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(pt) Italy, Sicilia Libertaria #462 - USAI 2 - O Paraíso das Escolas "Paritárias" (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sat, 1 Nov 2025 08:54:22 +0200
Que perspetivas para os alunos? ---- Os rapazes e raparigas que se
matriculam em escolas privadas paritárias sentem um alívio imediato:
ambiente muito mais relaxado, carga de estudo reduzida ou até
inexistente, perceção de que serão certamente aprovados... é evidente
que sentem ter-se livrado de alguns problemas. Mas, uma vez fora desse
ambiente "protegido" - cujo imperativo é levá-los adiante a todo o
custo, sobretudo em função das mensalidades - que impacto poderão
sofrer? Sim, obterão um diploma legalmente reconhecido, mas que
competências - termo hoje tão abusado - terão realmente desenvolvido?
Com o tempo, muitos percebem que, embora possuam o papel na mão, ele foi
esvaziado do seu verdadeiro significado: um percurso de crescimento e
aprendizagem. Acabam por entender que a escola pública, apesar das suas
falhas inegáveis, talvez não fosse assim tão pior.
Como é possível que esses alunos passem o mesmo exame final do ensino
secundário que os das escolas públicas, dadas essas condições? Para
responder, é preciso partir do facto de que todos - alunos, professores
e proprietários - sabem que, se durante o exame aparecer um inspetor do
Ministério, haverá problemas. Na prática, essas inspeções ainda são
raras ou inexistentes, apesar das medidas anunciadas pelo governo. De
qualquer forma, todo o esforço é direcionado para levar o processo até
ao fim sem "sobressaltos". O presidente da comissão e os membros
externos nomeados colaboram frequentemente com os internos para apoiar
ao máximo os estudantes, mostrando grande "generosidade" na avaliação.
Mas para quê? A verdadeira pergunta seria: que sentido faria travar os
alunos na linha de chegada, depois de tê-los conduzido sem oposição até
ali, com a clara intenção de garantir que concluam? É raro, portanto,
que alguém decida contrariar isso.
Que perspetivas para os professores?
No meio de todo este caos, falta uma análise de um dos protagonistas
essenciais da escola: os professores das escolas paritárias.
Antes de mais, eles não são recrutados através das listas de
classificação oficiais utilizadas no ensino público. Isso já levanta
dúvidas sobre o que realmente significa "paritário" em relação ao
sistema estatal. Em vez disso, cabe ao proprietário da escola - ou ao
seu responsável de recursos humanos - analisar currículos, conduzir
entrevistas e contratar com base em critérios puramente discricionários.
Em suma, não há lista pública que valha; a escola privada apenas
verifica que o docente cumpre os requisitos mínimos.
Igualmente "pouco paritário" é o modo como os contratos são feitos: no
melhor dos casos, um contrato temporário até 30 de junho, como
colaboração coordenada e contínua, com pagamento "por presença", sem
férias pagas nem baixa médica, e com um salário líquido médio de 10
euros por hora. Caso emblemático foi o período da Covid, quando muitos
professores ficaram em casa e simplesmente não receberam nada por esses
dias de convalescença. No pior dos cenários, o "pagamento" é apenas em
pontos para subir nas listas de classificação provinciais. A Itália já
está entre os últimos países no pagamento dos professores do setor
público; aqui a situação é ainda pior. Num liceu, a carga máxima é de 18
horas semanais, o que significa cerca de 800 euros mensais no melhor dos
casos. E muitas vezes nem isso se atinge, porque muitas escolas privadas
têm poucas turmas, especialmente em disciplinas com poucas horas.
Perante condições contratuais assim, é inevitável questionar o sentido
de "paridade" se os próprios proprietários destas escolas acabam por
transmitir, indiretamente, que oferecem um serviço de baixa qualidade.
Caso contrário, não se explicaria tamanha disparidade face ao setor público.
E a atividade real de ensino? No atual contexto precário da escola
italiana, um contrato numa escola privada é muitas vezes uma das poucas
formas que os jovens professores têm para acumular pontos e experiência.
Os donos das escolas sabem disso e exploram-no. O que parece uma
oportunidade transforma-se em chantagem laboral: o empregador tira
partido do suposto "privilégio" de ajudar o professor a subir nas listas
públicas, tornando-o mais disposto a aceitar más condições na esperança
de um futuro melhor.
Quando, numa entrevista, se ouve: "Nesta escola não gostamos de notas
baixas", a mensagem é muito clara.
Se existe algo realmente "paritário" entre essas escolas e as públicas,
é o peso das responsabilidades colocado sobre os docentes. Aliás, as
privadas podem exigir ainda mais: além do trabalho pedagógico normal, há
o dever de proteger a imagem da escola como empresa. Aqui reside uma das
grandes distorções: os alunos são "clientes" - ou, mais precisamente, os
pais como clientes - que devem ser satisfeitos para garantir lucro. O
professor não é livre: independentemente da sua paixão ou inovação,
precisa alinhar com as metas empresariais, o clientelismo e a mensagem
implícita de que "seu filho vai avançar porque você está pagando". Para
quê resistir? Assim, todos são aprovados; as notas são deliberadamente
inflacionadas para garantir a progressão, o acesso aos exames e o
diploma. Isto reforça a necessidade de repensar a avaliação, acabando
com a "hegemonia da nota" e recolocando no centro o percurso real do aluno.
Quando, como acontece com frequência, surgem turmas ingovernáveis,
cheias de problemas de comportamento, é preciso lembrar: a culpa não é
dos alunos, mas de uma liderança incapaz de construir um sistema escolar
funcional e leis justas que evitem essas desigualdades. "Paritárias"?
Difícil chamar assim.
https://www.sicilialibertaria.it/
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