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(pt) Brazil, OSL, Libera #182 - CAMPANHA 'FORA DERRITE' E O VERDADEIRO PAPEL DAS POLÍCIAS NO CAPITALISMO (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Wed, 17 Sep 2025 09:05:11 +0300


A política de segurança pública no estado de São Paulo vive uma escalada de violência policial. Em 2024, a letalidade policial cresceu 65% em relação ao ano anterior. Casos brutais como o de um homem jogado de uma ponte por um PM, ou a invasão de um velório em Bauru, mostram que o Estado tem a maior parte da população como inimiga. No centro dessa engrenagem repressiva está o secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite - ex-Rota, bolsonarista e executor das operações de massacre no litoral paulista. Sua permanência é insustentável. Por isso, movimentos e coletivos construíram no estado a campanha Fora Derrite.
Mas é importante lembrar que a violência policial não é um desvio, é parte da lógica de funcionamento do sistema capitalista-estatista. A polícia não surgiu para combater o crime, mas como ferramenta de controle social. Na Inglaterra e nos EUA, entre 1825 e 1855, a polícia moderna nasceu como resposta aos motins urbanos, greves de trabalhadores e levantes de escravizados - não ao aumento da criminalidade. A burguesia precisava conter a ação coletiva da classe trabalhadora e disciplinar a nova força de trabalho urbana. Daí a função central da polícia: agir contra as massas oprimidas.
É por isso que a polícia mata. Mata Ryan, criança de 4 anos, com um tiro em Santos. Mata Manuela, adolescente perseguida. Mata Gabriel Renan, Victória Manoelly, Marco Aurélio. Produz as chamadas Operações Escudo e Verão, realizadas no litoral paulista, com execuções, ocultação de cadáveres e falsificação de provas. Não são exceções. São vítimas de uma política de segurança que age como guerra contra o povo negro e periférico. No Brasil, esse padrão é histórico. Seja em São Paulo com os bolsonaristas à frente, na Bahia governada pelo PT, ou no Rio de Janeiro do chamado centrão, a militarização é a regra - e a punição aos policiais assassinos é quase inexistente.
Enquanto isso, feminicídios batem recordes, a segurança das mulheres é negligenciada e crimes como furtos e assaltos aumentam. As polícias são flagradas agindo para o crime organizado - como no caso de PMs e delegados envolvidos com o tráfico na Cracolândia. A chamada "guerra às drogas", que alimenta essas chacinas, fracassou como política e triunfa como mecanismo de controle social. Em vez de atacar o grande tráfico, ataca a juventude negra. Em vez de enfrentar o capital que lucra com a lavagem de dinheiro, reprime quem vive na periferia.
A criação da polícia moderna em Londres, após o Massacre de Peterloo (1819), respondeu justamente à necessidade de conter grandes manifestações populares sem produzir mártires. A função da polícia era - e ainda é - garantir a ordem social imposta pelos de cima. A repressão não é um desvio, é um projeto. A polícia reprime greves, manifestações e toda tentativa de organização independente da classe trabalhadora.
No passado e em diversas formas de organizações sociais de hoje, comunidades autônomas resolviam e resolvem conflitos por meio da responsabilidade mútua. Sem polícia, mas sim formas coletivas de justiça. Com o avanço do capitalismo e o crescimento das cidades, o Estado passou a centralizar o controle da população. A polícia moderna nasce aí: para reprimir, vigiar, desmobilizar.
Hoje, no território brasileiro, vemos a militarização das guardas Civis e Municipais, o uso político da repressão, o "prisômetro" como marketing penal (o prisômetro é um painel de LED, em São Paulo, que exibe em tempo real as prisões realizadas na cidade, com foco no Smart Sampa, um sistema de câmeras com reconhecimento facial). Tudo isso fortalece a criminalização da pobreza. O papel de Derrite nesse processo é central, mas não é individual. Por isso, dizer Fora Derrite é abrir uma disputa de sentido: por outra política de segurança, e por outro projeto de sociedade.
A luta por justiça passa pela memória das vítimas, pela denúncia dos assassinos e pela organização das periferias. É hora de interromper o ciclo de massacres. Derrite tem que cair. E com ele, toda a lógica de guerra contra o povo. Que se ergam a solidariedade, a autodefesa popular e o poder coletivo contra o terror do Estado.

https://socialismolibertario.net/
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