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(pt) Italy, Sicilia Libertaria #462 - HOMENS EM GUERRA - Efeitos colaterais ou planos de extermínio? (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Fri, 17 Oct 2025 09:53:43 +0300


«de uma das áreas naturalísticas mais vigiadas e controladas» --- Duas guerras sacodem o debate europeu há alguns anos; ainda que, a bem dizer, apenas uma pareça corresponder à definição de guerra - a entre Ucrânia e Rússia -, enquanto a outra, nas costas africanas do Mediterrâneo, não passa de mais um genocídio israelense contra os palestinos, sob o pretexto do terrorismo do Hamas, que, por sua vez, tampouco é inocente. A Europa discute o perigo que corre, e o Ocidente parece preocupado, espremido entre hipócritas comerciantes de armas e políticos que fazem declarações pacifistas enquanto negociam com os lados em conflito. A Europa contempla o próprio umbigo, crendo-se o centro do mundo, e pouco se ocupa - ela que se julga farol de justiça e democracia - do que de terrível e belicoso acontece um pouco além de sua área de influência. Com efeito, neste momento todos os continentes estão atravessados por conflitos bélicos, a ponto de que, somando as populações envolvidas e o número de vítimas, superam-se pela primeira vez os números da Segunda Guerra Mundial. Sem considerar os conflitos latentes, que irrompem de súbito para depois adormecer novamente, segundo a ONU há atualmente ao menos 56 conflitos armados ativos espalhados por 92 países, cada qual envolvendo dois ou mais estados independentes ou sob protetorado implícito de grandes potências. Em vários casos trata-se de guerras intestinas, em que cada parte pode ser apoiada por diferentes potências internacionais, sob o controle das grandes indústrias de armamentos.

Em todos esses conflitos, muitos mortos pertencem evidentemente aos exércitos combatentes; ainda assim, os civis, conforme a configuração do teatro de guerra, podem sofrer grandes perdas, frequentemente definidas como «efeitos colaterais». A expressão é usada para aludir a efeitos «não intencionais» de ações bélicas, mas em geral refere-se a «vítimas inocentes», ou seja, não aos militares que, quando morrem ou são feridos, seriam «vítimas culpadas», pois se presume que participem da guerra voluntariamente e, portanto, sejam em parte responsáveis - ou, em todo caso, sabiam do risco que corriam. Os «efeitos colaterais» atingiriam homens, mulheres e crianças apanhados no meio contra a vontade, e que sofrem consequências físicas - mortos, feridos, desaparecidos ou deslocados - e psicológicas - ansiedade, depressão, traumas -, sem falar da destruição do ambiente e das lavouras, da disseminação da fome e da pobreza; efeitos que, conforme sua gravidade, enfraquecem mais um lado do que o outro - e o governo sionista sabe-o bem quando proíbe a entrada de ajuda alimentar em Gaza. Daí decorre que tais efeitos não são assim tão colaterais.

Deixando de lado a hipocrisia implícita no termo, é preciso distinguir claramente o que ocorre na realidade, sem nos deixarmos enredar por discursos justificadores e propagandísticos - inclusive de jornalistas italianos - segundo os quais Putin seria agressor, enquanto Netanyahu não: juízo justificado pelo ataque de 7 de outubro de 2023 do Hamas, que, porém, esquece que Israel é quem historicamente invadiu a Palestina. Quanto aos «efeitos colaterais», entre a Rússia que bombardeia Kiev atingindo prédios civis, mercados ou estações ferroviárias - reputando-os alvos militares - e o que há dois anos ocorre em Gaza - bombardeada indiscriminadamente por Israel sob o pretexto dos túneis do Hamas - não há muita diferença, menos ainda nas justificativas apresentadas, talvez apenas no número de vítimas. De fato, diante da pouca credibilidade de justificar crimes como «efeitos colaterais», o governo sionista teria sido levado a admitir «erros» - que, contudo, se repetem diariamente: matar pessoas na fila por comida; golpear com drone uma aglomeração ou um hospital, esperar alguns minutos pelos socorristas e bombardear de novo o mesmo ponto para matar o máximo de gente «colateral» possível. Foi o que voltou a acontecer em 25 de agosto de 2025 no hospital de Khan Younis, em Gaza City, com 21 mortos, incluindo cinco jornalistas que corriam em socorro dos feridos - somando-se aos mais de 270 jornalistas mortos, direta e deliberadamente, desde o início da invasão. Matar quem informa sobre as atrocidades que Israel comete em Gaza é «efeito colateral» ou um plano bem arquitetado para eliminar quem tenta descrever, em tempo real, o novo holocausto?

O conceito ocidental de «efeito colateral» foi muito debatido no século XX, a partir dos efeitos das duas guerras mundiais, com referências filosóficas ao Iluminismo e, ainda mais, derivadas do debate jurídico sobre a «guerra justa», característico da modernidade desde o ressurgimento, no fim do século XV, das raízes romanas do ius belli, que, entre outras coisas, estabelecia limites morais aos danos infligidos a não combatentes. O debate moderno sobre a «guerra justa» começa no âmbito espanhol, com o início da conquista da América, quanto à licitude de guerrear contra povos indígenas e submetê-los à Coroa. Nesse contexto, o direito de conquista - historicamente justificado pelo anúncio do Cristianismo - é moralmente limitado pela necessidade de reconhecer a humanidade dos indígenas, também filhos de Deus. Daí deriva o decreto real de Isabel, a Católica, que, embora proibisse a escravização das populações americanas, lhes impunha «tutela» até saírem do estado selvagem e se converterem (raciocínio retomado, em parte, para a escravidão africana).

Do debate sobre a «guerra justa», o direito internacional moderno, de feição ocidental, recolhe dois princípios: necessidade e proporcionalidade. Qualquer ato de guerra não deve causar danos excessivos a não combatentes, nem envolvê-los para alcançar objetivos militares; e a resposta a um ato bélico deve ser proporcional à sua intensidade. Sabemos que tais princípios muitas vezes não são respeitados, ainda que assumidos pelo Tribunal Penal Internacional, ao qual, além disso, nem todos os países aderem. Em todo caso, do percurso histórico do conceito de «guerra justa» resulta um forte apelo - salvo para quem rejeita completamente - para que o direito em guerra não se confunda com a moral em guerra, nem mesmo em casos de legítima defesa (por exemplo, a legitimidade palestina de se rebelar contra a opressão sionista não justifica moralmente nem estupros nem jogar futebol com a cabeça de um inimigo decepada!).

Até aqui supusemos que os «efeitos colaterais», em geral, são percebidos externamente e também justificados por quem os provocou como eventos inesperados, fruto de circunstâncias adversas (não intencionais). Na prática, a linha que separa objetivos militares de não militares é pouco nítida; é possível - como ocorria com frequência na Segunda Guerra Mundial e hoje na guerra entre Rússia e Ucrânia - classificar alvos militares em primários e secundários, tornando «legítimo», por exemplo, bombardear uma fábrica de armas para destruir seus depósitos. Nesse caso, bombardear de dia, quando operários civis trabalham, seria punível por não prever «efeitos colaterais», ao passo que não o seria à noite. É exatamente o que ocorre em Gaza City - ainda que não com muita frequência - quando o exército sionista avisa moradores palestinos por SMS para evacuar porque o bombardeio começará uma hora depois. A essa altura, pergunta-se - legitimamente, ao que me parece - se ainda vale falar de «efeitos colaterais», isto é, não intencionais, e qual seria a utilidade do termo, considerando sobretudo que, quando um exército ocupa território inimigo, são os civis locais que suportam o peso e a violência - inclusive sexual -, como acaba de denunciar o Secretário-Geral da ONU. (Continua)

Emanuele Amodio

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