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(pt) Carta da FCdA de Itália à FAG (Brasil) + ITÁLIA: um país para a demolição
From
"Ufficio Relazioni Internazionali" <internazionale@fdca.it>
Date
Wed, 22 Jan 2003 13:28:52 -0500 (EST)
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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
http://www.ainfos.ca/
http://ainfos.ca/index24.html
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@s camaradas da italiana Federação d@s Comunistas Anarquistas (FdCA)
saúdam @s camaradas da FAG com simpatia e apreciação pelo trabalho
que eles desempenham na difícil
situação social e política do Brasil, e do Estado do Rio Grande do Sul em
particular. Nesta ocasião temos o grande prazer de fazer votos do melhor
êxito das Jornadas
Anarquistas, esperando que estas sejam o início de uma fase nova de
crescimento e implantação para o movimento anarquista na America
latina.
Considerando absolutamente importantes as ligações mais estreitas entre
os grupos anarquistas do mundo, manifestamos a nossa total
disponibilidade (e desejo) para que as relações entres as nossas
organizações tenham uma continuação sólida e produtiva.
Um carinhoso e forte abraço libertário. Saúde e anarquia!
Em nome da FdCA
Donato Romito
ITÁLIA: um país para a demolição
O governo e o capitalismo italiano trabalham para destruir tudo o que
nasceu desde a Resistência contra o nazifascismo e desde as lutas
sociais dos anos '60 e '70. Um pouco por desespero, mas também com
muita
claridade de intenções, querem transformar o país numa mega-empresa
comercial àos ordens da nova direta e do seu novo dono, "monsier le
chevalier Berlusconì".
Os tres governos de centro-esquerda nos anos 1996-2001 falaram de
"modernização" do país para fazer de Itália un país "normal", e desta
maneira - durante 5 anos sem sizo - começaram a "reformar" (!) os
elementos de base da organização social e, com a complicidade dos
sindicatos tradicionais CGIL/CISL/UIL, também os direitos fundamentais
do mundo do trabalho. A atual maioria de centro-direita anda a continuar
aquela obra de destruição com um cuidado ainda maior, quer como
projeto
global de privatização total da esfera pública da vida social, quer
ativando processos de subordinação do proletariado italiano e imigrante
aos interesses do capitalismo.
A ECONOMIA VAI MAL? GASTEM TUDO O QUE VOCÊS TÊM!
Com este "slogan" o governo esforça-se de enfrentar uma situação que
fica no límite da recessão: o crescimento no ano 2002 foi +0,4%,
provavelmente neste ano for +1,4%; a dívida é o110,3 %; os salários
cresceram só 2,3 pontos de percentual, quando temos +2,8% de taxa de
inflação (mas +3,5% de inflação real). Nesta situação as renovações dos
contratos do setor público não ganham muito: +1,4%; o governo aprovou
uma lei em favor da flexibilidade total do trabalho e prepara-se a
aprovar uma lei para dar aos empreiteiros a liberdade de despedir, e uma
lei para atingir o sistema das reformas. Os ataques contra salários,
emprego, segurança social, têm uma verdadeira amplidão estratégica.
No mesmo tempo, o governo olha inerte e complacente o processo de
crise
das indústrias nacionais que anda a devastar o país inteiro. A crise do
setor metalmecânico (FIAT antes de tuto), do setor alimentar (Cirio),
das telecomunicações (Marconi) atinge milhares de trabalhadores, com
repercussões graves à carga dos outros setores que trabalham em função
deles. A crise da FIAT, em particular, atravessa o país de norte à sul,
e o acordo empresa/governo do 5 de dezembro prevê uma redução radical
dos trabalhadores, com una perda inicial de 8.100 empregos de fábrica e
a perspectiva de transformar operários e operárias em enfermeiros e
empregados de centros comerciais, vigilantes e empregados de limpeza!
Há
mais: Berlusconi aconselha de procurar "trabalho preto"!! A retirada
progressiva da FIAT desde o setor (estratégico) da automóvel vai ter
conseqüêcias gravíssimas sobra o emprego industrial em Itália. Nem
sequer o parceiro da FIAT, a General Motors, promete algo melhor.
O ESTADO CUIDA DE VOCÊS DESDE O BERÇO À SEPULTURA, MAS
... SÃO VOCÊS A
PAGAR!
As teorias sobre o Estado "ligeiro" acharam no governo de centro-direita
um intérprete coerente quanto e máis do que os seus colegas do
centro-esquerda. A lei Financeira 2003 prevê uma série de cortes à
despesa pública, com reduções pesadas para a escola, a universidade, a
pesquisa cientifíca, as despesas das autarquías (saúde, assistência,
serviços sociais). Entretanto prevêm-se facilidades fiscais para os
trabalhadores particulares, no esforço de ajudá-los a fazer frente àos
aumentos dos preços dos serviços sociais ou a arranjar em otro lugar -
no mercado "livre" - os serviços mesmos. O que era direiro (instrução,
assistência, saúde, segurança, ...) é agora "oportunidade" disponível à
preço de mercado.Eis que a redução dos empregos no ensino para os
deficientes quer dizer obrigar as famílias a ir às estruturas privadas
(todas ligadas à Igreja católica, naturalmente) pela assistência. Muitos
serviços fornecidos pelas autarquías (transportes, refeitórios,
assistência à deficientes, idosos, imigrantes, ...) custarão mais e
poderíam ser dados em empreitada a agências privadas (católicas) .
sempre à preços de mercado. A vaga de privatização dos serviços públicos
traz à cumprimento aquele projeto subversivo - mas também querido
pela
esquerda - que se chama subsidariedade, e prevê que as instituições
públicas intervenham no social só quando ... os privados não obram ou
não podem obrar (de cada maneira for sempre possível financiá-los!).
As ligações desta estrategia com a lei de "devolução", que prevê a
transferência de competências exclusivas (ensino, saúde, polícia local)
às autarquías regionais, definitivamente produz a desarticulação da
igualdade de direitos, o conceito mesmo de interesse coletivo, a
dimenção mesma da unidade do proletariado no âmbito nacional,
atomizando
o proletariado em indivíduos particulares portadores de intereses
pessoais e não mais de classe.
Além disto, o insistir, pelos capitalistas italianos, para superar o
contrato coletivo nacional de trabalho - deixando o lugar livre em favor
só dos contratos de empresa e individuais - completa o quadro de um país
que arrisca a quebra e a destruição dos direitos e das liberdades
sociais.
A CGIL BATE UM GOLPE, MAS NÃO DOIS!
Após a grande greve geral dos sindicatos de base no fevereiro 2002, a
CGIL teve um sobressalto. A sua tática fez-se de repente muito menos
cautelosa, e pôs-se decididamente contra o governo em defesa do art. 18
do Estatuto dos Trabalhadores (1971) - que não permite as demissões sem
causa justa - e que o governo quer abolir. Em abril e outubro duas
greves gerais trouxeram novamente a CGIL nas esperanças dos
trabalhadores, após nuitos anos de desilusões. Foi também sacrificada a
unidade sindical com CISL e UIL, que ào contrário assinaram o Pacto
para
Itália com o governo, permitindo una maior flexibilidade no merdado do
trabalho através de derrogações ao art.18, em troca de promessas
fiscais. Sobre tudo a FIOM (CGIL-metalmecânicos) rebocou o curso novo
do
mais grande sindicato italiano, abandonando a política de "concertação"
no setor industrial metalmecânico. A descida ào campo da CGIL a nivel
nacional está causada por alguns fatores políticos, entre os quais:
a.. a falta de disponivilidade do governo de centro-diretia a
prosseguir a praxe da "concertação ou triangulação
(governo/sindicados/patrões) para a substituir com a praxe do "diálogo
social", onde a opinião do governo não é negociavel,
b.. a crisis da esquerda italiana, e particularmente do Democráticos
de Esquerda (DS) após a derrota eleitoral do 2001;
c.. o fato que hoje a ideologia oficial não concebe mais o sindicato
como sujeito fundamental da governabilidade dos problemas sociais e
económicos do país, com patrões e governo.
A CGIL, portanto, não anda a mudar o sue eixo estratégico em direção de
uma praxe sindical mais conflitiva e anticapitalista, mas - forçada pela
situação política - opõe-se à este governo para recobrar e reconquistar
o seu papel central de participação na tarefa de determinar as escolhas
económico-sociais do país. For útil lembrar que esta tarefa da CGIL
(+CISL e UIL) durante os anos '90 foi causa do nascimento e da difução
dos sindicatos "de base" em Itália, assim como da acusação (um pouco
apressada) de ser um "sindicato de Estado", que se encontra em muitas
análises, de anarquistas e não.
Vem a ser inútil dizer que a massa de choque da CGIL está
impressionante, e vai mais além da capacidade de atrair setores da
oposição social (centros sociais, desobedientes, ...) com um "efeito
sombra" tal de atenuar o papel de outras contribuições à luta contra o
governo. A CGIL, porém, fala com lingua dobre: à sua maciça oposição
nacional contra governo não correspondem comportamentos coerentes
logo
que olhamos o nivel dos contratos de categoria, onde descubrem-se
novamente a unidade con CISL e UIL e as assinaturas de acordos
absolutamente fruto de "concertação". São ações graves, que ficam na
sombra do movimento geral de oposição social, mas não para os
sindicatos
de base.
OS SINDICADOS DE BASE
Confederação Cobas, RdB/CUB CIB Unicobas, SLAI Cobas, S.in.Cobas,
USI,
são as siglas dos sindicatos de base, que tem alguma importância por
categoria, empresa o cidade onde nasceram. Estão presentes quer no
setor
público quer no privado, e geralmente ficam excluídos da contratação
nacional, mas tiveram resultados ótimos nas eleições sindicais nos
lugares de trabalho. A sua Contribuição à luta de oposição social está
total: opõem-se às modificações do art.18, mas também àos acordos
particulares que CGIL/CISL/UIL ainda assinam. A 18 de outubro, dia de
greve geral, não foram nos cortejos de CGIL/CISL/UIL, mas organizaram
cortejos distintos, capturando adeções significativas com o "slogan":
unidos na data mas distintos pelos objetivos. A atitude litigiosa pela
egemonia que existe entre os sindicatos de base impide ainda que se
possa ir além de alguns momentos de coordenação em ocasião de
manifestações particulares: por isto, se aparece justa a crítica pelas
ambigüidades da CGIL, é verdade que os sindicados de base não oferecem
una alternativa sólida, capaz de ter, e dar, um fólego amplo e unitário.
Precisamos de dizer que a vida dos sindicatos de base está dificultada
pela barragem às representatividades sindicais oposta por
CGIL/CISL/UIL.
Apesar disto, nesta altura, estão protagonistas das lutas sindicais e
sociais particularmente nos lugares onde ficam mais fortes. A greve
geral do ensino e emprego público, proclamado por RdB/CUB,
Confederação
Cobas e CIB Unicobas, a 6 de dezembro. viu o 25% de adesões e 50.000
pessoas nas ruas de Roma.
CONTRA A GUERRA, CONTRA O DESEMPREGO
As lutas sindicais são ligadas estreitamente às lutas sociais. Das lutas
pelos direitos dos imigrantes às manifestações pela paz culminadas a 9
de novembro em Florenza, às manifestações contra a repressão, o
movimento de oposição cresce, enriquece-se e vê uma maior participação
popular. A resposta após os aprisionamentos de militantes quer em
Cosenza quer em Genoa foi a resposta da cidade toda, e não só dos
militantes do movimento de luta. O Estado teme este crescimento das
lutas e a ligação etre lutas sindicais e lutas sociais. A repressão
está utilizada como arma de intimidação para assustar e difundir
insegurança, sobre tudo no sul do país, onde o descontentamento fica
grande. A magistratura parece querer pregar o movimento àos dias de
Genoa 2001, obrigando à reconstruir os acontecimentos e denunciar que
Giuliani não foi matado por causa de defesa legítima, mas assessinado, e
que os incidentes foram causados por carabineiros e polícias. Apesar
disto, o estranho jogo de aprisionamentos, libeartações, outros
aprisionamentos, encerramentos de inquéritos, faz pensar numa "loucura"
da magistratura, para demonstar que esta tem necessidade de uma
"reforma": é o que quer o governo, e o centro-esquerda concorda!
No entanto na lei Financeira 2003 os gastos por armamentos e segurança
policial aumentaram (+7%!).
OS COMUNISTAS ANARQUISTAS
Contra o governo Berlusconi e contra a Confederação da Indústria
movem-se 3 correntes de oposição, que encontram momentos de
convergência
nas grandes manifestações:
a.. uma está feita pelos chamados "girotondini" [pessoas que
manifestam fazendo a ciranda nas ruas], o seu "leader", o realizador de
cinéma Nanni Moretti.; eles vêem nas leis do governo em favor dos
interesses pessoais de Berlusconi uma lesão grave da democracia e da
legalidade;
b.. outra corrente nasce das lutas pelos direitos e as liberdades
sociais, e que faz alvo das sua ações direitamente as contradições do
neoliberismo e quer a abertura de espaços sociais onde auto-organizar
uma solidaridade nova;
c.. a terceira corrente nasce das lutas sindicais que trouxeram o
mundo do trabalho ào centro do conflito social.
Pensamos que - mesmo se embora situadas em niveles distintos - as tres
correntes todas contribuam a criar una situação difundida de oposição
contra o governo de centro-direita e as escolhidas do patrões.
Particularmente, o nosso papel aparece o mais importante nas lutas
sociais e sindicais, onde a presença (e a implantação) de uma praxe
libertária possa ser garantia de coêrencia entre os objetivos e os
métodos. A FdCA, de fato, privilégia os elementos de unidade para
federar sujeitos e realidades que tem interesses e objetivos comuns. Por
isto, a construição de comités contra a guerra, o militarismo e os
nacionalismos todos for a nossa linha se houvesse a guerra; e a batalha
pela abertura de espaços sociais para a difusão da cultura alternativa,
da solidaridade laica e da auto-organização representa um dos setores de
atividade e empenho dos comunistas anarquistas; mas sobre tudo nas
lutas
dos trabalhadores e nos sindicatos apostamos num sindicalismo
conflitual, presentando una plataforma característica e uma praxe
inconfundível. Uma plataforma fundada sobre os direitos indisponível
com
referência à salário, orário de trabalho, saúde, liberdades sindicais; e
uma praxe inconfundível porqué libertária, expressão da máxima
democracia sindical. Em favor de um sindicalismo conflitual e de classe,
segundo uma praxe libertária, construímos coordenações de trabalhadores
sem considerar os sindicatos de afiliação; apoiamos a unidade dos
trabalhadores nos lugares de trabalho e no território.
Em nome da Federação dos Comunistas Anarquístas
Donato Romito
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