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(pt) US, BRRN: Organização Socialista Libertária - Organização Socialista Libertária (Brasil) VI. (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Sat, 8 Aug 2026 08:26:57 +0300


1. A OSL é uma formação recente, mas é composta por militantes experientes da FARJ, OASL, RL e COMPA. Dentro da OSL, esses grupos mantêm suas identidades distintas ou se fundiram oficialmente para se tornarem capítulos federais da OSL? Se sim, o que esse processo de fusão envolveu?
OSL: A OSL foi formada precisamente por meio de um processo de fusão organizacional entre essas organizações e coletivos. Nosso entendimento era de que, para avançar na construção de uma organização política anarquista nacional, não bastava manter apenas uma relação de coordenação entre organizações autônomas; era necessário construir uma estrutura organizacional comum, com uma unidade ideológica, teórica, estratégica e tática mais profunda. Em nossa visão, essa coordenação de organizações autônomas ou relativamente autônomas, que existia dentro da CAB, era um fator que impedia a construção efetiva de uma organização anarquista nacional.

Por essa razão, a FARJ, a OASL, a RL, a COMPA e outros grupos militantes decidiram deixar de existir como organizações políticas separadas para formar uma única organização nacional: a OSL. Naturalmente, continuamos a reconhecer os diferentes legados históricos, experiências regionais e trajetórias políticas que cada uma dessas organizações construiu ao longo dos anos. Esses legados permanecem fundamentais para a construção coletiva da OSL.

Contudo, em termos organizacionais, já não operamos como uma federação de grupos autônomos, cada um preservando suas próprias linhas. Nossas células e regiões locais tornaram-se parte de uma única estrutura nacional, funcionando sob uma estrutura organizacional comum, com instâncias unificadas, linhas políticas compartilhadas e mecanismos coletivos de tomada de decisão e responsabilização.

Esse processo de fusão envolveu vários anos de convergência política e organizacional. Pelo menos desde 2021, nossa seção regional da então CAB (Sudeste-Centro-Oeste) já funcionava na prática de forma altamente integrada, unificando processos internos, coordenação política, formulações e frentes de trabalho. Essa experiência

demonstrou concretamente as vantagens de passar da coordenação para uma organização política unificada.

As diretrizes gerais da OSL foram elaboradas durante as diferentes etapas do nosso primeiro congresso (I CONOSL), onde debatemos e decidimos sobre questões relacionadas à estrutura organizacional, estratégia, teoria, programa e expansão nacional. Entendemos esse processo como parte de um esforço para amadurecer o anarquismo brasileiro e construir um instrumento político mais homogêneo e coerente, capaz de intervir consistentemente na luta de classes brasileira.

2. Vamos discutir o dualismo organizacional. Os grupos que se uniram para formar a OSL são bem conhecidos por seu trabalho em receber, articular e transmitir o conceito organizacional-estratégico de especifismo - o exemplo mais conhecido sendo o Anarquismo Social e Organização da FARJ.

Realizamos esta entrevista no centenário da publicação da Plataforma pelo Grupo Dielo Truda. Embora tanto o especifismo quanto o "plataformismo" sejam expressões do dualismo organizacional, frequentemente surgem questionamentos sobre as semelhanças ou diferenças enfatizadas em cada abordagem. A OSL considera essas diferenças puramente artificiais e estéticas? Ou existe uma divergência substancial entre elas?

OSL: Entendemos que o especifismo e o plataformismo são expressões históricas distintas da mesma tradição anarquista: o dualismo organizacional, cujas origens remontam a Bakunin e à experiência da Aliança. Ambos defendem a necessidade de uma organização anarquista específica com unidade teórica, ideológica, estratégica e tática, atuando de forma complementar aos movimentos populares e de massa.

Para nós, as diferenças entre especifismo e plataformismo não são meramente artificiais, nem constituem divergências irreconciliáveis. Elas dizem respeito, sobretudo, às condições históricas e regionais em que essas experiências se desenvolveram. O plataformismo emergiu no contexto europeu após a Revolução Russa, particularmente a partir da experiência do Grupo Dielo Truda e da análise crítica do fracasso anarquista diante do bolchevismo. O especifismo, por outro lado, desenvolveu-se principalmente na América Latina, liderado pela Federação Anarquista Uruguaia (FAU), incorporando reflexões sobre imperialismo, dependência e estratégias de integração social em países periféricos.

A OSL reivindica ambas as tradições como herdeiras legítimas do dualismo organizacional anarquista de origem aliançada. Consideramos que existem mais convergências do que divergências entre elas e buscamos justamente sintetizar suas contribuições históricas, organizacionais e estratégicas em uma proposta adequada à realidade contemporânea brasileira e latino-americana.

3. De que forma a Plataforma influencia a teoria, a prática e/ou a estrutura organizacional da OSL?

OSL: A Plataforma do Grupo Dielo Truda possui importância histórica fundamental para o nosso contexto atual, especialmente porque sistematizou claramente princípios organizacionais que já estavam presentes em experiências anteriores de anarquismo revolucionário. Sua defesa da unidade teórica, tática e estratégica, da responsabilidade coletiva e do federalismo contribui diretamente para a nossa concepção organizacional.

A OSL entende a organização anarquista como uma organização política programática. Entendemos que, sem unidade e coerência orgânica, os anarquistas tendem à dispersão e à incapacidade de influenciar os processos reais da luta de classes.

Buscamos articular a Plataforma com as contribuições do especifismo latino-americano, especialmente as da FAU, que se aprofundaram em questões relacionadas à integração social, ao trabalho de massa e à necessidade de construção sustentada do poder popular em contextos periféricos e dependentes.

Assim, a Plataforma influencia nossa estrutura organizacional nacional, nossa compreensão do papel da organização anarquista específica e nossa defesa de um projeto revolucionário baseado na autogestão, no federalismo e na luta de classes.

4. A OSL propõe o conceito de Materialismo Libertário como uma alternativa tanto ao idealismo/pós-modernismo quanto à concepção clássica de Materialismo Dialético. Você poderia articular brevemente a estrutura dessa análise?

OSL: Nossa concepção de materialismo - ou realismo libertário - busca construir uma teoria social libertária capaz de interpretar a realidade contemporânea sem cair nas limitações do marxismo clássico ou nos problemas do pós-modernismo e do pós-estruturalismo.

Por um lado, consideramos necessário superar aspectos problemáticos do marxismo, especialmente suas tendências economicistas, deterministas e estatistas, bem como a identificação histórica entre socialização e nacionalização (sociedade e Estado) que caracterizou grande parte da experiência do chamado "socialismo real". Compreendemos também que certas formulações de "materialismo histórico" ou "materialismo dialético" acabaram por cristalizar interpretações excessivamente rígidas da realidade social.

Por outro lado, rejeitamos o avanço contemporâneo do pós-modernismo e do liberalismo progressista em amplos setores da esquerda. Consideramos problemáticas a fragmentação das análises sociais, a negação da centralidade da luta de classes, o relativismo epistemológico e a substituição de perspectivas estruturais por abordagens exclusivamente discursivas ou baseadas na identidade.

Nosso materialismo libertário busca afirmar uma ciência e uma razão críticas, articulando classe, raça/etnia, gênero/sexualidade e nacionalidade dentro de uma perspectiva estrutural e baseada em classes. Buscamos construir nossa própria teoria social libertária, fundamentada em autores anarquistas clássicos e contemporâneos, capaz de orientar estrategicamente nossa prática política e nosso projeto revolucionário.

5. Em que áreas de organização de massa ou de base a OSL prioriza ou se envolve atualmente?

OSL: A OSL atua em diversas frentes de organização popular e trabalho social, buscando fortalecer a auto-organização das classes oprimidas e construir um projeto de poder popular com caráter socialista e libertário.

Estamos envolvidos em movimentos operários, comunitários, estudantis, agrários e territoriais, bem como em iniciativas relacionadas à luta pela moradia, à organização na periferia e a diversas formas de mobilização popular. Entendemos que os movimentos populares constituem o terreno fundamental da luta de classes e que é a partir deles que podem emergir processos reais de transformação social.

Nosso trabalho busca fortalecer as práticas de democracia de base, ação direta, independência de classe, combatividade e autogestão. Defendemos também a necessidade de acumulação política e organizacional a longo prazo, entendendo que a transformação revolucionária requer um processo prolongado de construção de poder social.

Além disso, avançamos na expansão do alcance organizacional da OSL para diferentes regiões do Brasil, buscando construir uma organização nacional efetivamente enraizada nas lutas concretas das classes oprimidas.

6. A corrente do "anarquismo organizado" parece estar crescendo em todo o mundo, inclusive na América do Sul. A que você atribui esse fenômeno?

OSL: Antes de mais nada, é importante notar que o termo "anarquismo organizado" pode ser enganoso. Isso porque ele tem pelo menos dois significados. Por um lado, pode se referir unicamente à ala organizacionalista do anarquismo (que se opõe aos antiorganizacionalistas) e, nesse sentido, anarcossindicalistas, sintetistas e outras correntes também seriam incluídos, já que também defendem a organização (embora em formas diferentes das nossas). Por outro lado, várias organizações que se inspiram em nossa tradição (de alianças, plataformistas e especistas) usam o termo "anarquismo organizado" para se referir à nossa corrente. Nesse caso, anarquismo organizado e nossa corrente seriam sinônimos. É sempre bom fazer essa distinção, porque não defendemos a "organização" em si; defendemos uma forma específica de organização, que difere de outras, como o anarcossindicalismo e o sintetismo, por exemplo.

Em todo caso, acreditamos que esse crescimento organizacional do anarquismo está relacionado a diversos fatores históricos e políticos. Em primeiro lugar, há uma crise prolongada das formas tradicionais de esquerda, especialmente das experiências social-democratas e marxistas-leninistas, que em muitos casos demonstraram profundas limitações, tanto estratégicas quanto organizacionais.

Ao mesmo tempo, os efeitos dos problemas do capitalismo de Estado - o aprofundamento das desigualdades, a precariedade do trabalho, a ascensão do autoritarismo, as guerras, a destruição ambiental e a intensificação das formas de dominação - trouxeram à tona novamente a necessidade de alternativas revolucionárias.

Entendemos que este ainda é um processo modesto, dada a magnitude dos desafios em questão. Mas acreditamos que este fortalecimento internacional do "anarquismo organizado" expressa uma tentativa de reconstruir uma alternativa socialista, revolucionária e libertária, enraizada nas lutas concretas das classes oprimidas.

Em comparação com outras correntes do socialismo, percebemos um recuo do anarquismo e de todas as expressões revolucionárias do socialismo. Internacionalmente, paralelamente à ascensão da extrema-direita, observa-se também um aumento de expressões altamente centralizadas e autoritárias do socialismo. No Brasil, isso é visível, e ainda não dispomos de uma análise aprofundada para explicar esse fenômeno. Contudo, no que diz respeito ao anarquismo e ao movimento revolucionário, acreditamos que o anarquismo organizado cresceu e se consolidou como uma alternativa socialista libertária aos desafios da luta de classes.

https://www.blackrosefed.org/platform-100-interviews-vol-1/#organizacao-socialista-libertaria-libertarian-socialist-organization-brazil
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