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(pt) Italy, Umanita Nova #24-25 - Caso Kirk. Os patrões do ódio (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Sat, 25 Oct 2025 08:19:43 +0300


Apenas um dia após o assassinato de Charlie Kirk, foi publicado nos Estados Unidos um estudo muito interessante sobre a violência política. O responsável pela publicação - dado também muito interessante - é o Cato Institute, um think tank libertário fundado em 1977 por Ed Crane, Murray Rothbard e Charles Koch, todos personagens de primeira linha do movimento anarcocapitalista, que, como se sabe, baseia-se na exaltação do livre mercado, do capitalismo sem amarras, na redução do Estado a mero instrumento repressivo antiproletário, juntamente com o reconhecimento das liberdades individuais (sobretudo de caráter empreendedor). Tradicionalmente ligado ao histórico Partido Republicano, este Cato Institute não pode evidentemente ser suspeito de simpatias esquerdistas.

Pois bem, eis o que nos dizem esses dados. Antes de tudo, referem-se aos atos de violência política cometidos nos EUA nos últimos 50 anos e revelam um número de homicídios (sem contar as vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001) igual a 620.

Desses 620, 391 são atribuídos à extrema-direita, 143 a militantes islamistas e 63 ao extremismo de esquerda. Bastaria esse trágico balanço contábil para entendermos o que se esconde por trás das fantasiosas mentiras de Trump e de seus seguidores e epígonos, nos EUA e no exterior (em primeiro lugar na Itália). Quando dois terços das vítimas são obra de supremacistas, racistas, fascistas islamistas, fanáticos religiosos, toda a retórica contra a violência da esquerda revela sua inconsistência e instrumentalidade. Amplificar desmesuradamente o assassinato de Kirk e usá-lo para gritar sobre o perigo iminente da subversão de esquerda significa, para Trump e companhia, preparar o terreno para medidas excepcionais, muito mais severas do que as relativas à criminalização da imigração, já em curso com a militarização de Estados da União e de cidades governadas pelos democratas.

É típico dos regimes autoritários (ou em processo de transformação autoritária) criar o inimigo, seja externo ou interno, para justificar o aumento das medidas policiais. A ocupação do poder (nos EUA com o partido MAGA, na Itália com FdI e aliados) deve tornar-se permanente (no estilo da Democracia Cristã de 1945 em diante) e, para ser assim, precisa basear-se em uma denúncia constante de um suposto e propagandeado perigo subversivo proveniente das fileiras da oposição. Lembremo-nos de Berlusconi e de seu contínuo ataque aos "comunistas" que tinham as "mãos sujas de sangue" quando falava de Occhetto, D'Alema e Veltroni.

Na Itália, nestes dias, Meloni & companhia não pouparam esforços em cavalgar o assassinato de Kirk e em repetir essencialmente o mantra de Elon Musk, que, em um post, havia afirmado, na iminência do atentado, que "a esquerda é o partido do assassinato". Sem medo do ridículo, Luca Ciriani, ministro do governo em exercício, chegou a evocar as Brigadas Vermelhas ao acusar aqueles que não se prostram diante da memória do ilustre influenciador trumpista. Odifreddi - que ousou salientar que comparar Martin Luther King a Charlie Kirk é um absurdo e concluiu com o ditado popular "quem semeia vento colhe tempestade" - foi exposto ao escárnio público pela própria Meloni, que do palco dos herdeiros do carrasco Franco ligou sua "batalha" contra o ódio político aos supostos festejos da esquerda pelo assassinato de Kirk. O comissário Luigi Calabresi, Sergio Ramelli etc. voltaram à cena do espetáculo governamental para contrapor à narrativa da resistência aquela de uma direita vítima da violência esquerdista. Para reforçar isso, o jornal Libero estampa "A assinatura do assassino: Bella ciao" e o Giornale "O assassino partigiano". Oitenta anos depois, o desejo de revanche da direita fascista reacionária e conservadora aparece em toda a sua dimensão. E quanto mais se renova a memória dos massacres (Piazza Fontana em Milão, Piazza della Loggia em Brescia, os atentados nos trens, a estação de Bolonha), mais aumenta a fúria dos herdeiros do Movimento Social Italiano na tentativa de virar a mesa. Mas obviamente não é só isso. Enquanto Meloni & companhia denunciam um inexistente clima de "anos de chumbo", estão na verdade pensando no crescente clima de guerra que atravessa o continente. Com o decreto de segurança, criaram as bases para a criminalização do dissenso; com a ocupação da RAI e dos principais veículos de comunicação estão garantindo o monopólio da informação; com a reforma do judiciário pretendem assumir o controle da gestão da justiça e, portanto, a orientação política a ser dada ao Ministério Público.

Os enormes gastos com o rearmamento exigirão cortes significativos nos gastos sociais, enquanto os salários permanecem estagnados, com o efeito evidente de um empobrecimento progressivo da população e de um risco concreto de que surja uma contestação social reforçada por uma juventude cada vez mais sensível e engajada na luta contra as desigualdades, os conflitos e os genocídios em curso.

O assassinato de Kirk é, para o governo, a mais recente oportunidade midiática para impedir que a esquerda, política e sindical, consiga canalizar a crescente insatisfação social. Mas mesmo nesta ocasião revela-se uma incapacidade de compreender as grandes mudanças ocorridas nos últimos tempos. A realidade é que nem a direita nem a esquerda são capazes de expressar verdadeiramente quem habita este país. A guerra (sobretudo midiática) que está sendo travada entre os dois blocos é um confronto acirrado entre aparatos burocráticos, interesses de bastidores, pelo controle dos bancos. A subversão está em outro lugar, entre os restos de uma democracia falida, feita de delegações em branco e corrupção, nos meandros de um contrapoder que está amadurecendo, apesar de tudo.

Massimo Varengo

https://umanitanova.org/caso-kirk-i-padroni-dellodio/
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