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(pt) France, Monde Libertaire - A Extrema Direita Trabalha para o Longo Prazo (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]

Date Wed, 31 Dec 2025 07:32:34 +0200


Vamos tentar ir além das afirmações superficiais e jornalísticas de que a extrema direita surgiu no cenário político francês apenas durante as eleições legislativas de 1986. Este movimento político complexo e multifacetado tem raízes muito mais profundas. Baptiste Roger-Lacan lidera uma equipe de pesquisadores e historiadores encarregados de analisá-lo no livro *Uma Nova História da Extrema Direita (França 1780-2025)*, publicado pela Seuil. O próprio título revela que essa história remonta ao Antigo Regime; os movimentos anti-Iluminismo surgiram já em 1750, e a solidariedade aristocrática, diante das tentativas de inovação, defendeu a primazia dos privilégios e a exclusividade da vocação militar. Montesquieu descreveu-a como uma "conspiração contra o Terceiro Estado".

O termo "extrema direita" é percebido como um estigma por aqueles a quem se aplica. Surgiram controvérsias sobre este assunto. Deparamo-nos com uma direita radical e contrarrevolucionária que rejeita a noção de igualdade e o conceito de liberdade individual, proclamando, em vez disso, uma ordem natural imutável, muitas vezes baseada em considerações religiosas. Ela frequentemente se alimenta de mitos conspiratórios. O Abade Barruel criou o mito da conspiração maçônica por trás da Revolução Francesa, e hoje o romancista Renaud Camus promove a teoria da "Grande Substituição" para vender seu livro homônimo. Antimodernos, reacionários e hostis ao progresso, esses extremistas podem se revelar tecnófilos, distinguindo entre progresso tecnológico e social. Em todo caso, eles nunca desistem. Sua imprensa clama pela regeneração da França, mesmo que isso leve a assassinatos como o de Jean Jaurès por Raoul Villain. Algumas publicações denunciaram o partido dos estrangeiros e antipatriotas, chegando até mesmo à colaboração mais descarada, como o jornal Je suis partout.

Nostalgia antirrevolucionária

Este livro, Uma Nova História da Extrema Direita, desdobra um fascinante panorama histórico, revelando períodos esquecidos e comportamentos pouco conhecidos, particularmente durante a Restauração, alimentados por uma nostalgia antirrevolucionária que beirava o ridículo com a coroação de Carlos X em Reims. O leitor testemunhará a influência dos monarquistas ao longo do século XIX, inclusive na Câmara dos Deputados. Uma nova restauração foi evitada por pouco após 1871. O Conde de Chambord exigiu a bandeira com a flor-de-lis, provocando o descontentamento do Papa, que comentou: "Toda essa confusão por causa de um guardanapo!". Esse mesmo papado, então, assumiu o manto da reação com a publicação do Syllabus, um símbolo das doutrinas reacionárias da Igreja.

Durante a Terceira República, a extrema-direita fomentou o antissemitismo, notadamente através da "França Judaica" de Drumont, do antiparlamentarismo, do boulangismo e do Caso Dreyfus, todos alimentados por escândalos como o do Canal do Panamá. Os debates tornaram-se cada vez mais violentos, particularmente no Parlamento. Organizações proliferaram para desestabilizar o regime. As páginas dedicadas à expulsão de "estrangeiros", reflexões sobre raça, anticomunismo e a rejeição da Maçonaria - todas inspiradas por Maurras - prenunciaram a França de Vichy. A tentação do fascismo e do nazismo era generalizada. Vichy representava a vingança contra o passado revolucionário e suas reformas. A ideia de uma Revolução Nacional ganhou força, excluindo, marginalizando e destruindo mecanismos legais de proteção. A colaboração com a Milícia e a Legião de Voluntários Franceses culminou na Divisão SS Carlos Magno, que defendeu o bunker de Hitler. Contudo, após a guerra, essa extrema-direita se viu como vítima e mártir. A negação do Holocausto surgiu já em 1947. Também se baseou na defesa do império colonial, reciclando figuras dentro do aparato político e administrativo do país e aproveitando-se de anistias.

A Ascensão ao Poder

Mais tarde, após maio de 1968, desenvolveu sua aliança com interesses empresariais. E então, como sabemos melhor, a ascensão ao poder da Frente Nacional, da Nova Direita e da Reunião Nacional (uma fórmula pétainista). Pequenos grupos capitalizaram uma suposta contracultura identitária graças às novas mídias. Alianças foram exibidas sem pudor.

E aqui estamos. A extrema-direita opera em uma base de longo prazo. A conjuntura internacional lhe dá suporte. Os autores deste livro desafiam claramente o leitor: "Seja qual for a área de estudo - história, sociologia ou ciência política -, a extrema-direita não é mais apenas um objeto de estudo; agora é um futuro possível." Eu acrescentaria: aceita, mesmo nos círculos contra os quais lutou.

* Obra coletiva editada por Baptiste Roger-Lacan
Uma Nova História da Extrema Direita (França 1780-2025)
Éditions du Seuil, 2025

https://monde-libertaire.net/?articlen=8719
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