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(pt) Italy, FdCA, IL CANTIERE #37 - “GOSTARIA DE APRENDER A DESENHAR COMO UMA CRIANÇA” (ca, de, en, it, tr) [traduccion automatica]
Date
Mon, 6 Oct 2025 07:29:47 +0300
Pablo Picasso disse: “Aprendi a pintar como o Rafael, agora preciso de
aprender a desenhar como uma criança.” Achei esta citação pertinente
para o que a investigação mais avançada em biologia humana tem revelado
sobre os estádios evolutivos do desenvolvimento infantil, desde o
nascimento. A minha intenção é insistir na esperança de um mundo melhor,
nascida da certeza do potencial da espécie humana, e de como o homem,
desde o nascimento e ao longo da infância, é mais propenso à
criatividade do que à destrutividade. Por outro lado, estamos imersos
num modo de pensar totalmente reaccionário, que tende a impedir-nos até
de imaginar uma sociedade diferente desta, ao ponto de ser argumentado,
até por filósofos ilustres, que a guerra e a destrutividade a que
assistimos são inerentes à alma humana e, por isso, impossíveis de
mudar. Um poderoso pensamento reaccionário é precisamente o da
imutabilidade do status quo, que, a meu ver, deve ser historicizado como
um pensamento historicamente presente nas estratégias de um poder
violento. Pyotr A. Kropotkin disse sobre o livre acordo: "Acostumados
que estamos, por preconceitos hereditários, por uma educação e instrução
absolutamente falsas, a ver em toda a parte apenas governo, legislação e
judiciário, chegamos a acreditar que os homens se morderiam como feras."
Uma vez que "acreditar" não é "pensar", procuremos resgatar a capacidade
de pensar como seres humanos, partindo das fascinantes descobertas sobre
a capacidade humana de pensar desde o nascimento. Sabemos que, nos
primeiros seis meses de vida, os bebés são capazes de perceber todos os
estímulos que chegam do mundo exterior através das suas capacidades
sensoriais, particularmente a audição e o tato. A visão surgirá por
volta dos seis meses com a nitidez das formas. São estímulos de mil
tipos: cor, forma, movimento percebido, ondas sonoras que ativam o
tímpano e o sistema auditivo, ou ainda a simples força de pressão que
cria um estímulo tátil. Do nascimento aos seis meses, os bebés não
reproduzem todos estes estímulos, mas TRANSFORMAM-NOS numa imagem
interna, mesmo que inconscientemente, no sentido em que lhes falta a
consciência da memória. Este seria um processo representado pela
transformação de um estímulo "material", pois activa o aparelho
anátomo-fisiológico do corpo, em algo psíquico ou "facto mental". Por
outras palavras, do nascimento aos seis meses, os bebés começam a pensar
em estímulos sensoriais, transformando um estímulo material em algo
imaterial. Passando para o mundo animal, a memória consciente dos
animais é bem conhecida, e estes têm a capacidade de criar imagens, ou
talvez apenas figuras, através da perceção de cores, formas e sons. Um
leão que vê um antílope e se desloca para o comer tem uma reação
anátomo-fisiológica de movimento e agressão. No entanto, não sabemos se
esta intencionalidade pode ser designada por "pensamento", dado que
poderá ser um mecanismo fisiológico de movimento reflexivo com a
realidade, uma percepção que desencadeia uma resposta imediata. Mas o
que acontece quando consideramos a matéria viva humana? A reação da
matéria viva humana leva, certamente, à elaboração de uma figura, mas
vai mais além, criando uma imagem que podemos definir como interna, ou
seja, a capacidade de imaginar, e chega ao ponto de ser verbalizada, com
o aparecimento da linguagem. Nem todas as imagens são iguais, sendo
possível distinguir figura, forma e conteúdo. É claro que a figura é o
que é evocado à mente de um objeto percebido tal como ele é. Se, no
entanto, a reprodução mental da percepção se limita à recordação de um
volume, de uma cor ou de uma linha, sem que se possa defini-la como
figura, podemos falar de forma. Mas se, para além de qualquer definição
verbal possível, um bebé de seis meses pode "sentir" a emoção de outra
pessoa, como medo, amor, desejo, afeição ou raiva, então podemos falar
de conteúdo e fundir essa palavra, não mais separada de figura e forma,
com a palavra imagem. Por isso, mesmo as emoções percebidas por outro
ser humano podem tornar-se imagens; assim sendo, criar uma imagem
pessoal de uma relação vivida permite-me tornar o conteúdo afetivo dessa
relação acessível ao conhecimento, precisamente em virtude do que é
percebido. A capacidade humana importante neste caso, a salientar, é que
os humanos podem formar imagens mentais mesmo a partir de um estímulo
táctil, gustativo, auditivo ou olfactivo, mesmo antes de um estímulo
visual. E isto significa "pensar", que, como se pode ver, não é a
formulação directa do pensamento verbal, mas a formação de imagens, uma
espécie de interpretação do estímulo percebido.
O ajuste natural da visão após os 6 meses permitir-nos-á ver os
contornos nítidos de uma figura, as linhas que delimitam os objetos, e
assim ocorrerá uma fusão entre a imagem visual objetivamente
percecionada e a imagem previamente criada pelas perceções táteis e
auditivas. Este processo levará a criança a reconhecer-se ao espelho
entre os 9 e os 12 meses. Tudo isto desempenhará um papel fundamental na
formação do pensamento verbal, que se baseia naquilo a que se chama
"imagem interna" ou capacidade de imaginar, que se inicia ao nascimento.
Como é que as imagens vagas se transformam em linhas e sons? As formas e
as cores transformam-se ao longo do desenvolvimento da criança em algo
absolutamente indefinível, que é a capacidade de produzir sons
articulados. O som será então articulado numa modulação que cria a
linguagem falada. A descoberta fascinante de tudo isto é que a linguagem
verbal produzida reúne toda a experiência prévia de pensamento no
período pré-verbal. Isto demonstra que, no primeiro ano de vida, nunca
há separação entre a mente e o corpo. É por isso que podemos ter a
certeza de que os humanos nascem saudáveis e não propensos à
destrutividade. É o tipo de sociedade em que vivemos que cria monstros
ao sacrificar as capacidades humanas em prol do lucro predatório de
alguns que detêm toda a humanidade em seu poder.
https://alternativalibertaria.fdca.it/
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