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(pt) Brazil, OSL, Libera #182 - PODER, TECNOLOGIA E ELON MUSK (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Thu, 25 Sep 2025 08:34:55 +0300
Uma polêmica recente trouxe à tona uma situação curiosa e didática: as
Forças Armadas do Brasil dependem de uma empresa estrangeira para suas
comunicações. A Starlink, do bilionário Elon Musk, fornece internet via
satélite para as operações do Exército e da Marinha em áreas remotas,
como a Amazônia. Parece contraditório, mas o país precisa dessa
tecnologia para defender sua soberania, enquanto, na prática, acaba
ficando à mercê de uma empresa estrangeira, comandada por um bilionário
e até pouco tempo chefe de um departamento do governo Trump.
A questão se torna ainda mais complexa quando se considera que a
Starlink é ligada ao X, antiga plataforma Twitter, também controlada por
Musk. Com o controle de uma empresa de telecomunicações essencial e de
uma das maiores redes sociais do mundo, Musk acumula um poder
considerável. Ele pode, ao mesmo tempo, influenciar a opinião pública e
fornecer (ou retirar) serviços críticos de internet. Essa situação deixa
clara a contradição: o Brasil precisa de uma empresa estrangeira para
garantir sua soberania, mesmo que isso também coloque em risco essa
mesma soberania.
O problema não é exclusivo do Brasil. Na era da globalização e da
tecnologia avançada, os estados nacionais têm cada vez menos controle
sobre o que acontece dentro de suas fronteiras, e as classes dominantes
cada vez mais exercem seu poder de dominação. Empresas gigantescas, como
a Starlink, Alphabet e Meta, operam em uma escala global que os governos
muitas vezes não conseguem acompanhar. Para se ter uma ideia, a Starlink
tem uma constelação com mais de 6 mil satélites em órbita, fornecendo
internet para regiões onde outras tecnologias não chegam. No Brasil,
suas antenas estão instaladas em 90% dos municípios da Amazônia. Ou
seja, em muitas regiões isoladas do país, a Starlink é a única opção
disponível.
A União Europeia, diante de um cenário semelhante, decidiu agir. Em
2022, lançou o IRIS, um sistema próprio de comunicação via satélite para
os países do bloco. A ideia é reduzir a dependência de empresas
estrangeiras, oferecendo uma alternativa controlada pelos governos
europeus. O sistema deve estar plenamente operacional em 2027, mostrando
que há uma preocupação crescente com essa questão.
Além disso, a ligação entre a Starlink e o X aumenta o poder de
influência de Musk. Com o controle da plataforma, ele pode moldar
debates e influenciar a opinião pública, algo que pode impactar
diretamente nas políticas de vários países, inclusive no Brasil.
Diante de tudo isso, a soberania nacional precisa ser repensada, no
sentido de entendermos que antes das relações entre nações, existe a
luta de classes, presente em todos os países. As classes dominantes não
controlam apenas as fronteiras físicas; elas controlam as
infraestruturas tecnológicas e informacionais. Enquanto não existir uma
infraestrutura própria e segura, estaremos sempre sujeitos aos
interesses de grandes corporações globais. E essa é uma realidade que
vai muito além do Brasil, afetando as classes oprimidas do mundo todo.
Em resumo, o caso da Starlink mostra como a dependência tecnológica pode
fragilizar qualquer projeto de poder popular autogestionário, e qualquer
ruptura mais profunda do sistema de dominação precisa ter em mente hoje
as infraestruturas de tecnologia e comunicação.
https://socialismolibertario.net/
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