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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #6-26 - Olimpíadas de Uniforme. Quando o Esporte se Torna uma Engrenagem do Estado (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Tue, 3 Mar 2026 07:51:46 +0200


Dizem que as Olimpíadas são uma celebração do povo. Falam de fraternidade, paz, mérito e sacrifício individual. Mas por trás das bandeiras tremulando e dos hinos nacionais, a realidade é outra: o esporte de alto nível é, cada vez mais, um setor integrado ao aparato estatal e militar. Não uma esfera livre e popular, mas um instrumento de propaganda, recrutamento e disciplina. Na Itália, o fenômeno é evidente para todos, mesmo que raramente seja questionado. Nas Olimpíadas de Paris de 2024, mais de 70% dos atletas italianos - mais de 280 de 403 - estavam inscritos em grupos esportivos militares ou policiais. Exército, Carabinieri, Guardia di Finanza, Polícia Estadual: as medalhas são contadas em uniforme. Isso não é um detalhe administrativo. É um fato político.

O Atleta como Funcionário do Estado

A Itália emprega aproximadamente 2.500 atletas, treinadores e gestores em suas forças armadas e policiais. Em muitos casos, o alistamento não é uma escolha ideológica, mas uma necessidade material: sem o uniforme, não há salário, não há continuidade de treinamento, não há cobertura da previdência social. A mensagem é clara: se você quer competir em alto nível, precisa se alistar.

O esporte, portanto, deixa de ser um espaço autônomo e se torna um braço do aparato estatal. O atleta se torna um funcionário público, enquadrado em estruturas hierárquicas, sujeito à disciplina militar, inserido em um sistema cujo objetivo final não é a emancipação coletiva, mas o prestígio nacional.

Essa transformação não é nova. Durante a Guerra Fria, os regimes do bloco soviético desenvolveram o modelo de "atleta estatal" como ferramenta de competição geopolítica. Mas hoje, em pleno capitalismo avançado, testemunhamos uma convergência paradoxal: modelos formalmente opostos se encontram unidos na mesma lógica de controle e nacionalização do esporte. Rússia, China, Alemanha e muitos outros países mantêm estruturas esportivas vinculadas às forças armadas. A Itália não é uma exceção folclórica: é um dos casos mais estruturados da Europa Ocidental.

Nacionalismo, disciplina, propaganda

O problema não é o apoio público ao esporte. O problema é que tipo de apoio é esse, e com que lógica.

Quando o esporte é inserido nas forças armadas e na polícia, inevitavelmente se entrelaça com a cultura da obediência, da hierarquia e do nacionalismo. As medalhas se tornam instrumentos de poder brando. Os atletas se tornam símbolos a serem exibidos em desfiles institucionais. A retórica do sacrifício esportivo se sobrepõe à do sacrifício militar.

Em um contexto em que os gastos com defesa crescem em todos os lugares e em que a corrida armamentista se tornou novamente uma prioridade política, a absorção do esporte pelas forças armadas assume um significado ainda mais perturbador. As mesmas organizações que gerenciam o treinamento e o armamento também financiam academias e pistas de atletismo. A linha divisória está se tornando tênue. Não é coincidência que muitas modalidades historicamente apoiadas por grupos militares sejam aquelas que servem a uma certa ideia de virilidade e força nacional: tiro, esgrima, atletismo, esportes de inverno. Enquanto isso, os esportes de base, aqueles dos subúrbios, academias populares e associações autogeridas, sobrevivem com financiamento insuficiente e insegurança crônica.

Uma falsa alternativa: alistar-se ou desistir

Esse mecanismo cria uma profunda distorção. Aqueles que não ingressam em grupos esportivos militares permanecem marginalizados. Patrocinadores privados são poucos e distantes entre si, concentrando-se nos esportes com maior visibilidade na mídia. As federações não garantem apoio suficiente. Assim, o alistamento torna-se quase obrigatório. É uma forma de cooptação estrutural: o Estado absorve talentos oferecendo segurança econômica em troca de filiação. Coerção explícita não é necessária; a insegurança generalizada basta. O resultado é uma dupla desigualdade: por um lado, entre atletas "fardados" e atletas civis. Por outro, entre esportes apoiados pelo aparato estatal e esportes deixados à própria sorte. O mérito esportivo é filtrado por um sistema institucional de acesso. Nesse contexto, o Olimpismo perde qualquer pretensão de neutralidade. Bandeiras não representam povos, mas Estados. Hinos não celebram comunidades, mas aparatos de poder.

Reivindicando um esporte social e autogerido

Se o esporte pretende ser verdadeiramente um espaço de emancipação, ele precisa ser libertado da lógica militar e nacionalista. Não se trata de privatizar, mas sim de socializar.

Os recursos públicos atualmente canalizados para as forças armadas poderiam financiar diretamente: associações esportivas amadoras independentes, com bolsas de estudo e salários para atletas sem a obrigação de alistamento; instalações esportivas comunitárias autogeridas, acessíveis gratuitamente ou a custos simbólicos; programas locais inclusivos que priorizem a participação em massa em vez de espetáculos olímpicos; redes de cooperação entre clubes esportivos, livres de hierarquias militares e controles policiais.

Ao mesmo tempo, um debate radical deve ser aberto sobre o próprio modelo de competições internacionais. Por que continuar organizando o esporte em torno de nações-estado rivais? Por que não imaginar federações transnacionais, representações territoriais, equipes mistas?

Um esporte libertado não é um esporte sem organização. É um esporte livre da lógica do comando.

Contra as Olimpíadas de uniforme

A questão não é a boa-fé dos atletas individualmente, que muitas vezes não têm alternativas reais. Ela diz respeito à estrutura que os envolve. Enquanto o caminho para a elite esportiva passar pelo alistamento, o esporte permanecerá uma engrenagem do aparelho estatal. Enquanto as medalhas forem consideradas troféus nacionais, o Olimpismo será uma competição entre potências, não entre pessoas. Devolver o esporte à sociedade significa desarmá-lo. Significa separá-lo dos quartéis, das delegacias e da lógica do prestígio geopolítico. Significa trazê-lo de volta aos bairros, às escolas e às academias comunitárias.

O esporte pode ser cooperação, mutualismo e crescimento coletivo. Mas somente se parar de marchar em uníssono.

Parpajon

https://umanitanova.org/olimpiadi-in-divisa-quando-lo-sport-diventa-un-ingranaggio-dello-stato/
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