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(pt) Italy, Sicilia Libertaria #462 - Um Domingo Sem Fim - Paolo Maggioni (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Fri, 24 Oct 2025 08:32:16 +0300


"Os pés em Milão, o esconderijo em Paris, o coração em Barcelona": estas são as complexas coordenadas geográficas e emocionais do cativante personagem Agustino Barajas, conhecido como Carnera - um anarquista espanhol com "uma missão a cumprir com as armas cegas de quem não sabe atirar, mesmo não tendo alternativa a não ser assaltar o céu". ---- É 29 de abril de 1945, um domingo colossal: na praça Loreto pendem de cabeça para baixo os cadáveres de Benito Mussolini e de seus seguidores, e em poucas horas há quem tente aproveitar aquela energia irrepetível de revolução e esperança para expandir o desfecho da história a todos os fascismos - especialmente o de Franco. Liderando essa tentativa de sublevação está o imponente e não violento Carnera, um anarquista falsificador que odeia ser chamado assim e prefere muito mais ser considerado um artista, pois despreza o dinheiro, segue apenas a meticulosa atenção aos detalhes e dedica toda a sua vida à sua única filha: a Revolução.

Um Domingo Sem Fim é, portanto, o romance inspirado na figura histórica do anarquista espanhol Laureano Cerrada Santos e na empreitada que ele tentou realizar junto com o grupo de partisans da brigada Bruzzi Malatesta. Enquanto na Itália se comemorava a libertação do fascismo, tentaram derrubar a economia espanhola roubando os clichês do Banco de Espanha, escondidos havia muito tempo em Milão, para cunhar moeda clandestinamente. Horas que devem ter sido de grande frenesi e cálculo magistral, que poderiam ter mudado para sempre a história se, após uma série de assembleias anarquistas, não tivesse sido decidido destruir os clichês para impedir a crise econômica pretendida na Espanha, que devastaria as classes mais desfavorecidas.

Ao escritor e jornalista Paolo Maggioni vai o mérito de ter resgatado essa joia histórica e trazido à luz por meio de um romance de 200 páginas (editado pela SEM e publicado em abril de 2025). É uma leitura de fôlego, repleta de histórias entrelaçadas e detalhes que tornam inevitável a identificação, a ponto de sentirmos que corremos ao lado dos personagens principais enquanto eles se movem velozmente pelos becos para executar suas manobras antifranquistas e entre as multidões que avançam em direção à praça Loreto para celebrar a liberdade - sempre um pouco mais frágil para os anarquistas que, como diz o próprio Carnera, são "rebeldes para todos, irmãos de ninguém".

Ao lado do espanhol, mestre dos passaportes falsos e da inventividade, brilham outras figuras como estrelas: seus companheiros partisans Ercole, o Basco, o Doutor, e o falecido Massimo Masini; além de duas personagens femininas altamente inspiradoras - Marta Ripoldi, viúva de Masini, mãe dos gêmeos Zeno e Anita, condutora de bonde e mensageira da resistência, símbolo de emancipação, garra e coragem; e Stella, vizinha idosa que ajuda Marta a reconstruir um núcleo familiar, tornando-se na prática avó adotiva das crianças e apoiando-a na vida difícil de trabalhadora e mãe solteira, num momento histórico em que a solidão feminina lançava grandes sombras sobre o futuro e deixava espaço para desventuras de todo tipo.

Destaca-se também a narrativa de uma personagem situada na margem oposta do rio da história: Daniele Colpani, locutor de rádio do regime, a Voz do período fascista. Personagem fictícia que oferece ao autor - provavelmente pela experiência comum no ofício - a oportunidade de contar o fascínio do mundo radiofônico e seu peso, para o bem e para o mal, na formação cultural de toda uma nação. Por meio de seu amor por Carla, vislumbra-se outra forma de amar: mais machista e intermitente, por vezes puramente estética e, portanto, covarde, em contraste com a lembrança do amor entre Marta e Masini, que se reflete depois nos valores que unem Marta e Achille, companheiro partisan e chefe da Resistência na empresa de transportes. Através de Colpani surge uma perspectiva totalmente divergente, em oposição radical aos sentimentos e objetivos dos demais personagens unidos pela resistência. Quase palpável é a sua nostalgia iminente pelo fascismo, o medo de perder tudo, que se concretiza passo a passo enquanto ele se move entre a multidão, temeroso de ser reconhecido e eliminado após uma carreira sustentada pelo favor do Duce e certa fama popular. Esse medo, Colpani tenta combater com pequenas fugas: como uma narração interior de uma partida de futebol de rua entre crianças, ou o prazer de ouvir nos lábios de todos o sucesso do momento - aquele despreocupado "Solo me ne vo per la città / passo tra la folla che non sa", de Natalino Otto - que ele próprio havia impulsionado no rádio, embora agora ganhe tons sombrios e significados inquietantes em sua mente enquanto tenta salvar-se no anonimato.

O desfecho da história - que aqui não é totalmente revelado - abre espaço para reflexões políticas que, sem serem derrotistas, permitem explorar com mais profundidade os limites e as possibilidades do anarquismo a partir de episódios históricos aparentemente pequenos, mas cheios de exemplo e inspiração. Também convida a refletir sobre a complexidade e a necessidade da resistência e sobre a consciência de que as revoluções frequentemente nascem de pequenas e virtuosas oportunidades que devem ser agarradas com instinto, coragem e uma boa dose de lúcida ousadia. Mas, acima de tudo, este romance corre o sério risco - ou oferece a esperança - de acender no coração de leitores e leitoras a coragem que um personagem como Carnera encarna: sua admirável capacidade de alimentar a criatividade do pensamento divergente a ponto de ser capaz de fazer a revolução sem jamais empunhar uma arma, sustentando a convicção de que "uma pistola pode matar, mas um documento falso bem-feito quase sempre salva uma vida". E, junto a essa coragem, a leitura pode deixar o desejo de inspirar-se mais tenazmente em figuras como Carnera e seu correspondente real, Laureano Cerrada Santos, tentando ser, como eles, "um grande guarda-chuva sob o qual se possa abrigar de todo o mal do mundo".

Désirée Carruba Toscano

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