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(pt) Italy, Umanita Nova #28-25 - O Despertar das Praças. Praticando a Solidariedade (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Tue, 18 Nov 2025 07:35:43 +0200
Da Flotilha à solidariedade com a Palestina: nas praças da Itália, uma
voz coletiva renasce, uma voz que os que estão no poder tentam
silenciar. Mas quando a sociedade se move de baixo para cima, o
anarquismo retorna à prática viva. ---- Há um novo ar soprando pelas
praças, escolas, locais de trabalho e até mesmo pelas menores cidades.
Há semanas, assistimos a um aumento nas marchas, manifestações e
assembleias. Não são as manifestações rituais ou desfiles partidários
habituais: são espaços vivos, onde as pessoas se olham nos olhos, onde
discutem, argumentam e constroem juntas. É o retorno de uma palavra que
por muito tempo pareceu enterrada sob os escombros da resignação:
auto-organização.
A "Flotilha", com sua coragem e determinação, teve o mérito de quebrar o
silêncio e reacender consciências. Ela impulsionou milhões de pessoas a
se posicionarem, a não permanecerem neutras diante da injustiça, a
escolherem um lado. Não é preciso se autodenominar anarquista para
sentir que, quando uma população sitiada é bombardeada e passa fome,
aqueles que se mobilizam estão realizando um ato de humanidade e
rebelião. Mas, para aqueles que vivenciam o anarquismo diariamente, essa
onda de participação é um sinal importante: a ação direta é novamente
percebida como natural, necessária e justa.
A solidariedade com a Palestina tornou-se o ponto de encontro para uma
conscientização mais ampla. Nas ruas, sente-se que a guerra em Gaza não
é apenas uma tragédia distante, mas um espelho de nossas próprias
opressões: controle, censura, desinformação, repressão policial. Quando
assembleias são proibidas nas universidades, quando manifestantes são
registrados, quando símbolos de solidariedade são criminalizados, a
liberdade não está sendo defendida: está sendo pisoteada. E, no entanto,
apesar de tudo, as ruas estão se enchendo.
Não é um retorno romântico ao passado, mas algo profundamente novo. As
novas gerações não esperam mais por mediadores; não confiam mais em
partidos ou líderes. Eles vão às ruas porque sentem que é o único lugar
onde sua voz realmente importa. E junto com eles retornam rostos que não
viam há anos: os que trabalham, os que estudam, os que buscam um futuro,
os que sempre resistiram. É um encontro de experiências diversas, uma
fusão que gera força e inteligência coletivas.
Esse despertar não vem do nada. É o produto de anos de precariedade, de
desigualdade crescente, de um sistema político que esvaziou a palavra
"democracia" de significado. Mas quando a medida está cheia, algo se
rompe. O medo se rompe. O mito da delegação se rompe. Redescobrimos que
o poder pode e deve ser desafiado de baixo, diretamente, sem intermediários.
Nas assembleias populares que se multiplicaram nas últimas semanas, a
prática da escuta, do consenso e da construção coletiva está sendo
redescoberta. Não há uma palavra única, um centro que decida: é preciso
resgatar a palavra. E dentro dessa palavra coletiva, o anarquismo
reencontra espaço e significado. Não como uma ideologia imposta, mas
como prática concreta: solidariedade, mutualismo, autogestão.
A solidariedade não se exige: pratica-se. Demonstra-se, constrói-se,
vive-se. E quando milhares de pessoas se movimentam juntas, sem esperar
a permissão de ninguém, isso é ação direta. É o fio condutor que une a
Flotilha aos que estão em greve, aos que ocupam, aos que abrem espaços
sociais ou defendem um bairro. É a consciência de que nenhuma autoridade
jamais devolverá o que é nosso: devemos tomá-lo juntos, com inteligência
e determinação.
Hoje, na Itália, há algo semelhante à esperança novamente. Não ingênua,
não messiânica, mas humana e concreta. É o desejo de justiça que vem de
baixo e não pode mais ser ignorado. Se pudermos cultivá-lo, se pudermos
entrelaçar nossas lutas, talvez desta vez o vento não sopre em vão.
Totò Caggese
https://umanitanova.org/il-risveglio-delle-piazze-praticare-solidarieta/
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