pessoas
ficaram isoladas, sem ajuda e sem rota de fuga.
Não sabemos se existe uma ligação direta entre a inundação e as ações de
Alagie. Mas sabemos que o contexto é o mesmo: uma existência frágil,
exposta a tudo, onde basta muito pouco para que a situação se agrave.
Nos mesmos dias, na zona rural de Manfredonia, um jovem trabalhador
rural ficou preso no carro durante a cheia do rio Cervaro. Foi resgatado
pelos Carabinieri. Uma história com um final feliz, mas que diz muito:
para ser salvo, é preciso ser visto, interceptado e resgatado. Nos
guetos, isso raramente acontece.
Em Torretta Antonacci, nada disso é novidade. As condições de vida são
conhecidas há anos. Há muito se fala em verbas destinadas à eliminação
de assentamentos informais, mas elas nunca foram efetivamente
utilizadas. Queixas, promessas e discussões técnicas se sucedem. Mas os
barracos permanecem, e com eles a precariedade.
Não estamos diante de uma emergência, mas de um modelo. Um sistema
agrícola que depende de mão de obra migrante, flexível e vulnerável à
chantagem. Um sistema que repassa os custos de vida para os
trabalhadores: moradia, segurança, saúde. Um sistema que exige
invisibilidade para funcionar.
Nesse contexto, a precariedade jurídica é crucial. Sem documentos, não
há acesso a trabalho regular. Sem residência, não há serviços, saúde ou
direitos. A vida permanece suspensa, sempre à beira do colapso.
Quando se morre congelado no inverno, ou soterrado na lama durante uma
enchente, ou na solidão de um barraco, esses não são eventos isolados.
São diferentes expressões do mesmo mecanismo.
Em Torretta Antonacci, a lama secará. Os barracos serão reconstruídos.
Os trabalhadores voltarão aos campos. E tudo continuará como antes.
A questão não é o que aconteceu. A questão é por que continuamos a
aceitá-lo.
Totò Caggese
https://umanitanova.org/tra-lamiere-e-cartone-torretta-antonacci-morire-di-fango-e-di-abbandono/
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