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(pt) Spaine, Regeneracion: Carta de Apresentação de Liza Granada -- Por Liza (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Mon, 10 Nov 2025 08:39:15 +0200
Todo este processo, tanto o dos companheiros de Madri quanto o novo
caminho que se abre em Granada, nasce de uma análise compartilhada. Não
surge de um fetiche organizacional ou do desejo de estabelecer uma nova
sigla, mas de uma necessidade política. A necessidade de reconstruir um
anarquismo que, em seu estado atual e há muito tempo, perdeu sua
capacidade de intervenção real nas lutas sociais. Além disso, não
estamos sozinhos neste caminho. Em toda a Península Ibérica, surgiram
experiências semelhantes que, a partir da esperança e da
responsabilidade, buscam construir uma alternativa real para a classe
trabalhadora e para o futuro das gerações futuras. Esta reconstrução em
todo o país está ligada ao atual momento histórico do nosso movimento,
um momento em que a coragem de superar nossos próprios complexos e
preconceitos abre um horizonte até então desconhecido.
Viemos de anos de fragmentação, de esforços dispersos, de uma militância
que se esgota na impotência ou se refugia na complacência. No entanto,
sabemos que ainda existe um enorme potencial, uma energia latente
naqueles que se recusam a aceitar que o anarquismo seja apenas memória
ou identidade. Por muito tempo, o movimento anarquista funcionou sem uma
estratégia comum, sem um horizonte político compartilhado. Sem
mencionar, para ser mais linha-dura e realista, sem um horizonte
político de qualquer tipo. Cada grupo trabalhou em seu próprio pequeno
espaço, defendendo sua autonomia até o isolamento. Nos acostumamos à
política reativa, respondendo às ofensivas do poder sem a capacidade de
antecipá-las. Confundimos espontaneidade com estratégia, afinidade com
organização, autonomia com dispersão. Essa dinâmica nos levou a uma
forma cansada de militância: mais simbólica do que efetiva, mais reativa
do que proativa. Criamos ilhas de resistência que, embora necessárias,
raramente conseguiram se estender além de seus limites imediatos.
Na Europa, além disso, essa tendência tem sido constantemente
influenciada por seu zeitgeist: um ativismo pouco exigente e estético,
mais focado na autoafirmação e no empoderamento pessoal do que na
contestação do poder social. O anarquismo tornou-se, em muitos casos,
apenas mais uma subcultura dentro do cenário de protestos. Mas uma
subcultura baseada em identidade não é um sujeito político nem uma
alternativa emancipatória. Uma identidade não transforma as condições
materiais de existência. A pureza ideológica tem sido, na maioria dos
casos, uma espécie de refúgio discursivo para projetos que pouco ou nada
tinham a contribuir para os conflitos sociais. Essa suposta pureza levou
à imobilidade. Discussões baseadas em princípios e não em fatos
concretos, distanciando completamente a teoria da realidade social e das
condições objetivas.
Não se trata de negar o que construímos. A grande maioria de nós que
embarcamos nesse caminho vem de lá. As experiências de ocupações,
centros sociais, lutas de bairro e redes de apoio mútuo têm sido espaços
de aprendizado e resistência. Mas também revelaram seus limites. A falta
de continuidade, a ausência de uma linha política comum, a
impossibilidade de acumular força além de um momento específico. Elas
nos ensinaram que boa vontade e afinidade não bastam. Que estar certo
não basta, mas sim um consolo. E que, sem organização, toda energia se
dissipa. Formamo-nos, portanto, com a intenção de articular todas as
lições aprendidas e transformá-las em uma força organizada.
Dessas lições, Liza emergiu. Não como uma negação do que veio antes, mas
como uma tentativa de superar seus limites. Partimos de uma convicção
simples: o anarquismo precisa se recompor ideologicamente para se tornar
novamente uma força viva e não uma relíquia moral. Ele deve recuperar
suas raízes materialistas, sua perspectiva de classe, sua vocação
transformadora. O anarquismo não pode ser reduzido a uma soma de gestos
individuais ou a uma rejeição abstrata e reativa do poder. Ele deve se
repensar como um projeto político de emancipação total, como teoria e
prática de revolução social.
Recompor-se ideologicamente também significa recuperar uma ética
militante. Uma ética que não se reduz à coerência individual, mas se
expressa na responsabilidade coletiva. Militância não é consumo político
ou autoafirmação moral: é um compromisso sustentado com um projeto
comum. Ser um militante anarquista implica assumir uma disciplina
livremente acordada, cuidar dos espaços coletivos, educar-se, ser
responsável e construir confiança política. Não há revolução sem ética
militante, sem a convicção de que a liberdade individual só faz sentido
no contexto da responsabilidade compartilhada. Somos a força motriz do
mundo que desejamos criar.
Por isso, resgatamos a política prefigurativa do anarquismo, não como um
refúgio utópico, mas como uma prática cotidiana. Prefiguração não
significa se deixar absorver por microexperiências autogeridas, mas sim
demonstrar, em cada espaço de luta, que outra forma de organizar a vida
social é possível. A política prefigurativa é a união de meios e fins:
uma sociedade livre não pode ser construída por métodos autoritários ou
burocráticos. Mas também não basta reproduzir pequenos oásis de
horizontalidade. A prefiguração anarquista, entendida politicamente,
consiste em dotar as lutas populares de uma orientação emancipatória,
mostrando que a organização coletiva, a solidariedade e o apoio mútuo
não são simplesmente valores éticos, mas ferramentas de combate.
É por isso que falamos de ação política quando falamos em desenvolver
nosso programa no terreno. Ação política é intervenção consciente em
frentes de massa: nos sindicatos, nos bairros, nos centros de estudo,
nos movimentos sociais. Não para dirigi-los ou transformá-los em
apêndices anarquistas, mas para torná-los mais combativos, mais
democráticos, mais autônomos em relação ao Estado e ao capital. Nosso
papel não é substituir o povo, mas fomentar sua organização e sua
capacidade de luta. A ação política é a forma concreta pela qual a
organização anarquista se insere nas lutas reais, proporcionando
análise, estratégia e coerência. Sem essa intervenção, o anarquismo se
reduz a uma ideia sem substância, a uma moral sem força.
Nesse sentido, nosso compromisso organizacional é claro. A plataforma
anarquista não pretende ser apenas mais um espaço de afinidade ou
encontro informal. Ela nasce como uma organização política, com vocação
de continuidade, com uma estrutura que permite coordenar esforços e
definir uma estratégia comum. Militância não é ativismo espontâneo: é
compromisso político, responsabilidade, disciplina coletiva. E essa
exigência não é um ônus, mas uma condição de eficácia. Queremos
militantes que pensem, que estudem, que atuem de acordo com um plano
compartilhado. Não um conjunto de individualidades que ocasionalmente
coincidem.
Nossa ideia de organização não é centralista nem autoritária, mas tem
consciência de que a horizontalidade sem coordenação é impotente.
Estamos comprometidos com a formação política, a clareza ideológica e a
unidade tática. Cada frente de luta e contexto requer ferramentas
específicas, mas todas devem responder a uma estratégia comum. Porque
sem estratégia, todas as táticas permanecem vazias e se transformam em
um discurso inflamado de princípios abstratos.
Liza busca contribuir para uma recomposição mais ampla do movimento
libertário, tanto dentro quanto fora do Estado espanhol. Queremos
resgatar a ideia de que o anarquismo pode ser uma força de massa, não
uma minoria moral. Que pode organizar os trabalhadores a partir de uma
perspectiva libertária, sem delegar, sem cair no eleitoralismo ou no
niilismo. Que pode construir poder de classe e libertário, sem
reproduzir a lógica espontânea e reformista dos movimentos sociais e das
burocracias reformistas.
Nos vemos como parte ativa de um processo coletivo mais amplo de
reconstrução. Fazemos isso sabendo que somos companheiros de viagem ao
lado de outras tradições e tendências, oferecendo humildemente nosso
compromisso e disposição para um debate honesto. A plataforma é, em
suma, uma ferramenta para o pensamento estratégico e a ação coerente.
Uma organização onde ética, prefiguração e ação política se unem em uma
prática comum voltada para a transformação social.
Camaradas: viemos da derrota, mas não estamos condenados a ela. A
história do anarquismo mostra que, quando organizado e com ambição
política, pode transformar profundamente a realidade. Não somos
herdeiros de um passado glorioso, mas responsáveis por um futuro que
ainda não existe. Liza não é um ponto de chegada: é um ponto de partida.
Um compromisso com um anarquismo vivo, combativo e estratégico. Com uma
militância que não se contenta em resistir, mas se prepara para vencer.
Liza, Plataforma Anarquista de Granada.
https://regeneracionlibertaria.org/2025/10/20/carta-de-presentacion-de-liza-granada/
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