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(pt) Brazil, UAF: A Fome é uma Invenção do Capitalismo: Da Mentira da Escassez à Luta pela Soberania Alimentar (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Tue, 11 Nov 2025 07:58:37 +0200
Reproduzimos o texto oriundo da conferência proferida no dia 03/10/2025:
---- A fome é sistematicamente apresentada como um problema técnico,
resultado de uma suposta falta de comida, ou como uma tragédia natural
decorrente de secas e guerras. Esta é a grande mentira que nos é
contada. Na realidade, a fome não é uma falha do sistema capitalista; é
uma de suas funcionalidades mais cruéis e brutais, a expressão máxima de
uma lógica que coloca o lucro acima da vida. ---- A prova mais
contundente dessa perversidade está no Brasil, um dos maiores produtores
de alimentos do mundo. Na safra de 2022/2023, o país produziu mais de
300 milhões de toneladas de grãos. Se essa produção fosse simplesmente
dividida pela população, cada brasileiro teria direito a mais de 4 kg de
comida por dia. No entanto, em meio a essa abundância obscena, 33
milhões de pessoas passam fome e 70 milhões vivem em insegurança
alimentar. Como é possível? A resposta é simples e direta: o sistema não
produz para alimentar; produz para lucrar.
Esta é a lógica perversa do capitalismo: a comida não é um direito, é
uma mercadoria. Seu valor primordial não está em nutrir pessoas, mas em
gerar acumulação de capital. É mais lucrativo para uma grande corporação
transformar milho em etanol ou ração para gado confinado do que garantir
comida barata para a população. O desperdício deliberado - jogar leite
fora ou deixar frutas apodrecerem - é uma estratégia de mercado para
manter os preços altos. Quem comanda esse sistema são cerca de 50
corporações globais, como Cargill, Bayer e Nestlé, que controlam a
produção, a distribuição e os preços dos alimentos. A comida está nas
mãos de quem quer sugar lucro, não nutrir vidas.
No Brasil, a face mais visível dessa máquina de gerar fome é o
agronegócio. Ele não produz comida; produz commodities para exportação.
Enquanto ocupa 75% das terras cultiváveis, é a agricultura familiar, que
usa apenas 23% da área, quem coloca a comida de verdade na mesa do
brasileiro, responsável por 70% do feijão, 58% do leite e 38% do café.
Ainda assim, o agronegócio recebe a esmagadora maioria dos subsídios e
créditos governamentais. O sistema, portanto, financia quem exporta
lucro, não quem alimenta o povo. E o faz através da expulsão de
comunidades tradicionais, do envenenamento da terra com agrotóxicos e da
destruição de biomas, consolidando-se como um projeto de morte.
O Estado, longe de ser um mediador neutro, atua como o gerente desse
capital. O desmonte de políticas públicas é uma escolha política. O
Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014 graças a políticas robustas
de apoio à agricultura familiar e distribuição de renda. Com o governo
posterior, essas políticas foram desmontadas, e o país retornou ao Mapa
da Fome em 2022. Isso não foi um acidente, mas a consequência direta de
um Estado que serve ao capital e joga com a vida do povo conforme os
interesses das classes dominantes. Programas bem-sucedidos como o PAA
(Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE, que direciona 30% da
alimentação escolar para a agricultura familiar, mostram que soluções
existem, mas são sempre os primeiros alvos quando o capital exige
austeridade.
Diante desse cenário, não basta denunciar. É preciso construir as
alternativas aqui e agora, sem depender do Estado ou das corporações. A
Ação Direta se materializa nas ocupações de terra do MST e outros
movimentos, que não são "invasões", mas a recuperação de terras roubadas
para um propósito social: produzir comida de verdade, sem veneno, de
forma cooperada. O Apoio Mútuo se concretiza nas cooperativas de
agricultura familiar, nas feiras livres, nas hortas comunitárias e nos
circuitos curtos de produção e consumo. Um exemplo prático é a ASTRAF no
Distrito Federal, que produz 40 toneladas de alimentos orgânicos por mês
e abastece diretamente as escolas públicas. Isso é soberania alimentar
na prática: o povo controlando o que produz e o que come.
Conclui-se, portanto, que a fome é uma arma política. É um instrumento
para controlar, disciplinar e fragilizar a classe trabalhadora. Um povo
com fome é mais fácil de manipular. O problema mundial nunca foi a falta
de comida, e sim a concentração de renda, terra, poder e lucro -
engrenagens do Estado e do Capital que fabricam a escassez. Nossa luta
não é por migalhas ou "mais políticas públicas". É por uma mudança
radical: pela terra livre, pelas sementes crioulas, pela autogestão das
comunidades e pelo fim do poder das corporações e do Estado. A fome é
uma invenção do capitalismo. E a nossa tarefa histórica é inventar, com
nossas próprias mãos, um mundo novo onde ela seja apenas uma lembrança
ruim. Pela terra, pela liberdade e pelo fim de toda a dominação!
Liberto Herrera.
União Anarquista Federalista - UAF
https://uafbr.noblogs.org/post/2025/10/04/a-fome-e-uma-invencao-do-capitalismo-da-mentira-da-escassez-a-luta-pela-soberania-alimentar/
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