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(pt) Brazil, FOB: 60 anos de uma Ditadura que não acabou (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sun, 14 Apr 2024 11:18:10 +0300
Seis décadas se passaram desde o golpe que instaurou a ditadura
empresarial militar no Brasil em 1964. O seu início pode ser marcado
entre os dias 31 de março e 1º de abril, mas o seu fim em 1985 não
implica que vivemos uma democracia para o povo. Os militares não saíram
do poder, ao contrário, eles se entranharam ainda mais dentro desse
regime onde a democracia só existe para uma minoria poderosa, enquanto a
maioria explorada ainda vive a tortura e a matança no seu cotidiano.
---- Lula e Militares: Cúmplices da mesma desgraça ---- O presidente
Lula com os comandantes militares Marcos Olsen, Tomás Paiva, Marcelo
Damasceno, além do ministro da Defesa, José Múcio. Foto: Ricardo Stuckert.
No começo de março deste ano, o presidente Lula determinou o
cancelamento de toda uma programação do ministério dos direitos humanos
em memória dos 60 anos do golpe militar e disse que não o interessa
remoer o passado, que o importante é tocar o Brasil daqui para frente.
Esta omissão de Lula ecoa a postura do seu ministro André Singer que em
2004 fez o mesmo pronunciamento no Governo Lula 1.
Assim, não deve nos causar espanto um pronunciamento como este. É
coerente com a política que Lula toca desde o começo de sua caminhada.
De fato, seu 3º mandato está de mãos dadas com os militares. A escolha
de José Múcio para ser seu ministro da Defesa foi elogiada por Hamilton
Mourão (REPUBLICANOS), que comemora o golpe de 1964 como uma salvação da
nação e também nega os relatos dos torturados. Bolsonaro (PL), do qual
Mourão foi vice no mandato presidencial, já declarou ter paixão pelo
ministro indicado por Lula.
É por meio de José Múcio que muitas das cumplicidades de Lula com os
militares são firmadas. Seja renomeação e promoção de militares,
destinação de 5,6 bilhões ao Ministério da Defesa e Forças Armadas no
orçamento de 2024, ou mantendo estes como interventores nas ações do
Estado ao povo Yanomami que continuou com aumento de mortes de 2023. Não
menos importante, apesar de sua atuação, o Governo Lula continua tendo
relações comerciais e militares com o governo de Israel, fornecendo em
contratos milionários a venda de Drones da Força Aérea Brasileira para o
genocídio do povo palestino.
Também é inegável que os militares promovem hoje uma militarização de
toda sociedade. Temos isso com a repressão da polícia militar às
comunidades e favelas pobres, impulsionada pela aprovação da Lei
Orgânica da PM no Governo Lula 3. As escolas cívico-militares são
colocadas como uma fórmula mágica para garantir a ordem dentro deste
sistema de morte. Ainda que descontinuada pelo poder federal, muitos
governos estaduais mantêm propostas para o desenvolvimento destas
escolas, como o governo do Estado de Santa Catarina.
Neste sentido, é preciso repudiar todo golpe político dos militares, mas
também não devemos ter compromisso com esta democracia que banha o povo
de sangue e entrega o ouro aos poderosos deste país e aos imperialistas.
Aos que tombaram com fuzil, devemos uma vida em lutas a mil!
Cartaz da Ação Libertadora Nacional (ALN).
Marginalizados pela direita e apagados pela esquerda, os conjunto de
trabalhadores que se empanharam na luta armada contra a ditadura militar
não devem ser tratados como dois lados da mesma moeda com os militares
torturadores. De fato, mesmo com possíveis questões sobre sua
estratégia, estes guerrilheiros estavam do lado dos trabalhadores,
defendendo a superação deste sistema capitalista de exploração.
Neste sentido, é papel dos lutadores de hoje defender a memória de quem
tombou na luta armada contra a ditadura militar brasileira. A ilusão de
enxergar isso sem conexão com o presente, levou a esquerda a entender
que a disputa pela libertação se dá nas urnas desta democracia
caquética, algo que faz o povo só rodar em círculos. O tempo presente,
contudo, não pede um desenvolvimento de foco de guerrilhas, mas sim o
desenvolvimento de uma federação sindicalista revolucionária que possa
mobilizar o povo em seus locais de estudo, trabalho e moradia e
organizar sua autodefesa para gestar um novo mundo na casca do velho por
fora do Estado.
Massacre de estudantes, operários e camponeses
É igualmente errante a ideia de que a ditadura militar só perseguiu e
torturou os militantes que caminharam pela resistência amarda. Os
camponeses, por exemplo, foram os primeiros a serem reprimidos pelo
golpe militar. As ligas camponesas tinham uma inserção fortíssima entre
o meio rural e estava avançando na autodefesa da classe, porém foi
cercada pelos militares logo no início, sem apoio geral da cidade, as
principais lideranças foram torturadas e assassinadas.
Conforme, Gilney Viana, pesquisador da UNB, ex-membro da Ação
Libertadora Nacional (ALN), podem ser contabilizadas 1.654 mortes e
desaparecimento de camponeses durante a ditadura militar brasileira até
1988. A perseguição política aos camponeses, junto à aliança dos
militares com os coronéis do campo, provocou uma série de violências que
nunca teremos dimensão de sua totalidade por conta dos apagamentos.
Indígenas Krenak em campo de concentração, em Minas Gerais, instaurado
pelos militares na ditadura. Arquivo Nacional.
Houve mais de 8.350 morte de indígenas provocadas pela ditadura militar
brasileira, segundo o texto final da Comissão Nacional da Verdade (Vol.
2). Povos como os Krenak tiveram imensas terras roubadas pelos militares
por conta de seu projeto desenvolvimentista, além da criação de prisões
intituladas de reformatórios onde os indígenas passaram pelo inferno na
terra.
Os operários, tendo suas organizações de classe criminalizadas, sofreram
absurdamente nos locais de trabalho a tirania dos patrões e governos
militares. Somente na construção da Usina de Itaipu houveram, de 1978 a
1984, mais de 100 mortes por acidentes de trabalho e mais de 40 mil
acidentes nos canteiros de obra ao todo.
Estudantes queimando a bandeira dos estados unidos na Sexta-Feira
Sangrenta, Rio de Janeiro, 21 de Junho de 1968. Fotografia de Evandro
Teixeira, Colorizada por inteligência artificial.
Os estudantes, como Ísis Dias, foram uma grande força na resistência
armada na ditadura. Mobilizando frentes próprias nos locais de estudo
para enfrentar os militares. Sua ousadia vingou mortes como a de Edson
Luiz, secundarista assassinado em 28 de março de 1968 no Rio de Janeiro.
Atualmente, a RECC ( Rede Estudantil Classista e Combativa ), federada à
FOB, mantêm viva a memória do martírio de Edson Luiz todos os anos,
fazendo desta data o dia do estudante classista e combativo.
Fazer da memória da ditadura militar a gasolina das lutas do presente
O passado não nos serve para remoer, mas sim para nos ligar aos que
tombaram nos caminhos da luta. É dever do povo cuidar de sua memória,
pois os governos e patrões farão de tudo para apagar e distorcer as
marcas da resistência. Que nestes 60 anos do golpe empresarial militar
possamos aprofundar nosso compromisso em superar este sistema que
explora e oprime. Em fortalecer a organização do povo, sua autodefesa e
sua soberania contra aqueles que querem vender ilusões fantasiadas de
liberdade.
NEM A DITADURA MILITAR,
NEM A DEMOCRACIA DOS OPRESSORES:
TODO PODER AO POVO!
https://lutafob.org/60-anos-de-uma-ditadura-que-nao-acabou/
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