A - I n f o s

a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **
News in all languages
Last 30 posts (Homepage) Last two weeks' posts Our archives of old posts

The last 100 posts, according to language
Greek_ 中文 Chinese_ Castellano_ Catalan_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Francais_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkurkish_ The.Supplement

The First Few Lines of The Last 10 posts in:
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_
First few lines of all posts of last 24 hours

Links to indexes of first few lines of all posts of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004 | of 2005 | of 2006 | of 2007 | of 2008 | of 2009 | of 2010 | of 2011 | of 2012 | of 2013 | of 2014 | of 2015 | of 2016 | of 2017 | of 2018 | of 2019 | of 2020 | of 2021 | of 2022 | of 2023 | of 2024 | of 2025

Syndication Of A-Infos - including RDF - How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups

(pt) Italy, IFA, UCADI #200 - DIA DA TERRA TOSCANA (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Wed, 8 Oct 2025 09:00:34 +0300


Ali, tudo é permitido, tudo pode ser comprado, e vale a pena gastar sem pensar, e se ficar sem dinheiro, uma manhã estará do outro lado da janela (Edoardo Bennato, "O Meu Nome é Franz", 1976)
TERRAÇO
Estamos de volta às eleições regionais. Como diria o comediante do Gialappa's, "parece que foi ontem, mas é hoje".
Tal como no filme de 1993 protagonizado por Bil Murray[1], Eugenio Giani regressa à linha de partida pela Toscânia.
Com uma aliança diversa que vê pessoas à mesma mesa que, teoricamente, não deveriam partilhar nenhum ponto em comum.
Mas, dizem, a lei eleitoral dita essas escolhas. As leis eleitorais, no entanto, não são escritas pelo Espírito Santo, e a da Região da Toscânia é uma das mais antidemocráticas já vistas[2].

JOGOS DE PAPEL?[3]

Quem sabe quantos cidadãos que vão votar têm consciência de que a sua marca no boletim de voto, para além de se manter o último testemunho de "actividade política", não tem sequer o significado que pretendiam. Entre barreiras, listas bloqueadas, majoritarismo. Há vinte anos, Colin Crouch escreveu um texto parcialmente distópico, mas, em última análise, otimista: "Pós-democracia"[4], que delineou o caminho percorrido pelas democracias ocidentais nas últimas décadas, onde as formas democráticas foram esvaziadas por dentro, deixando a casca aparentemente intacta. Olhando para a situação actual, parece que entrámos numa fase em que até as formas exteriores estão a ser digeridas dentro de um processo substancialmente anti-democrático.

DEMOCRACIA EM RISCO

Quem deseja participar em eleições como candidato sem filiação tem agora de navegar por um processo burocrático completamente desprovido de qualquer aspecto democrático. Um número exorbitante de assinaturas (o que não se aplica a grupos já presentes na Região) e depois ultrapassar o limite de 5%. Gostaria apenas de salientar que estes aspectos, que limitam a representação dos cidadãos, seriam inconstitucionais. O sistema eleitoral italiano manteve-se vinculado à representação proporcional até que o desejo de eliminar a participação se fez sentir. Desde a década de 1990 que os grandes jornais que patrocinam os seus principais órgãos de comunicação, sob o pretexto de um ataque à "política partidária", têm encorajado um verdadeiro golpe branco que alinharia o nosso país com os ditames neoliberais agora dominantes. Além disso, com as alterações ao Título V, cada Região é livre de fazer o que bem entender, aprovando evidentemente leis eleitorais em seu próprio benefício.

SEM INIMIGOS À ESQUERDA...

O anterior mandato, o que veio depois da presidência de Rossi, resultou de um dos maiores escândalos ocorridos em Itália nos últimos anos. Ou seja, o enterramento do Keu sob a nova 429 (inaugurada com grande alarido pelos autarcas da cidade metropolitana), que substituiria a antiga via, mantendo praticamente o mesmo nível de perigo (duas faixas, sem canteiro central, etc.). Este caso, ao qual, verdade seja dita, a imprensa local deu pouca cobertura (considerando a sua gravidade) e a "oposição" de direita manteve-se praticamente em silêncio, envolveu autarcas, empresas e a 'Ndrangheta. A própria Região, através do então Primeiro-Ministro Giani (conforme o caso), tinha contrabandeado "por baixo dos panos" (e sem passar pelas comissões) a alteração que deveria isentar o consórcio Aquarno, que gere a estação de tratamento de águas residuais de Santa Croce sull'Arno, da obrigação de se submeter ao procedimento de autorização de integração ambiental (AIA), permitindo efetivamente que os curtumes descartassem as águas residuais do ciclo de produção fora da regulamentação (aqui fica o vídeo https://corrierefiorentino.corriere.it/firenze/notizie/cronaca/21_aprile_24/inchiesta-concerie-balletto-giani-sull-evoluzione-tutto-regolare-era-qui-fin-dall-inizio-4efcf5e6-a540-11eb-9fae-9359a7b19c22.shtml).

Considerando que, nessa ocasião, o vereador Tommaso Fattori, apesar de totalmente impotente na prática, tinha trabalhado assiduamente e produtivamente, para as eleições de 2020 decidiu-se criar uma verdadeira lista-isco, a "Sinistra Civica Ecologista", inventada pelo faz-tudo de Rossi, Ledo Gori. Desta forma, muitos cidadãos, convencidos de que estavam a votar numa lista de esquerda, votaram numa que apoiava Giani (em troca de um cargo no departamento de assuntos sociais).

...MAS MUITOS INDIFERENTES À DIREITA

Assim, durante o primeiro mandato de Giani, não se verificou oposição de esquerda na região. E, como se sabe, a direita, para além das habituais artimanhas parafascistas, não está muito distante da visão de Giani do governo regional.

Até porque os seus representantes sabem muito bem que o Partido Democrático é um formidável garante das classes dominantes.

O NEGRO OUTRA VEZ?

Após o acordo com o Movimento 5 Estrelas (que, dada a sua estrutura específica, poderia irritar Giani muito mais do que a oposição), as listas de esquerda que se preparam para concorrer (por enquanto, "Toscana Rossa" e o renascido "PCI") não só não têm hipóteses de ultrapassar o limite, como correm o risco de não recolher as assinaturas necessárias. Tanto assim é que nos questionamos se vale a pena, para organizações mal estruturadas e com poucos recursos, lançarem-se num esforço tão grande que, como acontece frequentemente, corre o risco de deixar para trás um deserto, recriminações e toda a fel dos derrotados. Mas participar em eleições, considerando estes sistemas eleitorais flagrantemente antidemocráticos, sacrificando o trabalho político concreto, faz realmente sentido?

Quanto ao exército de "esquerda" que surgirá (algum membro do Partido Democrata com problemas hepáticos rotulou-o de "Brancaleone", mas Brancaleone era um falhado; mesmo que concorressem com a tia de 90 anos como candidata, encontrariam facilmente apoiantes. O rebanho do Partido Democrata, embora em crise - mas estaria em crise se fosse um partido -, ainda é enorme e bem protegido. Nesta perspectiva, tiro o chapéu. Não é propriamente uma hegemonia gramsciana, mas podemos dizer que é hegemonia mesmo assim. Quanto a este grupo, estava a dizer, qual será a estratégia de comunicação do omnipresente Giani?

TUDO PRECISA DE SER FEITO DE NOVO

Como sabem, nunca fomos muito adeptos da alquimia eleitoral, mas também devemos ter consciência de que, como não vivemos numa sociedade nem anárquica nem comunista, devemos pegar o touro pelos cornos e defender o que temos...
Ou seja, a luta fundamental a travar, a todos os níveis, seria uma grande batalha pela representação proporcional, para eleger o Parlamento, as Regiões e os Municípios. Para escapar a esta armadilha plebiscitária e autoritária em que estamos presos há mais de trinta anos, que coincide com o período mais negro da história do capitalismo.
A globalização acabou, a UE implodiu. Sabemos que a revolução não está nem perto nem à vista. Temos classes dominantes que, tal como o soldado japonês (embora muito melhor pago), ainda acreditam estar nos anos 2000.
Também porque por detrás e acima delas está uma classe dominante que, em vez disso, sempre soube muito bem quais eram os seus próprios interesses. Tanto assim é que a previam desde 1975. (https://contropiano.org/documenti/2014/05/27/la-crisi-della-democrazia-di-ieri-per-capire-quella-di-oggi-uno-sguardo-sulla-commissione-trilaterale-024244).

FINAL

De qualquer modo, embora o trabalho de apresentação das listas de esquerda apresente as enormes dificuldades que acima descrevemos, esperamos, com optimismo, que o resultado permita, pelo menos, uma voz discordante no Conselho Regional.

[1]"Dia da Marmota" é o nome dado ao dia da Marmota, mal traduzido para italiano com o feio título "Ricomincio da capo".
[2]Para uma breve visão geral, obviamente apenas para uma abordagem inicial: https://ilreporter.it/sezioni/cronaca-e-politica/listino-bloccato-legge-elettorale-toscana/
[3]"Jogos de papel" era a definição de eleições de Mussolini. Como ditador, aboliu as eleições com leis autoritárias. O autoritarismo já não é necessário hoje. Parem de dizer asneiras sobre "governança".
[4]C. Crouch, "Pós-democracia", Laterza, 2005.

Andreia Bellucci

https://www.ucadi.org/2025/09/04/il-giorno-della-marmotta-toscana/
_________________________________________
A - I n f o s Uma Agencia De Noticias
De, Por e Para Anarquistas
Send news reports to A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
Subscribe/Unsubscribe https://ainfos.ca/mailman/listinfo/a-infos-pt
Archive http://ainfos.ca/pt
A-Infos Information Center